23 de outubro de 2009

Encadeamentos

Nunca é demais repetir: é extraordinário como funcionam os mecanismos da memória. Fatos que se passaram muito tempo atrás frequentemente reaparecem, como do nada, bastando o estímulo correto. Ao mesmo tempo, episódios de ontem (literalmente) costumam sumir de nossa mente... (Aliás, acho que já andei falando desse tema neste espaço... Isso: foi aqui.)

Outro mecanismo interessante é a forma como assuntos se encadeiam em nossa mente, um puxando o outro, parecendo uma espiral sem fim.

Trago este tema a partir de uma conversa despretensiosa que tive dias atrás com meu filho. Aliás, despretensioso foi o início do diálogo, que logo enveredou por caminhos muito interessantes, apesar de, como ficará claro, acabarem circulando ao redor de um centro imaginário.

Uma das (muitas) coisas que meu filho e eu temos em comum é adorar futebol. Qualquer torneio, por mais irrelevante que pareça a princípio, merece a nossa atenção. Se for a eliminatória européia para a Copa do Mundo, então nem se fala... O que desencadeou a conversa foi o sorteio para a repescagem. Dois países pelos quais tenho uma simpatia que transcende em muito o esporte, no caso Irlanda e Bósnia-Herzegovina, não deram sorte e vão pegar França e Portugal, respectivamente.

E foi aí que a avalanche mental entrou em ação...

Primeiro, lembrei de clubes de futebol que representam comunidades, como o Celtic, de Glasgow, que historicamente representa a comunidade irlandesa na Escócia. Para lembrar das ligações entre Escócia e Irlanda foi um pulo...

Os dois países tem, pela proximidade, um histórico de inter-colonização, facilitada pelas origens celta de ambos os povos. Na primeira parte da Idade Média, foram imigrantes irlandeses, e entre eles monges, que solidificaram o cristianismo na Escócia. Em contra-partida, foram imigrantes vindos da Terras Baixas Escocesas que, quase 1000 anos depois, formaram o principal núcleo de colonizadores trazidos pelos ingleses para ocupar o norte da Irlanda, o Ulster.

Mas falar de irlandeses, imigração e futebol também acabou evocando o Everton, da velha Liverpool, o que fez aflorar outra das minhas paixões, os Beatles, em especial algo que aprendi recentemente. Vocês por acaso sabiam que 3 dos Beatles tem (ou tinham) ascendência irlandesa? Paul, John e George tem (ou tinham) um pezinho na Ilha Esmeralda. Tanto que, por ocasião do massacre que ficou conhecido como Bloody Sunday (aquele mesmo, da música do U2...), em 1972, Paul e John, já em suas carreiras solo, deixaram seus protestos em forma de música. A de Paul, "Give Ireland Back to the Irish", foi a primeira de suas composições solo a ser banida pela BBC.

Pensando bem, não é de se admirar que 3 dos Fab Four tivessem laços com a Irlanda, já que Liverpool é a cidade inglesa com mais forte influencia irlandesa. E o que o Everton tem com tudo isso? Os Beatles nunca foram fãs explícitos de futebol, mas quando falavam do assunto sempre afirmavam sua predileção pelo Everton, que tem suas raízes na comunidade irlandesa da cidade.

Repararam como futebol, política, música, tudo se entrelaça? Talvez seja porque o mundo não é um amontoado de compartimentos estanques, ao contrário do que alguns nos querem fazer acreditar. Pare para pensar por apenas 1 minuto, e verá que os encadeamentos são infinitos, e nossa memória costuma fazer o trabalho direitinho...

21 de outubro de 2009

Blogs: uma análise (atualizado)

"Autores de blogs que não são considerados “profissionais”, que blogam por hobby, estão atualizando menos ainda os seus sites. Desses que blogam menos, 30% vem se dedicando mais a redes de microblogs e a interação em plataformas de redes sociais.

Entre os considerados “profissionais”, o cenário é diferente. Eles estão blogando cada vez mais. Em parte por que encontram o seu público e estão interagindo mais com ele, além do fato de que o blog tem se provado como uma eficiente ferramenta de autopromoção."

Parte de um post do excelente Tiago Doria, em que ele continua dissecando um estudo denominado State of the Blogosfhere, feito pelo agregador Technorati. Eu disse continua porque o primeiro post do Tiago sobre o assunto é este aqui.


Olhando para meu próprio umbigo, e dando uma espiada na blogosfera mais próxima, tenho todas razões para concordar com as conclusões do estudo.

