quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Ajudantes de Papai Noel - 2009

Está chegando o final do ano, aquela época de confraternizações e troca de presentes, freqüentemente por obrigação, não é ?

ERRADO !!!

Na realidade, está chegando a hora de mostrar o seu lado genuinamente bom (acreditem, todos temos um...), ajudando a fazer que o Natal de quem é menos favorecido seja um pouco mais alegre. Neste ano, principalmente, com a crise ainda cobrando seu preço e as tragédias naturais tendo feito um estrago pra lá de considerável, o apelo fica redobrado.

Muitas são as formas: fazendo trabalho voluntário em instituições que atendem crianças, idosos ou moradores de rua, doando bens ou dinheiro para essas instituições, etc.

Novamente, a minha sugestão é o programa "Papai Noel dos Correios".

É o seguinte: todos os anos os Correios recebem milhares de cartinhas que crianças enviam para Papai Noel. No início, muitos anos atrás, os funcionários dos Correios abriam as cartas e as respondiam. Aos poucos foram aparecendo casos em que as cartinhas eram tão tocantes que era impossível ficar só na resposta escrita, o que levava alguns desses funcionários a se cotizarem para adquirir presentes para entregar aos remetentes. Para isso, muitas vezes, um dos funcionários se vestia de Papai Noel, e o momento da entrega era de uma emoção sem paralelo. A notícia dessas ações foi se espalhando, o número de cartas foi crescendo, e a partir de 1994 a direção dos Correios resolveu institucionalizar a prática e possibilitou que o público externo pudesse "adotar" cartinhas, entregando os presentes nas agências dos Correios, o qual se encarrega de realizar a entrega.

Nem preciso falar mais. Tire seu traseiro (e o resto do corpo também) da frente do computador e vá procurar as agências onde estão as cartinhas. Escolha uma, ou então pegue sem olhar. Qualquer dúvida, este é o link da página com os telefones de contato em cada estado.

Corra que o prazo é curto.

Se por acaso você tem um blog ou página em um site de relacionamentos (Orkut, My Space, Facebook, etc.) , está intimado a ajudar a divulgar essa ação. Um toque via Twitter (ou correlatos) ou então por e-mail para seus amigos também é uma boa.

Papai Noel está recrutando voluntários. Por que não você?




P.S. Se você é um leitor atento e frequente deste espaço, deve ter notado que eu peguei o post dos anos passados, dei uns ajustes e republiquei. Não era preciso reinventar a roda, né?

domingo, 22 de novembro de 2009

Levanta, socode a poeira e dá a volta por cima

Duas canções, para não ter que dizer mais nada (além do que disse bem ali):

When you walk through a storm
Hold your head up high
And don't be afraid of the dark
At the end of the storm
There's a golden star (sky)
And the sweet silver song of a lark

Walk on...
Through the rain...
Walk on...
Through the rain
Walk through the wind
And your dreams be tossed and blown...

Walk on... (walk on)
Walk on... (walk on)
With hope (with hope)
In your heart...
And you'll never walk alone
You'll never walk alone.
Alone...

Walk on... (walk on)
Walk on... (walk on)
With hope (with hope)
In your heart...
And you'll never walk alone
You'll never walk alone.
Alone...

You'll never...
You'll never walk alone...

Walk on... (walk on)
Walk on... (walk on)
With hope (with hope)
In your heart...
And you'll never walk alone
You'll never walk alone.
Alone...

You'll never walk...
You'll never walk alone...

(You'll Never Walk Alone)
(Rodgers e Hammerstein)




Amigo é coisa pra se guardar
Debaixo de sete chaves
Dentro do coração
Assim falava a canção
Que na América ouvi
Mas quem cantava chorou
Ao ver seu amigo partir
Mas quem ficou
No pensamento voou
Com seu canto que o outro lembrou
E quem voou
No pensamento ficou
Com a lembrança que o outro trancou

Amigo é coisa pra se guardar
No lado esquerdo do peito
Mesmo que o tempo e a
Distância digam não
Mesmo esquecendo a canção
O que importa é ouvir
A voz que vem do coração

Pois seja o que vier
Venha o que vier
Qualquer dia amigo eu volto
Pra te encontrar
Qualquer dia amigo
A gente vai se encontrar

(Canção da América)
(Milton Nascimento e Fernando Brant)


sexta-feira, 20 de novembro de 2009

A Palestina busca o seu Mandela

O presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, está em viagem pela América do Sul, incluindo Brasil, Argentina e Chile. Aqui ele conversou com Lula na busca de apoio para a causa do povo palestino em sua busca por um estado independente.

