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23 de janeiro de 2012

Fazendo falta, cada vez mais


Um dos meus maiores orgulhos foi poder encontrá-lo pessoalmente, mesmo de forma pra lá de rápida. E a lembrança nítida de seu aperto de mão não se apagou de minha memória, mesmo depois de mais de 30 anos. (Engraçado: antes dele, pude conhecer alguns de seus maiores amigos e colaboradores, muitos deles personagens memoráveis por si só. Ele ficou quase para o fim da fila, e de meu tempo de militância...).

Ontem, 22 de janeiro, ele completaria, se ainda vivo fosse, 90 anos.

Mesmo as discordâncias que tive (e tenho) quanto a alguns dos posicionamentos políticos que ele tomou não obscureceram a minha enorme admiração.

E vendo o tipo de país que estamos nos tornando, fico com a certeza: cada dia que passa, ele faz mais falta...

Ele, o "Engenheiro".

Leonel de Moura Brizola.






8 de abril de 2010

Carta aberta ao Dep. José Genoíno

Caro Deputado José Genoíno,

De cara, me perdoe pela absoluta falta de respeito às formalidades durante este texto. Faço isso por duas razões.

Primeiro: você é um parlamentar, pago (e muito bem) com o meu, o nosso suado dinheirinho. Logo, "nós, o povo" somos o patrão, e vocês estão aí para, em último caso, atender as nossas vontades. Por isso mesmo, dispensam-se as mesuras exageradas.

Além disso, e apesar de ter um mandato pelo Estado de São Paulo, você é cearense, meu conterrâneo. Conhecemos bem de onde você e sua família vem, o que fizeram e o que fazem. Conhecemos MESMO... Logo, deixemos as frescuras de lado.

Direto ao assunto: você perdeu uma ótima, diria até excelente, chance de ficar caladinho da silva nesse debate sobre o Projeto Ficha Limpa. De todos os membros de sua bancada (e talvez de toda Câmara), você deveria ser dos últimos a se intrometer na discussão. E não me venha com essa conversa fiada de "exercer o mandato popular"... Alguém que está sendo alvo de um processo no STF não deveria nem comparecer ao plenário durante as discussões do projeto. Qualquer coisa que você fizer e/ou disser vai ficar claramente marcado como "legislar em causa própria".

Como se não bastasse, não venha se meter a "botar boneco" com o projeto alegando que ele fere a Constituição, que tolhe direitos, etc. Direito quem tem é o povo de não permitir que um bando de pessoas já condenadas por todo tipo de crime tente conseguir a proteção das imunidades parlamentares e dos privilégios que um mandato proporciona.

Veja bem essa sua declaração: "Essa é uma lei casuística, fere o devido processo legal. É o Judiciário quem vai escolher quem será candidato, que vai tutelar o processo político. Quem tem que tutelar é o povo, é o cidadão, na urna secreta." Deputado, isso é um sofisma sem tamanho. Afinal de contas, o Judiciário é um poder que também representa a vontade do povo. Juízes existem para defender o correto cumprimento da lei e de seu espírito, e com isso proteger a sociedade contra aqueles que não se portam corretamente.

Sinceramente, estou com o saco cheio das hipocrisias de supostos "defensores da democracia". Deputado, a democracia verdadeira abomina a corrupção. Dizer que os fins justificam os meios é algo medieval. E o Brasil merece mais do que isso.

E pra terminar, um conselho: como diria alguém acolá, quando a esperteza é grande demais, ela engole o esperto.

Saudações cearenses.

15 de março de 2010

25 anos de liberdade

Hoje, 15 de Março, completam-se 25 anos do fim oficial daquela que esperamos tenha sido a última ditadura que governou o Brasil.

Digo governou, mas poderia ter usado muitos outros termos: oprimiu, infelicitou, aterrorizou, silenciou, castrou, desorientou, ...

Apesar de em seus anos finais ela ter sido claramente menos cruel do que em seu período mais negro, entre 1968 e 1976 (os anos de chumbo), não deixa de ser meio surpreendente que tenha durado tanto tempo, vinte e um longos anos.

Sobre isso, lembro de uma conversa que tive meses antes da Anistia, com um bom amigo, velho combatente contra o arbítrio, que saiu-se com essa comparação:

- Cara, os nazistas ficaram 12 anos no poder, e foi preciso uma guerra daquelas para derrotá-los. Os milicos daqui já estão mandando a quase 15 anos... Os caras são duros de roer...

Desde aquele 15 de Março de 1985, a nossa democracia consolidou-se, com as amplas liberdades públicas que hoje desfrutamos.

Mas talvez naquele exato dia estejam as sementes dos problemas que hoje enfrentamos em nossa estrutura política. O que poderia ter sido um ponto de partida para mudanças amplas e profundas acabou sendo um bocado de "mais do mesmo".

Esperar Tancredo e receber Sarney foi um choque que demorou para ser verdadeiramente assimilado e processado. As influências disso na Constituição de 88 e no restante da nossa organização político-partidária são claros, exigindo reformas urgentes.

Sarney, Collor, Itamar, FHC, Lula.

Tão diferentes entre si, mas todos eles sem vontade ou sem poder para romper certos vícios. E todos tendo em comum raízes na luta política do tempo da ditadura, quaisquer que fossem os lados em que estivessem.

A eleição de 2010 não deverá produzir nada diferente, já que os dois principais candidatos começaram a vida política na luta contra o antigo regime.

Ou seja, para o bem ou para o mal, aquele tempo negro onde a força fez o mal que a força sempre faz continuará deixando seus rastros.

Quem sabe daqui a alguns anos ela não será mais do que uma lembrança ruim, um sonho mau que não assustará nem um pouco, e o país discutirá seus problemas sem se medir por réguas ultrapassadas.

26 de fevereiro de 2010

Você conhece o Marechal Montenegro?

