Ou seria nas versões? Sei lá, tanto faz... O que vale é desembuchar as ideias (ou falta delas) desse cearense sempre importunado, inconformado, impaciente, interessado e, frequentemente, imbecil. Aliás, ser cearense é um estado de espírito. Às vezes, espírito-de-porco...
23 de janeiro de 2012
Fazendo falta, cada vez mais
11 de junho de 2010
Obrigatoriedade do voto: o fim está próximo?
Resumindo, a CCJ do Senado aprovou um projeto do Sen. Marco Maciel que elimina a quase tprojeto do Sen. Marco Maciel que elimina a quase t5es para aqueles eleitores que deixam de comparecer às urnas. Ficaria apenas a multa (irrisória) e a possibilidade de cancelamento do título de eleitor em caso de não comparecimento em 3 eleições seguidas.
Proibição de participar de concurso público, de conseguir empréstimo em órgão financeiro estatal, de tirar RG ou passaporte, de matricular-se em instituição de ensino pública, tudo isso seria eliminado.
Apesar de não estar explícito, o que aconteceria de fato seria a virtual eliminação da obrigatoriedade de votar. A menos que a multa fosse significativamente aumentada (hoje é de no máximo R$ 3,51), muitos eleitores deixariam de votar, ou por razões de consciência ou por motivos práticos (residir distante do domicílio eleitoral, por exemplo).
Pessoalmente, sou contra o voto obrigatório. Ele acaba propiciando distorções (do tipo "curral eleitoral", que existe em todo o país e em variadas formas), além do fato de que votar é um direito, e não pode ser uma obrigação.
Entretanto, reconheço que o tema é polêmico, e existem argumentos honestos nas duas direções.
E vocês, fiéis leitores, o que pensam sobre o assunto?
17 de abril de 2010
Eleições no horizonte, para tudo que é lado
Mas o processo eleitoral sempre atrai atenções. Quando nada, de malucos (eu, eu...) que adoram analisar pesquisas e resultados de eleições. Tanto faz se é uma eleição para prefeito em Quixeramobim ou a eleição presidencial americana: todas tem seu charme.
Evidente que algumas (especialmente nas democracias ocidentais) são mais fáceis de acompanhar, pela exuberância de dados disponíveis. Outras são bem complicadas por uma série de razões. Entender o mecanismo eleitoral no Japão ou na Índia é bem difícil, mas não tanto quanto conseguir dados das eleições parlamentares do Tadjiquistão ou de São Tomé e Príncipe... (OK. É coisa de maluco mesmo...).
Neste 2010, a previsão é de o mundo acompanhar um total de 12 eleições presidenciais e 15 eleições legislativas, além diversas outras a nível regional e local ( a francesa em março passado foi um bom exemplo).
Reparem que eu falei "previsão", por que tanto o cancelamento de eleições previstas (Ex. Haiti) quanto a realização de pleitos não programados (ex. Polônia) é bem comum.
Fazendo jus ao seu nome e a mania de seu redator acima relatada, este espaço pretende ficar De Olho em alguns dos pleitos deste ano. Óbvio que a eleição presidencial e legislativa aqui no Brasil será a mais mencionada, seguida da eleição para o Congresso americano (por todas as implicações dela decorrentes).
Para começar, faremos durante as próximas semanas um acompanhamento das eleições parlamentares na Grã-Bretanha, que se prenunciam as mais acirradas em várias décadas, com 3 partidos com chances reais.
Conto com a ajuda e a participação de todos os 1,9 fiéis leitores deste barraco.
8 de abril de 2010
Carta aberta ao Dep. José Genoíno
De cara, me perdoe pela absoluta falta de respeito às formalidades durante este texto. Faço isso por duas razões.
Primeiro: você é um parlamentar, pago (e muito bem) com o meu, o nosso suado dinheirinho. Logo, "nós, o povo" somos o patrão, e vocês estão aí para, em último caso, atender as nossas vontades. Por isso mesmo, dispensam-se as mesuras exageradas.
Além disso, e apesar de ter um mandato pelo Estado de São Paulo, você é cearense, meu conterrâneo. Conhecemos bem de onde você e sua família vem, o que fizeram e o que fazem. Conhecemos MESMO... Logo, deixemos as frescuras de lado.
Direto ao assunto: você perdeu uma ótima, diria até excelente, chance de ficar caladinho da silva nesse debate sobre o Projeto Ficha Limpa. De todos os membros de sua bancada (e talvez de toda Câmara), você deveria ser dos últimos a se intrometer na discussão. E não me venha com essa conversa fiada de "exercer o mandato popular"... Alguém que está sendo alvo de um processo no STF não deveria nem comparecer ao plenário durante as discussões do projeto. Qualquer coisa que você fizer e/ou disser vai ficar claramente marcado como "legislar em causa própria".