Abbas recentemente concordou em adiar as eleições palestinas, que seriam em janeiro de 2010, pela impossibilidade de realizá-las em Gaza de uma forma livre, muito por culpa do Hamas, mas também de Israel. As mesmas eleições para as quais ele próprio demonstrou a intenção de não concorrer.

Conhecido como um dos mais moderados líderes palestinos, e dotado de um carisma quase nulo, Abbas meio que reconheceu sua impotência para fazer andar as negociações de paz na região. Visto por boa parte de seu próprio povo como o "homem de confiança" dos Estados Unidos, ele provavelmente procura com seu gesto provocar algum tipo de atitude do Ocidente, especialmente no que trata da expansão dos assentamentos judeus na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental.

Poucos meses atrás, li uma matéria que citava declarações do historiador israelense Tom Segev à revista alemã Der Spiegel, na quais ele demonstrava total desolação com o presente e o futuro das relações entre israelenses e palestinos. Adepto da convivência pacífica, Segev praticamente não vê como o atual impasse possa ser rompido.

A única saída que ele enxerga incluiria um passo absolutamente ousado por parte do governo israelense: libertar Marwan Barghouti e permitir que ele tome a frente das negociações pelo lado palestino. Sem exageros, seria algo similar a decisão tomada pelo governo sul-africano quando pôs Nelson Mandela em liberdade.

O maciçamente popular político, e que foi o lider militar do Fatah durante as duas Intifadas, está preso em Israel desde 2002 cumprindo 5 penas de prisão perpétua, acusado de ataques a civis e militares israelenses. Para se ter uma ideia da popularidade de Barghouti, cinco anos atrás, quando das últimas eleições presidenciais palestinas, mesmo de dentro da prisão ele liderava com folga todas as pesquisas de opinião, e teria sido eleito com uma maioria esmagadora sobre seus adversários. Porém, resolveu apoiar Abbas, que venceu. Recentemente, ele foi eleito para o comitê central do Fatah com votação consagradora, e é profundamente respeitado mesmo pelas facções rivais.

Dentro do movimento palestino, ele é a voz mais respeitada dentre aqueles que defendem a solução dos "dois estados", com respeito às fronteiras anteriores à 1967 (com uns poucos ajustes), e convivência pacífica daí em diante. Mas até esse dia chegar, ele insiste no direito dos palestinos resistirem à ocupação.

Esta semana foi publicada uma entrevista de Barghouti para a Reuters, feita por escrito e contrabandeada para fora da prisão por seus advogados.

Eis alguns dos principais pontos da entrevista:

- A divisão entre Fatah e Hamas é uma tragédia. Na atual situação política da região, as diferenças entre os dois grupos não são fundamentais, especialmente na ausência de um parceiro israelense para a paz.
- O Hamas precisa aderir de fato a iniciativa egípcia de reconciliação, o que garantiria as eleições legislativas e presidenciais.
- Se ocorrer a reconciliação das facções palestinas, e consequentemente as eleições, ele tomara uma decisão sobre concorrer ou não.
- Ele pediu uma "campanha popular' contras a expansão dos assentamentos, a "judaização" de Jerusalém Oriental, o bloqueio de Gaza, o confisco de terras e o Muro de separação.
- Essa campanha não incluiria ataques contra civis israelenses, nem lançamento de foguetes contra o território de Israel, o que Barghouti condena já faz um bom tempo.

A expectativa vem aumentando nas últimas semanas tendo em vista o avanço nas negociações para a libertação do soldado israelense Gilad Shalit, sequestrado por militantes palestinos em 2006 e até hoje preso em algum lugar em Gaza.

O preço para sua libertação incluiria a saída das prisões israelenses de um bom número de palestinos. O nome de Marwan Barghouti encabeça todas as listas de possíveis libertados.

Resta saber se o atual (ou qualquer outro) governo de Israel teria coragem e a vontade política para dar o passo decisivo.

É aí que pode e deve entrar o governo americano, pressionando por soluções que atendam verdadeiramente os interesses dos Estados Unidos, e não apenas os de uma minoria radical que mistura direitistas em Israel e nos Estados Unidos.


quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Jaques Vergès, o Advogado do Terror

Como já falei anteriormente, faz um bom tempo que, por diversas razões, quase não saio de casa para ir ao cinema. A principal é o comodismo. Prefiro esperar que os filmes passem na TV por assinatura. Em alguns casos, quando o interesse é um pouco maior, alugo o DVD. Reservo a ida ao cinema apenas para obras muito relevantes, sempre pela minha ótica bem particular. Por exemplo, este ano fui ao cinema apenas uma vez, audaciosamente indo...