Mas talvez o efeito mais importante porém ainda menos analisado das redes de microblogging e das redes sociais nos blogs seja a diminuição dos comentários, tanto em número quanto em tamanho.

No meu caso, o Twitter não é causa de nada. Até tenho um perfil lá, mas pouco escrevo, sou basicamente um leitor.

Os motivos da rarefação dos posts aqui neste boteco é a falta.

Falta de tempo, falta de inspiração, falta de ânimo, ...


Atualização: O Tiago Doria continuou o assunto aqui, aqui e aqui.

17 de outubro de 2009

Horário de Verão: será realmente necessário ?

Vai começar a vigorar hoje o Horário de Verão. Em dez estados e no Distrito Federal os relógios deverão ser adiantados em uma hora.

Seguindo o disposto em um Decreto de 2008, todos os anos o esse procedimento deverá ser implementado à zero hora do terceiro domingo de outubro e vigorará até a zero hora do terceiro domingo de fevereiro do ano subsequente (exceto se coincidir com o domingo de Carnaval, o que adia em uma semana o encerramento).

Minha dúvida é: isso é realmente necessário? Esse alteração traz reais e indispensáveis benefícios? E a quem ele de fato beneficia?

Primeiro, a base científica para o Horário de Verão leva em consideração que sua implantação se justificaria nas regiões onde a variação de incidência de luz solar entre as estações for significativa. Isso ocorre nas áreas de latitude mais alta, especificamente aquelas situadas ao norte do Trópico de Câncer e ao sul do Trópico de Capricórnio.

O Brasil tem apenas a sua Região Sul (mais uma parte do estado de São Paulo) enquadrados na área acima descrita. Entretanto, o Decreto que regula o assunto inclui outros 7 estados onde a diferença de tempo de luz natural é muito menos significativa. Alguns casos beiram o ridículo, como o do Mato Grosso. O extremo sul do estado está aproximadamente no paralelo 17, ou seja, uns 700 quilômetros ao norte do Trópico de Capricórnio, o que faz com que a diferença de insolação seja muito pequena. O centro e o norte do estado então nem precisa falar...

Da mesma forma, muitas áreas de Goiás e Minas Gerais estão a mais de 1000 quilômetros ao norte da linha imaginária, e o Distrito Federal a mais de 800 quilômetros. E pensar que em décadas passadas quiseram obrigar o Nordeste a adotar a medida...

Outro fato relevante, na mesma linha: o Brasil é o único país equatorial (e mesmo inter-tropical) que adota o Horário de Verão.


Adoção do Horário de Verão por país


A alegação de economia de energia também não se sustenta. Mesmo em anos de muita redução de consumo, esta não alcançou 5%. Nunca as metas estabelecidas foram alcançadas. O único local onde isso acontece é ... a Região Sul. Será coincidência?

Claro que, em anos de estiagem mais severa, quando o nível dos reservatórios das usinas de geração de energia hidrelétrica estiver abaixo do normal, a medida teria sua importância, mas esses tem sido anos de exceção.

Segundo dados do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), o nível dos reservatórios da região Sudeste no final de setembro de 2009 (70,31%) era o maior dos últimos 10 anos para o período. Já o nível dos reservatórios da região Sul (94,41%) era o 2º mais alto (perdia para o ano de 2005). Nota-se que a situação atual é muito confortável, tanto que diversas usinas termoelétricas à gás foram desligadas.

E mesmo os horários de pico estão com razoável margem de cobertura, até em virtude da queda do consumo provocada pela crise financeira e ainda não totalmente recuperada. Ao mesmo tempo, diversas pequenas e médias usinas hidrelétricas e, principalmente, eólicas tem iniciado sua operação, aumentando a capacidade de geração.

E quanto às implicações na saúde das pessoas? É ponto pacífico que o chamado relógio biológico das pessoas demora algum tempo para se acostumar com a mudança. A maioria das pessoas leva aproximadamente uma semana para se adaptar, mas uma parcela não desprezível demora muito mais tempo, com prejuízos à saúde em seus diversos aspectos.

Esse tipo de alteração encontra paralelo em um fato bem conhecido. Em 1992, após ingressar na União Européia, Portugal foi obrigado a alterar seu fuso horário, em 1 hora para igualar-se à maioria da Europa Ocidental. Entretanto, o prejuízo logo se fez notar, com alterações no rendimento profissional e escolar e significativo aumento no consumo de estimulantes, legais ou não. O fato foi de tal monta que o governo português foi obrigado a voltar atrás e restabelecer o fuso horário anterior.

