29 de agosto de 2009

26 de agosto de 2009

Cala-se o Leão


O último dos irmãos Kennedy está morto.

Um avassalador tumor no cérebro tirou ontem, aos 77 anos, a vida do Senador Edward Kennedy, o caçula da lendária família que, como quase nenhuma outra, uniu triunfos políticos e tragédias pessoais.

O "Leão do Senado" conseguiu imprimir uma marca pessoal à sua atuação parlamentar nos últimos 40 anos, saindo da sombra de seus irmãos mais velhos, e tornando-se a mais respeitada voz entre os políticos progressistas americanos. Toda legislação americana de direitos civis, previdência, saúde e avanços sociais das última décadas tem suas digitais, muitas vezes de forma decisiva.

Fará falta.

23 de agosto de 2009

Vai um Che Guevara aí? Ou talvez um Jimi Hendrix...

Você é um dos admiradores do comandante Che Guevara?

Caso positivo, provavelmente tem (ou teve) uma camiseta com a foto clássica e a frase idem. Talvez um poster, ou um dos livros...

Mas, e um boneco ? Mais especificamente, este aqui:


Interessado? Então corra até este site e faça sua encomenda. Eles entregam a partir de Outubro...

Você não é chegado ao Che, mas curte Jimi Hendrix, ou então Bruce Lee? O mesmo site também pode lhe ajudar.

Vejam uma amostra:






Infelizmente para alguns velhos bolcheviques, este outro boneco parece estar esgotado...



(Dicas do Blog de Brinquedo, no qual cheguei com uma ajuda da filha caçula).


20 de agosto de 2009

Máquina jamaicana de destroçar recordes

Escrevo logo depois de Usain Bolt vencer a disputa dos 200 metros rasos no Campeonato Mundial de Atletismo, disputado em Berlim.

Tempo: 19 segundos e 19 centésimos.

Novo recorde mundial. O antigo era dele mesmo, com 19 segundos e 30 centésimos.

Fantástico.

Mais ainda se você reparar em um detalhe.

Bolt quebrou o recorde mundial dos 100 metros rasos 4 dias atrás com o tempo de 9 segundos e 58 centésimos (lembremos: o antigo recorde já era dele). Se dividirmos por 2 o tempo do recorde dos 200 metros, teremos 9 segundos e 595 milésimos.

Ou seja, o cara correu os 200 metros praticamente no mesmo ritmo do recorde dos 100 metros. Teoricamentente, ele fez cada metade da prova de hoje apenas 15 milésimos mais devagar do que a prova de domingo passado. E pelo que se viu na final de hoje, ele até poderia ter corrido ainda mais rápido , e quem sabe ter um tempo médio melhor do que na prova dos 100 metros.

Resumindo: se não tiver havido nenhum tipo de ajuda química, estamos diante do maior corredor dos últimos 50 anos, fácil (de Abebe Bikila para cá ninguém correu de forma tão impressionante).

E talvez do maior atleta das últimas décadas em todos os esportes.

19 de agosto de 2009

Seguindo os passos do Senhor

Esta aqui recebi por e-mail:

O velho padre durante anos tinha trabalhado fielmente com o povo africano, mas agora estava de volta ao Brasil, doente e moribundo, em um hospital de Brasília, e é notícia e manchete midiática da hora.

Já nos últimos suspiros, ele faz um sinal à enfermeira, que se aproxima.

- Sim, Padre?

- Eu queria ver dois proeminentes políticos antes de morrer, o Renan Calheiros e José Sarney - sussurrou o padre.

- Sim, Padre, verei o que posso fazer - respondeu a enfermeira.

De imediato, ela entra em contato com o Congresso Nacional e logo recebe a notícia: ambos gostariam muito de visitar o padre moribundo.

A caminho do hospital, Sarney diz a Renan:

- Eu não sei por que é que o velho padre nos quer ver, mas certamente que isso vai ajudar a melhorar a nossa imagem perante a Igreja e povo, o que é sempre bom.

Renan concordou. Era uma grande oportunidade para eles e até foi enviado um comunicado oficial à imprensa sobre a visita.

Quando chegaram ao quarto, com toda a imprensa presente, o velho padre pegou na mão de Sarney com sua mão direita, e na mão de Renan com sua esquerda. Houve um grande silêncio e notou-se um ar de pureza e serenidade no semblante do padre.

Renan então disse:

- Padre, por que é que fomos nós os escolhidos, entre tantas pessoas, para estar ao seu lado no seu fim?