Neste espaço já tive a chance de comentar interessantes obras que encontrei acidentalmente na grade de programação das emissoras de TV. Digo acidentalmente porque não costumo sair vasculhando guias de programação ou coisa do tipo. No máximo, quando vejo a chamada de algo interessante, me programo para assistir.

Alguns dos melhores filmes que assisti nos últimos tempos coincidiram de ser europeus, tanto de ficção quanto documentários. Houve até uma fase pesadamente alemã, a que se somaram filmes ingleses e espanhóis. Confesso que o cinema de ficção francês nunca me interessou particularmente, sempre me soou meio arrastado, com atuações forçadas. Às vezes uma ou outra cinebiografia ou então um semi-documentário chamam minha atenção, e só.

Desta vez, confesso, fiquei realmente impressionado. Um documentário francês de pouco mais de 2 horas sobre um personagem que mereceria muito mais, talvez uma série (na França existe uma verão em DVD com quase 4 horas).

Falo de "O Advogado do Terror", filme de 2007 dirigido por Barbet Schroeder, e que tenta jogar uma luz sobre um dos mais intrigantes personagens da segunda metade do século XX e do início do século XXI. Falo de Jaques Vergès, um advogado francês, de ascendência vietnamita por parte de mãe, e famoso por ter um dos portfólios de clientes mais controversos da história do Direito.

Para que vocês possam ter uma ideia, ele ficou famoso nos anos 50 defendendo militantes argelinos que participavam da luta armada anticolonialista contra a França. Depois disso, ele defendeu, dentre outros: militantes palestinos presos em Israel e na Europa, membros do grupo alemão Baader-Meinhof, o famoso terrorista Carlos, o Chacal (além de outros membros do grupo), o Ayatollah Khomeini, o carrasco nazista Klaus Barbie, os líderes do Khmer Vermelho e meia dúzia de ditadores africanos, além de ter se oferecido para defender Slobodan Milosevic e Saddam Hussein. Por isso tudo a mídia costuma chamá-lo de "O Advogado do Diabo", e ele parece se divertir com isso.

O filme é particularmente instigante porque tenta (e consegue) não fazer nenhum juízo de valor sobre Vergès, deixando totalmente a cargo do espectador fazê-lo. Há uma enorme quantidade de depoimentos contra e a favor, além de alguns que deixam mais coisas subentendidas do que claras.

Por exemplo, um membro dos serviços secretos franceses deixa transparecer que Vergès poderia ter sido, em certo período, colaborador dos órgãos de segurança da França. Outros depoimentos, apesar de não confirmarem, não conseguem apagar a suspeita de que ele tenha ficado certo período no Cambodja assessorando Pol Pot, o líder máximo do Khmer Vermelho e responsável, direta ou indiretamente, por mais de 1 milhão de mortes.

Outra boa faceta do filme é que ele permite que conheçamos melhor alguns episódios que nunca foram bem explanados aqui no Brasil, ou em alguns casos são quase desconhecidos.

Vale a pena destacar dois deles. O primeiro mostra como o governo Mitterand foi chantageado pela organização do Chacal para que libertasse dois de seus membros que estavam presos. Para conseguir seu intento, eles promoveram uma campanha de atos terroristas, quase sempre atentados á bomba, que mataram dezenas de inocentes.

O segundo é mais remoto, porém ainda mais trágico. Trata-se dos acontecimentos ocorridos no dia 8 de maio de 1945 (e nos seguintes) na cidade argelina de Setif e em mais algumas das proximidades. Embalados pela vitória aliada contra os nazistas (lembrem: 8 de maio foi o dia exato da rendição alemã), uma multidão de argelinos foi às ruas em comemoração e pedindo mais liberdade em seu país. A manifestação, que era autorizada, começou de maneira pacífica, com a multidão cantando músicas nacionalistas. Entretanto, aos poucos foram aparecendo bandeiras argelinas, o que era proibido. A polícia tentou confiscá-las de maneira violenta, e acabou atirando contra a multidão, matando grande número de manifestantes. A multidão, que passava por um bairro habitado por colonos franceses (os pied-noir), resolveu revidar violentamente contra os civis europeus, matando várias dezenas.

A reação do governo colonial, e aprovada por De Gaulle, foi brutal. Tropas do exército e da polícia, auxiliados por milícias formadas pelos colonos franceses, e com apoio de bombardeios aéreos e, pasmem, navais, fizeram um banho de sangue. O número exato de vítimas jamais será conhecido, mas as estimativas mais acreditadas, feitas por estudiosos franceses, variam entre 6000 e 20000 mortos. O consulado geral americano chegou a falar em 45000 vítimas, mas parece ser um número exagerado. Foi este episódio que pavimentou o caminho para a insurreição geral contra a ocupação francesa que começaria 9 anos depois.