Como se não bastasse, não venha se meter a "botar boneco" com o projeto alegando que ele fere a Constituição, que tolhe direitos, etc. Direito quem tem é o povo de não permitir que um bando de pessoas já condenadas por todo tipo de crime tente conseguir a proteção das imunidades parlamentares e dos privilégios que um mandato proporciona.
Veja bem essa sua declaração: "Essa é uma lei casuística, fere o devido processo legal. É o Judiciário quem vai escolher quem será candidato, que vai tutelar o processo político. Quem tem que tutelar é o povo, é o cidadão, na urna secreta." Deputado, isso é um sofisma sem tamanho. Afinal de contas, o Judiciário é um poder que também representa a vontade do povo. Juízes existem para defender o correto cumprimento da lei e de seu espírito, e com isso proteger a sociedade contra aqueles que não se portam corretamente.
Sinceramente, estou com o saco cheio das hipocrisias de supostos "defensores da democracia". Deputado, a democracia verdadeira abomina a corrupção. Dizer que os fins justificam os meios é algo medieval. E o Brasil merece mais do que isso.
E pra terminar, um conselho: como diria alguém acolá, quando a esperteza é grande demais, ela engole o esperto.
Saudações cearenses.
15 de março de 2010
25 anos de liberdade
Digo governou, mas poderia ter usado muitos outros termos: oprimiu, infelicitou, aterrorizou, silenciou, castrou, desorientou, ...
Apesar de em seus anos finais ela ter sido claramente menos cruel do que em seu período mais negro, entre 1968 e 1976 (os anos de chumbo), não deixa de ser meio surpreendente que tenha durado tanto tempo, vinte e um longos anos.
Sobre isso, lembro de uma conversa que tive meses antes da Anistia, com um bom amigo, velho combatente contra o arbítrio, que saiu-se com essa comparação:
- Cara, os nazistas ficaram 12 anos no poder, e foi preciso uma guerra daquelas para derrotá-los. Os milicos daqui já estão mandando a quase 15 anos... Os caras são duros de roer...
Desde aquele 15 de Março de 1985, a nossa democracia consolidou-se, com as amplas liberdades públicas que hoje desfrutamos.
Mas talvez naquele exato dia estejam as sementes dos problemas que hoje enfrentamos em nossa estrutura política. O que poderia ter sido um ponto de partida para mudanças amplas e profundas acabou sendo um bocado de "mais do mesmo".
Esperar Tancredo e receber Sarney foi um choque que demorou para ser verdadeiramente assimilado e processado. As influências disso na Constituição de 88 e no restante da nossa organização político-partidária são claros, exigindo reformas urgentes.
Sarney, Collor, Itamar, FHC, Lula.
Tão diferentes entre si, mas todos eles sem vontade ou sem poder para romper certos vícios. E todos tendo em comum raízes na luta política do tempo da ditadura, quaisquer que fossem os lados em que estivessem.
A eleição de 2010 não deverá produzir nada diferente, já que os dois principais candidatos começaram a vida política na luta contra o antigo regime.
Ou seja, para o bem ou para o mal, aquele tempo negro onde a força fez o mal que a força sempre faz continuará deixando seus rastros.
Quem sabe daqui a alguns anos ela não será mais do que uma lembrança ruim, um sonho mau que não assustará nem um pouco, e o país discutirá seus problemas sem se medir por réguas ultrapassadas.
6 de outubro de 2009
Enfim, repouso para Bergson Gurjão Farias
Seus cadáver foi identificado em junho passado, após passar até 1996 enterrado como indigente no cemitério de Xambioá, no Pará. Bergson foi o único dentre os quatro cearenses militantes comunistas desaparecidos no Araguaia no início dos anos 70 que teve o paradeiro determinado. Os demais continuam desaparecidos.
A primeira vez que ouvi falar de Bergson foi em 1981.
Eu havia ingressado na UFC e procurava me familiarizar com o então recém-reorganizado movimento estudantil universitário. Meu curso era o de Engenharia Mecânica, e das engenharias o movimento mais estruturado era o da Engenharia Química, cujo CA levava (e ainda leva) o nome de Berg da Engenharia Química, cujo CA levava (e ainda leva) o nnome de Bergson Gurjão, ex-aluno do curso e que foi um dos principais líderes do movimento estudantil na UFC na segunda metade da década de 60.
Bergson foi homenageado hoje na Reitoria da UFC, onde um memorial foi inaugurado com a presença de sua mãe, D. Luiza Farias, de 94 anos.
Impossível tentar entender o que essa mulher passou nos últimos 37 anos, na busca por um filho que todos sabiam estar morto, mas cujo direito a um túmulo digno foi sistematicamente negado. A esperança de encontrar os restos do filho parecem ter dado força para que ela se mantivesse viva e lúcida o suficiente para deixar emocionados todos os que presenciaram a cerimônia.