(Parêntesis: Desde o ano passado uma lei alterou os fusos horários do Brasil. A metade oeste do Pará adotou o fuso de Brasília, e o Acre e os municípios do oeste do Amazonas avançaram para o fuso de Brasília menos 1 hora, que já valia para o restante do Amazonas, Rondônia, Roraima, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Grande parte dos acreanos ainda luta pela volta do fuso horário anterior.)

Outro problema é que a alteração de horários nos principais centros econômico-financeiros do País acaba refletindo nas regiões que não adotam a medida. Horários bancários, de partidas de viagens aéreas, de transmissões de TV e até de jogos de futebol tem que ser alterados, com os prejuízos inerentes.

A única questão dentre as que fiz acima e que não consigo uma resposta clara é: a quem beneficia? Ora, porque alguém deve estar lucrando com a medida. Se só houvessem perdedores, lógico que ela não seria implantada.

Mas, quem?


ATUALIZAÇÃO: Dialogando com um conhecido que trabalhou no setor elétrico, ele deixou transparecer que uma das razões da implantação do Horário de Verão seria descolar o pico do consumo doméstico dos pico do consumo de iluminação pública, o que reduziria a chance problemas, já que não existe (ou existia) orçamento para uma manutenção adequada da rede.

Faz sentido. Mas que coisa, não é? Falta dinhero (ou vontade) para fazer a coisa certa (manutenção preventiva e corretiva da rede) e apelamos para um artifício?

6 de outubro de 2009

Enfim, repouso para Bergson Gurjão Farias

Foram sepultados nesta terça-feira, em Fortaleza, os restos mortais de Bergson Gurjão Farias, militante do PC do B morto pelos militares em 1972, durante a Guerrilha do Araguaia .

Seus cadáver foi identificado em junho passado, após passar até 1996 enterrado como indigente no cemitério de Xambioá, no Pará. Bergson foi o único dentre os quatro cearenses militantes comunistas desaparecidos no Araguaia no início dos anos 70 que teve o paradeiro determinado. Os demais continuam desaparecidos.

A primeira vez que ouvi falar de Bergson foi em 1981.

Eu havia ingressado na UFC e procurava me familiarizar com o então recém-reorganizado movimento estudantil universitário. Meu curso era o de Engenharia Mecânica, e das engenharias o movimento mais estruturado era o da Engenharia Química, cujo CA levava (e ainda leva) o nome de Berg da Engenharia Química, cujo CA levava (e ainda leva) o nnome de Bergson Gurjão, ex-aluno do curso e que foi um dos principais líderes do movimento estudantil na UFC na segunda metade da década de 60.

Bergson foi homenageado hoje na Reitoria da UFC, onde um memorial foi inaugurado com a presença de sua mãe, D. Luiza Farias, de 94 anos.

Impossível tentar entender o que essa mulher passou nos últimos 37 anos, na busca por um filho que todos sabiam estar morto, mas cujo direito a um túmulo digno foi sistematicamente negado. A esperança de encontrar os restos do filho parecem ter dado força para que ela se mantivesse viva e lúcida o suficiente para deixar emocionados todos os que presenciaram a cerimônia.

Oxalá as demais mães, esposas, irmãos e filhos dos desaparecidos na ditadura ainda tenham a chance que D. Luiza teve, de poder prantear o corpo do filho e dar a ele um repouso adequado.

2 de outubro de 2009

É o Rio

Pois é, o Rio de Janeiro foi a cidade escolhida.

A razão me levou a preferir outro resultado qualquer (quase que meu desejo se concretiza, vide post abaixo).

Em tempo: não retiro nada do que falei antes...

Mas não dá para esconder que, quando do anúncio, bateu um certo orgulho.

Como disse antes da decisão:

Agora, é esperar a decisão e torcer para que, em caso de escolha do Rio, a sociedade civil se organize realmente para fiscalizar os gastos e, dessa forma, reduzir a roubalheira.
Porque problemas desta ordem com certeza acontecerão. Ninguém é ingênuo em acreditar que não.


Só mais uma coisa: O Lula é muito, muito sortudo...

30 de setembro de 2009

E a Olimpíada de 2016 será ...

Se dependesse só de mim, seria em Madrid.

Ou então em Tóquio.

Em último caso, vá lá, Chicago...

Sempre fui totalmente contrário à candidatura do Rio de Janeiro. Nada contra a cidade (realmente maravilhosa), ou seus habitantes. Mas tudo contra aqueles que patrocinam esse projeto.