Voltando ao filme, recomendo com ênfase. Mas aviso: não é uma obra fácil de digerir.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Fechando um ciclo

(A partir de agora, sempre que quiser falar sobre esportes, o farei usando o Torcedor Obsessivo Compulsivo, um blog alternativo. Algumas vezes, quando considerar que o assunto transcende os limites do puramente esportivo, replicarei o post aqui no De Olho. O que é o caso deste.)



É bem comum, além de claramente compreensível, que muitos de nós usem como flagrante da passagem dos anos o crescimento dos próprios filhos. Acompanhar cada etapa da evolução deles acaba nos fazendo relembrar os nossos próprios momentos.

Olhar para os meus indomáveis rebentos em suas lutas e descobertas de cada dia mexe bastante comigo. Óbvio que quase todo pai pode (e deve) dizer a mesma coisa, Mas no meu caso a diversidade de idades, especialmente entre a caçula e os dois mais velhos, torna tudo mais colorido e desafiador.

Mas do que eu realmente gostaria de falar hoje não tem a ver com eles (pelo menos não diretamente). Tem a ver com a minha própria infância e adolescência, e como a paixão pelo futebol me impregnou de modo definitivo.

O que desencadeou essa vontade de tocar no tema foi um acontecimento triste. No último dia 09 faleceu, aos 58 anos, Francisco Gomes de Sousa, o Chinesinho, vítima de complicações advindas de uma hepatite.

Quem não é aqui da terrinha, ou não acompanhou o futebol cearense dos anos 70, provavelmente nunca ouviu falar desse volante de futebol clássico e de um pulmão invejável. Quando eu falo volante, por favor não queiram visualizar essa enxurrada de brutamontes que povoou a cabeça-de-área do futebol mundial e brasileiro nos últimos 25 anos, especialmente após a derrota da seleção de 82. Chinesinho era daqueles marcadores que raramente apelava para as faltas. Ele antecipava as jogadas, tirando partido da velocidade.

Para mim, o ponto alto de Chinesinho coincidiu com o ápice de uma das melhores equipes que o Fortaleza já formou, aquela que conquistou o bicampeonato de 1973/1974. O técnico Moésio Gomes adotou um esquema que acabou batizado por Quadrado de Ouro, por utilizar no meio-de-campo 4 jogadores diferenciados: Chinesinho, Zé Carlos, Lucinho e Amilton Melo. Um volante tipo "carregador de piano" (Chinesinho), outro volante com excelente capacidade de sair jogando e chutar em gol (Zé Carlos), um meia muito habilidoso mas também rápido (Lucinho) e outro meia para o qual o adjetivo craque não era exagerado (Amilton Melo). Tudo isso servindo dois atacantes, que poderiam ser um centro-avante ágil (como Marciano), ou um tipo "rompedor" (como Beijoca), ou ainda dois do tipo veloz (como Geraldino ou Haroldo).

Chinesinho era o último remanescente vivo daquele meio-de-campo. Todos os outros faleceram relativamente jovens.

Eu sei. Para muitos de vocês que não são fãs de futebol esse texto deve estar parecendo algo como um tratado arqueológico sobre as primeiras povoações humanas no Himalaia do Leste (desafio alguém a matar de onde tirei isso...). Um pouco de paciência, por favor, pois neste caso o futebol é apenas um meio, não um fim.

Voltando a aquela equipe de 73/74, ela me pegou bem na pré-adolescência. Eu já torcia pelo Fortaleza desde bem pequeno, mas até ali nunca havia sentido uma emoção daquele tipo que deixa marcas. O título de 73 foi gostoso, mas nada comparável ao que aconteceu em 1974.

Para ser sucinto: o grande rival venceu o 1º turno e foi para o último jogo do 2º turno jogando pelo empate. Ou seja, o bicampeonato transformou-se em algo quase inatingível.

Quase. Porque o Fortaleza venceu 3 vezes em sequência (4x0, 1X0 e 3X1), tudo no espaço de uma semana.

Imaginem agora o efeito que algo assim teve sobre aquele garoto gordinho, baixinho, de fala rápida, introspectivo e, como até hoje, passional. É daquelas coisas que ajudam a moldar que tipo de pessoa você será, e que ensina que o impossível quase nunca é tão impossível assim.

Além de ser o tipo de coisa que ajuda a apreciar aqueles momentos em que o filho homem está junto comigo, no sofá de casa, torcendo alucinadamente frente à televisão, às vezes varando a madrugada.