Dias atrás presenciamos o episódio em que um general quatro-estrelas que perdeu a função que exercia em virtude de ter emitido opiniões nada lisonjeiras sobre o Plano de Direitos Humanos que o governo lançou, numa clara quebra de hierarquia

Perfeita a decisão. Hierarquia é fundamento básico de qualquer força militar, e nenhum militar na ativa pode questionar o poder civil. Sem exceções. Quanto ao conteúdo das críticas, foi um amontoado de bobagens que ninguém leva a sério, exceto os saudosistas da Redentora e os inimigos transloucados do atual governo. Governo que tem seus erros (muitos) e acertos (outro tanto), mas que não pode ser acusado de revanchista e inimigo da democracia.

Por um acaso, logo depois do episódio entrei em contato mais próximo com a história de vida de um militar que, por não ter as melhores relações com alguns dos cabeças do Golpe de 64 e com alguns dos expoentes da linha-dura do regime militar que se seguiu, teve seu nome colocado em uma "lista negra" daqueles de quem não se devia falar (pelo menos não aberta e elogiosamente) dentro dos quarteis e instituições militares.

Falo do Marechal-do Ar Casimiro Montenegro Filho. Para aqueles não estão ligando o nome às realizações, basta lembrar que esse meu conterrâneo foi o criador do ITA (Instituto Tecnológico da Aeronáutica) e do CTA (Centro Técnico Aeroespacial, hoje Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial). E que consegui esses intentos tendo que vencer a resistência do governo de então e de parte de seus companheiros de farda.

Ele foi objeto de várias biografias, sendo a mais conhecida a escrita por Fernando Morais com o título "Montenegro - As aventuras de um Marechal que fez uma revolução nos céus do Brasil ". Leitura agradável e muito esclarecedora sobre um pedaço da história de nosso país, mais especificamente a que vai do fim da 2ª Guerra até meados dos anos 60.

Nela fica claro o caráter obscurantista de diversos personagens que povoaram os quartéis e a política brasileira naquele período e um pouco além.

O patrono da Força Aérea Brasileira, brigadeiro Eduardo Gomes, é um que sai com a biografia bem chamuscada. Além de ter ideias políticas marcadas por um anti-comunismo exacerbado, que conseguia ver maquinações esquerdistas em pessoas e/ou movimentos apenas nacionalistas (ou nem isso), fica a imagem de alguém chegado a mesquinharias e que não conseguia enxergar o futuro nem mesmo em sua própria área de atuação. Por exemplo, se opunha firmemente ao trabalho que Montenegro realizava visando parcerias com industrias avançadas para desenvolver a fabricação de aviões a jato no Brasil, coisa que para Gomes não tinha futuro.

Se para medir a grandeza de um homem uma das formas é saber quem são seus inimigos, Montenegro está bem na foto. Além de Eduardo Gomes (que o perseguiu enquanto pode, até conseguir afastá-lo do ITA, no pós-Golpe), se alinhava entre seus adversários o famoso brigadeiro João Paulo Burnier, ultra-radical no espectro político responsável pelo planejamento do que ficou conhecido como Caso Para-SAR e, posteriormente, acusado de ser o responsável pela morte do militante Stuart Angel durante sessões de tortura.

É bem capaz que alguém aí venha dizer: "Mas o Fernando Morais é esquerdista, deve ter distorcido os fatos...".

Pois bem, também me deparei com esta resenha do livro feita pelo pesquisador Sued Castro Lima, que não por acaso é coronel-aviador da reserva, e na qual ele referenda a quase totalidade do conteúdo do livro.

Outro texto interessante sobre o mesmo tema é o escrito pelo engenheiro Armando Milioni, onde se lança alguma luz sobre as entranhas do ITA, especialmente durante a ditadura, mas também em dias mais próximos.

Neste dia 26 de fevereiro completam-se 10 anos da morte do Marechal Montenegro.

Ele permanece um ilustre desconhecido para a esmagadora maioria do nosso povo. Mesmo entre aqueles com um grau de instrução/informação acima da média dos brasileiros esse desconhecimento é marcante.

Por que será?

Talvez por ele ter apresentado uma visão de Brasil diferente da defendida por grande parte das nossas elites, que enxergavam quase nada além dos próprios interesses (frequentemente entreguistas). Ou talvez também porque, apesar de passar longe de ser um progressista na política (na verdade ele era bem conservador, apoiou os movimentos contra Getúlio, Juscelino e Jango), nunca participou ou concordou com perseguições tipo caça às bruxas, como as ocorridas no pós-64.



14 de janeiro de 2010

A Comissão da Verdade: um depoimento emocionado

De tudo que li sobre a já famosa Comissão da Verdade, transcrevo o pungente texto da jornalista Hildegard Angel, publicado no Jornal do Brasil em 08/01/2010.


Quem tem medo da verdade?

CHEGA UMA hora em que não aguento, tenho que falar. Já que quem deveria falar não fala, ou porque se cansou do combate ou porque acomodou-se em seus novos empregos... POIS BEM: é impressionante o tiroteio de emails de gente da direita truculenta, aqueles que se pensava haviam arquivado os coturnos, que despertam como se fossem zumbis ressuscitados e vêm assombrar nosso cotidiano com elogios à ação sanguinária dos ditadores, os quais torturaram e mataram nos mais sórdidos porões deste país, com instrumentos de tortura terríveis, barbaridades medievais, e trucidaram nossos jovens idealistas, na grande maioria universitários da classe média, que se viram impedidos, pelos algozes, de prosseguir seus estudos nas escolas, onde a liberdade de pensamento não era permitida, que dirá a de expressão!... E AGORA, com o fato distante, essas múmias do passado tentam distorcer os cenários e os personagens daquela época, repetindo a mesma ladainha de demonização dos jovens de esquerda, classificando-os de “terroristas”, quando na verdade eram eles que aterrorizavam, torturavam, detinham o canhão, o poder, e podiam nos calar, proibir, censurar, matar, esquartejar e jogar nossos corpos, de nossos filhos, pais, irmãos, no mar... E MENTIAM, mentiam, mentiam, não revelando às mães sofredoras o paradeiro de seus filhos ou ao menos de seus corpos. Que história triste! Eles podiam tudo, e quem quisesse reclamar que fosse se queixar ao bispo... ELES TINHAM para eles as melhores diretorias, nas empresas públicas e privadas, eram praticamente uma imposição ao empresariado — coitado de quem não contratasse um apadrinhado — e data daquela época esse comportamento distorcido e desonesto, de desvios e privilégios, que levou nosso país ao grau de corrupção que, só agora, com liberdade da imprensa, para denunciar, da Polícia Federal, para apurar, do MP, para agir, nos é revelado...