Meses atrás, já havia explicado minha posição neste post. E não aconteceu nada que mudasse minhas convicções.

Muito pelo contrário.

(Lembrete: Reparem que no texto também fui contra a Copa do Mundo na minha própria cidade, e o tempo tem me coberto de razão...)

Agora, é esperar a decisão e torcer para que, em caso de escolha do Rio, a sociedade civil se organize realmente para fiscalizar os gastos e, dessa forma, reduzir a roubalheira.

Porque problemas desta ordem com certeza acontecerão.

Ninguém aqui é ingênuo de acreditar que não.



26 de setembro de 2009

The Beatles, by Rafael Galvão

Tenho navegado na web menos do que o de costume nas últimas semanas, e isso fez com que demorasse a ler vários bons posts em diversos pontos da rede.

Somente hoje dei de cara com três textos escritos pelo Rafael Galvão sobre aquela que consideramos (ele, eu e muuuuita gente) o mais importante grupo musical do século XX.

Com alguma frequência, o Rafael fala sobre os Fab Four, tanto enquanto grupo quanto em suas carreiras solo, mesmo que o assunto principal dos textos seja outro. E ele sabe do que fala, garanto...

(Parêntesis: existe uma discordância básica entre nós neste tema. Para ele, Paul é o maior artista dentre os quatro, e John um cara importante mas superestimado pela mídia. Para mim, John merece o reconhecimento que teve, e George era "o cara".)

Mas, bem, voltando aos textos, são estes: Beatlemania, As besteiras que dizem em nome dos Beatles, e As revoluções dos Beatles.

Em conjunto, ajudam a colocar no devido lugar algumas coisas que vivem sendo repetidas sobre o grupo, especialmente agora que seus álbuns foram relançados. Alguns pontos são passíveis de discussão, mas no geral os textos são muito bons. Aliás, como quase tudo que o Rafael escreve...


22 de setembro de 2009

Ora, ora, ora...

E o Obama deve estar pensando:

"É, Zelaya na embaixada dos outros é refresco..." .


***

Qualquer coisa, manda o BOPE proteger a nossa embaixada...

14 de setembro de 2009

As tristezas que a internet me traz

Acabei de ler, na edição on-line de um jornal local, uma notícia que teve para mim quase o efeito de um gancho na ponta do queixo desferido por Muhammad Ali.

Faleceu ontem em Goiânia, Roberto Matoso.

Eu o conhecia a mais de 30 anos. Fomos colegas de escola e aprontamos um pouco de tudo no velho Colégio Cearense, especialmente no que tange à política, estudantil ou não. Até tentar editar um jornal (o lendário O Berro) nós tentamos. E tudo bem no meio da ditadura...

Lembro que, para viabilizar o lançamento da primeira edição do jornal, organizamos uma festa, o Forró do Berro. E para divulgarmos a festa partimos para a colagem de cartazes nas principais avenidas da cidade. O problema é que resolvemos fazer isso na noite de 6 para 7 de setembro, e incluímos no roteiro a avenida onde aconteceria o desfile militar logo pela manhã. Resultado: diversas vezes fomos parados por veículos do Exército, e os militares vinham conferir o conteúdo dos cartazes...

Matoso era inteligentíssimo, e na vida profissional tornou-se consultor. Abriu sua própria empresa, e fez tanto sucesso que chamou a atenção dos políticos e acabou virando Secretário Estadual do Trabalho. Depois, chegou a disputar uma eleição como candidato a vice-prefeito de Fortaleza.

Depois de alguns anos sem nos falarmos, recebi um contato dele via Facebook no final de agosto. Mandei-lhe uma mensagem, para marcarmos um encontro, tomarmos umas geladas e colocar a conversa em dia.

Infelizmente, no último dia 4, enquanto estava em Goiânia à trabalho, Matoso sofreu um enfarto. Ficou internado em estado grave por vários dias até falecer ontem, dia 13.


Descanse em paz, meu amigo.

A nossa conversa foi apenas adiada...




4 de setembro de 2009

Para atravessar o feriadão

O tempo está escasso, a inspiração idem, então vamos só com três pitacos:

- O degelo das relações entre EUA e Cuba continua. Com a nossa torcida.

- O Mauro Cezar Pereira disse tudo sobre as relações entre cartolas e políticos. E esta foto é emblemática:



- Charge do Clayton no O Povo:


Precisa dizer algo mais?