Oxalá as demais mães, esposas, irmãos e filhos dos desaparecidos na ditadura ainda tenham a chance que D. Luiza teve, de poder prantear o corpo do filho e dar a ele um repouso adequado.
26 de agosto de 2009
Cala-se o Leão

Um avassalador tumor no cérebro tirou ontem, aos 77 anos, a vida do Senador Edward Kennedy, o caçula da lendária família que, como quase nenhuma outra, uniu triunfos políticos e tragédias pessoais.
O "Leão do Senado" conseguiu imprimir uma marca pessoal à sua atuação parlamentar nos últimos 40 anos, saindo da sombra de seus irmãos mais velhos, e tornando-se a mais respeitada voz entre os políticos progressistas americanos. Toda legislação americana de direitos civis, previdência, saúde e avanços sociais das última décadas tem suas digitais, muitas vezes de forma decisiva.
Fará falta.
12 de agosto de 2009
Outra história surpreendente
Primeiro, pense em um jovem escritor, ainda desconhecido. Filólogo por formação, e profundamente devotado à cultura de seu povo, o qual não possui um Estado próprio, ele começa a militância em grupos que querem a autodeterminação.
Como era de esperar, ele foi processado pelo governo central e condenado à prisão. Pena de 22 anos.
Encarcerado, cumpriu 5 anos até escapar de uma forma digna de filme hollywoodiano.
Como? Um conhecido cantor da mesma etnia foi fazer um show na prisão. Após a saída dos músicos, durante a contagem dos presos, a direção verificou que dois estavam faltando: nosso escritor e outro militante nacionalista. Como ocorreu a fuga? Eles simplesmente saíram escondidos dentro dos grandes auto-falantes da banda, que foram carregados até os veículos por outros presos.
Nosso personagem caiu na clandestinidade (e provavelmente no exílio), e jamais reapareceu publicamente (pesquisando um pouco mais, uma fonte afirmou que os processos já estão prescritos, e nosso escritor poderia voltar à vida normal, porém não consegui encontrar uma confirmação).
E já se vão 24 anos desde então...
Se parasse por aqui, a história seria interessante mas apenas mais uma dentre muitas desse tipo que conhecemos. O que diferencia nosso personagem é que ele tem aproveitado esse tempo para uma prolífica produção, tanto de obras próprias quanto de traduções de escritores estrangeiros para a sua língua materna. E com essa produção, mesmo na clandestinidade, ganhou alguns prêmios literários.
T.S. Elliot, Robert Louis Stevenson, Samuel Taylor Coleridge e Fernando Pessoa são alguns dos escritores mais conhecidos que ele traduziu. Escritores galegos, catalães e latino-americanos também são outros alvos frequentes de seu trabalho.
Ah, ele traduziu a Antologia Poética, de um tal de Manuel Bandeira. Familiar?
Bem, hora de dar nome aos bois...
Nosso personagem chama-se Joseba Sarrionandia Uribelarrea, e nasceu em Iurrreta, no País Basco, em 1958.
Eis seu poema mais conhecido:
O escravo ferreiro
Preso nas selvas do ocidente
trazeram-te a Roma, escravo,
deram-te o ofício de ferreiro
e fazes grilhões.
O ferro vermelho que sacas dos fornos
pode moldar como queiras,
podes fazer espadas
para que os teus compatriotas rompam as suas cadeias,
mas tu, esse escravo,
fazes grilhões, mais grilhões
Aqui vale um adendo.
Sou um profundo entusiasta da causa independentista do País Basco. Acredito piamente que aquele povo tem direito á gerir com inteira soberania o seu destino, e que os governos de Espanha e França serão obrigados, mais dia menos dia, a reconhecer inteiramente os direitos do povo basco. Mas não posso me furtar a uma constatação clara: a organização armada ETA perdeu o bonde da história, e vai acabar sendo marginalizada dentro de seu próprio povo. Hoje é apenas um grupo reduzido de fanáticos dissociados da realidade, que nem mesmo podem invocar a bandeira "revolucionária" sem deixar os verdadeiros militantes das causas progressistas com náuseas.
Perdeu aquela aura de lutadores contra a ditadura franquista, e mais, se afastou completamente das motivações que lhe deram origem 50 anos atrás. Não vê que, apesar de os governos espanhol e francês não tratarem da questão basca com o devido cuidado e respeito, ambos os países são democracias, contra as quais a luta armada não faz o menor sentido. Ela apenas alimenta aquele monstro que chamamos de facismo, que vive á espreita aguardando desculpas para mostrar seus dentes.