DE MODO cínico, querem comparar a luta democrática com a repressão, em que liberdade era nenhuma, e tentam impedir a instalação da Comissão da Verdade e Justiça, com a conivência dos aliados de sempre... QUEREM COMPARAR aqueles que perderam tudo — os entes que mais amavam, a saúde, os empregos, a liberdade e, alguns, até o país — com aqueles que massacraram e jamais responderam por isso.

Um país com impunidade gera impunidade. A história estará sempre fadada a se repetir, num país permissivo, que não exerce sua indignação, não separa o trigo do joio... TODOS OS países no mundo onde houve ditadura constituíram comissões da Verdade e Justiça. De Portugal à Espanha, passando por Chile, Grécia, Uruguai, Bolívia e Argentina, que agora abre seus arquivos daqueles tempos, o que a gente, aqui, até hoje não conseguiu fazer... QUE MEDO é esse de se revelar a Verdade? Medo de não poderem mais olhar para seus próprios filhos? Ou medo de não poderem mais se olhar no espelho?...



5 de janeiro de 2010

Olha ali um "projeto" voando...

Quem deu uma lida nos portais de notícias deve ter visto a notícia que falava da preferência da FAB pelo avião sueco Saab Gripen NG na concorrência para aquisição do novo caça para suprir a defesa aérea brasileira, deixando para trás o americano F-18 e o francês Rafale, nesta ordem.

Quem detonou o assunto foi a repórter Eliane Catanhêde, da Folha, neste artigo, onde ressaltava que a cúpula do governo é favorável ao caça francês, o que criaria um tremendo abacaxi a ser descascado por Lula. (Os sem-Folha podem ler aqui.)

Lá no meio do artigo, a jornalista diz que o caça sueco está "ainda em fase de projeto". Esse mesmo tipo de afirmação eu já havia visto em diversos outros órgãos de imprensa e sites.

Pois não é que esse deve ser um daqueles raros casos de "projeto" que voa?

Dando uma lida no blog Poder Aéreo (para os interessados em aviação militar, um prato cheio) encontrei isto aqui:



Nada menos que um Gripen NG decolando e, pasmem, com dois oficiais da FAB nos comandos.

Para algo que é apenas um projeto, até que ele vai muito bem, não concordam?

Ah! A nossa imprensa...


P.S. Recomendo também a leitura deste post do Poder Aéreo, que coloca algumas observações pra lá de pertinentes sobre o tema e a nossa política interna.

26 de novembro de 2009

Ajudantes de Papai Noel - 2009

Está chegando o final do ano, aquela época de confraternizações e troca de presentes, freqüentemente por obrigação, não é ?

ERRADO !!!

Na realidade, está chegando a hora de mostrar o seu lado genuinamente bom (acreditem, todos temos um...), ajudando a fazer que o Natal de quem é menos favorecido seja um pouco mais alegre. Neste ano, principalmente, com a crise ainda cobrando seu preço e as tragédias naturais tendo feito um estrago pra lá de considerável, o apelo fica redobrado.

Muitas são as formas: fazendo trabalho voluntário em instituições que atendem crianças, idosos ou moradores de rua, doando bens ou dinheiro para essas instituições, etc.

Novamente, a minha sugestão é o programa "Papai Noel dos Correios".

É o seguinte: todos os anos os Correios recebem milhares de cartinhas que crianças enviam para Papai Noel. No início, muitos anos atrás, os funcionários dos Correios abriam as cartas e as respondiam. Aos poucos foram aparecendo casos em que as cartinhas eram tão tocantes que era impossível ficar só na resposta escrita, o que levava alguns desses funcionários a se cotizarem para adquirir presentes para entregar aos remetentes. Para isso, muitas vezes, um dos funcionários se vestia de Papai Noel, e o momento da entrega era de uma emoção sem paralelo. A notícia dessas ações foi se espalhando, o número de cartas foi crescendo, e a partir de 1994 a direção dos Correios resolveu institucionalizar a prática e possibilitou que o público externo pudesse "adotar" cartinhas, entregando os presentes nas agências dos Correios, o qual se encarrega de realizar a entrega.

Nem preciso falar mais. Tire seu traseiro (e o resto do corpo também) da frente do computador e vá procurar as agências onde estão as cartinhas. Escolha uma, ou então pegue sem olhar. Qualquer dúvida, este é o link da página com os telefones de contato em cada estado.

Corra que o prazo é curto.

Se por acaso você tem um blog ou página em um site de relacionamentos (Orkut, My Space, Facebook, etc.) , está intimado a ajudar a divulgar essa ação. Um toque via Twitter (ou correlatos) ou então por e-mail para seus amigos também é uma boa.

Papai Noel está recrutando voluntários. Por que não você?




P.S. Se você é um leitor atento e frequente deste espaço, deve ter notado que eu peguei o post dos anos passados, dei uns ajustes e republiquei. Não era preciso reinventar a roda, né?

17 de outubro de 2009

Horário de Verão: será realmente necessário ?

Vai começar a vigorar hoje o Horário de Verão. Em dez estados e no Distrito Federal os relógios deverão ser adiantados em uma hora.

Seguindo o disposto em um Decreto de 2008, todos os anos o esse procedimento deverá ser implementado à zero hora do terceiro domingo de outubro e vigorará até a zero hora do terceiro domingo de fevereiro do ano subsequente (exceto se coincidir com o domingo de Carnaval, o que adia em uma semana o encerramento).