Para encerrar, dói um pouco escrever sobre isso nas vésperas de um possível (e provável) rebaixamento para a Série C.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Atuk, ou a maldição de um roteiro de cinema

Era uma vez um escritor canadense chamado Mordecai Richler, que publicou em 1963 um livro contando as divertidas peripécias de um esquimó na cidade grande.

O livro, The Incomparable Atuk, fez relativo sucesso na América do Norte, e despertou a atenção de Hollywood, que viu no material a possibilidade de servir de base para uma boa comédia.

O roteirista Peter Gzowski tratou de fazer uma adaptação no início dos anos 80 e deu ao roteiro o nome de Atuk (Avô, em Inuit).

E é aqui que começa a nossa história, no mínimo inusitada.

Gzowski escreveu o roteiro tendo em mente um ator específico para o papel principal, seu amigo John Belushi. Belushi leu o roteiro e entusiasmou-se com o projeto.

Entretanto, em 05 de março de 1982, ainda durante os estágios iniciais de pré-produção, Belushi foi encontrado morto vítima de overdose.

O acontecimento paralisou o projeto por alguns anos, até que em 1988 o comediante Sam Kinison aceitou fazer o papel principal. A produção avançou, e as filmagens chegaram a ser iniciadas. Entretanto, Kinison começou a demonstrar insatisfação com o roteiro e exigiu que fosse parcialmente reescrito, o que levou a paralisação da produção e desencadeou uma disputa judicial que se arrastou por vários meses, até que Kinison foi demitido.

Pouco tempo depois, em 10 de abril de 1992, Kinison morreu em um acidente de carro.

No início de 1994, depois de algumas sondagens, o roteiro foi enviado para o também comediante John Candy, que demonstrara interesse no papel.

Inesperadamente, Candy sofreu um fulminante ataque cardíaco em 04 de março de 1994.

As coisas tornaram a ficar paradas até 1997, quando outro comediante conhecido, Chris Farley resolveu ler o roteiro e entrou em negociações para aceitar o papel.

Porém, Farley seguiu o caminho de seu ídolo, John Belushi, e morreu vítima de uma overdose em 18 de dezembro de 1997.

Antes de falecer, porém, Farley mostrou o roteiro para um amigo, o também comediante Phil Hartman, e o convidou a participar do projeto em um dos papéis coadjuvantes.

Alguém quer advinhar o que aconteceu? Facil. Hartman foi assassinado pela esposa em 28 de maio de 1998.

De lá para cá o roteiro está dormindo em algum arquivo em Hollywwod, e nenhum comediante gordinho fala mais em levá-lo às telas encarnando o protagonista.

Maldição, lenda urbana, apenas coincidência, seja lá qual for o nome que se deseje dar, está é uma daquelas histórias que reforçam o velho ditado espanhol:

Yo no creo en las brujas, pero ...

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Encadeamentos

Nunca é demais repetir: é extraordinário como funcionam os mecanismos da memória. Fatos que se passaram muito tempo atrás frequentemente reaparecem, como do nada, bastando o estímulo correto. Ao mesmo tempo, episódios de ontem (literalmente) costumam sumir de nossa mente... (Aliás, acho que já andei falando desse tema neste espaço... Isso: foi aqui.)

Outro mecanismo interessante é a forma como assuntos se encadeiam em nossa mente, um puxando o outro, parecendo uma espiral sem fim.

Trago este tema a partir de uma conversa despretensiosa que tive dias atrás com meu filho. Aliás, despretensioso foi o início do diálogo, que logo enveredou por caminhos muito interessantes, apesar de, como ficará claro, acabarem circulando ao redor de um centro imaginário.

Uma das (muitas) coisas que meu filho e eu temos em comum é adorar futebol. Qualquer torneio, por mais irrelevante que pareça a princípio, merece a nossa atenção. Se for a eliminatória européia para a Copa do Mundo, então nem se fala... O que desencadeou a conversa foi o sorteio para a repescagem. Dois países pelos quais tenho uma simpatia que transcende em muito o esporte, no caso Irlanda e Bósnia-Herzegovina, não deram sorte e vão pegar França e Portugal, respectivamente.

E foi aí que a avalanche mental entrou em ação...

Primeiro, lembrei de clubes de futebol que representam comunidades, como o Celtic, de Glasgow, que historicamente representa a comunidade irlandesa na Escócia. Para lembrar das ligações entre Escócia e Irlanda foi um pulo...

