20 de julho de 2007

Para não perder a mania

Estou, desde a última segunda-feira, tentando aproveitar da melhor maneira possível os 20 dias de férias aos quais, incrivelmente, tenho direito. Aproveitar significa, dentre outras coisas, dar uma maneirada no computador e, por tabela, neste blog. A família e a rede (de dormir) têm prioridade.

Entretanto, o mundo não para, e me vejo compelido a comentar brevemente alguns assuntos:

- Acidente em Guarulhos: Investigar, investigar e investigar. Até o fim, doa a quem doer. Esse mantra precisa ser repetido até a exaustão pelas autoridades. Mas, de longe, dá para suspeitar que a responsabilidade vai ser majoritariamente do governo. Por qualquer ângulo que se olhe (reforma atrasada da pista, utilização excessiva e desordenada de Congonhas, inação frente aos "desejos" das empresas aéreas, corte nos investimento aeroportuários, falta de capacidade de reação, etc. etc. etc.), esse governo falhou. É hora de tomar outro rumo e dar uma resposta adequada à nação. E chega de vacilações.

- Morte de ACM: Ele representava quase tudo contra o que eu sempre me opus. Conservadorismo regado à truculência, clientelismo e corrupção. Como nordestino, esse coquetel me parecia especialmente amargo por sintetizar vários outros "coronéis" que infelicitavam (alguns ainda infelicitam) o nosso povo. Mas, e sempre existe um mas, o mundo não é só preto ou branco. Os anos nos ajudam a ver que maniqueísmos de qualquer espécie não se sustentam. Até ACM têm em sua história atos bastante respeitáveis. O Alon citou um deles, passado na recriação da UNE em 1979. Pra terminar, nunca pensei que diria isso: Descanse em paz.

- Time do Dunga: Agora que a poeira já baixou um pouco, resta torcer para que o título da Copa América não acabe sendo um mal terrível para o futebol brasileiro, mascarando seus problemas e suas fraquezas, e que o Dunga não se aferre a concepções totalmente equivocadas e que podem levar a um novo período de trevas. Uma nova "Era Dunga", com o pior das eras Lazaroni e Parreira. Nessas horas, quem diria, até o Felipão seria um avanço.

14 de julho de 2007

Vaias e vaias

Esse é o tipo de assunto que vai render textos a rodo através da blogosfera tupiniquim (e alhures, talvez). Todo mundo vai querer opinar sobre a enorme vaia que o Lula recebeu na festa de abertura do Pan.

Bem, eu também quero hablar una cosita sobre o tema.

Primeiro, acho bom verificar bem qual o tipo de público que estava ontem no Maracanã. Povão típico de lá em dia de jogo certamente não era. Parte (não muitos) era de convidados, especialmente do COB, do governo do estado e da prefeitura. Os pagantes tiveram que desembolsar de R$ 20 até R$ 250. Ou seja, não era para qualquer um. Coisa para classe média ou mais. Alguém, com alguma dose de exagero, chegou a chamar de "plateia de brancos". Acho que não chega a tanto.

Depois, correu a boca pequena que haveria (vejam bem, estou falando no condicional) uma "claque" do César Maia, pronta para vaiar o Lula e o Sérgio Cabral e aplaudir o prefeito. Esse tipo de coisa é quase impossível de provar, mas que o prefeito escapou bem das vaias, isso escapou !

Outra explicação que está correndo é sobre uma reação de parte da população carioca, que resolveu abraçar esse Pan como ponto de virada no nível de auto-estima. Ao contrário do que a Globo estava martelando, esse é o PAN DO RIO, não o PAN DO BRASIL. Logo, qualquer elemento estranho mereceria levar um "chega pra lá". Sobrou pro Lula ...

Dito isso, é necessário ressaltar o lado pedagógico do fato. O Presidente da República foi alvo de estrondosa vaia em um ato público, e vai acontecer ... nada. Isso tem nome: democracia. Se faltava algum teste para nossas ainda adolescentes instituições democráticas, não falta mais.

Além disso, é bom que Lula compreenda que nosso povo, pelo menos boa parte dele, não tem ficado nada satisfeito com as atitudes que o presidente vem tomando frente a série de escândalos que vem pontuando seu governo, e também deplora posicionamentos de Lula claramente conflitantes com o ideário dos tempos de oposição.

Existe também, e não pode ser minimizada, a questão da falta de respeito pelo cidadão investido no cargo de Presidente da República, seja ele quem for, especialmente em uma ocasião com tal visibilidade no exterior. Não pegou bem, e ponto.

