3 de abril de 2008

Abertura econômica à cubana

Posso até estar enganado, mas um dos temas que nunca passou por este espaço foi Cuba. Talvez pelos sentimentos contraditórios que o assunto desperta em mim. Um histórico de posições políticas que se enquadram naquilo que convencionou-se chamar de "esquerda" batia de frente com uma ojeriza a qualquer tipo de ditadura. Daí o subconsciente acabou decidindo deixar o tema na geladeira.

Entretanto, com o fim da era Fidel Castro (pelo qual também nutro sentimentos dispares, porém predominantemente positivos), o futuro da ilha passou a contar com aquele maravilhoso grau de incerteza que é o paraíso de qualquer palpiteiro, além da possibilidade de observarmos o que pode ser uma transição pacífica e ordenada para a democracia sem perder os pontos positivos do atual regime. Ou seja, vamos meter a nossa colher nesse angu com alguma regularidade daqui em diante.

Pra começar, temos as medidas anunciadas pelo novo presidente, Raul Castro, com o objetivo de eliminar algumas proibições que teriam se tornado "desnecessárias". Primeiro, autorizou o acesso irrestrito da população à vários bens de consumo, especialmente aparelhos eletrônicos, como computadores, celulares e DVD's, além de eletrodomésticos. Depois veio a liberação do acesso de cubanos aos hotéis de luxo antes reservados aos estrangeiros.

Porém, a medida que certamente é a mais emblemática da nova postura do governo cubano é a que foi anunciada esta semana, que possibilita a cessão de terras estatais ociosas à iniciativa privada, de forma individual ou em cooperativas. Sem dúvidas, foi uma medida que se impôs premida pela realidade de escassez de produtos agrícolas na ilha. Mas não deixa de ser um marco para um governo que teve na estatização das propriedades rurais uma de suas principais bandeiras.

O fato dessa flexibilização ocorrer logo depois da saída de Fidel do comando oficial do governo (ninguém se engane, ele ainda tem voz ativa) demonstra que os setores do PC cubano que lutavam por uma abertura econômica estavam sendo represados pela figura do Comandante. Ninguém ousava contrariá-lo abertamente em qualquer assunto, especialmente economia e política interna e externa. Já Raul parece ter consciência de que algumas coisas teriam que mudar, e é melhor que mudassem de forma ordenada, sob o controle do governo.

Agora é esperar para ver se no campo político também acontecerão mudanças em breve. O setores linha-dura não ficarão de braços cruzados, e a luta interna no PC cubano tende a ser aguda. Os próximos meses deverão ser muito reveladores do destino da ilha caribenha.


P.S. 1- Antes que eu me esqueça: aquela cambada de Miami não me merece nenhum respeito...
2- A carta de Fidel criticando a liberação da venda dos produtos acima citados prova que, infelizmente, o comandante perdeu o bonde da história ou então a doença é mais séria do que pensávamos.


2 de abril de 2008

Uma pesquisa e uma experiência

Correndo os olhos no site da BBC Brasil, dei de cara com duas matérias interessantes, cada uma a seu modo.

A primeira trata de uma pesquisa encomendada pela própria BBC e que indicou que 44% das pessoas em 34 países consideram o Brasil exerce uma influência positiva no mundo. Ótimo, somos bem avaliados (aliás, o 6º país melhor avaliado). Mas o que chamou atenção é que os dois únicos países pesquisados onde a avaliação do Brasil foi negativa são ... o Egito e a Turquia.

Não é por nada não, mas alguma alma boa, por obséquio, poderia me explicar qual a razão para esse resultado? O que será que egípcios e turcos sabem de tão ruim sobre nós que os outros países não suspeitam? Logo eles (Egito e Turquia) que ficam logo ali na esquina...

A outra matéria trata de um experimento feito por uma israelense de Tel Aviv que resolveu passar um mês se vestindo como uma palestina muçulmana, com hijab e tudo, e continuou freqüentando os mesmos locais aos quais ela sempre compareceu.

O relato das demonstrações de intolerância e racismo que ela enfrentou fala por si.

1 de abril de 2008

Um ditator em xeque

As notícias ainda são desencontradas, mas podem estar chegando ao fim os dias de poder do presidente Robert Mugabe, que governa de uma forma progressivamente autocrática o Zimbabwe desde 1980, quando caiu o regime dominado pela minoria branca. Os resultados oficiais das eleições presidenciais do último sábado ainda não foram divulgados, mas levantamentos extra-oficiais mostram resultados que variam desde uma vitória no primeiro turno do principal candidato da oposição, Morgan Tsivangirai, do partido MDC, até um eventual 2º turno com Morgan em vantagem. Os resultados das eleições parlamentares ainda são parciais, mas mostram uma pequena vantagem da do partido do governo, o ZANU-PF, mas sem maioria absoluta.