29 de agosto de 2009

Porque drogas e direção não combinam




(Dica do @cearax no Twitter)

26 de agosto de 2009

Cala-se o Leão


O último dos irmãos Kennedy está morto.

Um avassalador tumor no cérebro tirou ontem, aos 77 anos, a vida do Senador Edward Kennedy, o caçula da lendária família que, como quase nenhuma outra, uniu triunfos políticos e tragédias pessoais.

O "Leão do Senado" conseguiu imprimir uma marca pessoal à sua atuação parlamentar nos últimos 40 anos, saindo da sombra de seus irmãos mais velhos, e tornando-se a mais respeitada voz entre os políticos progressistas americanos. Toda legislação americana de direitos civis, previdência, saúde e avanços sociais das última décadas tem suas digitais, muitas vezes de forma decisiva.

Fará falta.

23 de agosto de 2009

Vai um Che Guevara aí? Ou talvez um Jimi Hendrix...

Você é um dos admiradores do comandante Che Guevara?

Caso positivo, provavelmente tem (ou teve) uma camiseta com a foto clássica e a frase idem. Talvez um poster, ou um dos livros...

Mas, e um boneco ? Mais especificamente, este aqui:


Interessado? Então corra até este site e faça sua encomenda. Eles entregam a partir de Outubro...

Você não é chegado ao Che, mas curte Jimi Hendrix, ou então Bruce Lee? O mesmo site também pode lhe ajudar.

Vejam uma amostra:






Infelizmente para alguns velhos bolcheviques, este outro boneco parece estar esgotado...



(Dicas do Blog de Brinquedo, no qual cheguei com uma ajuda da filha caçula).


20 de agosto de 2009

Máquina jamaicana de destroçar recordes

Escrevo logo depois de Usain Bolt vencer a disputa dos 200 metros rasos no Campeonato Mundial de Atletismo, disputado em Berlim.

Tempo: 19 segundos e 19 centésimos.

Novo recorde mundial. O antigo era dele mesmo, com 19 segundos e 30 centésimos.

Fantástico.

Mais ainda se você reparar em um detalhe.

Bolt quebrou o recorde mundial dos 100 metros rasos 4 dias atrás com o tempo de 9 segundos e 58 centésimos (lembremos: o antigo recorde já era dele). Se dividirmos por 2 o tempo do recorde dos 200 metros, teremos 9 segundos e 595 milésimos.

Ou seja, o cara correu os 200 metros praticamente no mesmo ritmo do recorde dos 100 metros. Teoricamentente, ele fez cada metade da prova de hoje apenas 15 milésimos mais devagar do que a prova de domingo passado. E pelo que se viu na final de hoje, ele até poderia ter corrido ainda mais rápido , e quem sabe ter um tempo médio melhor do que na prova dos 100 metros.

Resumindo: se não tiver havido nenhum tipo de ajuda química, estamos diante do maior corredor dos últimos 50 anos, fácil (de Abebe Bikila para cá ninguém correu de forma tão impressionante).

E talvez do maior atleta das últimas décadas em todos os esportes.

19 de agosto de 2009

Seguindo os passos do Senhor

Esta aqui recebi por e-mail:

O velho padre durante anos tinha trabalhado fielmente com o povo africano, mas agora estava de volta ao Brasil, doente e moribundo, em um hospital de Brasília, e é notícia e manchete midiática da hora.

Já nos últimos suspiros, ele faz um sinal à enfermeira, que se aproxima.

- Sim, Padre?

- Eu queria ver dois proeminentes políticos antes de morrer, o Renan Calheiros e José Sarney - sussurrou o padre.

- Sim, Padre, verei o que posso fazer - respondeu a enfermeira.

De imediato, ela entra em contato com o Congresso Nacional e logo recebe a notícia: ambos gostariam muito de visitar o padre moribundo.

A caminho do hospital, Sarney diz a Renan:

- Eu não sei por que é que o velho padre nos quer ver, mas certamente que isso vai ajudar a melhorar a nossa imagem perante a Igreja e povo, o que é sempre bom.

Renan concordou. Era uma grande oportunidade para eles e até foi enviado um comunicado oficial à imprensa sobre a visita.

Quando chegaram ao quarto, com toda a imprensa presente, o velho padre pegou na mão de Sarney com sua mão direita, e na mão de Renan com sua esquerda. Houve um grande silêncio e notou-se um ar de pureza e serenidade no semblante do padre.

Renan então disse:

- Padre, por que é que fomos nós os escolhidos, entre tantas pessoas, para estar ao seu lado no seu fim?