Para concluir: o país, sem dúvida, está melhor hoje do que em outros tempos, mas não é o paraíso na terra, e esse governo não é isento de erros, apesar do que alguns de seus membros pensam. Um pouco de humildade e autocrítica não fazem mal a ninguém.

7 de julho de 2007

Esclareçam-me, por favor

A propósito do Pan do Rio (aliás, é do Rio e não do Brasil, dona Globo), alguém pode tirar uma dúvida que vem me incomodando?

O estádio inaugurado sábado passado no bairro do Engenho de Dentro e que será utilizado para as provas de atletismo e jogos de futebol, e que está sendo popularmente chamado de Engenhão, tem como nome oficial Estádio João Havellange.

Como o estádio é da Prefeitura do Rio, e creio existir uma lei proibindo dar nome de pessoas vivas para obras públicas, o que diabos é que está acontecendo?

Aguardo ansiosamente respostas dos amáveis leitores.


P.S. Só não vale dizer que o homenageado morreu e não sabe ...

6 de julho de 2007

Meninos, eu vi

Já faz alguns dias estava me coçando para tocar no assunto Joaquim Roriz. E exatamente por que?

Porque, como o título deste post insinua, eu vi o início dessa tragicomédia dos absurdos.

Por um desses acasos, eu passava, por obrigação profissional, uma temporada de dois anos e meio em Brasília que abrangeu a nomeação do Roriz como governador do Distrito Federal pelo Sarney e sua eleição em 1990 para o mesmo cargo.

Eu presenciei a gestação e a implementação da política ultra-fisiológica e demagógica que propiciou a vitória esmagadora naquelas eleições e nas seguintes em que ele se candidatou. Vi nascer Samambaia, uma cidade-satélite formada quase totalmente por uma multidão de migrantes atraídos pela oferta de lotes, e que se transformaria, junto com outras do mesmo naipe, no curralzão eleitoral de Roriz, subjugando a tradição oposicionista do eleitorado do Plano Piloto e das cidades-satélites mais antigas.

Durante todos esses quase 20 anos, todo tipo de negociata foi realizada para beneficiar o grupo que circundava o "coronel" Roriz. O planejamento da capital federal foi subvertido inúmeras vezes para que o grupelho enchesse os bolsos. A imprensa foi silenciada, por cooptação ou por ameaças econômicas. Tudo acontecendo nas barbas dos poderes da República, que nada fizeram ou não conseguiram fazer.

O homem parecia ter sete vidas. Várias vezes pareceu ter chegado seu fim político, por obra de processos que enfrentou, os quais tinham provas robustas contra ele. Nunca deu em nada.

Agora, mais uma vez, Roriz é pego em situação muito comprometedora. Foi obrigado a renunciar ao cargo de Senador para evitar um processo de cassação com perda de direitos políticos. Será que, finalmente, estamos assistindo à derrocada de um dos mais flagrantes e despudorados corruptos que já conhecemos ?

Meninos, tomara que sim. Mas só acredito vendo.


P.S. O título desse post foi inspirado pelo início de um recente do Idelber sobre o apagão aéreo. Mas aqui a safadeza é de outra ordem.

30 de junho de 2007

Réquiem para um site: No Mínimo

Não teve jeito.

O No Mínimo deixou de ser atualizado ontem, 29/06.

Com isso, se encerra uma das mais democráticas vozes da mídia brasileira, qualquer que seja o formato. Uma experiência quase ímpar em termos de possibilidade de discussão de qualquer tema de forma livre, com textos de qualidade e forte interação com o público.

Cinco anos passaram rápido, mas deu para arrebanhar uma legião fiel de leitores e comentaristas, os quais marcaram (para o bem e para o mal) a face do site.

Não sei (e nem sei se quero saber) o que realmente levou ao fechamento do site. Quaisquer que sejam as razões, elas depõem contra o Brasil. Dá até uma certa deprê, uma falta de esperança no nosso futuro enquanto nação livre, democrática e justa.

Pra não ficar só chorando o leite derramado, é bom saber que alguns dos articulistas do site estão iniciando blogs pessoais com algum nível de interligação e seguindo o espírito do site descontinuado. Pedro Doria, Luiz Antonio Ryff, Carla Rodrigues, José Paulo Kupfer, Sérgio Rodrigues e Ricardo Calil já colocaram os seus no ar.