Talvez falte ao grupo e seus simpatizantes elementos com uma visão clara de mundo, como os que existiam dentro do IRA e de seus braço político, o Sinn Fein, o que propiciou o acordo que transformou a Irlanda do Norte em um lugar, senão de perfeita paz, pelo menos incomparavelmente mais justo hoje do que meros 15 anos atrás.
Repito: todo apoio ao povo basco em sua busca por justiça e liberdade.
Mas chega desse infrutífero derramamento de sangue.
7 de julho de 2009
Constituinte exclusiva para a Reforma Política
Pois bem, eis que o Deputado Marco Maia (PT-RS) apresentou a Proposta de Emenda Constitucional nº 384/2009, que, em linhas gerais, atende ao que foi descrito acima.
Em resumo, a proposta, que recebeu a assinatura de 317 parlamentares, determina que, concomitantemente com as eleições gerais do próximo ano, sejam eleitos 180 parlamentares constituintes para promover a revisão dos dispositivos constitucionais relativos ao regime de representação política.
Mesmo sabendo que uma proposta como essa terá um intenso debate e sofrerá inevitáveis aperfeiçoamentos, gostaria desde já de levantar alguns pontos que me parecem relevantes:
- A quantidade de constituintes por estado ser determinada proporcionalmente à população é algo correto. E a designação de um número mínimo por estado é uma boa medida para evitar choques intra-federativos. Porém considero o piso de 4 vagas por estado previsto no projeto muito elevado. Se for levado adiante, fará com que os 15 menores estados, que detém cerca de 18% da população do país, fiquem com 33,3% do total de vagas.
Sugestão: o número mínimo poderia ser de 3 parlamentares constituintes por estado, o que faria com estes mesmos 15 estados ficassem com 25% das vagas. Ou então um mínimo de 2 vagas por estado, com o total de cadeiras sendo reduzido para 150.
- O projeto prevê a composição das bancadas de cada estado proporcionalmente aos votos de cada partido. Considero que, dada a relevância do assunto a norma não é adequada. Muitos cidadãos que teriam muito a oferecer às discussões não são nem pretendem ser filiados a partidos políticos.
Sugestão: Deveriam ser permitidas candidaturas avulsas, sem vinculação partidária, e a composição das bancadas seria feita por votação majoritária, isto é, os mais votados estariam eleitos, independentemente de partidos. Nesse caso, a redução para 150 cadeira na Assembleia seria desejável. Além disso, a reserva de um percentual de vagas para candidatas mulheres é algo que poderia ser discutido.
- Outro bom ponto do projeto fala que os candidatos à Assembleia Constituinte Revisional não poderão se candidatar a outros cargos eletivos em 2010. Medida necessária, mas não suficiente, na minha visão.
Sugestão: Os cidadão eleitos para a Assembleia Revisional ficariam impedidos de se candidatar ou assumir qualquer cargo público, em qualquer dos poderes, seja por eleição seja por nomeação, por um período após a conclusão dos trabalhos, período esse que poderia ser de 2, 3 ou 4 anos.
Para terminar: este espaço, a partir de agora, dará total apoio a proposta do Dep. Marco Maia, a qual é com certeza um ótimo instrumento para fazer avançar a discussão sobre o assunto.
Até porque a atual estrutura de representação política do país está totalmente carcomida (nem preciso entrar em detalhes...) e não atende mais a realidade sócio-política do Brasil
5 de julho de 2009
Exemplarmente didático
Meu aparelho querido
A Executiva Nacional do PSDB prorrogou o próprio mandato e deu a si poderes para intervir em qualquer diretório estadual. Deu também ao presidente do partido, Sérgio Guerra, o poder de estender mandatos de diretórios regionais “nos casos em que julgar conveniente”. Como se sabe, o PSDB é um partido de fortes convicções democráticas, permanentemente alerta contra o risco do "chavismo".
A quem interessar possa: concordo também com o restante da coluna.
21 de junho de 2009
Contra qualquer ditadura
Este sempre será, sem exceções, um espaço à serviço da luta contra QUALQUER ditadura, tenha ela a motivação e a ideologia que tiver. Da mesma forma, apoiará sempre a independência e auto-determinação de todos os povos, e será crítico às presenças militares estrangeiras (salvo casos muito excepcionais, que não se choquem com os preceitos acima).
Minha absoluta solidariedade ao povo do Irã, e minha homenagem aos que tombaram na luta dos iranianos pela liberdade.
Neda vive.
E para que ninguém perca de vista as raízes deste posicionamento, ...
28 de maio de 2009
Um tradutor, por favor !!!
Para efeito de situar melhor essa organização, digamos que o rosto mais conhecido do grupo é a socióloga e ex-prefeita de Fortaleza Maria Luiza Fontenelle, e eles defendem posições radicalmente anti-capitalistas, sem porém se identificarem com as posições do mainstream da esquerda atual.