O velho Padre, lentamente, disse:

-Sempre, em toda a minha vida, procurei ter como modelo o Nosso Senhor Jesus Cristo.

-Amém, disse Sarney.

-Amém, disse Renan.

E o Padre concluiu:

-Então... como Ele morreu entre dois ladrões, eu quero fazer o mesmo.

17 de agosto de 2009

Revoada na rede

A blogosfera brasileira sofreu algumas baixas expressivas nos últimos dias.

Primeiro foi o Idelber Avelar que fechou o Biscoito Fino e a Massa por tempo indeterminado. Ele diz que deve voltar, mas não sabe quando.

Depois foi a Nova Corja que também encerrou as atividades.

Ontem, o Pedro Doria anunciou que o Weblog estava sendo desativado, por absoluta falta de tempo em virtude de suas novas atividades profissionais.

O Nova Corja era um site feito no RS que eu visitava muito irregularmente, mas sempre admirei a combatividade da turma.

Já o Biscoito e o Weblog são, por assim dizer, os patronos do De Olho no Fato. A vontade de ter um espaço próprio onde pudesse falar do que bem entendesse nasceu a partir de participações nas caixas de comentários dos dois sites, e de papos via e-mail com seus responsáveis. Foi neles que fiz amizade com um grupo pequeno mas fiel de comentaristas, os mesmos que volta e meia estão por estas paragens. Alguns abriram seus próprios blogs, outros já os possuíam, e formou-se quase uma comunidade.

Cabe-me entender as razões que cada um tem para deixar (mesmo que provisoriamente) a blogosfera, mas sem deixar de expressar minha tristeza. Farão falta, certamente. Mas duvido que seja algo permanente. Nem mesmo demorado.

Daqui a pouco voltaremos a nos encontrar.

Até breve, e muito boa sorte.




P.S. Outro excelente site, o Um Que Tenha, voltado para a música brasileira, está sendo forçado a também encerrar as atividades. Mais uma perda.




12 de agosto de 2009

Outra história surpreendente

Como frequentemente costuma acontecer quando se vasculha a Web durante a pesquisa sobre um determinado assunto, dei de cara recentemente com uma história tão interessante quanto improvável.

Primeiro, pense em um jovem escritor, ainda desconhecido. Filólogo por formação, e profundamente devotado à cultura de seu povo, o qual não possui um Estado próprio, ele começa a militância em grupos que querem a autodeterminação.

Como era de esperar, ele foi processado pelo governo central e condenado à prisão. Pena de 22 anos.

Encarcerado, cumpriu 5 anos até escapar de uma forma digna de filme hollywoodiano.

Como? Um conhecido cantor da mesma etnia foi fazer um show na prisão. Após a saída dos músicos, durante a contagem dos presos, a direção verificou que dois estavam faltando: nosso escritor e outro militante nacionalista. Como ocorreu a fuga? Eles simplesmente saíram escondidos dentro dos grandes auto-falantes da banda, que foram carregados até os veículos por outros presos.

Nosso personagem caiu na clandestinidade (e provavelmente no exílio), e jamais reapareceu publicamente (pesquisando um pouco mais, uma fonte afirmou que os processos já estão prescritos, e nosso escritor poderia voltar à vida normal, porém não consegui encontrar uma confirmação).

E já se vão 24 anos desde então...

Se parasse por aqui, a história seria interessante mas apenas mais uma dentre muitas desse tipo que conhecemos. O que diferencia nosso personagem é que ele tem aproveitado esse tempo para uma prolífica produção, tanto de obras próprias quanto de traduções de escritores estrangeiros para a sua língua materna. E com essa produção, mesmo na clandestinidade, ganhou alguns prêmios literários.

T.S. Elliot, Robert Louis Stevenson, Samuel Taylor Coleridge e Fernando Pessoa são alguns dos escritores mais conhecidos que ele traduziu. Escritores galegos, catalães e latino-americanos também são outros alvos frequentes de seu trabalho.

Ah, ele traduziu a Antologia Poética, de um tal de Manuel Bandeira. Familiar?

Bem, hora de dar nome aos bois...

Nosso personagem chama-se Joseba Sarrionandia Uribelarrea, e nasceu em Iurrreta, no País Basco, em 1958.