Para todos eles, obrigado, e como diria aquele filósofo de Vulcano: Vida Longa e Prosperidade.

Leão ferido

Tantos dias sem postar nada (falta de tempo e de saúde), e resolvo voltar falando de um tema muito, muito doloroso.

Que é isso, Fortaleza ? Quatro derrotas seguidas na Série B ?

Como um dos elencos mais caros da competição pode estar fazendo uma campanha tão sem ânimo, sem graça e sem despertar a esperança da torcida ? E olha que até começou bem, com três vitórias seguidas. Mas depois foram cinco derrotas em seis jogos. Tá difícil de entender.

A diretoria paga em dia, dá toda a assistência, contrata um técnico que não é nenhum novato (Marco Aurélio), e o time não decola! Só sabe jogar se defendendo, e mal contra-ataca. E quando a torcida chama de "time medroso" eles ainda reclamam ...

Eu sei que ainda estamos chegando à 25% do campeonato, mas algo tem que mudar JÁ. Novos jogadores, talvez novo técnico, um solavanco daqueles no elenco, sei lá. Mas, do jeito que vai, boa coisa é que não vem pela frente.

ACORDA, LEÃO !!!


ATUALIZAÇÃO (03/07) : Caiu o treinador. Contrataram o Amauri Knevitz, campeão paranaense com o modesto Paranavaí. Tomara que desta vez as coisas andem.

22 de junho de 2007

Vem de longe

Certas coisas nunca mudam. Algumas outras só pioram com o tempo.

Digo isso a partir da nota abaixo, pinçada da coluna De Olho no Dinheiro, assinada pelo jornalista Nazareno Albuquerque no jornal O Povo de Fortaleza do último final de semana.

GONTIJO: LOBISTA COM ESTÁGIO NO BEC
O presidente Lula tem razão: lobby é coisa para profissionais, embora cometam trapalhadas públicas. Cláudio Gontijo iniciou o seu "estágio" nesse negócio ainda jovem, em Fortaleza, como oficial de gabinete do então presidente do Banco do Estado do Ceará, Fernando Terra, no governo Gonzaga Mota, idos de 1983. Gontijo, boa pinta e envolvente, intermediou negócios já naqueles anos da complicada administração Terra. Deixou a cidade de repente, quando os negócios por aqui começaram a se complicar para os lados do BEC, onde estariam ocorrendo operações assombrosas. Agora seu nome ressurge, como lobista da empreiteira Mendes Júnior e amigo do senador Renan Calheiros, intermediando auxílio-maternidade ao presidente do Senado.

Para quem não sabe, foi a gestão do citado Fernando Terra que praticamente QUEBROU o Banco do Estado do Ceará, que teve que ser, sucessivamente, colocado sob intervenção do Banco Central, federalizado e privatizado. O erário público nunca foi ressarcido em nenhum tostão.

Pois é, Senador Renan, uma amizade dessas diz muito...


20 de junho de 2007

Reforma Constitucional

O Alon Feuerwerker publicou ontem mais um interessante post sobre a reforma política. Como já deu pra notar, o assunto chama bastante minha atenção, e resolvi fazer um comentário, o qual foi contestado por outro comentarista, e qual por sua vez foi treplicado por mim. Confuso, né?

Para facilitar, vou reproduzir os comentários:

Luiz disse...

Alguém falou que algumas mudanças (parlamento unicameral) exigiriam uma nova constituição.

Volto a perguntar: por que não uma constituinte exclusiva e restrita à reforma da organização política do país ?

Poderiam ser uns 100 ou 120 constituintes, que ficariam impedidos de assumir cargos públicos (eletivos ou não) por uns 6 anos após o encerramento dos trabalhos.


ppaliteiro disse...

Luis, não se brinca com constituinte mesmo localizadas. Nossa constituição atual nasceu da forma que vc colocou: a partir de uma emenda que a grosso modo ia reformar a organização política da constituição 67/69.

A diferença é que havia respaldo popular, estávamos saindo de uma ditadura. Uma constituinte agora, mesmo parcial é colocar o carro na frente dos bois. A ponto de precisarmos de uma constituinte pra resolver qualquer crise e banalizarmos o sentido de se ter constituição.

Seria necessária outra constituição por que só há uma forma de emendar a constituição e ela é cláusula pétrea. A democracia e o processo político são assim: cheios de altos e baixos.


Luiz disse ...

Caro ppaliteiro,

Vamos por partes:

1 - Não acho que haja perigo de uma constituinte exclusiva descambar para uma reforma ampla e geral. Basta que o texto que a convoque seja bem claro e restritivo.