Minha dúvida é: isso é realmente necessário? Esse alteração traz reais e indispensáveis benefícios? E a quem ele de fato beneficia?

Primeiro, a base científica para o Horário de Verão leva em consideração que sua implantação se justificaria nas regiões onde a variação de incidência de luz solar entre as estações for significativa. Isso ocorre nas áreas de latitude mais alta, especificamente aquelas situadas ao norte do Trópico de Câncer e ao sul do Trópico de Capricórnio.

O Brasil tem apenas a sua Região Sul (mais uma parte do estado de São Paulo) enquadrados na área acima descrita. Entretanto, o Decreto que regula o assunto inclui outros 7 estados onde a diferença de tempo de luz natural é muito menos significativa. Alguns casos beiram o ridículo, como o do Mato Grosso. O extremo sul do estado está aproximadamente no paralelo 17, ou seja, uns 700 quilômetros ao norte do Trópico de Capricórnio, o que faz com que a diferença de insolação seja muito pequena. O centro e o norte do estado então nem precisa falar...

Da mesma forma, muitas áreas de Goiás e Minas Gerais estão a mais de 1000 quilômetros ao norte da linha imaginária, e o Distrito Federal a mais de 800 quilômetros. E pensar que em décadas passadas quiseram obrigar o Nordeste a adotar a medida...

Outro fato relevante, na mesma linha: o Brasil é o único país equatorial (e mesmo inter-tropical) que adota o Horário de Verão.


Adoção do Horário de Verão por país


A alegação de economia de energia também não se sustenta. Mesmo em anos de muita redução de consumo, esta não alcançou 5%. Nunca as metas estabelecidas foram alcançadas. O único local onde isso acontece é ... a Região Sul. Será coincidência?

Claro que, em anos de estiagem mais severa, quando o nível dos reservatórios das usinas de geração de energia hidrelétrica estiver abaixo do normal, a medida teria sua importância, mas esses tem sido anos de exceção.

Segundo dados do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), o nível dos reservatórios da região Sudeste no final de setembro de 2009 (70,31%) era o maior dos últimos 10 anos para o período. Já o nível dos reservatórios da região Sul (94,41%) era o 2º mais alto (perdia para o ano de 2005). Nota-se que a situação atual é muito confortável, tanto que diversas usinas termoelétricas à gás foram desligadas.

E mesmo os horários de pico estão com razoável margem de cobertura, até em virtude da queda do consumo provocada pela crise financeira e ainda não totalmente recuperada. Ao mesmo tempo, diversas pequenas e médias usinas hidrelétricas e, principalmente, eólicas tem iniciado sua operação, aumentando a capacidade de geração.

E quanto às implicações na saúde das pessoas? É ponto pacífico que o chamado relógio biológico das pessoas demora algum tempo para se acostumar com a mudança. A maioria das pessoas leva aproximadamente uma semana para se adaptar, mas uma parcela não desprezível demora muito mais tempo, com prejuízos à saúde em seus diversos aspectos.

Esse tipo de alteração encontra paralelo em um fato bem conhecido. Em 1992, após ingressar na União Européia, Portugal foi obrigado a alterar seu fuso horário, em 1 hora para igualar-se à maioria da Europa Ocidental. Entretanto, o prejuízo logo se fez notar, com alterações no rendimento profissional e escolar e significativo aumento no consumo de estimulantes, legais ou não. O fato foi de tal monta que o governo português foi obrigado a voltar atrás e restabelecer o fuso horário anterior.

(Parêntesis: Desde o ano passado uma lei alterou os fusos horários do Brasil. A metade oeste do Pará adotou o fuso de Brasília, e o Acre e os municípios do oeste do Amazonas avançaram para o fuso de Brasília menos 1 hora, que já valia para o restante do Amazonas, Rondônia, Roraima, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Grande parte dos acreanos ainda luta pela volta do fuso horário anterior.)

Outro problema é que a alteração de horários nos principais centros econômico-financeiros do País acaba refletindo nas regiões que não adotam a medida. Horários bancários, de partidas de viagens aéreas, de transmissões de TV e até de jogos de futebol tem que ser alterados, com os prejuízos inerentes.

A única questão dentre as que fiz acima e que não consigo uma resposta clara é: a quem beneficia? Ora, porque alguém deve estar lucrando com a medida. Se só houvessem perdedores, lógico que ela não seria implantada.

Mas, quem?


ATUALIZAÇÃO: Dialogando com um conhecido que trabalhou no setor elétrico, ele deixou transparecer que uma das razões da implantação do Horário de Verão seria descolar o pico do consumo doméstico dos pico do consumo de iluminação pública, o que reduziria a chance problemas, já que não existe (ou existia) orçamento para uma manutenção adequada da rede.

Faz sentido. Mas que coisa, não é? Falta dinhero (ou vontade) para fazer a coisa certa (manutenção preventiva e corretiva da rede) e apelamos para um artifício?

6 de outubro de 2009

Enfim, repouso para Bergson Gurjão Farias

Foram sepultados nesta terça-feira, em Fortaleza, os restos mortais de Bergson Gurjão Farias, militante do PC do B morto pelos militares em 1972, durante a Guerrilha do Araguaia .

Seus cadáver foi identificado em junho passado, após passar até 1996 enterrado como indigente no cemitério de Xambioá, no Pará. Bergson foi o único dentre os quatro cearenses militantes comunistas desaparecidos no Araguaia no início dos anos 70 que teve o paradeiro determinado. Os demais continuam desaparecidos.

A primeira vez que ouvi falar de Bergson foi em 1981.

Eu havia ingressado na UFC e procurava me familiarizar com o então recém-reorganizado movimento estudantil universitário. Meu curso era o de Engenharia Mecânica, e das engenharias o movimento mais estruturado era o da Engenharia Química, cujo CA levava (e ainda leva) o nome de Berg da Engenharia Química, cujo CA levava (e ainda leva) o nnome de Bergson Gurjão, ex-aluno do curso e que foi um dos principais líderes do movimento estudantil na UFC na segunda metade da década de 60.