Eis seu poema mais conhecido:

O escravo ferreiro

Preso nas selvas do ocidente
trazeram-te a Roma, escravo,
deram-te o ofício de ferreiro
e fazes grilhões.
O ferro vermelho que sacas dos fornos
pode moldar como queiras,
podes fazer espadas
para que os teus compatriotas rompam as suas cadeias,
mas tu, esse escravo,
fazes grilhões, mais grilhões



Aqui vale um adendo.

Sou um profundo entusiasta da causa independentista do País Basco. Acredito piamente que aquele povo tem direito á gerir com inteira soberania o seu destino, e que os governos de Espanha e França serão obrigados, mais dia menos dia, a reconhecer inteiramente os direitos do povo basco. Mas não posso me furtar a uma constatação clara: a organização armada ETA perdeu o bonde da história, e vai acabar sendo marginalizada dentro de seu próprio povo. Hoje é apenas um grupo reduzido de fanáticos dissociados da realidade, que nem mesmo podem invocar a bandeira "revolucionária" sem deixar os verdadeiros militantes das causas progressistas com náuseas.

Perdeu aquela aura de lutadores contra a ditadura franquista, e mais, se afastou completamente das motivações que lhe deram origem 50 anos atrás. Não vê que, apesar de os governos espanhol e francês não tratarem da questão basca com o devido cuidado e respeito, ambos os países são democracias, contra as quais a luta armada não faz o menor sentido. Ela apenas alimenta aquele monstro que chamamos de facismo, que vive á espreita aguardando desculpas para mostrar seus dentes.

Talvez falte ao grupo e seus simpatizantes elementos com uma visão clara de mundo, como os que existiam dentro do IRA e de seus braço político, o Sinn Fein, o que propiciou o acordo que transformou a Irlanda do Norte em um lugar, senão de perfeita paz, pelo menos incomparavelmente mais justo hoje do que meros 15 anos atrás.

Repito: todo apoio ao povo basco em sua busca por justiça e liberdade.

Mas chega desse infrutífero derramamento de sangue.

9 de agosto de 2009

Um ano sem Mahmud Darwish


Hoje completa-se um ano da morte de Mahmud Darwish, o principal poeta palestino e redator da Declaração de Independência da Palestina.

O melhor texto que encontrei sobre ele em língua portuguesa é do escritor português José Saramago, em seu blog:

"No próximo dia 9 de Agosto cumprir-se-á um ano sobre a morte de Mahmud Darwish, o grande poeta palestino. Fosse o nosso mundo um pouco mais sensível e inteligente, mais atento à grandeza quase sublime de algumas das vidas que nele se geram, e o seu nome seria hoje tão conhecido e admirado como o foi, em vida, por exemplo, o de Pablo Neruda. Enraizados na vida, nos sofrimentos e nas imortais esperanças do povo palestino, os poemas de Darwish, de uma beleza formal que frequentemente roça a transcendência do inefável numa simples palavra, são como um diário onde vieram sendo registados, passo a passo, lágrima a lágrima, os desastres, mas também as escassas, ainda que sempre profundas alegrias, de um povo cujo martírio, decorridos sessenta anos, ainda não parece disposto a anunciar o seu fim. Ler Mahmud Darwish, além de uma experiência estética impossível de esquecer, é fazer uma dolorosa caminhada pelas rotas da injustiça e da ignomínia de que a terra palestina tem sido vítima às mãos de Israel, esse verdugo de quem o escritor israelita David Grossmann, em hora de sinceridade, disse não conhecer a compaixão.

Hoje, na biblioteca, li poemas de Mahmud Darwish para um documentário que será apresentado em Ramala no aniversário da sua morte. Estou convidado a lá ir, veremos se me será possível fazer essa viagem, que certamente não seria grata à polícia israelita. Recordaria então, no próprio local, o abraço fraterno que nos demos há sete anos, as palavras que trocamos e que nunca mais pudemos renovar. Às vezes, a vida tira como uma mão aquilo que tinha dado com a outra. Assim me aconteceu com Mahmud Darwish."

Bem, quando um Prêmio Nobel compara alguém com outro Prêmio Nobel, quase nada mais precisa ser acrescentado.

Talvez apenas uma frase e um poema.