2 - Apesar de serem momentos históricos díspares, penso que uma proposta que ensejasse uma mudança profunda na organização político-partidária-eleitoral teria amplo apoio popular. Até porque essa não é uma crise qualquer. Nossa estrutura de Estado está sendo corroída de maneira lenta porém constante, e o povão começa a se questionar sobre as vantagens da democracia, até atiçado por setores nada democráticos. Esse filme nós já vimos, e sabemos no que deu.

3 - Aferrar-se a certos dogmas, tipo cláusula pétrea, direito adquirido e etc., e por melhores que sejam as intenções, pode significar fazer o jogo dos setores mais conservadores, para dizer pouco.

4- E pra terminar: concordo com você quando fala dos altos e baixos da democracia e do processo político. Mas para a grande maioria do nosso povo sobram apenas os baixos, por obra e graça daqueles que nem é preciso nominar. E quando sobra ...


Quem quiser, não se acanhe. Pode meter a colher nesse angu.

Funcionalidade

Aderi ao Snap Shot. De agora em diante, basta colocar o cursor sobre qualquer dos links e vai aparecer um preview da página. A partir daí o amável leitor decidirá se vale ou não a pena acessar.

Quem não gostar dessa nova funcionalidade pode desabilitá-la em um botão no canto superior direito da janela que aparece.

19 de junho de 2007

É o Brasil ...

Hora de falar rápido (igualzinho a mim mesmo ao vivo):

- Caso Renan: vergonhosa a postura da tropa de choque que defende o senador na Comissão de Ética do Senado. Assistir a sessão de ontem foi deprimente, para dizer pouco. Partiram para cima do advogado da jornalista como cães esfomeados indo direto à jugular. Não tiveram dúvidas de trazer a questão pessoal para a cena aberta. Já na hora de ouvir o lobista, a coisa mudou totalmente de feição. Até elogio emocionado um dos senadores fez. Mas, apesar de tudo que tentaram, essa confusão está longe de acabar. e acho que acaba mal para o senador Renan...

- Pensão para o Lamarca: não é preciso concordar com todas as ideias e ações daqueles que pegaram em armas contra o regime militar para ter que reconhecer o patriotismo dos mesmos. Apesar dos equívocos, eram brasileiros muito dignos. Tentar impingir a eles a pecha de terrorista (especialmente com os contornos que o termo adquiriu nos anos mais recentes) é uma miopia histórica. Eles eram guerrilheiros lutando contra uma ditadura cruel. No caso do Lamarca ainda tentam chamá-lo de desertor. Mas foi o exército que saiu de seu papel constitucional para intervir descabidamente na vida política do país. E para terminar, Lamarca foi morto sem que houvesse confronto, ou seja, foi assassinado. Quanto à indenização em si, talvez valores mais modestos sejam a solução mais adequada.

Em tempo: a nossa "grande" imprensa continua arqui-reacionária. Até quando?

15 de junho de 2007

Rei do gado

Ontem o Brasil conheceu um verdadeiro fenômeno da sua pecuária, tanto na produtividade, verdadeiramente excepcional, quanto na extrema habilidade comercial. Trata-se do Presidente do Senado, Sen. Renan Calheiros.

Não sei o que o Pres. Lula está esperando para nomear o Sen. Renan para o Ministério da Agricultura. O homem é digno de toda a nossa admiração e merece todas as ovações possíveis e imagináveis!!!

Aliás, acho que nesse caso Ministério da Agricultura é pouco. O homem deveria ser nomeado para o cargo de Primeiro-Ministro. O fato de não sermos uma república parlamentarista não importa. Ele é o gerente que o Brasil tanto espera .


O nosso povo merece ...

13 de junho de 2007

Cidadão de segunda classe

Esta é para aqueles que sonham em viajar para o exterior e acham que tudo sempre será "um sonho".

Vejam o relato da jornalista Eliane Catanhêde, colunista da Folha, das agruras que passou em suas férias nos EUA e Israel.

Resumindo, ela foi tratada como cidadã de segunda classe, pelo fato de ser mulher e sul-americana e, no final escreveu isso:

"O namorado da minha filha, Carlos Frederico, acompanhou tudo isso como a minha família: perplexo, incrédulo. Quando voltei, ele matou a charada: eu passei nos EUA e em Israel o que milhares ou milhões de pobres passam no Brasil. Lá, eu era tão cidadão de segunda classe como eles são aqui."