O velho Padre, lentamente, disse:

-Sempre, em toda a minha vida, procurei ter como modelo o Nosso Senhor Jesus Cristo.

-Amém, disse Sarney.

-Amém, disse Renan.

E o Padre concluiu:

-Então... como Ele morreu entre dois ladrões, eu quero fazer o mesmo.

17 de agosto de 2009

Revoada na rede

A blogosfera brasileira sofreu algumas baixas expressivas nos últimos dias.

Primeiro foi o Idelber Avelar que fechou o Biscoito Fino e a Massa por tempo indeterminado. Ele diz que deve voltar, mas não sabe quando.

Depois foi a Nova Corja que também encerrou as atividades.

Ontem, o Pedro Doria anunciou que o Weblog estava sendo desativado, por absoluta falta de tempo em virtude de suas novas atividades profissionais.

O Nova Corja era um site feito no RS que eu visitava muito irregularmente, mas sempre admirei a combatividade da turma.

Já o Biscoito e o Weblog são, por assim dizer, os patronos do De Olho no Fato. A vontade de ter um espaço próprio onde pudesse falar do que bem entendesse nasceu a partir de participações nas caixas de comentários dos dois sites, e de papos via e-mail com seus responsáveis. Foi neles que fiz amizade com um grupo pequeno mas fiel de comentaristas, os mesmos que volta e meia estão por estas paragens. Alguns abriram seus próprios blogs, outros já os possuíam, e formou-se quase uma comunidade.

Cabe-me entender as razões que cada um tem para deixar (mesmo que provisoriamente) a blogosfera, mas sem deixar de expressar minha tristeza. Farão falta, certamente. Mas duvido que seja algo permanente. Nem mesmo demorado.

Daqui a pouco voltaremos a nos encontrar.

Até breve, e muito boa sorte.




P.S. Outro excelente site, o Um Que Tenha, voltado para a música brasileira, está sendo forçado a também encerrar as atividades. Mais uma perda.




12 de agosto de 2009

Outra história surpreendente

Como frequentemente costuma acontecer quando se vasculha a Web durante a pesquisa sobre um determinado assunto, dei de cara recentemente com uma história tão interessante quanto improvável.

Primeiro, pense em um jovem escritor, ainda desconhecido. Filólogo por formação, e profundamente devotado à cultura de seu povo, o qual não possui um Estado próprio, ele começa a militância em grupos que querem a autodeterminação.

Como era de esperar, ele foi processado pelo governo central e condenado à prisão. Pena de 22 anos.

Encarcerado, cumpriu 5 anos até escapar de uma forma digna de filme hollywoodiano.

Como? Um conhecido cantor da mesma etnia foi fazer um show na prisão. Após a saída dos músicos, durante a contagem dos presos, a direção verificou que dois estavam faltando: nosso escritor e outro militante nacionalista. Como ocorreu a fuga? Eles simplesmente saíram escondidos dentro dos grandes auto-falantes da banda, que foram carregados até os veículos por outros presos.

Nosso personagem caiu na clandestinidade (e provavelmente no exílio), e jamais reapareceu publicamente (pesquisando um pouco mais, uma fonte afirmou que os processos já estão prescritos, e nosso escritor poderia voltar à vida normal, porém não consegui encontrar uma confirmação).

E já se vão 24 anos desde então...

Se parasse por aqui, a história seria interessante mas apenas mais uma dentre muitas desse tipo que conhecemos. O que diferencia nosso personagem é que ele tem aproveitado esse tempo para uma prolífica produção, tanto de obras próprias quanto de traduções de escritores estrangeiros para a sua língua materna. E com essa produção, mesmo na clandestinidade, ganhou alguns prêmios literários.

T.S. Elliot, Robert Louis Stevenson, Samuel Taylor Coleridge e Fernando Pessoa são alguns dos escritores mais conhecidos que ele traduziu. Escritores galegos, catalães e latino-americanos também são outros alvos frequentes de seu trabalho.

Ah, ele traduziu a Antologia Poética, de um tal de Manuel Bandeira. Familiar?

Bem, hora de dar nome aos bois...

Nosso personagem chama-se Joseba Sarrionandia Uribelarrea, e nasceu em Iurrreta, no País Basco, em 1958.

Eis seu poema mais conhecido:

O escravo ferreiro

Preso nas selvas do ocidente
trazeram-te a Roma, escravo,
deram-te o ofício de ferreiro
e fazes grilhões.
O ferro vermelho que sacas dos fornos
pode moldar como queiras,
podes fazer espadas
para que os teus compatriotas rompam as suas cadeias,
mas tu, esse escravo,
fazes grilhões, mais grilhões



Aqui vale um adendo.

Sou um profundo entusiasta da causa independentista do País Basco. Acredito piamente que aquele povo tem direito á gerir com inteira soberania o seu destino, e que os governos de Espanha e França serão obrigados, mais dia menos dia, a reconhecer inteiramente os direitos do povo basco. Mas não posso me furtar a uma constatação clara: a organização armada ETA perdeu o bonde da história, e vai acabar sendo marginalizada dentro de seu próprio povo. Hoje é apenas um grupo reduzido de fanáticos dissociados da realidade, que nem mesmo podem invocar a bandeira "revolucionária" sem deixar os verdadeiros militantes das causas progressistas com náuseas.

Perdeu aquela aura de lutadores contra a ditadura franquista, e mais, se afastou completamente das motivações que lhe deram origem 50 anos atrás. Não vê que, apesar de os governos espanhol e francês não tratarem da questão basca com o devido cuidado e respeito, ambos os países são democracias, contra as quais a luta armada não faz o menor sentido. Ela apenas alimenta aquele monstro que chamamos de facismo, que vive á espreita aguardando desculpas para mostrar seus dentes.

Talvez falte ao grupo e seus simpatizantes elementos com uma visão clara de mundo, como os que existiam dentro do IRA e de seus braço político, o Sinn Fein, o que propiciou o acordo que transformou a Irlanda do Norte em um lugar, senão de perfeita paz, pelo menos incomparavelmente mais justo hoje do que meros 15 anos atrás.

Repito: todo apoio ao povo basco em sua busca por justiça e liberdade.

Mas chega desse infrutífero derramamento de sangue.

9 de agosto de 2009

Um ano sem Mahmud Darwish


Hoje completa-se um ano da morte de Mahmud Darwish, o principal poeta palestino e redator da Declaração de Independência da Palestina.

O melhor texto que encontrei sobre ele em língua portuguesa é do escritor português José Saramago, em seu blog:

"No próximo dia 9 de Agosto cumprir-se-á um ano sobre a morte de Mahmud Darwish, o grande poeta palestino. Fosse o nosso mundo um pouco mais sensível e inteligente, mais atento à grandeza quase sublime de algumas das vidas que nele se geram, e o seu nome seria hoje tão conhecido e admirado como o foi, em vida, por exemplo, o de Pablo Neruda. Enraizados na vida, nos sofrimentos e nas imortais esperanças do povo palestino, os poemas de Darwish, de uma beleza formal que frequentemente roça a transcendência do inefável numa simples palavra, são como um diário onde vieram sendo registados, passo a passo, lágrima a lágrima, os desastres, mas também as escassas, ainda que sempre profundas alegrias, de um povo cujo martírio, decorridos sessenta anos, ainda não parece disposto a anunciar o seu fim. Ler Mahmud Darwish, além de uma experiência estética impossível de esquecer, é fazer uma dolorosa caminhada pelas rotas da injustiça e da ignomínia de que a terra palestina tem sido vítima às mãos de Israel, esse verdugo de quem o escritor israelita David Grossmann, em hora de sinceridade, disse não conhecer a compaixão.

Hoje, na biblioteca, li poemas de Mahmud Darwish para um documentário que será apresentado em Ramala no aniversário da sua morte. Estou convidado a lá ir, veremos se me será possível fazer essa viagem, que certamente não seria grata à polícia israelita. Recordaria então, no próprio local, o abraço fraterno que nos demos há sete anos, as palavras que trocamos e que nunca mais pudemos renovar. Às vezes, a vida tira como uma mão aquilo que tinha dado com a outra. Assim me aconteceu com Mahmud Darwish."

Bem, quando um Prêmio Nobel compara alguém com outro Prêmio Nobel, quase nada mais precisa ser acrescentado.

Talvez apenas uma frase e um poema.