" Eu continuarei a humanizar mesmo o inimigo ... A primeira professora que me ensinou hebraico era uma judia. O primeiro amor na minha vida foi uma jovem judia. O primeiro juiz que me mandou para a prisão era uma mulher judia. Portanto, desde o início, eu não vejo os judeus como demônios ou anjos, mas como seres humanos. Vários dos meus poemas são para amantes judaicas. Estes poemas tomam o lado do amor, não da guerra. "


Confissão

Sonhei com um casamento
Sonhei com um par de olhos enormes
Sonhei com a garota das traças
Sonhei com uma oliveira que não se vende
Por uns poucos centavos
Sonhei com as impossíveis muradas da história
Sonhei com o cheiro das amendoeiras
Amparando as tristezas das longas noites
Sonhei com a família
E os braços de minha irmã
Me protegendo como um escudo de heroísmo
Sonhei com uma noite de verão
Com uma cesta de figos
Sonhei muito mais
Me desculpe por isso....


6 de agosto de 2009

Give me a break, São Pedro...

Primeiro, São Pedro, me dê licença para falar com você sem salamaleques desnecessários. Apesar de não sermos amigos muito chegados (aliás, confesso, aquele seu colega panfletário, agitador e chegado a ouvir umas vozes, o Paulo de Tarso, sempre foi mais do meu agrado...), é melhor falarmos sem burocracias.

Eu sei que seu serviço aí em cima não deve ser moleza. Um baita acúmulo de atividades na portaria do recinto, e ainda por cima ficar controlando as precipitações pluviométricas. Deve ter umas horas que você não aguenta mais tanto pedido ao mesmo tempo, e de tudo que é lugar. Uns querendo mais, outros menos, e sem contar aqueles insatisfeitos que simplesmente te mandam conversar com o manda-chuva do subsolo, ou coisa pior. E olha que está ficando cada vez mais difícil pra você tomar as decisões adequadas no momento correto, com toda a ingerência que nós aqui de baixo estamos fazendo (aquele tal de Aquecimento Global, uma chatice...)

Este ano, aqui na minha terrinha, você resolveu abrir as torneiras com vontade. Choveu bem mais do que o normal em quase tudo que é canto. Aliás, teve lugar em que a coisa complicou bastante, gente que perdeu plantação, casa, até umas mortes ocorreram. Se bem que nada comparável ao ocorrido lá na Sarneylândia e naquela lasca de terra entre eles e nós. Por lá o bicho pegou legal...

Mas vamos ao que interessa.

Pedrão, normalmente você manda as águas entre fevereiro e maio. Às vezes começa a pingar em janeiro e vai até metade de junho, mas sempre em volumes menores. Bem, já estamos em agosto e ... ainda continua chovendo. E o que dizer de julho? Choveu o dobro do normal e quase atrapalhou a turistada que vem aqui pegar um bronze...

Ontem, por exemplo, estava voltando para casa no fim do expediente quando, do nada, começou a garoar, e logo estava chovendo que era uma beleza...

Cara, eu sei que você é bem-humorado (as incontáveis piadas que correm por aí não me deixam mentir...), mas, aqui pra nós, você deve estar de gaiatice com a gente...

Isso aqui é conhecido como a Terra do Sol. Dá pra imaginar o motivo? Pois é... Mas se você continuar fazendo hora com a nossa cara daqui a pouco vão ter que mudar o nosso título. E olha que Terra da Garoa já tem dono...

Claro que também sei que você é chegado a uma abundância hídrica, mas aquele lance de andar sobre as águas é pra público restrito, lembra?

Por isso, e sem querer ser insolente (mas já o sendo...), vou ser curto e grosso: deixa de sacanagem e volta ao modo normal de operações, tá certo?

Caso contrário, já tem neguinho aqui falando entrar com uma representação no Comitê de Ética celestial, e você sabe dependendo de quem as diferentes bancadas (Anjos, Arcanjos, Querubins, Serafins, sem contar o baixo clero...) vão indicar, o bicho pode pegar. E não vai ter ato secreto do Todo Poderoso que livre a sua cara, ok?

5 de agosto de 2009

Não é por nada, mas...

Nessa volta das férias, alguém pode me explicar duas coisinhas bem prosaicas?

- Por que alguém mantém como nome de uma firma a palavra KILLING?
E como se não bastasse com um símbolo tão "familiar"?


- O Irã prendeu três americanos que entraram ilegalmente no país. Os parentes dos presos alegaram que a fronteira entre o Curdistão iraquiano e o Irã não é perfeitamente demarcada, e os três entraram no país inadvertidamente enquanto faziam uma caminhada.

Pode ser.

Mas será que eles não não tinham outro local no mundo menos complicado do que esse para fazer uma "caminhada"?



Atualização: Reparei pelas estatísticas do blog que houve vários acessos advindos da empresa Killing. Gostaria de reforçar que nada tenho contra a firma, seus donos e seus funcionários. Mas que é interessante, é...