A demora nos resultados está levantando temores de tentativas de fraude por parte do governo, o que não seria novidade, pois os resultados das eleições de 2002 foram amplamente contestados. Desde então, o pais vem enfrentando sanções internacionais combinadas com violência política interna. O resultado dessa combinação só fez agravar os problemas sociais e econômicos do país, que hoje enfrenta uma inflação de 100.000% ao ano e escassez de gêneros de primeira necessidade. Parte desses problemas também pode ser creditado às políticas do governo que tomou a maioria das terras que pertenciam à minoria branca e redistribuiu aos veteranos da guerra civil. Ao fazer isso, Mugabe procurou consolidar apoio popular e entre o exército, mas acabou levando à fuga de boa parte da população branca, o que desorganizou a economia.

Nesse momento, o país está em total expectativa pelos desdobramentos dos resultados eleitorais. Todos querem adivinhar qual será a reação de Mugabe e do exército, leal à ele. Desde uma fuga do presidente, pressionado interna e externamente, passando por um 2º turno eleitoral, e chegando até um golpe de estado, nada pode ser descartado. As próximas 24 ou 48 horas serão decisivas.

30 de março de 2008

Tocando a bola

Finalmente com o hardware de casa em boas (não perfeitas) condições, vamos lá com uns toques rápidos (ou não...):

- Nessa confusão toda de cartões corporativos, contas tipo B, despesas não-explicadas e correlatos, sem entrar no mérito de quem tem razão, uma coisa salta aos olhos: a mania de parte petistas e de seus aliados de darem tiros no próprio pé. Não é a primeira nem a segunda vez (remember "aloprados", Palocci, etc.) que essa turma mete o pé pelas mãos. Agora é esse tal de dossiê (ou banco de dados) sobre o FHC e família. Pode até ter sido montado sem intenções escusas (pelo menos inicialmente), mas que foi pessimamente administrado, isso foi!

- Ainda no mesmo assunto, fica evidente o desespero da oposição para achar algo que possa servir para colocar em xeque politicamente um governo que vai muito bem nas pesquisas (às vezes nem tanto no dia-a-dia). Para piorar ela (a oposição) usa alguns porta-vozes que são dose pra elefante... Por exemplo, será que sou apenas eu que não consegue mais sequer escutar o Artur Virgílio?

- Aqui na terrinha a dengue também está fazendo diversas vítimas (poucas fatais, ainda bem), mas nada parecido com o caso do Rio. O que não dá para aguentar no caso carioca é a cara de pau do prefeito "virtual" César Maia, tentando tirar toda a responsabilidade de cima dele e jogar para o Estado e principalmente para a União. Claro, numa situação dessas todas as esferas de poder tem uma parcela de culpa, mas a do município é a principal, pois é ele que gerencia os recursos da saúde.

- Cara de pau também é a atitude do governo chinês quanto aos protestos no Tibet, jogando a culpa em "arruaceiros" e partindo para a repressão forte. Aliás, essa repressão só não foi ainda pior por causa do fator Olimpíadas. Fico pensando no que pode ocorrer de setembro em diante. Tomara que não.

- Achei um interessante artigo na revista Prospect tratando da questão do lobby pró-Israel existente nos EUA. O autor, ele mesmo um judeu, analisa a questão sob a ótica de que o grupo ultra-conservador que dirige atualmente esse lobby não representa, nem de longe, o pensamento médio dos judeus americanos e prega uma mudança na situação através da organização dos setores mais liberais.

- Pra terminar, uma esportiva: quero saudar efusivamente a volta às quadras de basquete do pivô brasileiro Nenê, que joga no Denver Nuggets, da NBA. Ele enfrentou e venceu um câncer testicular, diagnosticado alguns meses atrás. O cara é gente boa e merece toda a sorte do mundo.

26 de março de 2008

Pit-stop forçado

O computador de casa resolveu me boicotar desde antes do feriadão, e só agora está dando sinais de que aceita "discutir a relação".

Espero estar de volta à normalidade (se é que isso existe...) hoje ou amanhã.


P.S. Valeu aí, Nonato.

17 de março de 2008

Deportem, por favor !!!