Uma visita ao site do grupo pode ser muito elucidativa. Ou não.
Eles estão convocando para Janeiro de 2010 um Fórum Transnacional Antifetichista, e para tanto lançaram um documento convocatório. Dei uma lida nesse documento e juro que estou boiando até agora.
Alguns trechos:
"Um fórum que tem como fundamento a revolução teórica da crítica radical do valor-dissociação. Um fórum que vai desencadear o processo de construção de um movimento social emancipatório que transcenda o sistema produtor de mercadorias e inaugure uma nova relação social. Um fórum que possibilite o encontro do impensável com o impossível para ultrapassarmos a história das relações fetichistas. Um fórum que tem como objetivo a conquista da sociedade da emancipação humana."
"Mas há um obstáculo quase intransponível a este projeto emancipatório - a abstração real do valor- dissociação que se constitui como uma matrix apriórica sob a qual o ser humano submetido não sabe, mas faz.
"O quase intransponível reside no fato de que a forma social da abstração real do valor é comum às classes sociais e a causa do conflito de seus interesses. Tal forma é fetichista porque constitui uma estrutura sem sujeito por trás das costas dos envolvidos. Nesta estrutura, as pessoas humanas são submetidas ao eterno processo automático da transformação da energia humana abstrata em dinheiro.
"O quase intransponível também reside no fato de que a forma social da abstração real do valor vem da sua determinação essencial lógica junto com a dissociação sexualmente determinada. Essa dissociação dos momentos de reprodução social material, sócio-psíquica e cultural-simbólica não se vincula diretamente à valorização do valor. No entanto, essa dissociação surge como aspecto essencial abrangente, transversal a todas as esferas, porque está sediada no plano da lógica básica ou da própria matrix."
Olha, apesar de não ser nenhum especialista, também não me considero um total analfabeto em temas sócio-político-filosóficos.
Mas, repito, juro que estou sem entender praticamente nada.
Alguma alma boa pode traduzir para mim ?
13 de maio de 2009
O Rio e as Olimpíadas de 2016, Fortaleza e a Copa de 2014
Aqui dentro do Brasil a discussão está polarizada entre os que apoiam a candidatura (basicamente os governos estadual e municipal do Rio, o Comitê Olímpico Brasileiro, a Rede Globo, o empresariado ligado ao turismo e a construção civil e, em uma escala levemente menor, o governo federal), e aqueles que são críticos ao projeto (parte da imprensa e instituições da sociedade civil ligadas ao esporte e a transparência nos gastos públicos).
Pessoalmente sou contra o projeto, especialmente por ele ser tocado por um órgão (o COB) que já deu demonstrações inequívocas de incapacidade para gerenciar recursos e formatar planos que resultem em efetivos avanços para o esporte nacional e para o conjunto da sociedade. Isso se agrava a partir do momento em que se juntam a ele grupos políticos e econômicos cujo histórico é nada recomendável. Foi essa reunião de personagens que nos deu o Pan de 2007, com orçamento largamente ultrapassado, obras questionáveis, poucos ganhos na infra-estrutura da cidade (especialmente comparado ao que foi prometido) e praças esportivas que, após os jogos, estão variando entre a quase total falta de utilização e o desvio de finalidade.
Durante muito tempo, eu estava sem saber verdadeiramente quais as reais chances da candidatura do Rio. Tudo que eu via era o oba-oba dos organizadores, mas quase nada mais isento e independente. E quase nada sabia sobre a situação das candidaturas concorrentes, de Chicago, Tóquio e Madri.
Dando uma espiada no blog FiveThirtyEight, que analisa a política americana usando sempre ferramentas matemáticas e estatísticas (já disse aqui uma vez que esse é uma das minhas manias...), dei de cara com um post intitulado Why Obama Wants the Olympics, que falava das razões para que o atual governo americano tenha desencadeado um grande lobby em favor da candidatura de Chicago.
No mesmo post, vinha a afirmação de que as quatro candidaturas estariam muito próximas nos critérios técnicos, e citava o site GameBids, especializados no assunto, como fonte. Esse site possui um índice que indica a possibilidade de sucesso de uma candidatura. Na última atualização do índice, os números foram:
Tóquio - 61,41
Rio - 59,95
Madri - 58,73
Chicago - 58,37
Ou seja, páreo duríssimo. E junto com os números vinham algumas considerações sobre cada candidatura.
Por exemplo, Chicago sofre com os astronômicos valores que seriam cobrados dos patrocinadores (principalmente numa época de crise como a atual) e também por ser a única cidade onde não há garantias governamentais totais. Tóquio fez um plano compacto e muito objetivo, e tem usado bem o crescente apoio popular e o potencial econômico da região, mas pode ser prejudicada pelo fato de o Oriente ter sediado uma Olimpíada muito recentemente (Beijing). Quanto a Madri, tem um plano muito bem elaborado, fundamentalmente baseado no que quase foi vitorioso na disputa pelos jogos de 2012, somado a excelentes garantias financeiras e boas instalações já existentes.
E quanto ao Rio de Janeiro? Sua principal força, segundo os analistas, é o fato de a América do Sul nunca haver sediado os Jogos. Um pedido para que o Comitê Olímpico Internacional dê uma chance ao continente vem revestido de grande simpatia.
Mas o mais interessante é um fato que é normalmente utilizado pelos adversários internos da candidatura, mas que pode contar a favor do Rio: o valor a ser gasto. Para alguns membros do COI, o valor previsto para os investimentos (28,8 bilhões de reais, equivalentes a 13,9 bilhões de dólares) , superior em alguns bilhões de dólares ao das outras cidades candidatas, pode parecer como algo prudente e sensato, e assim diminuir o valor de eventuais estouros orçamentários, como ocorrido em Atenas, Beijing e Londres.
Volto a dizer: sou pessoalmente contra. Temos, enquanto país, outras prioridades para tão elevados valores. Da mesma forma, considero que a Copa de 2014 será um espetáculo de queima de dinheiro público, com boa parte dele indo para os bolsos de sempre.
Aliás, quanto à Copa, tenho um desabafo mais pessoal.
Esta semana saiu o valor previsto de gastos a serem realizados pelo governo do Estado do Ceará e pela Prefeitura de Fortaleza caso a cidade esteja entre as escolhidas para sediar jogos da Copa.
Em uma cidade cheia de problemas graves, e encravada em um estado com alguns dos piores indicadores sociais do país, pensa-se em gastar 9,2 bilhões de reais. E que podem se transformar em um valor ainda maior...
Ou seja, um terço da bagatela prevista pelo Rio 2016 para, com sorte, sediar 3 partidas do evento.
Alguém aí acha isso sensato?
6 de maio de 2009
O golpe das listas fechadas e do financiamento público
Olha, o TSE pode ter as melhores intenções quanto a esse assunto, mas pode ser atropelado pelos fatos.
Os principais partidos políticos (inclusive da oposição) estão se preparando para votar, com as bençãos do governo, um projeto de "reforma política" (reparem que coloquei a expressão entre aspas)que é um escândalo.
Simplesmente querem instituir o voto em lista fechada e o financiamento público exclusivo das campanhas.
O voto em lista fechada significa que deixaríamos de votar nos candidatos que desejássemos e passaríamos a votar apenas no partido, que escolheria uma lista de candidatos, dos quais os primeiros seriam eleitos, de acordo com a proporção de votos de cada partido.
Ou seja, as direções partidárias ganhariam um poder gigantesco, praticamente decidindo quem seria ou não eleito. É de se imaginar que apenas os da "panelinha" teriam seus nomes colocados nas primeiras posições da lista. Na prática, a renovação das casas legislativas cairia quase a zero.
Esse tipo de proposta floresce no Congresso porque os deputados estão com medo de que, enojado pelas seguidas denúncias de corrupção e de descaso com o dinheiro público, o eleitor promova uma renovação gigantesca nas bancadas. Ou seja, os caras estão querendo preservar suas "boquinhas".
Se hoje em dia, mesmo votando em candidatos, o controle do eleitor sobre seus representante é quase nulo, imaginem votando apenas no partido. como cobrar desempenho parlamentar, ética no trato da coisa pública, postura pessoal, etc.?
Por outro lado, o financiamento público exclusivo das campanhas, apesar de vir acompanhado de uma explicação bem-intencionada (seria para igualar a chance dos candidatos e partidos, retirando a vantagem daqueles com grandes esquemas econômicos na sua retaguarda), tem diversos problemas. Como o dinheiro iria para os partidos, quem iria fiscalizar sua utilização? De onde tirar esse dinheiro (7 reais por eleitor no primeiro turno, mais 2 no segundo turno)? E como impedir que o Caixa 2 continue existindo?
As lideranças querem levar isso para votação nas próximas semanas, e se não houver uma reação da opinião pública estaremos fritos.
Bem, já disse algumas vezes que sou favorável a uma reforma política através de uma Assembleia Constituinte exclusiva (eleita só para esse fim, sem deputados e senadores) e restrita (para tratar só desse assunto).
Sei que os que defendem essa ideia ainda são minoria, mas é uma tese que considero importante e que precisa ser discutida.
Voltarei depois a esse tema com mais profundidade.
26 de março de 2009
Imagem emblemática
24 de março de 2009
A aposta arriscada de Ehud Barak
O líder do Likud, Binyamin Netanyahu, foi encarregado de formar o novo governo, mas desde então vinha tentando fugir da tentação de montar a coalizão apenas com direitistas, religiosos ou não. Sabia ele que um governo marcadamente direitista traria enormes dificuldades para Israel, especialmente perante o governo de Barack Obama. Durante algum tempo, ele tentou seduzir o Kadima, de centro, mas a atual chanceler Tzipi Livni deu-lhe um enfático “não“.
Com o tempo passando e a indefinição continuando, Netanyahu tentou uma nova cartada. Propôs um acordo ao Partido Trabalhista, de esquerda moderada, liderado pelo ex-premiêr e atual ministro da Defesa Ehud Barak.
Segundo os termos do acordo, a coalizão seria formada pelo Likud, pelos Trabalhistas, pelo Israel Beitenu (de extrema-direita) e pelo Shas (religioso). Os trabalhistas teriam direito a 5 ministérios, incluindo dois importantes, o da Defesa e o de Indústria e Comércio, além de vários cargos de 2º escalão. Acordo pra lá de generoso para os escassos 13 votos dos trabalhistas no parlamento de 120 cadeiras.
Ontem, segunda-feira, Barak aceitou o acordo, mas trouxe a palavra final para o Comitê Central do partido. Hoje, esse órgão se reuniu e mostrou o tamanho do racha do partido. Os opositores do acordo acusaram Barak de jogar a história do partido na lama, e de se tornar um capacho da direita. Um dos delegados chegou a falar que Ytzhak Rabin e Golda Meir deviam estar se contorcendo em seus túmulos. Já os defensores afirmavam que o papel do partido na coalizão seria de um freio contra atitudes mais radicais dos direitistas. E permitiria a não-inclusão no governo dos pequenos partidos religiosos de extrema-direita.
No fim, o acordo foi aprovado, mas a vantagem foi escassa e controversa. Segundo o Jerusalem Post, foi uma vantagem de 165 votos em 1071 votantes. Já o Haaretz fala numa vantagem menor, de 110 votos dentre 1250 votantes. Dá pra notar como tudo na política israelense é complicado, até os números.
Agora, com o acordo aprovado, fica clara a arriscadíssima aposta de Ehud Barak. Se a coalizão funcionar, e Israel não ficar em posição insustentável nas negociações de paz que o governo Obama deseja patrocinar, os trabalhistas e seu líder garantirão cacife para a luta política dos próximos anos e, talvez, décadas. Porém, se a maioria direitista impor seus pontos de vista, Barak pode estar levando seu partido para um beco sem saída,e talvez para um lugar de irrelevância no espectro político israelense.
20 de março de 2009
Estado laico (pero no mucho...)
Tudo muito bom, tudo muito bem, mas... Sempre tem um "mas".
Ainda no início da sessão (acho que logo após a declaração de abertura pela presidente da Câmara), fui surpreendido com o chamado para que todos se pusessem de pé enquanto uma das vereadoras ocupava a tribuna para "a leitura do texto bíblico". No caso, um trecho do Antigo Testamento que tratava de como o povo devia seguir as leis.
Quem me conhece, tanto pessoalmente como pelo mundo virtual, sabe que não sou, de forma alguma, anti-religioso. Tenho minha fé, e se não participo dos rituais de minha religião de maneira exemplar, tampouco sou totalmente avesso a eles.
Tenho, isso sim, divergências marcantes com a hierarquia da minha religião quanto a assuntos do dia-a-dia das pessoas. Considero que muitas posições dessa hierarquia não entraram nem mesmo no século XX, que dirá do século XXI. E uma das principais divergências é exatamente quanto a separação entre Estado e Religião. Tenho total crença na norma constitucional que decreta que o estado brasileiro é laico, sem exceções. E que nenhuma religião deve tentar impor suas visões de mundo sobre o arcabouço legal.
Claro que já tomei conhecimento de dezenas de episódios que infringem a norma constitucional. Especialmente a colocação de símbolos religiosos em ambiente públicos, como parlamentos, tribunais, etc. Até a invocação de Deus (mesmo de forma genérica, sem identificar a crença) para proteger a Constituição ou eventos públicos não me é desconhecida.
Entretanto, foi a primeira vez que um fato desses me chocou diretamente. Posso até ter presenciado algo similar anteriormente, mas deve ter sido um ato muito menos ostensivo, de tal forma a não chamar minha atenção.
Tenho algumas divergências com o atual governo, mas sempre admirei a forma como o Presidente Lula, assumidamente um católico, não perde a chance de, quando necessário, reafirmar a laicidade do Estado brasileiro.
É uma pena que os diferentes gestores públicos brasileiros, nas diversas esferas e nos diversos poderes, façam vista grossa para uma das mais duramente conquistadas formas de liberdade, a de ter ou não uma religião, e da não-interferência das religiões nos negócios de estado.
Aquele momento, quando a parlamentar subiu à tribuna e fez a leitura, cutucou profundamente aquele defensor das liberdades que vive adormecido dentro de mim. Após a solenidade, comentei o fato com dois colegas, e eles não haviam atentado para o significado do ato. Um deles, mais acostumado a comparecer a sessões de Câmaras de Vereadores, até disse que já tinha presenciado coisas similares em algumas outras cidades.
Afinal de contas, vivemos ou não sob a égide de um Estado realmente laico? Ou será que, como em muitas coisas neste país, a maioria silenciosa da população acaba tendo que conviver com pequenas, mas não desprovidas de importância, violações de suas liberdades fundamentais?
4 de fevereiro de 2009
Team Obama e o pagamento de impostos
Primeiro foi o Secretário do Tesouro, Tim Geithner, cuja confirmação pelo Senado só aconteceu após uma sabatina pouco amistosa e bastante constrangedora, e na qual Tim foi obrigado a fazer um pedido de desculpas que beirou a humilhação. O foco era uma pretensa dívida de U$ 34 mil.
Ao mesmo tempo, o ex-senador Tim Daschle, indicado para a Secretaria da Saúde, e Nancy Killefer, indicada para ser a responsável pelo setor que supervisiona os gastos públicos, vinham enfrentando problemas. Ambos pediram ontem que suas indicações fossem retiradas.
Daschle, um dos políticos mais chegados à Obama, enfrentava acusações por ter usado, sem notificação e consequente recolhimento de impostos, motoristas e veículos de fornecidos por um amigo. Valor da dívida: US$ 128 mil. Daschle vinha alegando que foi um erro inadvertido, mas a pressão cresceu e ele resolveu não prosseguir.
Já Killefer enfrentava acusações de não recolhimento de impostos retidos de uma empregada doméstica. Para alguém que ia desempenhar uma função fundamentalmente de controle da adequada execução do dinheiro público, o constrangimento ficou evidente e ela desistiu.
Visivelmente constrangido, Obama pediu desculpas e reconheceu os erros. Mas os fatos só jogaram lenha na fogueira dos que desconfiam da pregação por mudança ética feita pela nova administração.
Pra terminar, eu imagino o Anselmo Góis falando do assunto: Deve ser horrível viver num país onde os homens públicos sonegam impostos...
9 de janeiro de 2009
Sir Paul fala, e também de política
Como é incomum que Paul emita opiniões sobre temas políticos, ou que circundem o ambiente político, vale a pena para quem puder dar uma olhada. Digo quem puder porque o site da revista traz apenas o início da entrevista (uns 20%). Porém, no UOL temos outro pedaço da entrevista, do qual pinço um parágrafo no qual ele toca em um tema brutalmente atual:
"Você sabia que eu acabei de fazer um show em Israel? Me advertiram quanto a ir lá, e me aconselharam a não entrar nos territórios palestinos. Mas eu me liguei a uma organização chamada One Voice (Uma Voz), que é meio palestina, meio israelense. Eles trabalham pela paz, ainda esperando uma solução baseada em dois Estados. Eles acreditam que isso não está muito distante, que os políticos apenas sentem dificuldade em assinar um acordo. Conheci alguns deles em Tel Aviv. Não tinha percebido o quanto o Estado de Israel é intrusivo. Se alguém quiser fazer algo como importar um carro nos territórios palestinos, é necessário obter uma permissão de Israel. E um palestino que trabalha em Israel precisa entrar em uma fila às três horas da manhã para começar a trabalhar às oito. É hora de batermos de frente contra isso conforme conseguimos aparentemente fazer na Irlanda."
4 de novembro de 2008
E eles estão votando...
Barack Obama ou John McCain?
Se as últimas pesquisas estiverem certas, Obama leva essa sem dramas exagerados. O que parecia 90 dias atrás ser uma disputa acirrada transformou-se em provável vitória folgada dos democratas. A grave crise econômica tirou o chão sob os pés dos republicanos, e jogou o americano médio nos braços de Obama. Junte-se a isso o descalabro dos últimos oito anos de era Bush e o cenário está montado.
Não dá para esquecer o fato de que Barack pode ser o primeiro não-branco a chegar ao comando da Casa Branca, algo impensável até bem pouco tempo. Prova que o país mudou muito desde os conflituosos anos 60, onde a luta pelos Direitos Civis atingiu seu ápice. Óbvio que nem todos mudaram, como bem sinalizaram diversos episódios desta campanha. Mas que as coisas estão em mutação no Grande Irmão do Norte não dá para negar...
Este blog, bem lá atrás, deixou clara sua simpatia pelo candidato democrata. Um pouco por ideologia pessoal e muito por achar que o resto do mundo merece lidar com um líder americano minimamente decente e esclarecido.
As próximas horas mostrarão se teremos essa chance.
