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2 de junho de 2010

Emergindo...

Olá, amigos do De Olho no Fato.


Ao contrário do que alguém possa pensar, este roçado não foi abandonado definitivamente à fúria dos elementos.

Simplesmente, o zelador do boteco mudou de área de atividades dentro da mesma organização, e o tempo, que já não era folgado, encurtou ainda mais.

Além disso, reconheço, as últimas semanas foram recheadas de assuntos que não deram "estímulo" para escrever. Até mesmo a última besteira feita pelo governo israelense só mereceu de mim um simples parágrafo em outro espaço, nada mais...


Dito isso, e deixando claro que voltaremos à programação normal à qualquer momento, deixo um convite.

Semana que vem começa a Copa do Mundo. Apesar de pessoalmente não nutrir a menor simpatia pela seleção da CBF/Dunga, e achar que ela não irá longe, resolvi acompanhar a disputa de uma forma mais intensiva.

Dessa forma convido a todos a visitarem o site irmão do De Olho, o Torcedor Obsessivo Compulsivo, onde teremos posts diários (ou mais que isso...), e pretendemos que os amigos dêem seus pitacos, entendam ou não de futebol.

Até porque o Torcedor Obsessivo Compulsivo, como o próprio nome indica, pretende ser um ponto de encontro de torcedores, e não de analistas (Ok, Cabral, dá para abrir uma exceção...), além de fazer questão de não se levar à sério.

A participação e a opinião de todos e de qualquer um será muito bem vinda.

A cobertura começa em algum momento da semana que vem, se não chover...

12 de maio de 2010

Dia carregado

Esta terça-feira, 11 de maio de 2010, foi daqueles dias bem carregados, e de eventos nada auspiciosos (pelo menos para mim).

Primeiro foi o Zang..., digo, Dunga, que divulgou a lista dos convocados para a Seleção Brasileira na Copa do Mundo.

Aqui pra nós: Tô fora !!!

Me sinto totalmente desobrigado de torcer por uma equipe que não considero representativa do nosso futebol. Pior: acho que, em grande parte, foi formada por critérios que passam longe da qualidade.

Por isso tudo, procederei da mesma forma de quando o Santos era dirigido pelo "profexô" Luxa: estou pedindo férias da condição de torcedor da Seleção Brasileira.

Reconheço que alguns dos convocados (Julio Cesar, Gomes, Maicon, Daniel Alves, Lúcio, Juan , Kaká, Nilmar e Luis Fabiano) são realmente merecedores de vestir a amarelinha. Os demais se dividem entre os bem discutíveis, porém defensáveis (Luisão, Thiago Silva, Gilberto, Elano, Julio Baptista, Ramires e Robinho), e aqueles que eu não convocaria nem com reza braba (Doni, Michel Bastos, Gilberto Silva, Felipe Melo, Josué, Kleberson e Grafite).


O segundo fato foi o líder dos Conservadores, David Cameron, assumir como primeiro-ministro da Grã-Bretanha, após cinco dias de indefinições e negociações.

Apesar de eu ter inúmeras restrições às políticas adotadas pelo governo trabalhista de Gordon Brown, considero que ele (ou algum outro líder dos Trabalhistas) ainda seria preferível, mesmo que se fizesse necessário uma coalizão com outras forças progressistas.

Bem, foram os conservadores que conseguiram formar uma coalizão.

Agora, nada mais resta senão dizer: God save the britons.

Eles vão precisar...


Para terminar, um fato que mistura algo dos dois anteriores.

Meu time de coração na Inglaterra, o bom e velho Nottingham Forest, estava lutando para subir para a 1ª divisão, a Premier League.

No play-off semifinal estava enfrentando o Blackpool, e havia perdido o primeiro jogo por 2X1, jogando fora.

Ontem, em casa, precisava reverter o resultado para chegar à final.

Não deu: perdeu por 4X3. Consegui ficar na frente do placar duas vezes, e bobeou... Levou 3 gols em apenas sete minutos...

Lá vamos nós para mais um ano na Segundona...

Robin Hood e seus amigos com certeza não iriam gostar...



3 de maio de 2010

Um teste pesadíssimo para o meu pobre coração de torcedor

Dois jogos. Simultâneos. Em cada um deles estava uma das minhas paixões (Sim, me reservo o direito de, futebolisticamente falando, ter o coração dividido ao meio, sem que as duas partes quase nunca entrem em conflito).

Em um canal, a final do Paulistão 2010. O Esquadrão da Vila famosa, o meu Santos, contra o surpreendentemente bem arrumado Santo André.

Em outro canal, a decisão local, do Campeonato Cearense. O meu Fortaleza, o glorioso Leão do Pici, buscando um inédito tetracampeonato contra o arquirival, o Ceará.