Bergson foi homenageado hoje na Reitoria da UFC, onde um memorial foi inaugurado com a presença de sua mãe, D. Luiza Farias, de 94 anos.

Impossível tentar entender o que essa mulher passou nos últimos 37 anos, na busca por um filho que todos sabiam estar morto, mas cujo direito a um túmulo digno foi sistematicamente negado. A esperança de encontrar os restos do filho parecem ter dado força para que ela se mantivesse viva e lúcida o suficiente para deixar emocionados todos os que presenciaram a cerimônia.

Oxalá as demais mães, esposas, irmãos e filhos dos desaparecidos na ditadura ainda tenham a chance que D. Luiza teve, de poder prantear o corpo do filho e dar a ele um repouso adequado.

2 de outubro de 2009

É o Rio

Pois é, o Rio de Janeiro foi a cidade escolhida.

A razão me levou a preferir outro resultado qualquer (quase que meu desejo se concretiza, vide post abaixo).

Em tempo: não retiro nada do que falei antes...

Mas não dá para esconder que, quando do anúncio, bateu um certo orgulho.

Como disse antes da decisão:

Agora, é esperar a decisão e torcer para que, em caso de escolha do Rio, a sociedade civil se organize realmente para fiscalizar os gastos e, dessa forma, reduzir a roubalheira.
Porque problemas desta ordem com certeza acontecerão. Ninguém é ingênuo em acreditar que não.


Só mais uma coisa: O Lula é muito, muito sortudo...

30 de setembro de 2009

E a Olimpíada de 2016 será ...

Se dependesse só de mim, seria em Madrid.

Ou então em Tóquio.

Em último caso, vá lá, Chicago...

Sempre fui totalmente contrário à candidatura do Rio de Janeiro. Nada contra a cidade (realmente maravilhosa), ou seus habitantes. Mas tudo contra aqueles que patrocinam esse projeto.

Meses atrás, já havia explicado minha posição neste post. E não aconteceu nada que mudasse minhas convicções.

Muito pelo contrário.

(Lembrete: Reparem que no texto também fui contra a Copa do Mundo na minha própria cidade, e o tempo tem me coberto de razão...)

Agora, é esperar a decisão e torcer para que, em caso de escolha do Rio, a sociedade civil se organize realmente para fiscalizar os gastos e, dessa forma, reduzir a roubalheira.

Porque problemas desta ordem com certeza acontecerão.

Ninguém aqui é ingênuo de acreditar que não.



22 de setembro de 2009

Ora, ora, ora...

E o Obama deve estar pensando:

"É, Zelaya na embaixada dos outros é refresco..." .


***

Qualquer coisa, manda o BOPE proteger a nossa embaixada...

7 de julho de 2009

Constituinte exclusiva para a Reforma Política

Anteriormente, neste (aqui e aqui) e em outros espaços, eu já havia expressado minha opinião favorável a realização de uma Reforma Política através de uma Assembleia Constituinte exclusiva e restrita, ou seja, uma que trata-se apenas desse assunto e fosse eleita exclusivamente para esse fim, e não fosse formada por deputados e senadores.

Pois bem, eis que o Deputado Marco Maia (PT-RS) apresentou a Proposta de Emenda Constitucional nº 384/2009, que, em linhas gerais, atende ao que foi descrito acima.

Em resumo, a proposta, que recebeu a assinatura de 317 parlamentares, determina que, concomitantemente com as eleições gerais do próximo ano, sejam eleitos 180 parlamentares constituintes para promover a revisão dos dispositivos constitucionais relativos ao regime de representação política.

Mesmo sabendo que uma proposta como essa terá um intenso debate e sofrerá inevitáveis aperfeiçoamentos, gostaria desde já de levantar alguns pontos que me parecem relevantes:

- A quantidade de constituintes por estado ser determinada proporcionalmente à população é algo correto. E a designação de um número mínimo por estado é uma boa medida para evitar choques intra-federativos. Porém considero o piso de 4 vagas por estado previsto no projeto muito elevado. Se for levado adiante, fará com que os 15 menores estados, que detém cerca de 18% da população do país, fiquem com 33,3% do total de vagas.

Sugestão: o número mínimo poderia ser de 3 parlamentares constituintes por estado, o que faria com estes mesmos 15 estados ficassem com 25% das vagas. Ou então um mínimo de 2 vagas por estado, com o total de cadeiras sendo reduzido para 150.

- O projeto prevê a composição das bancadas de cada estado proporcionalmente aos votos de cada partido. Considero que, dada a relevância do assunto a norma não é adequada. Muitos cidadãos que teriam muito a oferecer às discussões não são nem pretendem ser filiados a partidos políticos.

Sugestão: Deveriam ser permitidas candidaturas avulsas, sem vinculação partidária, e a composição das bancadas seria feita por votação majoritária, isto é, os mais votados estariam eleitos, independentemente de partidos. Nesse caso, a redução para 150 cadeira na Assembleia seria desejável. Além disso, a reserva de um percentual de vagas para candidatas mulheres é algo que poderia ser discutido.

- Outro bom ponto do projeto fala que os candidatos à Assembleia Constituinte Revisional não poderão se candidatar a outros cargos eletivos em 2010. Medida necessária, mas não suficiente, na minha visão.

Sugestão: Os cidadão eleitos para a Assembleia Revisional ficariam impedidos de se candidatar ou assumir qualquer cargo público, em qualquer dos poderes, seja por eleição seja por nomeação, por um período após a conclusão dos trabalhos, período esse que poderia ser de 2, 3 ou 4 anos.


Para terminar: este espaço, a partir de agora, dará total apoio a proposta do Dep. Marco Maia, a qual é com certeza um ótimo instrumento para fazer avançar a discussão sobre o assunto.