" Eu continuarei a humanizar mesmo o inimigo ... A primeira professora que me ensinou hebraico era uma judia. O primeiro amor na minha vida foi uma jovem judia. O primeiro juiz que me mandou para a prisão era uma mulher judia. Portanto, desde o início, eu não vejo os judeus como demônios ou anjos, mas como seres humanos. Vários dos meus poemas são para amantes judaicas. Estes poemas tomam o lado do amor, não da guerra. "


Confissão

Sonhei com um casamento
Sonhei com um par de olhos enormes
Sonhei com a garota das traças
Sonhei com uma oliveira que não se vende
Por uns poucos centavos
Sonhei com as impossíveis muradas da história
Sonhei com o cheiro das amendoeiras
Amparando as tristezas das longas noites
Sonhei com a família
E os braços de minha irmã
Me protegendo como um escudo de heroísmo
Sonhei com uma noite de verão
Com uma cesta de figos
Sonhei muito mais
Me desculpe por isso....


6 de agosto de 2009

Give me a break, São Pedro...

Primeiro, São Pedro, me dê licença para falar com você sem salamaleques desnecessários. Apesar de não sermos amigos muito chegados (aliás, confesso, aquele seu colega panfletário, agitador e chegado a ouvir umas vozes, o Paulo de Tarso, sempre foi mais do meu agrado...), é melhor falarmos sem burocracias.

Eu sei que seu serviço aí em cima não deve ser moleza. Um baita acúmulo de atividades na portaria do recinto, e ainda por cima ficar controlando as precipitações pluviométricas. Deve ter umas horas que você não aguenta mais tanto pedido ao mesmo tempo, e de tudo que é lugar. Uns querendo mais, outros menos, e sem contar aqueles insatisfeitos que simplesmente te mandam conversar com o manda-chuva do subsolo, ou coisa pior. E olha que está ficando cada vez mais difícil pra você tomar as decisões adequadas no momento correto, com toda a ingerência que nós aqui de baixo estamos fazendo (aquele tal de Aquecimento Global, uma chatice...)

Este ano, aqui na minha terrinha, você resolveu abrir as torneiras com vontade. Choveu bem mais do que o normal em quase tudo que é canto. Aliás, teve lugar em que a coisa complicou bastante, gente que perdeu plantação, casa, até umas mortes ocorreram. Se bem que nada comparável ao ocorrido lá na Sarneylândia e naquela lasca de terra entre eles e nós. Por lá o bicho pegou legal...

Mas vamos ao que interessa.

Pedrão, normalmente você manda as águas entre fevereiro e maio. Às vezes começa a pingar em janeiro e vai até metade de junho, mas sempre em volumes menores. Bem, já estamos em agosto e ... ainda continua chovendo. E o que dizer de julho? Choveu o dobro do normal e quase atrapalhou a turistada que vem aqui pegar um bronze...

Ontem, por exemplo, estava voltando para casa no fim do expediente quando, do nada, começou a garoar, e logo estava chovendo que era uma beleza...

Cara, eu sei que você é bem-humorado (as incontáveis piadas que correm por aí não me deixam mentir...), mas, aqui pra nós, você deve estar de gaiatice com a gente...

Isso aqui é conhecido como a Terra do Sol. Dá pra imaginar o motivo? Pois é... Mas se você continuar fazendo hora com a nossa cara daqui a pouco vão ter que mudar o nosso título. E olha que Terra da Garoa já tem dono...

Claro que também sei que você é chegado a uma abundância hídrica, mas aquele lance de andar sobre as águas é pra público restrito, lembra?

Por isso, e sem querer ser insolente (mas já o sendo...), vou ser curto e grosso: deixa de sacanagem e volta ao modo normal de operações, tá certo?

Caso contrário, já tem neguinho aqui falando entrar com uma representação no Comitê de Ética celestial, e você sabe dependendo de quem as diferentes bancadas (Anjos, Arcanjos, Querubins, Serafins, sem contar o baixo clero...) vão indicar, o bicho pode pegar. E não vai ter ato secreto do Todo Poderoso que livre a sua cara, ok?

5 de agosto de 2009

Não é por nada, mas...

Nessa volta das férias, alguém pode me explicar duas coisinhas bem prosaicas?

- Por que alguém mantém como nome de uma firma a palavra KILLING?
E como se não bastasse com um símbolo tão "familiar"?


- O Irã prendeu três americanos que entraram ilegalmente no país. Os parentes dos presos alegaram que a fronteira entre o Curdistão iraquiano e o Irã não é perfeitamente demarcada, e os três entraram no país inadvertidamente enquanto faziam uma caminhada.

Pode ser.

Mas será que eles não não tinham outro local no mundo menos complicado do que esse para fazer uma "caminhada"?



Atualização: Reparei pelas estatísticas do blog que houve vários acessos advindos da empresa Killing. Gostaria de reforçar que nada tenho contra a firma, seus donos e seus funcionários. Mas que é interessante, é...