Qual jogo assistir? Ficar mudando de um para o outro seria uma opção?

A missão do Santos parecia menos complicada (podia perder por um gol de diferença), por isso mesmo resolvi priorizar a final do Paulista, pois temia ficar nervoso demais assistindo a final do campeonato da terrinha (o Fortaleza precisava empatar para levar o título sem ter que ir para os pênaltis).

Nem suspeitava de como estava enganado...

O Santos terminar o primeiro tempo com um jogador a menos (tivemos dois expulsos contra um do adversário), e perdendo por 3X2 dão uma boa amostra do que tive que enfrentar. E ainda faltavam 45 minutos...

No Castelão, 0X0 no intervalo de um jogo amarrado, apesar de bem menos do que no domingo anterior. Nada decidido, mas parecíamos estar indo bem...

No Pacaembu, o que se viu no 2º tempo foi uma das maiores demonstrações de determinação que os estádios brasileiros já presenciaram. Especialmente após a expulsão de mais um jogador do Santos. Oito santistas contra dez do time do ABC. Parecia que o gol decisivo do Santo André sairia a qualquer segundo, e ele realmente quase saiu ( a trave, a abençoada trave, não permitiu). Também não saiu porque os heróis restantes resolveram suar sangue, se necessário fosse, e estavam sendo guiados por um monstro: Paulo Henrique Ganso (falo sobre ele mais adiante).

Enquanto isso, no Castelão, o adversário fez 1X0 no início do 2º tempo e... recuou. O Fortaleza partiu pra cima, martelou, martelou, até que empatou pouco antes dos 30 minutos. O resultado nos dava o tetra, mas a equipe (mesmo que inconscientemente) acho que dava pra administrar o resultado.

Não deu. Eles tornaram a marcar aos 38 minutos, e não conseguimos reagir novamente.

Não tinha jeito: vamos à sofrida decisão por pênaltis.

Aí surgiu o herói da tarde/noite: o nosso goleiro, Fabiano. Ele defendeu espetacularmente duas cobranças, e viu o adversário bater outra no travessão. Coincidência: ano passado, na final, o nosso goleiro de então, o jovem Douglas, hoje na reserva, também foi o astro, pegando todas: as boas, as ruins, as podres, tudo mesmo...

Era o tão sonhado Tetracampeonato que chegava... O nono título em onze anos.

Como meu baqueado coração resistiu a essa overdose de emoções, juro que não sei... Talvez uma dose extra de anti-hipertensivo tomada antes tenha ajudado, mas certamente foi algo a que não deveria me expor.


***

Mesmo antes do jogo de ontem já havia um clamor pedindo que o técnico Dunga convocasse Neymar e Paulo Henrique Ganso para a seleção brasileira que vai à África do Sul.

Acho que Neymar deveria ser chamado, por que é um fora-de-série com a bola no pé. Mas os argumentos dos que alegam que ele ainda não está pronto e não seria assim tão necessário provavelmente serão vitoriosos, e ele não deve ser chamado. Uma pena. Poderia ajudar bastante.

Quanto à Paulo Henrique Ganso, a questão é diferente. Estamos falando do que é provavelmente o maior meia surgido no nosso futebol em quase 10 anos. Isso sob o aspecto técnico, porque se somarmos a liderança, a atitude, o desprendimento, veremos que ele se encaixa em uma categoria muito seleta de craques.

Desde ontem, já vi diversos jornalistas e blogueiros o compararem a Gerson, o canhotinha de ouro. no começo achei um pouco de exagero, mas pensei melhor e passei a achar a comparação no mínimo plausível.

Vou um pouco além. A elegância no toque de bola aliada a uma enorme capacidade de lutar me fazem lembrar de outro craque excepcional: Zinedine Zidane.

Gerson, Zidane... Será heresia comparar um garoto de 20 anos a esses craques geniais?

O que sei é que Dunga não pode cometer o pecado de não dar uma chance à Paulo Henrique Ganso, enquanto leva para a Copa do Mundo uma série de "esforçados".


3 de abril de 2010

Futebol e Religião: favor não misturar...

... pois a chance de idiotices colossais é enorme.

Aqui quem vos fala é um fã inveterado de futebol, e que tem uma fé (alguns leitores sabem qual é, mas nesse momento não faz a menor diferença...), e que acredita piamente na liberdade religiosa plena, mas também no Estado radicalmente laico (já falei disso anteriormente).

Tempos atrás, a FIFA expressou a intenção de restringir demonstrações religiosas exageradas dentro dos campos de futebol. Alegou a necessidade de respeito aos diferentes credos (até podemos duvidar da explicação, que provavelmente esconde outro tipo de motivação, mas vá lá que seja...) .