Os dois países tem, pela proximidade, um histórico de inter-colonização, facilitada pelas origens celta de ambos os povos. Na primeira parte da Idade Média, foram imigrantes irlandeses, e entre eles monges, que solidificaram o cristianismo na Escócia. Em contra-partida, foram imigrantes vindos da Terras Baixas Escocesas que, quase 1000 anos depois, formaram o principal núcleo de colonizadores trazidos pelos ingleses para ocupar o norte da Irlanda, o Ulster.

Mas falar de irlandeses, imigração e futebol também acabou evocando o Everton, da velha Liverpool, o que fez aflorar outra das minhas paixões, os Beatles, em especial algo que aprendi recentemente. Vocês por acaso sabiam que 3 dos Beatles tem (ou tinham) ascendência irlandesa? Paul, John e George tem (ou tinham) um pezinho na Ilha Esmeralda. Tanto que, por ocasião do massacre que ficou conhecido como Bloody Sunday (aquele mesmo, da música do U2...), em 1972, Paul e John, já em suas carreiras solo, deixaram seus protestos em forma de música. A de Paul, "Give Ireland Back to the Irish", foi a primeira de suas composições solo a ser banida pela BBC.

Pensando bem, não é de se admirar que 3 dos Fab Four tivessem laços com a Irlanda, já que Liverpool é a cidade inglesa com mais forte influencia irlandesa. E o que o Everton tem com tudo isso? Os Beatles nunca foram fãs explícitos de futebol, mas quando falavam do assunto sempre afirmavam sua predileção pelo Everton, que tem suas raízes na comunidade irlandesa da cidade.

Repararam como futebol, política, música, tudo se entrelaça? Talvez seja porque o mundo não é um amontoado de compartimentos estanques, ao contrário do que alguns nos querem fazer acreditar. Pare para pensar por apenas 1 minuto, e verá que os encadeamentos são infinitos, e nossa memória costuma fazer o trabalho direitinho...

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Blogs: uma análise (atualizado)

"Autores de blogs que não são considerados “profissionais”, que blogam por hobby, estão atualizando menos ainda os seus sites. Desses que blogam menos, 30% vem se dedicando mais a redes de microblogs e a interação em plataformas de redes sociais.

Entre os considerados “profissionais”, o cenário é diferente. Eles estão blogando cada vez mais. Em parte por que encontram o seu público e estão interagindo mais com ele, além do fato de que o blog tem se provado como uma eficiente ferramenta de autopromoção."

Parte de um post do excelente Tiago Doria, em que ele continua dissecando um estudo denominado State of the Blogosfhere, feito pelo agregador Technorati. Eu disse continua porque o primeiro post do Tiago sobre o assunto é este aqui.


Olhando para meu próprio umbigo, e dando uma espiada na blogosfera mais próxima, tenho todas razões para concordar com as conclusões do estudo.

Mas talvez o efeito mais importante porém ainda menos analisado das redes de microblogging e das redes sociais nos blogs seja a diminuição dos comentários, tanto em número quanto em tamanho.

No meu caso, o Twitter não é causa de nada. Até tenho um perfil lá, mas pouco escrevo, sou basicamente um leitor.

Os motivos da rarefação dos posts aqui neste boteco é a falta.

Falta de tempo, falta de inspiração, falta de ânimo, ...


Atualização: O Tiago Doria continuou o assunto aqui, aqui e aqui.

sábado, 17 de outubro de 2009

Horário de Verão: será realmente necessário ?

Vai começar a vigorar hoje o Horário de Verão. Em dez estados e no Distrito Federal os relógios deverão ser adiantados em uma hora.

Seguindo o disposto em um Decreto de 2008, todos os anos o esse procedimento deverá ser implementado à zero hora do terceiro domingo de outubro e vigorará até a zero hora do terceiro domingo de fevereiro do ano subsequente (exceto se coincidir com o domingo de Carnaval, o que adia em uma semana o encerramento).

Minha dúvida é: isso é realmente necessário? Esse alteração traz reais e indispensáveis benefícios? E a quem ele de fato beneficia?

Primeiro, a base científica para o Horário de Verão leva em consideração que sua implantação se justificaria nas regiões onde a variação de incidência de luz solar entre as estações for significativa. Isso ocorre nas áreas de latitude mais alta, especificamente aquelas situadas ao norte do Trópico de Câncer e ao sul do Trópico de Capricórnio.

O Brasil tem apenas a sua Região Sul (mais uma parte do estado de São Paulo) enquadrados na área acima descrita. Entretanto, o Decreto que regula o assunto inclui outros 7 estados onde a diferença de tempo de luz natural é muito menos significativa. Alguns casos beiram o ridículo, como o do Mato Grosso. O extremo sul do estado está aproximadamente no paralelo 17, ou seja, uns 700 quilômetros ao norte do Trópico de Capricórnio, o que faz com que a diferença de insolação seja muito pequena. O centro e o norte do estado então nem precisa falar...