Me associo, como todos os santistas (Peeeeixeeeee....), ao pedido abaixo:


Via Blog da Redação do UOL Esporte.

14 de março de 2008

Distorcendo os resultados das primárias democratas

Na manhã do dia 04/03, quando ocorreram as primárias do Texas e de Ohio, eu ouvi a notícia de que o famoso (sob todos os aspectos) apresentador de rádio Rush Limbaugh havia pedido que os eleitores republicanos daqueles estados votassem em Hillary Clinton nas primárias democratas, com o intuito de bagunçar e alongar ainda mais a disputa, e se possível ajudar Hillary a conseguir a indicação, o que poderia favorecer McCain.

Ao final do dia, quando saíram as pesquisas de boca-de-urna, os dados mostravam que um pouco mais de 8% dos votantes nas primárias democratas admitiam ser republicanos. A primeira impressão foi de que o apelo de Limbaugh não havia funcionado bem. Ledo engano.
A explicação detalhada para o que realmente ocorreu naquele dia e, principalmente, na posterior primária do Mississipi está neste artigo do site The Jed Report, e é assustadora.

Resumindo de forma extrema:

- A participação de republicanos passou de 3,9% em janeiro para 12% em 11/03 (Mississipi)
- A preferência desses republicanos passou de Obama (69% a 31%) em janeiro para Hillary (75% a 25%) no Mississipi
- Esse voto republicano pode ter tirado 5 delegados de Obama no Mississipi e dado para Hillary. Ou seja, alterou em 10 a estatística de delegados.
- Ao mesmo tempo, pode ter sido o acréscimo de votos republicanos que deu a vitória para Hillary nas primárias do Texas (no caucus Obama venceu).

Isso sem contar outras conseqüencias. Quem puder, leia o artigo. É bastante esclarecedor, até pelo que pode ainda acontecer pela frente.

13 de março de 2008

E se houver um impasse ?

Eleanor Clift, da Newsweek escreveu uma coluna intitulada What if There is No Back Room?. Nela, Eleanor pede para supormos os superdelegados divididos da mesma forma que os delegados regulares e que nenhum dos candidatos estivesse mais do que alguns votos à frente na convenção em Denver.

Seria plausível, segundo ela, imaginar uma situação em que todos os superdelegados se abstivessem na votação na primeira votação, para ver a direção para onde o vento está soprando. Se a margem de diferença fosse muito estreita, poderia prevalecer a sensação de que escolhendo tanto Clinton quanto Obama, o escolhido iria ser tão rejeitado pela outra metade que McCain iria vencer de roldão.

Assim, na segunda votação, todos esses superdelegados iriam para um candidato de compromisso: Al Gore. Ninguém colocaria em xeque sua capacidade para o cargo. Além disso, ninguém duvidaria da sua aptidão para ganhar no voto popular: ele já fez isso uma vez.

Hillary Clinton provavelmente odiaria, uma vez que é duvidoso que ela possa ter outra chance para disputar a Casa Branca. Por outro lado, um Obama com 12 anos de experiência no Senado seria um forte candidato em 2016 (ou 2012, se McCain vencesse este ano).

Quebrando uma promessa

Tinha prometido a mim mesmo que não trataria mais do assunto Veja aqui no blog. Claro, salvo fatos novos muito relevantes.

Porém, diante desse post do professor (ou panadero...), resolvi dar uma força na difusão da história. Tem a ver com o Nassif, suas denúncias e a tentativa de calar sua voz.

Pronto. Espiem vocês mesmos e tirem suas conclusões.


P.S. O Hermenauta não tem jeito...

11 de março de 2008

Sinal de alerta

Hoje é dia de primárias democratas no Mississipi. Obama deve vencer com alguma folga, mas luta pela indicação ainda vai se arrastar, e de maneira cada vez mais auto-destrutiva para os democratas. Eu já escrevi sobre isso, e como McCain está adorando. Cada vez mais gente pensa e escreve parecido, como o carioca, lá no Weblog.

Mas nem tudo no horizonte é calmo para McCain e o Partido Republicano. Por exemplo, eu achei esta notícia no bom site Electoral-Vote de domingo passado.

Resumindo, ocorreu eleição suplementar para a Câmara dos Representantes no distrito 14 de Illinois. A cadeira estava vaga pela renúncia do deputado republicano Dennis Hastert. Vitória do candidato democrata, o desconhecido físico nuclear Bil Forster sobre o empresário Jim Oberweis. O detalhe é que o distrito é pesadamente republicano, tendo dado maioria à Bush em 2004 e eleito republicanos nas últimas 11 eleições para a Câmara. Mau sinal para outros candidatos republicanos país afora, especialmente em distritos mais equilibrados (swing districts).