Até porque a atual estrutura de representação política do país está totalmente carcomida (nem preciso entrar em detalhes...) e não atende mais a realidade sócio-política do Brasil

5 de julho de 2009

Exemplarmente didático

Reproduzo o último tópico da coluna do Alon Feuerwerker no Correio Braziliense de hoje, que foi postada também no Blog do Alon:


Meu aparelho querido

A Executiva Nacional do PSDB prorrogou o próprio mandato e deu a si poderes para intervir em qualquer diretório estadual. Deu também ao presidente do partido, Sérgio Guerra, o poder de estender mandatos de diretórios regionais “nos casos em que julgar conveniente”. Como se sabe, o PSDB é um partido de fortes convicções democráticas, permanentemente alerta contra o risco do "chavismo".


A quem interessar possa: concordo também com o restante da coluna.

5 de junho de 2009

Retrato 3X4 do ruralismo cego

Eis um trecho do pronunciamento feito ontem (dia 4) pelo Senador Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR) na tribuna do Senado, em comemoração à aprovação da Medida Provisória 458/09, que trata da regularização de terras da União ocupadas na Amazônia Legal (links para a íntegra do discurso, em texto, áudio ou vídeo, podem ser encontrados aqui. Recomendo vigorosamente).


"É por isso que nós queremos fazer, sem xenofobismo interno, um diagnóstico real da Amazônia. E tenho o prazer de, tendo sido eleito Presidente da Subcomissão da Amazônia e da Faixa de Fronteira, fazermos esse trabalho, sem negócio de ideologia, sem partidarismo, sem paixões, sem religião, mas com ciência, um diagnóstico que beneficie as pessoas em primeiro lugar, o meio ambiente em segundo lugar, e os bichos em terceiro lugar.

Agora, é um absurdo, Senador Gilberto, que o nosso dinheiro... Pode ver. Você pode pegar, você que está me ouvindo e que está assistindo a esta sessão. Pegue uma nota de um real, de dois, de cinco, de dez, de cinquenta, de vinte, de cem. O que tem nelas? Só bicho, é só animal, não tem um ser humano, um vulto histórico! O Brasil não tem história nas suas cédulas. Pegue as cédulas de dinheiro de qualquer outro país e veja se isso existe. Isso não existe. Isso é o resultado de um ecoterrorismo de que o Brasil vem sendo vítima e que vem assimilando e reproduzindo."


Em vista disso, meus amigos, apenas uma pergunta: com qual ente da natureza devemos comparar o Excelentíssimo Senador?

3 de junho de 2009

Desabafo de um pai estarrecido

Quem está empunhando o teclado neste momento é, antes de tudo, um pai. Daqueles profundamente apegados a proximidade física dos filhos, todos os três. Sei que não será para sempre, e dessa forma os tenho criado para desde cedo não dependerem totalmente dos pais. E acho que tenho conseguido.

Este pai sempre foi e sempre será totalmente solidário a outros pais na suas lutas para não terem seus direitos paternos restringidos, quase sem excessão, por quaisquer razões.

Me dói ver casos em que decisões judiciais tolhem severamente o convívio entre pais e filhos após a separação entre os cônjuges. Da mesma forma, me revoltam casos em que, apesar das decisões judiciais não serem draconianas, as ex-parceiras fazem de tudo para dificultar o acesso dos pais aos seus filhos.

Mas sem dúvida o pior tipo de problema é aquele que aparece quando, estando separados os pais, a mãe falece e, ao invés dos filhos voltarem imediatamente para o convívio paterno, a família materna tenta impedir tal ato.

E se, em acréscimo ao acima descrito, juntarem-se injuções políticas de qualquer ordem, então estamos no pior dos mundos.

Lembram-se do caso do menino Elian, que os parentes maternos tentaram manter em Miami, apesar de o pai cubano muito justamente pedir seu retorno à ilha caribenha? Recordem-se do verdadeiro carnaval que as lideranças anti-castristas da Flórida fizeram, mas que no final não deu em nada, pois o governo americano, com todos os problemas que tinha ( e tem) com Cuba naõ deixou de cumprir a decisão judicial final de entregar o menino ao pai.

Bem, agora temos próximo de nós um caso semelhante, e sob alguns aspectos, pior.

Resumo da história: a brasileira Bruna Bianchi e o americano David Goldman se conheceram nos Estados Unidos, casaram-se e viveram em New Jersey, onde nasceu o menino Sean, hoje com 9 anos. Tudo ia bem até 2004, quando Bruna viajou para passar férias com o menino e nunca mais voltou.

Tempos depois, já separada de David, Bruna casou com o brasileiro João Paulo Lins e Silva (atentem para esse sobrenome...), engravidou dele, mas veio a falecer em agosto de 2008 no parto de sua segunda filha.

Desde então, David, que já na separação havia lutado para manter contato com o filho, tenta fazer com que seus direitos paternos sejam respeitados e, dessa forma, que seu lhe seja entregue. Porém, o padrasto vem lutando na justiça para manter a guarda do menino.

Nesta última segunda-feira, dia 1º, o juiz da 16ª Vara Federal do Rio de Janeiro determinou que Sean fosse entregue a seu pai no prazo de 48 horas.

Perfeito.

Porém ontem, dia 2, mais uma vez um ministro do Supremo Tribunal Federal tomou uma daquelas decisões que podem ser chamadas de esdrúxulas.

O ministro Marco Aurélio Mello, fiel ao seu retrospecto de decisões controversas (foi ele que mandou soltar o banqueiro Salvatorre Cacciola, que posteriormente fugiu para a Itália), e atendendo a um pedido do Partido Popular, suspendeu a determinação da Justiça Federal carioca.

Antes de mais nada, o que é que um partido político tem que se meter numa questão entre duas pessoas físicas (o pai e o padrasto)? Ainda mais o PP, o partido do Maluf, lembram-se?