Da mesma forma, muitas áreas de Goiás e Minas Gerais estão a mais de 1000 quilômetros ao norte da linha imaginária, e o Distrito Federal a mais de 800 quilômetros. E pensar que em décadas passadas quiseram obrigar o Nordeste a adotar a medida...

Outro fato relevante, na mesma linha: o Brasil é o único país equatorial (e mesmo inter-tropical) que adota o Horário de Verão.


Adoção do Horário de Verão por país


A alegação de economia de energia também não se sustenta. Mesmo em anos de muita redução de consumo, esta não alcançou 5%. Nunca as metas estabelecidas foram alcançadas. O único local onde isso acontece é ... a Região Sul. Será coincidência?

Claro que, em anos de estiagem mais severa, quando o nível dos reservatórios das usinas de geração de energia hidrelétrica estiver abaixo do normal, a medida teria sua importância, mas esses tem sido anos de exceção.

Segundo dados do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), o nível dos reservatórios da região Sudeste no final de setembro de 2009 (70,31%) era o maior dos últimos 10 anos para o período. Já o nível dos reservatórios da região Sul (94,41%) era o 2º mais alto (perdia para o ano de 2005). Nota-se que a situação atual é muito confortável, tanto que diversas usinas termoelétricas à gás foram desligadas.

E mesmo os horários de pico estão com razoável margem de cobertura, até em virtude da queda do consumo provocada pela crise financeira e ainda não totalmente recuperada. Ao mesmo tempo, diversas pequenas e médias usinas hidrelétricas e, principalmente, eólicas tem iniciado sua operação, aumentando a capacidade de geração.

E quanto às implicações na saúde das pessoas? É ponto pacífico que o chamado relógio biológico das pessoas demora algum tempo para se acostumar com a mudança. A maioria das pessoas leva aproximadamente uma semana para se adaptar, mas uma parcela não desprezível demora muito mais tempo, com prejuízos à saúde em seus diversos aspectos.

Esse tipo de alteração encontra paralelo em um fato bem conhecido. Em 1992, após ingressar na União Européia, Portugal foi obrigado a alterar seu fuso horário, em 1 hora para igualar-se à maioria da Europa Ocidental. Entretanto, o prejuízo logo se fez notar, com alterações no rendimento profissional e escolar e significativo aumento no consumo de estimulantes, legais ou não. O fato foi de tal monta que o governo português foi obrigado a voltar atrás e restabelecer o fuso horário anterior.

(Parêntesis: Desde o ano passado uma lei alterou os fusos horários do Brasil. A metade oeste do Pará adotou o fuso de Brasília, e o Acre e os municípios do oeste do Amazonas avançaram para o fuso de Brasília menos 1 hora, que já valia para o restante do Amazonas, Rondônia, Roraima, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Grande parte dos acreanos ainda luta pela volta do fuso horário anterior.)

Outro problema é que a alteração de horários nos principais centros econômico-financeiros do País acaba refletindo nas regiões que não adotam a medida. Horários bancários, de partidas de viagens aéreas, de transmissões de TV e até de jogos de futebol tem que ser alterados, com os prejuízos inerentes.

A única questão dentre as que fiz acima e que não consigo uma resposta clara é: a quem beneficia? Ora, porque alguém deve estar lucrando com a medida. Se só houvessem perdedores, lógico que ela não seria implantada.

Mas, quem?


ATUALIZAÇÃO: Dialogando com um conhecido que trabalhou no setor elétrico, ele deixou transparecer que uma das razões da implantação do Horário de Verão seria descolar o pico do consumo doméstico dos pico do consumo de iluminação pública, o que reduziria a chance problemas, já que não existe (ou existia) orçamento para uma manutenção adequada da rede.

Faz sentido. Mas que coisa, não é? Falta dinhero (ou vontade) para fazer a coisa certa (manutenção preventiva e corretiva da rede) e apelamos para um artifício?

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Enfim, repouso para Bergson Gurjão Farias

Foram sepultados nesta terça-feira, em Fortaleza, os restos mortais de Bergson Gurjão Farias, militante do PC do B morto pelos militares em 1972, durante a Guerrilha do Araguaia .

Seus cadáver foi identificado em junho passado, após passar até 1996 enterrado como indigente no cemitério de Xambioá, no Pará. Bergson foi o único dentre os quatro cearenses militantes comunistas desaparecidos no Araguaia no início dos anos 70 que teve o paradeiro determinado. Os demais continuam desaparecidos.