De quebra, Obama (que fez campanha para Forster, enquanto McCain fez campanha para Oberweis) ganhou mais um superdelegado...


P.S. A garota que aparece dormindo no famoso anúncio do telefone às 3 da manhã, de Hillary, cresceu e agora apóia Obama .

5 de março de 2008

Guitarras geniais

Sou daquela geração que quase não alcançou os Beatles antes da separação da banda. Mas foi bom descobri-los quando já não eram "da moda", formar uma opinião menos influenciada pelo ambiente.

Dos quatro, sempre tive uma simpatia maior por George Harisson. O cara era gente boa e tocava muito. Pena que o safado do câncer o levou ainda cedo.

Nesse dia 02 de março, outro guitarrista muito talentoso também perdeu sua luta contra um tipo raro de câncer. Jeff Healey tinha apenas 41 anos e era cego desde muito novo, já por obra da doença.

Para lembrá-lo, escolhi esse vídeo, exatamente com uma música de Harisson, "While My Guitar Gently Weeps".

Dá até para imaginá-los juntos, em algum lugar, estraçalhando...



4 de março de 2008

Palpitando

Hora de colocar alguns assuntos em dia, mesmo que sucintamente:

- Muito bom que a séria discordância entre o professor e o carioca no tema Israel X Palestinos não vai deixar sequelas irreparáveis. Na discussão (como em quase toda discussão, diga-se de passagem) os dois foram um pouquinho além do esperado, mas tudo bem. Continuam amigos e duas de minhas leituras diárias obrigatórias.

- Na confusão envolvendo Colômbia, FARC, Equador e Venezuela, parece que todo mundo tá errado, ou agindo a partir de um cálculo político muito arriscado. É hora de o Lula cair em campo para tentar por panos quentes, porque tudo o que não precisamos aqui na América do Sul é um conflito armado. O melhor texto que vi sobre o tema, até agora, foi esse do Sérgio Léo.

- Hoje tem primárias democratas no Texas, Ohio, Vermont e Rhode Island. Palpite meu: a Hillary vai tirar um pouco da diferença para o Obama e pode levar a decisão para a Pensilvânia, na 2ª quinzena de abril. Ou seja, o McCain agradece.

- Pra terminar, amanhã o Supremo Tribunal Federal julga a ação contra a Lei de Biosegurança, que regulamentou as pesquisas com células-tronco embrionárias. Espero que os ministros mantenham a lei como ela está, dando liberdade aos cientistas para trabalhar nesse novo e fascinante campo. Qualquer outra decisão colocará em cheque a definição do Estado Brasileiro como laico e independente de visões religiosas, quaisquer que sejam as crenças.

1 de março de 2008

Chega !!! Perdi a paciência

Trancrevo abaixo um comentário que postei neste post do Pedro Doria :
Alguém aqui tem algum conhecimento básico de matemática?Nada muito profundo, apenas as 4 operações básicas.

Porque os números das vítimas são bastante reveladores. E não apenas os desta semana. Dos últimos meses ou anos também.

Revelam o quê? Uma total falta de proporção entre os dois lados e suas ações.

Algum dos dois lados pode bater no peito e gritar: “Eu estou com a razão!!” ? De jeito nenhum.

E a matança vai continuar.

Suspeito que enquanto algum israelense que viu o Holocausto e algum palestino que viu a criação do estado judeu ainda viverem, a paz será apenas um sonho.

Sabe duma coisa? Falaram tanto do Fidel recentemente e relebraram os “paredões” que tive uma idéia: um fuzilamento coletivo. Dez israelenses e dez palestinos.
Cada lado escolhe os fuzilados do outro.

Mais que mil palavras


A imagem acima foi captada em Hebron, na Cisjordânia (via Biscoito Fino).

Das muitas insanidades que qualquer guerra carrega em si, esse é do tipo que mais me perturba. Crianças não podem ser alvos, tanto faz se deliberadamente ou não.

A morte dos quatro garotos em Gaza atingidos por um bombardeio israelense enquanto jogavam futebol iguala-se à dos 18 garotos iraquianos atingidos por um carro-bomba quando também jogavam em um campinho na periferia de Ramadi, Iraque, em fevereiro do ano passado. Aliás, cruel coincidência: exatamente um ano entre um fato e o outro.

