17 de abril de 2009

Tragédia que se repete

Cerca de 10 meses atrás, escrevi esse post sobre um caso de violência envolvendo torcidas de futebol aqui na terrinha.

De lá para cá, ocorreram centenas de episódios violentos por todo o país, vários deles fatais, e sobre os quais muito já se falou (e falará). Mas aqui na província, fora os persistentes conflitos entre as gangues uniformizadas nos dias de clássicos, nada de mais sério havia ocorrido.

De repente, e exatamente em um dia em não se esperava que problemas acontecessem, eis que nova tragédia abalou a cidade.

Nádia Brito, uma universitária de 22 anos foi atingida na cabeça por uma bala perdida na saída do campus da UECE na noite de quarta-feira passada, dia 15. Ela está internada em uma UTI em estado classificado pelos médicos como desesperador.

O campus fica em uma avenida que dá acesso ao Estádio Castelão, e ao lado da saída fica uma praça conhecida pelos conflitos em dias de jogos. Tanto que a Polícia Militar normalmente desloca para lá um contingente para prevenir problemas.

Entretanto, como o jogo de quarta-feira era de uma torcida só (Fortaleza X Paraná, pela Copa do Brasil), a PM achou que não haveria problemas e não enviou seu pessoal para o local. Ocorre que ônibus e vans transportando torcedores que saiam do jogo foram apedrejados na passagem pela praça. Bem no momento em que a estudante saia ouviu-se um tiro e ela caiu ensanguentada.

A história está detalhada aqui e aqui.

Existe a versão de que um policial, que estaria em uma van, teria efetuado o disparo. O que seria o mais sórdido dos complementos para uma história totalmente trágica.


Ficam aqui minhas preces pela vida de Nádia.

Preces essas que ganham um tom ainda mais pessoal quando lembro que minha filha, quase da mesma idade, estudou por dois anos nesse campus, e tomava condução para casa nessa mesma praça.


ATUALIZAÇÃO (17/04 , 13:10) : Foi anunciada pelos médicos, pouco antes do meio-dia, a morte cerebral de Nádia.

7 comentários:

Darwinista disse...

Reproduzo aqui o comentário que fiz no Pedro Doria:

Terrível a notícia. Por essas e muitas outras sou defensor da tolerância zero, especialmente em situações com potencial pra desgraças. Repressão policial em uma ponta, educação e conscientização intensas na outra.

E punições exemplares, rigorosas.

bruN0 disse...

Tom mais pessoal ainda porque ela mora (ou morava, foi anunciado a morte cerebral) no bairro em que moramos. Não sei se sinto revolta ou receio de andar por essas bandas.

Pax disse...

Absurdo!

É fim de semana sim, outro também, aí, aqui, acolá.

Que tristeza. Uma moça correndo atrás de fazer a vida, de começar suas coisas e sua profissão.

El Torero disse...

Triste, revoltado...infelizmente perplexo não. Penso na familia,nestas horas.

DAVID COELHO disse...

o caso da JOVEM A universitária Francisca Nádia Nascimento Brito: O crime ocorreu em frente à Praça da Cruz Grande, na Avenida Paranjana, Serrinha.... a praça fica antes da UECE, devido a GRANDE REDUÇÃO DE TRANSPORTE COLETIVO DE FORTALEZA, todos que trabalham ou estudam na UECE sabem da falta de ônibus após 20:00 horas,procuram as paradas de ônibus antes da UECE. devido a grande quantidade de passageiros esperando oprecário transporte emfrente a UECE. ATENÇÃO DCE - UECE Todos estudantes da UECE..tem que exigir da PREEITURA MUNICIPALDE FORTALEZA +ETUFOR ..transporte suficiente para todos que TRABALHAM E ESTUDAM na UECE.. .LINHA ESPECIAL: do CAMPUS DO ITAPERY PARA O TERMINAL DE ANTONIO BEZERRA(COM URGENCIA

anrafel disse...

A história de sempre: o descaso das administrações em relação a ítens fundamentais das vidas nas grandes cidades acaba gerando tragédias pessoais. Aí, de acordo com a repercussão e até mesmo a graduação social da vítima, algumas providência passam a ser tomadas.

Não sei como andam as coisas no Ceará em relação às torcidas organizadas. Aquina Bahia, a polícia já percebeu que está a chocar o ovo da serpente, que é a disputa entre a Bamor e os Imbatíveis (do Vitória), seus confrontos no estádio e os encontros marcados na Internet. Resultado: nos BaVis, o policiamento tem sido brutal, com cavalaria e outros bichos (desculpem, não consegui fugir dessa infâmia).

É uma pena. Ao invés dos dirigentes baianos seguirem o exemplo de competência e organização dos do São Paulo e Internacional, por exemplo, são os torcedores que preferem imitar os bandidos das organizadas de São Paulo.

anrafel disse...

Luiz, boa tarde (cumprimento retroativo ao primeiro comentário).

E o Peixe? Já acertei 50% da minha previsão da final paulista. O outro, para mim, será o São Paulo.

Se o Santos ganhar o Paulistão, logo logo estarão falando no nome de Mancini para o lugar de Dunga.