A primeira vez que ouvi falar de Bergson foi em 1981.

Eu havia ingressado na UFC e procurava me familiarizar com o então recém-reorganizado movimento estudantil universitário. Meu curso era o de Engenharia Mecânica, e das engenharias o movimento mais estruturado era o da Engenharia Química, cujo CA levava (e ainda leva) o nome de Berg da Engenharia Química, cujo CA levava (e ainda leva) o nnome de Bergson Gurjão, ex-aluno do curso e que foi um dos principais líderes do movimento estudantil na UFC na segunda metade da década de 60.

Bergson foi homenageado hoje na Reitoria da UFC, onde um memorial foi inaugurado com a presença de sua mãe, D. Luiza Farias, de 94 anos.

Impossível tentar entender o que essa mulher passou nos últimos 37 anos, na busca por um filho que todos sabiam estar morto, mas cujo direito a um túmulo digno foi sistematicamente negado. A esperança de encontrar os restos do filho parecem ter dado força para que ela se mantivesse viva e lúcida o suficiente para deixar emocionados todos os que presenciaram a cerimônia.

Oxalá as demais mães, esposas, irmãos e filhos dos desaparecidos na ditadura ainda tenham a chance que D. Luiza teve, de poder prantear o corpo do filho e dar a ele um repouso adequado.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

É o Rio

Pois é, o Rio de Janeiro foi a cidade escolhida.

A razão me levou a preferir outro resultado qualquer (quase que meu desejo se concretiza, vide post abaixo).

Em tempo: não retiro nada do que falei antes...

Mas não dá para esconder que, quando do anúncio, bateu um certo orgulho.

Como disse antes da decisão:

Agora, é esperar a decisão e torcer para que, em caso de escolha do Rio, a sociedade civil se organize realmente para fiscalizar os gastos e, dessa forma, reduzir a roubalheira.
Porque problemas desta ordem com certeza acontecerão. Ninguém é ingênuo em acreditar que não.


Só mais uma coisa: O Lula é muito, muito sortudo...

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

E a Olimpíada de 2016 será ...

Se dependesse só de mim, seria em Madrid.

Ou então em Tóquio.

Em último caso, vá lá, Chicago...

Sempre fui totalmente contrário à candidatura do Rio de Janeiro. Nada contra a cidade (realmente maravilhosa), ou seus habitantes. Mas tudo contra aqueles que patrocinam esse projeto.

Meses atrás, já havia explicado minha posição neste post. E não aconteceu nada que mudasse minhas convicções.

Muito pelo contrário.

(Lembrete: Reparem que no texto também fui contra a Copa do Mundo na minha própria cidade, e o tempo tem me coberto de razão...)

Agora, é esperar a decisão e torcer para que, em caso de escolha do Rio, a sociedade civil se organize realmente para fiscalizar os gastos e, dessa forma, reduzir a roubalheira.

Porque problemas desta ordem com certeza acontecerão.

Ninguém aqui é ingênuo de acreditar que não.



sábado, 26 de setembro de 2009

The Beatles, by Rafael Galvão

Tenho navegado na web menos do que o de costume nas últimas semanas, e isso fez com que demorasse a ler vários bons posts em diversos pontos da rede.

Somente hoje dei de cara com três textos escritos pelo Rafael Galvão sobre aquela que consideramos (ele, eu e muuuuita gente) o mais importante grupo musical do século XX.

Com alguma frequência, o Rafael fala sobre os Fab Four, tanto enquanto grupo quanto em suas carreiras solo, mesmo que o assunto principal dos textos seja outro. E ele sabe do que fala, garanto...

(Parêntesis: existe uma discordância básica entre nós neste tema. Para ele, Paul é o maior artista dentre os quatro, e John um cara importante mas superestimado pela mídia. Para mim, John merece o reconhecimento que teve, e George era "o cara".)

Mas, bem, voltando aos textos, são estes: Beatlemania, As besteiras que dizem em nome dos Beatles, e As revoluções dos Beatles.

Em conjunto, ajudam a colocar no devido lugar algumas coisas que vivem sendo repetidas sobre o grupo, especialmente agora que seus álbuns foram relançados. Alguns pontos são passíveis de discussão, mas no geral os textos são muito bons. Aliás, como quase tudo que o Rafael escreve...


terça-feira, 22 de setembro de 2009

Ora, ora, ora...

E o Obama deve estar pensando:

"É, Zelaya na embaixada dos outros é refresco..." .


***

Qualquer coisa, manda o BOPE proteger a nossa embaixada...