Dizer mais o que? Pura insanidade.

25 de fevereiro de 2008

Ranger de dentes

Pro lado que você se virar hoje na blogosfera brasileira, e também na mídia tradicional, vai deparar-se com alguém escrevendo algo sobre o jogo de ontem entre Flamengo e Botafogo pela final da Taça Guanabara.

Se por acaso você não se liga em futebol ou passou o final do domingo e o início da segunda-feira em uma excursão até Marte, informo: o Flamengo venceu por 2X1, de virada, com um gol nos descontos. Mas o que chamou realmente a atenção na partida foi a arbitragem e a reação pós-jogo do elenco, comissão técnica e diretoria do Botafogo.

A arbitragem, como é dolorosamente normal, foi infeliz, para dizer o mínimo. Confusa, sem critério, medrosa, e por aí vai. Dá para chamar de parcial e mal-intencionada? Não sei, talvez. Mas que deixou motivos para muitos pensem assim, isso deixou! E aí veio a reação botafoguense. Reunidos na sala de imprensa, e em rede nacional, o elenco, os dirigentes e a comissão técnica eram um choro só, literalmente. Todos acusaram o árbitro de ter influído decisivamente no resultado, e de ser parte de um a continuada tendência de prejudicar o alvinegro carioca.

Antes de qualquer coisa acho que a arbitragem, como um todo, prejudicou o Botafogo. Em um jogo que vinha equilibrado, e até com o Botafogo melhor no primeiro tempo, as expulsões podem ter influenciado o resultado. Nem tanto o pênalti, duvidoso mas que muitos (talvez a maioria) marcariam.

Porém, a reação posterior foi claramente exagerada, claramente reflexo de uma direção exageradamente passional, como bem atestam episódios anteriores. Por exemplo, lembram da semana seguinte á eliminação da Libertadores no ano passado? A diretoria rebaixou o elenco a substrato de coisa nenhuma... Falta na diretoria botafoguense alguém que saiba controlar as emoções mesmo nos piores momentos, que coloque tudo sob a devida perspectiva e toque o barco adiante.

Isso significa calar frente aos erros, intencionais ou não? De forma alguma. Em qualquer lugar, e especialmente no Brasil, quem cala consente. Nosso futebol vem perdendo parte do seu encanto e de sua atração junto às novas gerações exatamente pelas ações de cartolas safados e de árbitros incapazes, manipulados ou medrosos.

O que distingue o caso do Botafogo é que a equipe não pode se arvorar do monopólio da perseguição. Basta verificar o histórico das últimas décadas, senão vejamos:

- No jogo que deu o título ao Botafogo em 1989, após 21 anos na fila, Maurício, autor do gol decisivo, empurrou claramente o zagueiro do Flamengo antes de tocar na bola.
- Na decisão do Brasileiro de 1995, o tristemente famoso árbitro Márcio Rezende de Freitas anulou um gol normal do Santos. Resultado: Botafogo campeão.
- Na decisão da Taça Guanabara de 2006, o juiz prejudicou claramente o América, deixando de marcar um pênalti escandaloso. Resultado: Botafogo campeão.
- Nas quartas de final da Copa do Brasil 2007, o Atlético Mineiro foi garfado pelo Carlos Eugênio Simon, que não marcou um pênalti claro no final do do jogo. O Botafogo classificou-se para as semifinais, onde dançou para o Figueirense, e acusou a bandeirinha Ana Paula Oliveira de prejudicá-lo. Porém, a TV mostrou que a bandeira não errou.

Resumindo, o vento que venta lá também venta cá...

15 de fevereiro de 2008

Crepúsculo de dor

Esta semana presenciou mais um capítulo na via-crúcis de dois ídolos do esporte brasileiro.

Primeiro, foi a emocionante (mas infrutífera) tentativa de Gustavo Kuerten para iniciar aquela que será sua última temporada no tênis profissional de uma maneira digna. Vencido pelas insistentes e demolidoras dores nos quadris, ele foi pouco mais que um figurante no Brasil Open. Nada que não tenhamos acompanhado nos últimos tempos. Pura luta contra a dor. Um atleta diferenciado tentando sobrepujar os próprios limites físicos. Não deu. Mas Guga não precisa provar mais nada. Resta-nos aplaudir e agradecer, muito.

Vá descansar, campeão!!!