Bem vinda ao clube.

Olha o golpe aí ...

E a ameaça de golpe parlamentar está começando a se materializar.

Os nossos dignos reprentantes na Câmara dos Deputados tentarão votar hoje a monstruosa reforma política, sobre a qual escrevi no post anterior. Aliás, chamar aquilo de "reforma política" só com exagerada dose de miopia. Trata-se, na realidade, de tentativa de eternização de grande parte daquilo que se convencionou chamar "elite dominante" (a expressão saiu um pouco de moda, mas é a que melhor se encaixa).

Tentam empurrar goela abaixo da nação um sistema em que, ao mesmo tempo que a população passaria a financiar os partidos políticos, perderia o direito de escolher nominalmente seus parlamentares, ficando atrelada a uma lista elaborada pelas cúpulas partidárias.

E para piorar, o projeto protege os atuais detentores de mandato, fazendo com que eles tenham preferência na composição da malfadada lista. Até aqueles que trocaram de partido ficaram protegidos, vejam só.

Dá pra chamar de outra coisa além de golpe ?


P.S. Já estava quase terminando de escrever quando resolvi dar uma espiada no que pensavam os principais colunistas políticos e blogueiros que tratam do assunto. NENHUM daqueles que realmente tenham alguma importância apoia essa "reforma". O Alon, o Elio Gaspari e o Idelber Avelar , por exemplo, não deixam dúvidas sobre o real sentido dessa safadeza. O Fernando Rodrigues e até o Josias (vejam só ...) também batem duro na maracutaia.

8 de junho de 2007

Reforma disforme

Estava ouvindo o noticiário no rádio do carro quando me deparei com um interessante comentário sobre a reforma política que tramita no Congresso. Interessante, mas poderia dizer polêmico, no mínimo.

O analista dizia mais ou menos isso: " A reforma política está parada no Congresso porque não se chega a um consenso sobre o voto em lista fechada, que é pré-requisito para o financiamento público exclusivo das campanhas, o qual ajudará a evitar algumas brechas para a corrupção atualmente existentes."

Como diria o açougueiro, vamos por partes.

Primeiro: voto em lista fechada só vai servir para eternizar nos legislativos aqueles políticos ligados às cúpulas partidárias. Apenas eles farão parte das listas, sabe-se lá usando quais meios. Além disso, o voto em lista é contra toda uma tradição do nosso povo de votar em pessoas e não em partidos. Iria virar eleição indireta.

Segundo: o financiamento público exclusivo não garante que os partidos e candidatos deixarão de utilizar-se do caixa 2. Aliás, aí é que essa prática iria se generalizar. Sem contar que os grandes partidos é que receberiam a esmagadora maioria do dinheiro vindo dos cofres públicos, já que a distribuição seria proporcional aos votos na eleição anterior. Ou seja, partidos de oposição em qualquer nível ficariam asfixiados economicamente.

Terceiro: juntando o que foi dito nos itens anteriores, só quem lucraria seria essa elite política que, sob quaisquer discursos, protagoniza a crise moral e de legitimidade que assola os parlamentos brasileiros e, conjuntamente, o governo em todas as suas esferas. E ainda chamam de reforma...

Qualquer coisa que não traga o ajuste da proporcionalidade das bancadas entre os estados e algum tipo de voto distrital, não merece ser chamado de reforma política.

Parece muito mais um acordo "deles com eles mesmos".

Coisa fina

Você pode chamar de praga, vudu, macumba, maldição, sei lá o nome...

Mas que essa indisposição estomacal do Bush lá no encontro do G-8 tem toda cara de "vingança maligna", isso tem .

Pensando bem, esses anos todos de (des)governo Bush já vem sendo um desarranjo só ...

6 de junho de 2007

O outro lado

Nesse momento em que tanto se discute a situação da liberdade de imprensa na Venezuela, por conta da não renovação da concessão do canal de televisão RCTV, é bom que olhemos o outro lado da história. Examinemos as razões de Hugo Chávez.

Bom início é uma lida no artigo de Bob Fernandes, no Terra Magazine. Ele está preparando um livro sobre Chávez e tem extenso material sobre o assunto, e no artigo se fixa na participação das grandes empresas de comunicação da Venezuela no golpe contra Chávez em abril de 2002.

Por coincidência, tal qual o artigo citado no post anterior, peço atenção para os parágrafos finais. Falam de Venezuela, mas também do Brasil.