Além disso, o Sr. Juiz Federal Rafael Pereira Pinto foi profundamente cuidadoso na sentença, gastando mais de oitenta páginas para demolir os argumentos do padrasto e sua família.

Aí chega o ministro Mello e dá um despacho de próprio punho no processo e suspende tudo.

Caramba, em que país vivemos? Até o mais iletrado de nossos cidadãos sabe que o lugar de uma criança é com um de seus pais. Se apenas um deles está vivo, e não há nada em sua conduta que o desabone, então não há o que discutir. Límpido e claro. O fato do pai ser estrangeiro não significa nada.

Aí chega um padrasto, e amparado em um sobrenome de peso na justiça nacional, e tenta subverter a ordem natural.

E para piorar aparece um ministro do STF (aliás, lembrem-se de quem elle é primo...) disposto, como a maioria de seus pares, apenas a jogar para a platéia.

Desculpem-me a veemência, mas certas coisas não podem ser tratadas com luva de pelica.

Este pai aqui deseja reiterar sua total e irrestrita solidariedade com o Sr. Goldman, e torce para que ele recupere sem demora a guarda de seu filho.



(Como os mais atentos puderam notar, venho negligenciando um pouco as postagens neste espaço. É só uma fase complicada. Vai passar...)

20 de maio de 2009

Autodeclaração de raça

A Câmara pode estar votando hoje (ou nesses dias) em uma comissão especial o Estatuto de Igualdade Racial.

Não é minha intenção discutir aqui o mérito do Estatuto e sua principal consequência, a política de cotas raciais. Até um tempo atrás eu era claramente favorável ao projeto, mas hoje tenho minhas dúvidas.

Quanto às cotas sociais, continuo um entusiasta.

Mas como eu disse antes, não quero aprofundar (pelo menos hoje) a discussão.

Quero é contar um episódio acontecido 2 dias atrás.

A empresa onde trabalho se prontifica em pagar treinamentos externos para os funcionários, desde que ligados às funções de cada um.

Apareceu um curso interessante, oferecido por um órgão do Sistema SESI-SENAI, e eu pedi para ser inscrito. A área de RH da empresa aprovou e me enviou uma ficha de inscrição emitida pelo órgão.

Comecei a preencher a ficha, e notei a quantidade de informações pessoais que eram solicitadas. Até o número da Carteira Nacional de Habilitação eles queriam saber...

Aí dei de cara com um item que pedia que eu declarasse minha Raça/Côr (assim mesmo...) e davam as seguintes opções: Branca, Negra, Parda, Amarela, Indígena e Não Identificada.

Colocando de lado que o significado da opção Não Identificada permaneceu para mim um mistério, o que me bateu na hora foi: Eu tenho que responder uma pergunta dessas? Porquê?

Primeiro, para que esse tipo de pergunta? Sua resposta não faria a menor diferença para o órgão nem para o curso.

Depois, e mais importante: acho este tipo de questionamento totalmente desrespeitoso, ofensivo mesmo.

Sou um cidadão brasileiro que paga seus impostos e não quer nenhum tipo de privilégio nem aceita nenhum tipo de preconceito baseado na cor da pele. Nesse assunto, sou o que sou e ninguém tem nada com isso. Não dou a ninguém o direito de fazer este tipo de pergunta, especialmente sem um excelente motivo (questões de saúde, por exemplo).



Antes que alguém pergunte, marquei a opção Não Identificada.

Isso porque não achei a opção Verde ou Klingon.

18 de maio de 2009

Uma história das periferias do Brasil

Hoje resolvi passar para os meus escassos leitores uma história que me foi contada uns dias atrás pela minha filha mais velha, a que tem nome de filme do Woody Allen. E como inspirada pelo cineasta americano, essa história tem lances de tragédia salpicados de comédia.

A herdeira faz graduação em Enfermagem, e durante o curso os alunos tem por obrigação tomar contato com a realidade dos Postos de Saúde que atendem a grande massa de nossa população, especialmente aquela residente nas periferias mais desassistidas de nossas metrópoles. E foi durante a visita a um desses Postos que ela escutou o relato de uma de suas professoras, que também é uma das encarregadas pela Unidade.

O Posto, além do atendimento corriqueiro, é uma base para as equipes do Programa de Saúde da Família (PSF), um programa que faz com que os profissionais de saúde vão ao encontro da população em suas residências. Para a saúde da fatia mais pobre do nosso povo isso tem um potencial quase revolucionário, e já obteve avanços significativos. Dentre os diversos tipos de doenças que são focadas pelo programa se encontra a tuberculose. Um atendimento mais próximo e individualizado para os portadores desse mal é importantíssimo, tendo em vista que o tratamento dura 6 meses e não deve ser interrompido sob pena de a bactéria se fortalecer e dificultar a cura. Pois bem, o pessoal do Posto tem como obrigação ir visitar os pacientes que deixam de comparecer para as consultas e para pegar os medicamentos. E é aí que, em muitos casos, as coisas complicam...

Um dos pacientes que deixaram de aparecer no Posto é, simplesmente, o chefe do tráfico de drogas da região, e que atende pelo singelo mas explicável apelido de Pato Rouco. Além dele, outros três conhecidos traficantes do mesmo grupo também estão acometidos do mesmo mal.

A profissional de saúde resolveu que isso não era motivo para deixá-los de fora do atendimento domiciliar, e resolveu se embrenhar favela adentro para encontrá-los. Por medida de segurança foi pesadamente uniformizada, de modo a deixar claro quem ela era. Sábia decisão: teve que enfrentar três barreiras colocadas pelos traficantes, e em cada uma precisou se identificar cuidadosamente.

Chegando até a presença do chefe ela foi cordialmente tratada, e executou sua função sem maiores problemas. Porém, estando ali, acabou identificando outro problema. Estava presente a companheira do Pato Rouco, que além de estar completamente "chapada" também apresentava sintomas da tuberculose e, para piorar, estava grávida. Para evitar complicações no parto, a enfermeira aconselhou que ela procurasse atendimento no Posto.