Concordo totalmente. O fato de que todo atleta (aliás, todo ser humano...) tem o direito de professar ou não qualquer tipo de crença religiosa não dá a eles o direito de usar os eventos esportivos como palco de manifestações religiosas, muitas vezes com o mal disfarçado intuito de proselitismo.

A seleção brasileira, já de muito tempo, tornou-se reincidente específica e genérica nesse tipo de atitude. Quantas vezes não vimos os jogadores se reunirem no centro do gramado, após alguma conquista, e se ajoelharem para rezar, em um espetáculo totalmente destoante com a ocasião. À boca miúda, se fala de uma verdadeira patrulha ideológica dentro do elenco (exercida por alguns praticantes de vertentes mais sectárias), com alguns jogadores sendo "isolados" em função de sua fé ou da falta dela.

Na tarde da última quinta-feira, ocorreu um episódio que, apesar de não ter ocorrido dentro de campo, é reflexo de tudo o que expus acima.

O elenco do Santos Futebol Clube (time pelo qual torço em escala nacional) foi informado pela diretoria do clube que compareceriam ao Lar Espírita Mensageiros da Luz, instituição que cuida de portadores de Paralisia Cerebral, crianças e jovens. Quando o ônibus do clube chegou à porta da instituição, alguns jogadores se recusaram a descer, alegando incompatibilidade religiosa.

Não é de hoje que o Santos tem problemas internos causados (ou ampliados) por grupos de jogadores pertencentes à certos grupos religiosos mais intransigentes (preciso explicar?). Tanto que a atual diretoria, quando assumiu, baixou uma norma de conduta de conduta para os jogadores visando evitar (ou pelo menos reduzir) problemas. Parece que não funcionou. Tanto que aconteceu o que acima descrevi. A repercussão vem sendo enorme na mídia esportiva (se bem que parte dela se aproveitou do fato e tentou manchar a história do clube) e na torcida, que espera uma atitude firme da diretoria.

O fato de ser uma instituição com administração religiosa (independente do credo, ou da ostensiva ausência de um) não significa rigorosamente NADA. O que conta é que ela cuida de seres humanos que enfrentam uma cruel e incapacitante situação, e que precisam e merecem todo o tipo de ajuda e atenção. Deixar que qualquer tipo de posicionamento religioso se coloque como obstáculo é mostra de falta de humanidade, para dizer pouco.

Felizmente alguns jogadores já reconheceram o erro, pediram desculpas publicamente e se prontificaram a visitar a instituição. Menos mal. Agora é achar o cérebro dessa idiotice sem tamanho que envergonhou profundamente todos os santistas minimamente esclarecidos, e cuidar para que esse tipo de fato não se repita.

Voltando ao que tratamos no início: liberdade religiosa, sim; aproveitar-se de eventos públicos, não; deixar a religião tolher o humanismo, jamais.


22 de novembro de 2009

Levanta, socode a poeira e dá a volta por cima

Duas canções, para não ter que dizer mais nada (além do que disse bem ali):

When you walk through a storm
Hold your head up high
And don't be afraid of the dark
At the end of the storm
There's a golden star (sky)
And the sweet silver song of a lark

Walk on...
Through the rain...
Walk on...
Through the rain
Walk through the wind
And your dreams be tossed and blown...

Walk on... (walk on)
Walk on... (walk on)
With hope (with hope)
In your heart...
And you'll never walk alone
You'll never walk alone.
Alone...

Walk on... (walk on)
Walk on... (walk on)
With hope (with hope)
In your heart...
And you'll never walk alone
You'll never walk alone.
Alone...

You'll never...
You'll never walk alone...

Walk on... (walk on)
Walk on... (walk on)
With hope (with hope)
In your heart...
And you'll never walk alone
You'll never walk alone.
Alone...

You'll never walk...
You'll never walk alone...

(You'll Never Walk Alone)
(Rodgers e Hammerstein)




Amigo é coisa pra se guardar
Debaixo de sete chaves
Dentro do coração
Assim falava a canção
Que na América ouvi
Mas quem cantava chorou
Ao ver seu amigo partir
Mas quem ficou
No pensamento voou
Com seu canto que o outro lembrou
E quem voou
No pensamento ficou
Com a lembrança que o outro trancou

Amigo é coisa pra se guardar
No lado esquerdo do peito
Mesmo que o tempo e a
Distância digam não
Mesmo esquecendo a canção
O que importa é ouvir
A voz que vem do coração

Pois seja o que vier
Venha o que vier
Qualquer dia amigo eu volto
Pra te encontrar
Qualquer dia amigo
A gente vai se encontrar

(Canção da América)
(Milton Nascimento e Fernando Brant)


12 de novembro de 2009

Fechando um ciclo

(A partir de agora, sempre que quiser falar sobre esportes, o farei usando o Torcedor Obsessivo Compulsivo, um blog alternativo. Algumas vezes, quando considerar que o assunto transcende os limites do puramente esportivo, replicarei o post aqui no De Olho. O que é o caso deste.)



É bem comum, além de claramente compreensível, que muitos de nós usem como flagrante da passagem dos anos o crescimento dos próprios filhos. Acompanhar cada etapa da evolução deles acaba nos fazendo relembrar os nossos próprios momentos.

Olhar para os meus indomáveis rebentos em suas lutas e descobertas de cada dia mexe bastante comigo. Óbvio que quase todo pai pode (e deve) dizer a mesma coisa, Mas no meu caso a diversidade de idades, especialmente entre a caçula e os dois mais velhos, torna tudo mais colorido e desafiador.

Mas do que eu realmente gostaria de falar hoje não tem a ver com eles (pelo menos não diretamente). Tem a ver com a minha própria infância e adolescência, e como a paixão pelo futebol me impregnou de modo definitivo.

O que desencadeou essa vontade de tocar no tema foi um acontecimento triste. No último dia 09 faleceu, aos 58 anos, Francisco Gomes de Sousa, o Chinesinho, vítima de complicações advindas de uma hepatite.

Quem não é aqui da terrinha, ou não acompanhou o futebol cearense dos anos 70, provavelmente nunca ouviu falar desse volante de futebol clássico e de um pulmão invejável. Quando eu falo volante, por favor não queiram visualizar essa enxurrada de brutamontes que povoou a cabeça-de-área do futebol mundial e brasileiro nos últimos 25 anos, especialmente após a derrota da seleção de 82. Chinesinho era daqueles marcadores que raramente apelava para as faltas. Ele antecipava as jogadas, tirando partido da velocidade.

Para mim, o ponto alto de Chinesinho coincidiu com o ápice de uma das melhores equipes que o Fortaleza já formou, aquela que conquistou o bicampeonato de 1973/1974. O técnico Moésio Gomes adotou um esquema que acabou batizado por Quadrado de Ouro, por utilizar no meio-de-campo 4 jogadores diferenciados: Chinesinho, Zé Carlos, Lucinho e Amilton Melo. Um volante tipo "carregador de piano" (Chinesinho), outro volante com excelente capacidade de sair jogando e chutar em gol (Zé Carlos), um meia muito habilidoso mas também rápido (Lucinho) e outro meia para o qual o adjetivo craque não era exagerado (Amilton Melo). Tudo isso servindo dois atacantes, que poderiam ser um centro-avante ágil (como Marciano), ou um tipo "rompedor" (como Beijoca), ou ainda dois do tipo veloz (como Geraldino ou Haroldo).

Chinesinho era o último remanescente vivo daquele meio-de-campo. Todos os outros faleceram relativamente jovens.

Eu sei. Para muitos de vocês que não são fãs de futebol esse texto deve estar parecendo algo como um tratado arqueológico sobre as primeiras povoações humanas no Himalaia do Leste (desafio alguém a matar de onde tirei isso...). Um pouco de paciência, por favor, pois neste caso o futebol é apenas um meio, não um fim.

Voltando a aquela equipe de 73/74, ela me pegou bem na pré-adolescência. Eu já torcia pelo Fortaleza desde bem pequeno, mas até ali nunca havia sentido uma emoção daquele tipo que deixa marcas. O título de 73 foi gostoso, mas nada comparável ao que aconteceu em 1974.

Para ser sucinto: o grande rival venceu o 1º turno e foi para o último jogo do 2º turno jogando pelo empate. Ou seja, o bicampeonato transformou-se em algo quase inatingível.

Quase. Porque o Fortaleza venceu 3 vezes em sequência (4x0, 1X0 e 3X1), tudo no espaço de uma semana.

Imaginem agora o efeito que algo assim teve sobre aquele garoto gordinho, baixinho, de fala rápida, introspectivo e, como até hoje, passional. É daquelas coisas que ajudam a moldar que tipo de pessoa você será, e que ensina que o impossível quase nunca é tão impossível assim.

Além de ser o tipo de coisa que ajuda a apreciar aqueles momentos em que o filho homem está junto comigo, no sofá de casa, torcendo alucinadamente frente à televisão, às vezes varando a madrugada.

Para encerrar, dói um pouco escrever sobre isso nas vésperas de um possível (e provável) rebaixamento para a Série C.

2 de outubro de 2009

É o Rio

Pois é, o Rio de Janeiro foi a cidade escolhida.

A razão me levou a preferir outro resultado qualquer (quase que meu desejo se concretiza, vide post abaixo).

Em tempo: não retiro nada do que falei antes...

Mas não dá para esconder que, quando do anúncio, bateu um certo orgulho.

Como disse antes da decisão:

Agora, é esperar a decisão e torcer para que, em caso de escolha do Rio, a sociedade civil se organize realmente para fiscalizar os gastos e, dessa forma, reduzir a roubalheira.
Porque problemas desta ordem com certeza acontecerão. Ninguém é ingênuo em acreditar que não.


Só mais uma coisa: O Lula é muito, muito sortudo...

30 de setembro de 2009

E a Olimpíada de 2016 será ...

Se dependesse só de mim, seria em Madrid.

Ou então em Tóquio.

Em último caso, vá lá, Chicago...

Sempre fui totalmente contrário à candidatura do Rio de Janeiro. Nada contra a cidade (realmente maravilhosa), ou seus habitantes. Mas tudo contra aqueles que patrocinam esse projeto.

Meses atrás, já havia explicado minha posição neste post. E não aconteceu nada que mudasse minhas convicções.

Muito pelo contrário.

(Lembrete: Reparem que no texto também fui contra a Copa do Mundo na minha própria cidade, e o tempo tem me coberto de razão...)

Agora, é esperar a decisão e torcer para que, em caso de escolha do Rio, a sociedade civil se organize realmente para fiscalizar os gastos e, dessa forma, reduzir a roubalheira.

Porque problemas desta ordem com certeza acontecerão.

Ninguém aqui é ingênuo de acreditar que não.



20 de agosto de 2009

Máquina jamaicana de destroçar recordes

Escrevo logo depois de Usain Bolt vencer a disputa dos 200 metros rasos no Campeonato Mundial de Atletismo, disputado em Berlim.

Tempo: 19 segundos e 19 centésimos.

Novo recorde mundial. O antigo era dele mesmo, com 19 segundos e 30 centésimos.

Fantástico.

Mais ainda se você reparar em um detalhe.

Bolt quebrou o recorde mundial dos 100 metros rasos 4 dias atrás com o tempo de 9 segundos e 58 centésimos (lembremos: o antigo recorde já era dele). Se dividirmos por 2 o tempo do recorde dos 200 metros, teremos 9 segundos e 595 milésimos.

Ou seja, o cara correu os 200 metros praticamente no mesmo ritmo do recorde dos 100 metros. Teoricamentente, ele fez cada metade da prova de hoje apenas 15 milésimos mais devagar do que a prova de domingo passado. E pelo que se viu na final de hoje, ele até poderia ter corrido ainda mais rápido , e quem sabe ter um tempo médio melhor do que na prova dos 100 metros.

Resumindo: se não tiver havido nenhum tipo de ajuda química, estamos diante do maior corredor dos últimos 50 anos, fácil (de Abebe Bikila para cá ninguém correu de forma tão impressionante).

E talvez do maior atleta das últimas décadas em todos os esportes.

24 de maio de 2009

Dois toques sobre o Santos

Em um domingo, dois toques rápidos sobre o time do coração:

- O Marco, comentarista do Pandorama, postou um texto excelente sobre um jogo entre Santos e Palmeiras em 1958.

Mesmo alguém que não goste de futebol ou não torça por um dos dois times vai gostar.


- Na direção contrária: acabo de ouvir no rádio uma discussão sobre salários de alguns jogadores de futebol, os quais já faz tempo estão descolados da realidade do país.

Para ficar só no Santos, vocês sabem quanto ganha mensalmente o zagueiro Fabiano Eller (um jogador apenas razoável)? A bagatela de R$ 200.000,00. E ele nem é o jogador mais caro do elenco do Peixe.

O também zagueiro Fabão e o atacante Kleber Pereira (nenhum dos dois também é craque) recebem em torno de R$ 350.000,00. E o goleiro-brigão Fábio Costa recebe acima de R$ 400.000,00.

Mais que irreal: surreal.

Agora respondam: quanto deveriam receber os craques citados no post do Marco se jogassem nos nossos dias?

13 de maio de 2009

O Rio e as Olimpíadas de 2016, Fortaleza e a Copa de 2014

Muito se tem falado sobre a candidatura do Rio de Janeiro para sediar os jogos Olímpicos de 2016.

Aqui dentro do Brasil a discussão está polarizada entre os que apoiam a candidatura (basicamente os governos estadual e municipal do Rio, o Comitê Olímpico Brasileiro, a Rede Globo, o empresariado ligado ao turismo e a construção civil e, em uma escala levemente menor, o governo federal), e aqueles que são críticos ao projeto (parte da imprensa e instituições da sociedade civil ligadas ao esporte e a transparência nos gastos públicos).

Pessoalmente sou contra o projeto, especialmente por ele ser tocado por um órgão (o COB) que já deu demonstrações inequívocas de incapacidade para gerenciar recursos e formatar planos que resultem em efetivos avanços para o esporte nacional e para o conjunto da sociedade. Isso se agrava a partir do momento em que se juntam a ele grupos políticos e econômicos cujo histórico é nada recomendável. Foi essa reunião de personagens que nos deu o Pan de 2007, com orçamento largamente ultrapassado, obras questionáveis, poucos ganhos na infra-estrutura da cidade (especialmente comparado ao que foi prometido) e praças esportivas que, após os jogos, estão variando entre a quase total falta de utilização e o desvio de finalidade.

Durante muito tempo, eu estava sem saber verdadeiramente quais as reais chances da candidatura do Rio. Tudo que eu via era o oba-oba dos organizadores, mas quase nada mais isento e independente. E quase nada sabia sobre a situação das candidaturas concorrentes, de Chicago, Tóquio e Madri.

Dando uma espiada no blog FiveThirtyEight, que analisa a política americana usando sempre ferramentas matemáticas e estatísticas (já disse aqui uma vez que esse é uma das minhas manias...), dei de cara com um post intitulado Why Obama Wants the Olympics, que falava das razões para que o atual governo americano tenha desencadeado um grande lobby em favor da candidatura de Chicago.

No mesmo post, vinha a afirmação de que as quatro candidaturas estariam muito próximas nos critérios técnicos, e citava o site GameBids, especializados no assunto, como fonte. Esse site possui um índice que indica a possibilidade de sucesso de uma candidatura. Na última atualização do índice, os números foram:

Tóquio - 61,41
Rio - 59,95
Madri - 58,73
Chicago - 58,37

Ou seja, páreo duríssimo. E junto com os números vinham algumas considerações sobre cada candidatura.

Por exemplo, Chicago sofre com os astronômicos valores que seriam cobrados dos patrocinadores (principalmente numa época de crise como a atual) e também por ser a única cidade onde não há garantias governamentais totais. Tóquio fez um plano compacto e muito objetivo, e tem usado bem o crescente apoio popular e o potencial econômico da região, mas pode ser prejudicada pelo fato de o Oriente ter sediado uma Olimpíada muito recentemente (Beijing). Quanto a Madri, tem um plano muito bem elaborado, fundamentalmente baseado no que quase foi vitorioso na disputa pelos jogos de 2012, somado a excelentes garantias financeiras e boas instalações já existentes.

E quanto ao Rio de Janeiro? Sua principal força, segundo os analistas, é o fato de a América do Sul nunca haver sediado os Jogos. Um pedido para que o Comitê Olímpico Internacional dê uma chance ao continente vem revestido de grande simpatia.

Mas o mais interessante é um fato que é normalmente utilizado pelos adversários internos da candidatura, mas que pode contar a favor do Rio: o valor a ser gasto. Para alguns membros do COI, o valor previsto para os investimentos (28,8 bilhões de reais, equivalentes a 13,9 bilhões de dólares) , superior em alguns bilhões de dólares ao das outras cidades candidatas, pode parecer como algo prudente e sensato, e assim diminuir o valor de eventuais estouros orçamentários, como ocorrido em Atenas, Beijing e Londres.

Volto a dizer: sou pessoalmente contra. Temos, enquanto país, outras prioridades para tão elevados valores. Da mesma forma, considero que a Copa de 2014 será um espetáculo de queima de dinheiro público, com boa parte dele indo para os bolsos de sempre.


Aliás, quanto à Copa, tenho um desabafo mais pessoal.

Esta semana saiu o valor previsto de gastos a serem realizados pelo governo do Estado do Ceará e pela Prefeitura de Fortaleza caso a cidade esteja entre as escolhidas para sediar jogos da Copa.

Em uma cidade cheia de problemas graves, e encravada em um estado com alguns dos piores indicadores sociais do país, pensa-se em gastar 9,2 bilhões de reais. E que podem se transformar em um valor ainda maior...

Ou seja, um terço da bagatela prevista pelo Rio 2016 para, com sorte, sediar 3 partidas do evento.

Alguém aí acha isso sensato?

4 de maio de 2009

17 de abril de 2009

Tragédia que se repete

Cerca de 10 meses atrás, escrevi esse post sobre um caso de violência envolvendo torcidas de futebol aqui na terrinha.

De lá para cá, ocorreram centenas de episódios violentos por todo o país, vários deles fatais, e sobre os quais muito já se falou (e falará). Mas aqui na província, fora os persistentes conflitos entre as gangues uniformizadas nos dias de clássicos, nada de mais sério havia ocorrido.

De repente, e exatamente em um dia em não se esperava que problemas acontecessem, eis que nova tragédia abalou a cidade.

Nádia Brito, uma universitária de 22 anos foi atingida na cabeça por uma bala perdida na saída do campus da UECE na noite de quarta-feira passada, dia 15. Ela está internada em uma UTI em estado classificado pelos médicos como desesperador.

O campus fica em uma avenida que dá acesso ao Estádio Castelão, e ao lado da saída fica uma praça conhecida pelos conflitos em dias de jogos. Tanto que a Polícia Militar normalmente desloca para lá um contingente para prevenir problemas.

Entretanto, como o jogo de quarta-feira era de uma torcida só (Fortaleza X Paraná, pela Copa do Brasil), a PM achou que não haveria problemas e não enviou seu pessoal para o local. Ocorre que ônibus e vans transportando torcedores que saiam do jogo foram apedrejados na passagem pela praça. Bem no momento em que a estudante saia ouviu-se um tiro e ela caiu ensanguentada.

A história está detalhada aqui e aqui.

Existe a versão de que um policial, que estaria em uma van, teria efetuado o disparo. O que seria o mais sórdido dos complementos para uma história totalmente trágica.


Ficam aqui minhas preces pela vida de Nádia.

Preces essas que ganham um tom ainda mais pessoal quando lembro que minha filha, quase da mesma idade, estudou por dois anos nesse campus, e tomava condução para casa nessa mesma praça.


ATUALIZAÇÃO (17/04 , 13:10) : Foi anunciada pelos médicos, pouco antes do meio-dia, a morte cerebral de Nádia.

17 de fevereiro de 2009

Parece, mas não é...


Ao contrário do que possa parecer, não é a zaga da Inter de Milão perseguindo o Alexandre Pato...


(Fonte: este site russo de fotografia. Aliás, o site-mãe é este.)

29 de novembro de 2008

O milagre aconteceu

Revertendo algo que mesmo a imensa maioria de sua torcida já considerava fato consumado, o Fortaleza escapou do rebaixamento para a série C.

Motivo para estarmos aliviados, mas sem direito a comemorar efusivamente.

A diretoria errou demais, desde o início do ano, e de quase todas as formas possíveis. Quase jogou pelo ralo o lento e, ao que parecia, seguro trabalho de reestruturação do clube, que já durava uns 8 anos.

Demos sorte, muita sorte. Os resultados dos adversários, nas últimas rodadas, foram exatamente o que precisávamos. E mesmo assim, quase colocamos tudo à perder.

Agora é levantar a cabeça e não repetir em 2009 os erros deste ano.

Porque a torcida tricolor não merece passar por esse sofrimento outras vezes.




(Post simultâneo com o Torcedor Obsessivo Compulsivo )

28 de outubro de 2008

Concentração de craques



Didi, Bobby Charlton, Falcão, Garrincha, Lev Yashin, Pelé, Maradona, Van Basten e Fritz Walter.

O que estes craques tem em comum, além do talento indiscutível? Todos nasceram no mês de Outubro.

Achou pouco? E se acrescentarmos Figueroa, Maspoli, Perfumo, Deyna, Pagão, Kopa, Sívori e George Weah ?

Deve existir alguma razão para tantos jogadores extraordinários (incluindo os três maiores) nascerem na mesma época do ano. Deve ser algo nos astros, dirão alguns. Simples coincidência, dirão os céticos.

E claro, você pode argumentar: Dunga também é de Outubro... Exceção que confirma a regra, caro amigo.

Ocorre que, porém, existe outra corrente de pensamento. Ela não olha para o mês e sim para o signo do zodíaco. Os nascidos entre 23 de outubro e 22 de novembro são do signo de Escorpião, segundo os adeptos da Astrologia.

Pelé, Maradona, Van Basten, Fritz Walter, Figueroa e Deyna, dentre os citados acima, nasceram no final de Outubro.

E a relação dos nascidos no início de Novembro também não é fraca: Gerd Muller, Paolo Rossi, Vavá, Ademir, Domingos da Guia, Uwe Seeler e Heleno de Freitas. Uma mistura de cracaços com artilheiros consagrados.

E aí? Qual será a teoria correta (se é que alguma delas está correta)?


E se alguém lembrar de mais algum destacado jogador nascido nessa época, por favor...


Atualização: Bem no dia em que decido citá-lo, Maradona foi escolhido novo técnico da Argentina. Imaginem, ele e Dunga na beira do mesmo gramado...

17 de outubro de 2008

90 anos de glórias - Salve o Fortaleza Esporte Clube


Hoje a metade tricolor e cearense do meu coração completa 90 anos.

Em 18 de outubro de 1918 um grupo de jovens fortalezenses entusiastas do futebol, liderados por Alcides Santos, fundou o glorioso FORTALEZA ESPORTE CLUBE, aquele que viria a se tornar o maior vencedor na história futebolística do estado e que hoje é dono da maior torcida do estado (segundo pesquisa do Datafolha).

Difícil e até desnecessário listar todas as conquistas do Leão do Pici, do Clube da Garotada, do dono do Parque dos Campeonatos, afinal, do Tricolor de Aço.. O site oficial faz isso de forma mais eficiente.

Por mim, fico com a lembrança do dia em que passei a torcer pelas cores do Leão. Foi no distante ano de 1969, na decisão do campeonato cearense daquele ano. E sei que fui apenas mais um dos garotos mal saídos das fraldas e que foram capturados pela onda de emoção que percorreu a cidade.

Atualmente, por uma série de erros administrativos, a equipe atravessa uma fase muito complicada, com real ameaça de rebaixamento na Série B do Brasileiro. O coração apertado de cada torcedor tricolor acredita piamente que isso não acontecerá, e que sairemos ainda maiores desta fase negra. Porém, se o destino nos mostrar sua face mais áspera, nenhum dos milhões de admiradores do Leão deixará de estar ao seu lado, aconteça o que acontecer, pois o amor incondicional e infinito que dedicamos ao FORTALEZA estará, sempre, acima de momentos de maior ou menor felicidade.

Salve o meu, o nosso Leão do Pici, o indestrutível FORTALEZA.




P.S. 1- Se você ficou curioso sobre a outra metade do meu coração, leia isto aqui. Verá que uma honra a outra.
2- O dia 18 de outubro deve ser realmente mágico. Afinal de contas, um Anjo nasceu nesse dia. O único a se aproximar do Rei.

Santíssima Trindade do tênis feminino

Eu sempre gostei de Tênis. Alguns dos atletas que mais admiro, do presente e do passado, são deste esporte. Roger Federer, Marat Safin, Boris Becker, Bjorn Borg, Martina Navratilova, para ficar nos estrangeiros. Guga e Fernando Meligeni, dos de casa.

Como se não bastasse, tem um caminhão de jogadoras que são um ... colírio. Fiquemos com esse adjetivo, simples porém exato.

Querem um exemplo?


Maria Sharapova, Ana Ivanovic e Daniela Hantuchova.

Uma russa, a outra sérvia e a terceira eslovaca.

Perfeitas.


Alguma dúvida? Então lá vai...






25 de agosto de 2008

Cara de pau olímpica

Acabaram as Olimpíadas e, de novo, o Brasil teve desempenho bisonho, quaisquer que sejam os parâmetros de medição (população, PIB, gastos com a preparação, etc.). Mas isso não foi surpresa pra ninguém. Um país como o nosso que trata tão mal seus esportistas, em qualquer nível, não pode esperar coisa melhor. Quando mesmo um medalhista de ouro, como o César Cielo, tem queixas ( o cara tá ali porque foi "paitrocinado"), o que dizer da grande maioria dos abnegados que foram a Pequim e do exército de desvalidos que não teve essa chance? Um país onde a educação como um todo, e a educação física em especial, é jogada às traças não poderia mesmo ter números olímpicos diferentes.

Aí chega uma figura patética como a do presidente do Comitê Olímpico Brasileiro, Carlos Arthur Nuzman, e vem tentar dar uma de joão-sem-braço e dizer que estamos avançando. Tenta justificar os gastos enormes e sem transparência, mas se enrola todo.

O homem é um cara de pau a toda prova. Tortura os números, mas nem assim eles confessam o que ele gostaria. A verdade é que novamente fomos muito mal, e a quase totalidade das medalhas veio como fruto de esforços individuais de atletas diferenciados e/ou do trabalho sério de raras confederações desportivas. Se fossemos depender do COB ou da grande maioria das entidades envolvidas, inclusive do Ministério dos Esportes, a coisa seria pior ainda. Ou a coisa muda desde a base, nas escolas e centros esportivos públicos, ou vamos ficar marcando passo por muito tempo ainda.


Enquanto isso, a direção do COB (e muita gente mais) só pensa em Olimpíada no Rio em 2016, apesar das absolutas carências estruturais das quais a cidade e o país são acometidos.

Advinha o por que ?


29 de junho de 2008

50 anos de um momento sublime



Hoje completam-se 50 anos de um daqueles momentos definidores do que hoje é o Brasil. Em 29 de junho de 1958 a seleção brasileira de futebol conquistava pela primeira vez a Copa do Mundo.

Independente de você gostar ou não de futebol (especialmente do tipo de futebol que se joga hoje em dia), não dá para negar o efeito que aquela seleção abençoada gerou no povo brasileiro como um todo, especificamente na maneira como víamos a nós mesmos. O famoso complexo de vira-latas (outra das geniais expressões cunhadas por Nelson Rodrigues) começou a morrer ali.

Glória eterna está assegurada para aqueles 22 heróis, dentre os quais pelo menos uns cinco estão entre os 100 maiores da história do futebol mundial.

Quais?

E precisa dizer?