Visão

Um dos meus interesses sempre foi o Oriente Médio, com sua história rica e seus conflitos aparentemente intermináveis. Palestinos, israelense, libaneses, sírios, iranianos, curdos e demais povos sempre me despertaram curiosidade e ocupam uma parte do meu tempo na web.

Uma das fontes de informação que costumo frequentar é a coluna que o jornalista brasileiro residente em Israel Nahum Sirotski mantém no IG Opinião. Não gosto muito da forma às vezes confusa e repetitiva com que ele escreve, mas dá para pinçar alguns fatos da política interna israelense que outras fontes não apresentam. E de vez em quando ele também cita fontes árabes as quais temos pouco acesso.

Tudo isso para chegar aqui: dêem uma lida na coluna do final de semana passado. Quem quiser pode ir direto ao último parágrafo. Resumindo, ele citou um comentarista da Al Jazeera que tratava do grupo Fatah al-Islam, atualmente em conflito aberto com o governo libanês em um campo de refugiados palestinos. O relevante é que o comentarista não encaixa o grupo em nenhuma categoria existente na região, mas considera que ele seja similar aos "atuantes na Colômbia e favelas do Brasil, nos segmentos onde não predominam a lei e a ordem".

Vejam só onde a (má) fama do Brasil em termos de segurança chegou.

Aplausos para todos os (ir)responsáveis ...


4 de junho de 2007

Não pode acabar

Acabei de saber da ameaça de fechamento do site NoMínimo , por problemas com a infra-estrutura econômica.

Sou leitor antigo do site, praticamente desde o seu renascimento das cinzas do antigo No . Era até um frequentador assíduo das caixas de comentário, mas deixei de fazê-lo nos últimos meses por duas razões: falta de tempo e queda acentuada na qualidade dos frequentadores.

Entretanto, problemas à parte, é necessário que os espaços mais qualificados da internet brasileira sejam preservados em seu direito de existir, até para servir de contraponto à miopia (para não dizer outra coisa...) da grande mídia brasileira.

Dessa forma, deixo aqui meus votos de que as questões práticas sejam resolvidas e o site continue no ar a partir de 01 de Julho, como seus editores anunciaram nesta nota.

2 de junho de 2007

Pra relaxar

Essa eu vi em um comentário no Sergio Leo , e não resisti a transcrever:

"Conta-se que viajavam à noite num mesmo carro por uma estrada perdida e solitária de lugar algum, três indivíduos: um argentino, um israelense judeu e um indiano hindu.
O carro quebrou, parou. E eles vislumbram ao longe uma casinha. Foram até lá a pé. Não havia ninguém. Na casa minúscula só existiam e cabiam duas camas. Ao lado da casa, porém, um estábulo com alguns animais. Tirou-se a sorte para saber qual dos três - o perdedor - dormiria no estábulo.
Perdeu o israelense. Cinco minutos, depois, batem à porta: era o israelense, dizendo que lamenta mas não pode dormir no estábulo porque nele há um porco e ele não pode ficar ao lado do animal "imundo" segundo sua religião.
O indiano se prontifica a substituí-lo e vai para o estábulo. Cinco minutos depois, batem à porta: era o indiano dizendo que também não pode lá dormir para não pertubar a vaca que lá se encontra, animal sagrado segundo sua religião.
O argentino vai então, com relutância, mas vai. Cinco minutos depois batem à porta: são o porco e a vaca....."

1 de junho de 2007

Chá de simancol

Essa eu li no Noblat : os ministros do Supremo desistiram, na última hora, de autorizar uma compra de veículos com blindagem para utilização por eles mesmos em Brasília. Um dos ministros teve o bom senso de perguntar qual seria a reação da opinião pública.

Economia de R$ 1.700.00,00 para os cofres "públicos".

Enquanto isso, na licitação para aquisição de 200 veículos para a PM do Ceará, o contribuinte pode morrer com uns R$ 6.000.000,00 a mais do que o necessário. Por que? Simples, o edital exigiu que os veículos tivessem câmbio automático e tração 4X4 tempo integral.

Caro leitor, pense rápido e responda: é necessário que veículos policiais destinados a rondas e perseguições tenham uma configuração tipo Toyota Hilux ? Quanto tempo vocês acham que tais veículos resistiriam aos maus tratos e péssima manutenção que nossas polícias , regra geral, oferecem à suas viaturas ?

Para não acharem que é implicância, leiam essa coluna, especializada em veículos, do jornal O
Povo.