Depois, foi a vez de presenciarmos outra lesão séria de Ronaldo Nazário, o Fenômeno. Novamente uma ruptura do tendão patelar, mas agora no joelho esquerdo. A cena foi de cortar o coração, até por remeter à imagem da lesão anterior, visual mete mais chocante.

A aparentemente interminável seqüência de lesões de Ronaldo sempre despertou debates entre os especialistas, tanto os médicos quanto os jornalistas esportivos, mas sempre de maneira discreta ou anônima. Desta vez, entretanto, alguém resolveu ir além. Aquilo que era comentado a boca pequena foi explicitado pelo Coordenador de Doping da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e médico do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), Bernardino Santi.

Em resumo, Ronaldo, então apenas um adolescente, teria sido submetido, quando jogador do PSV, a um programa de suplementação que incluiria o uso de alguns anabolizantes. Isso explicaria o extraordinário desenvolvimento atlético conseguido por ele na época, com visível aumento de massa muscular. O preço seria pago depois, pois as articulações, especialmente dos joelhos, submetidas a uma carga muito mais forte, não resistiram.

Nada disso tem confirmação, e talvez nunca tenha. Mas explicaria muita coisa.

Ronaldo nunca foi um dos meus maiores ídolos. Sou daqueles que viu a geração de 70 e a de 82, portanto posso me dar ao luxo de ser exigente. Mas sempre admirei a forma com que Ronaldo enfrentava os adversários e as adversidades. E nunca tive dúvidas de que ele é um cara "do bem". Fica aqui minha torcida pela sua volta aos gramados, apesar de achar que desta vez a possibilidade de que isso não ocorra é muito real.

Raposa no galinheiro

Essa história do roubo dos computadores da Petrobrás é, pra dizer o mínimo, escandalosa. Especialmente quando se vê quem era a empresa responsável pelo transporte: a Halliburton. Isso mesmo, aquela empresa que é unha-e-carne com o que há de mais safado e reacionário na política americana.

Espanta também uma certa falta de cuidado da Petrobrás com o tráfego de materiais e informações sensíveis. Quando valores envolvidos alcançam a ordem de grandeza de bilhões de dólares, o cuidado deveria ser redobrado.

E certo tipo de parceiros comerciais é melhor não ter. O risco de ser apunhalado pelas costas é brutal...

14 de fevereiro de 2008

Blogs e blogs

Para mim, esse negócio de acompanhar uma espécie de bicho chamado de Blog começou fazem uns quatro anos. Lembro que foi um pouco antes da campanha eleitoral daquele ano (2004), e a blogosfera brasileira era muito diferente do que é hoje, tanto em tamanho quanto em variedade e qualidade. Naqueles tempos, eu apenas comentava, e o ambiente nas caixas de comentários era bastante aprazível, com muitas discordâncias mas rarissimos exageros. Entretanto, com o final daquela campanha e a eclosão da sequência de crises que atingiu o governo Lula o clima mudou. O radicalismo prosperou, de lado a lado, e as agressões se multiplicaram.

Sem espírito para esse tipo de "diálogo", e por não me enquadrar herméticamente em nenhum dos lados em disputa, deixei de acessar a caixa de comentários de alguns sites, e deixei de ler alguns outros. Fiquei com aqueles onde a civilidade ainda reinava, e procurei alguns novos. Ao mesmo tempo, e para poder explicitar livremente meus pensamentos (Sim, eles existem!) comecei a tentar por esta página para diante. Nem sempre é simples, em algumas vezes falta tempo, e em outras falta ânimo. Mas vamos seguindo.

Por quê desta pequena resenha pessoal?

Infelizmente alguns dos melhores exemplos de como manter um blog de qualidade, com opinião mas sem sectarismo e agressões, estão sendo "atacados" por um tipo de de comentarista que não sabe conviver civilizadamente com o contraditório e a divergência. Os responsáveis por esses espaços tem resistido bem a essa turba, mas nem sempre é fácil.

Solidarizo-me com o professor , o carioca, e outros mais que lutam para manter a blogosfera brasileira minimamente habitável, mas sem perder o bom humor. Jamais.

9 de fevereiro de 2008

Hey you

Este blog tem uma pequena (bem pequena) porém fiel audiência. Obrigado a todos vocês que me aturam. Valeu mesmo.

Dentre esses poucos heróis, espalhados pelo mundo, existe alguém que despertou minha curiosidade.

Hey, você aí, de Wilmington, Delaware. Who are you? Where are you from?

3 de fevereiro de 2008

Yes We Can