Passaram-se várias semanas e nenhuma notícia dos dois.

Até que, belo dia, um morador da comunidade que havia comparecido ao Posto procurou pela encarregada e foi logo dizendo:

- Dotôra, a senhora não sabe a novidade: nasceu o Pato Rouquinho...


13 de maio de 2009

O Rio e as Olimpíadas de 2016, Fortaleza e a Copa de 2014

Muito se tem falado sobre a candidatura do Rio de Janeiro para sediar os jogos Olímpicos de 2016.

Aqui dentro do Brasil a discussão está polarizada entre os que apoiam a candidatura (basicamente os governos estadual e municipal do Rio, o Comitê Olímpico Brasileiro, a Rede Globo, o empresariado ligado ao turismo e a construção civil e, em uma escala levemente menor, o governo federal), e aqueles que são críticos ao projeto (parte da imprensa e instituições da sociedade civil ligadas ao esporte e a transparência nos gastos públicos).

Pessoalmente sou contra o projeto, especialmente por ele ser tocado por um órgão (o COB) que já deu demonstrações inequívocas de incapacidade para gerenciar recursos e formatar planos que resultem em efetivos avanços para o esporte nacional e para o conjunto da sociedade. Isso se agrava a partir do momento em que se juntam a ele grupos políticos e econômicos cujo histórico é nada recomendável. Foi essa reunião de personagens que nos deu o Pan de 2007, com orçamento largamente ultrapassado, obras questionáveis, poucos ganhos na infra-estrutura da cidade (especialmente comparado ao que foi prometido) e praças esportivas que, após os jogos, estão variando entre a quase total falta de utilização e o desvio de finalidade.

Durante muito tempo, eu estava sem saber verdadeiramente quais as reais chances da candidatura do Rio. Tudo que eu via era o oba-oba dos organizadores, mas quase nada mais isento e independente. E quase nada sabia sobre a situação das candidaturas concorrentes, de Chicago, Tóquio e Madri.

Dando uma espiada no blog FiveThirtyEight, que analisa a política americana usando sempre ferramentas matemáticas e estatísticas (já disse aqui uma vez que esse é uma das minhas manias...), dei de cara com um post intitulado Why Obama Wants the Olympics, que falava das razões para que o atual governo americano tenha desencadeado um grande lobby em favor da candidatura de Chicago.

No mesmo post, vinha a afirmação de que as quatro candidaturas estariam muito próximas nos critérios técnicos, e citava o site GameBids, especializados no assunto, como fonte. Esse site possui um índice que indica a possibilidade de sucesso de uma candidatura. Na última atualização do índice, os números foram:

Tóquio - 61,41
Rio - 59,95
Madri - 58,73
Chicago - 58,37

Ou seja, páreo duríssimo. E junto com os números vinham algumas considerações sobre cada candidatura.

Por exemplo, Chicago sofre com os astronômicos valores que seriam cobrados dos patrocinadores (principalmente numa época de crise como a atual) e também por ser a única cidade onde não há garantias governamentais totais. Tóquio fez um plano compacto e muito objetivo, e tem usado bem o crescente apoio popular e o potencial econômico da região, mas pode ser prejudicada pelo fato de o Oriente ter sediado uma Olimpíada muito recentemente (Beijing). Quanto a Madri, tem um plano muito bem elaborado, fundamentalmente baseado no que quase foi vitorioso na disputa pelos jogos de 2012, somado a excelentes garantias financeiras e boas instalações já existentes.

E quanto ao Rio de Janeiro? Sua principal força, segundo os analistas, é o fato de a América do Sul nunca haver sediado os Jogos. Um pedido para que o Comitê Olímpico Internacional dê uma chance ao continente vem revestido de grande simpatia.

Mas o mais interessante é um fato que é normalmente utilizado pelos adversários internos da candidatura, mas que pode contar a favor do Rio: o valor a ser gasto. Para alguns membros do COI, o valor previsto para os investimentos (28,8 bilhões de reais, equivalentes a 13,9 bilhões de dólares) , superior em alguns bilhões de dólares ao das outras cidades candidatas, pode parecer como algo prudente e sensato, e assim diminuir o valor de eventuais estouros orçamentários, como ocorrido em Atenas, Beijing e Londres.

Volto a dizer: sou pessoalmente contra. Temos, enquanto país, outras prioridades para tão elevados valores. Da mesma forma, considero que a Copa de 2014 será um espetáculo de queima de dinheiro público, com boa parte dele indo para os bolsos de sempre.


Aliás, quanto à Copa, tenho um desabafo mais pessoal.

Esta semana saiu o valor previsto de gastos a serem realizados pelo governo do Estado do Ceará e pela Prefeitura de Fortaleza caso a cidade esteja entre as escolhidas para sediar jogos da Copa.

Em uma cidade cheia de problemas graves, e encravada em um estado com alguns dos piores indicadores sociais do país, pensa-se em gastar 9,2 bilhões de reais. E que podem se transformar em um valor ainda maior...

Ou seja, um terço da bagatela prevista pelo Rio 2016 para, com sorte, sediar 3 partidas do evento.

Alguém aí acha isso sensato?

30 de abril de 2009

Um museu emblemático

Quando eu vi a dica para esse site não consegui de deixar de pensar em duas coisas.

A primeira foi o tipo de país em que nos transformamos, onde a corrupção campeia solta. Não que isso seja exatamente novidade por estas bandas. Com a colonização cartorial e predatória da qual fomos objeto, não poderia sair daí coisa muito edificante.

Mas a cambada vem exagerando, e de muito tempo...

A segunda foi que esse tipo de página é a cara do amigo Pax e seu PolíticAética, que vem fazendo um extenso e elogiável trabalho de sistematizar as notícias referentes aos diversos tipos de corrupção que assolam o país.

E que está tocando, junto com o Pedro Dória, a comunidade de blogs Pandorama.


Dito isso, bem vindos ao Museu da Corrupção: