19 de novembro de 2008

Mexendo com o meu patriotismo

Em algum lugar, sobre a carapaça de cidadão do mundo, ainda sobrevive em mim um naco considerável de patriotismo. E que costuma vir à tona quando escuta estes versos, especialmente num dia como hoje:

Salve, lindo pendão da esperança,
Salve, símbolo augusto da paz!
Tua nobre presença à lembrança
A grandeza da Pátria nos traz.

Recebe o afeto que se encerra
Em nosso peito juvenil,
Querido símbolo da terra,
Da amada terra do Brasil!

Em teu seio formoso retratas
Este céu de puríssimo azul,
A verdura sem par destas matas,
E o esplendor do Cruzeiro do Sul.

Recebe o afeto que se encerra
Em nosso peito juvenil,
Querido símbolo da terra,
Da amada terra do Brasil!

Contemplando o teu vulto sagrado,
Compreendemos o nosso dever;
E o Brasil, por seus filhos amados,
Poderoso e feliz há de ser.

Recebe o afeto que se encerra
Em nosso peito juvenil,
Querido símbolo da terra,
Da amada terra do Brasil!

Sobre a imensa Nação Brasileira,
Nos momentos de festa ou de dor,
Paira sempre, sagrada bandeira,
Pavilhão da Justiça e do Amor!

Recebe o afeto que se encerra
Em nosso peito juvenil,
Querido símbolo da terra,
Da amada terra do Brasil!


Hino à Bandeira Nacional
Letra: Olavo Bilac
Música: Francisco Braga


Disparado, esse hino tem a letra mais linda de todos. Mais do que o combativo porém antiquado Hino à Independência, e do que o Hino Nacional, de boa música e confusa letra.

Hoje é 19 de Novembro, Dia da Bandeira. E, disparado, esse hino tem a letra mais linda de todas. Mais do que o combativo porém antiquado Hino à Independência, e do que o Hino Nacional, de boa música e confusa letra.



P.S. Notaram como de uns tempos pra cá estou ficando especialista em desencavar efemérides? Será que isso tem cura?

19 comentários:

Tia Sandra disse...

Luiz,
Nós pulamos de 8 pata 80.
Tenho 51 anos, passei minha infância e minha adolescência, sob o jugo da ditadura.
TÍNHAMOS que ser patriotas.
Na escola, uma vez por semana, era lido algo enaltecendo o Presidente e ou Governador.
Então como tudo que é obrigado virou uma coisa chata e aborrecida.
É claro, que aprendemos todos os Hinos. (essa parte era boa)
Aprendemos a respeitar os Símbolos Nacionais nas aulas de OSPB. ( Tá certo que se não respeitasse iria preso )
Hoje acredito que sequer ensinam quais são eles.
Hoje em dia, quase nada se ensina. Ser patriota é "mico"
Temos que ser patriotas sim, temos que amar a terras que nascemos.
É uma questão de cidadania, que aliás poucos sabem sequer o que é.
Parabéns pela iniciativa.

Luiz disse...

Tia Sandra,

Sei exatamente do que você está falando.
Tenho quase a sua idade e passei por experiências quase iguais às suas. Só escapei de ter que escutar os textos a favor do Presidente ou do Governador (estudei em colégio religioso, um pouquinho menos subserviente).
E concordo com suas posições.
Talvez só acrescentasse aquela velha máxima: Ninguém ama o que não conhece.
Nossa história, nossa cultura, vossos símbolos, tudo isso foi sendo jogado pra debaixo do tapete, até como reação aos excessos (muitos) da ditadura.
Deu no que deu...

Um abraço e volte sempre.

Gwyn disse...

Outro que eu adoro e o Cisne Branco..

"..Qual cisne branco que em noite de lua..."

Quando se mora longe, esses hinos sao nossas musicas..meu filho tem o Hino Nacional no Ipod dele..e as vezes ao passar pelo quarto escuto..

Gwyn disse...

O final do Cisne Branco..

"..Linda galera que em noite apagada
Vai navegando no mar imenso
Nos traz saudades da terra amada
Da Pátria minha em que tanto penso."

Luiz disse...

Gwyn,

Conheces a Canção do Expedicionário (Hino da FEB)?

"Tantas terras eu percorra
Não permita Deus que eu morra
Sem que volte para lá..."

anrafel disse...

Fazia o curso primário e no verso dos cadernos distribuídos pelo Ministério da Educação e Cultura vinham as letras dos hinos nacional, da bandeira, da independência.

Mesmo estudando pela manhã, chegávamos mais cedo para entrar em forma, qual militares, e cantar um desses hinos. Isso o ano todo, fora às vésperas de feriado cívico.

Era a ditadura militar em plena influência de Plínio Salgado.

Duas observações: o Brasil já teve uma bandeira quase que igual à dos Estados Unidos: faixas horizontais em verde e amarelo e estrelas na quantidade dos estados (ou províncias). Parece que durou um dia.

E a melodia de "Cisne Branco", ou a "Canção do Marinheiro", é realmente muito bonita. Meu pai era saxofonista da Filarmônica da minha cidade, e eu sempre pedia que ele incluísse aquela música no repertório da tocatta.

anrafel disse...

Luiz,

Então te prepara que lá vem mais uma: o aniversário do assassinato de John Kennedy, dia 22.

Que PD também deverá postar.

Luiz disse...

anrafel,

Essa aí o PD tem muito mais munição do que eu...
Mas sem dúvida é uma boa lembrança.

Gwyn disse...

Conheco sim Luiz, sou capaz de continuar cantando sem precisar do Google..lembra a minha infancia. Minha mae quem cantava esses Hinos, e nao era por causa da ditadura nao, era porque achava lindissimos as musicas e letras...

"...Você sabe de onde eu venho ?
Venho do morro, do Engenho,
Das selvas, dos cafezais,
Da boa terra do coco,
Da choupana onde um é pouco,
Dois é bom, três é demais,
Venho das praias sedosas,
Das montanhas alterosas,
Dos pampas, do seringal,
Das margens crespas dos rios,
Dos verdes mares bravios
Da minha terra natal."

Luiz disse...

Gwyn, também travei contato com a maior parte dos hinos através de minha mãe. Tempo bom, não?

E falando em ditadura (toc. toc. toc.), sabe o que é engraçado? Minha mãe com certeza aprendeu todos os hinos na ditadura anterior, de Vargas.

Pax disse...

Pô, perdi o trem. Mas tenho cá minhas dúvidas se não gosto mais do da Independência.

anrafel disse...

Não dá pra não lembrar daqueles tempos em que elogiar esse ou aquele hino era sinônimo de adesismo.

E nesse quesito, nós aqui da Bahia estamos bem: o hino do Bahia (não, não torço por ele) é o mais bonito entre todos os de times de futebol, mais bonito, inclusive, do que o do meu Fluminense.

E o "Hino Ao Senhor do Bonfim" é a maravilha que vocês podem conferir no "Tropicália - Panis et Circenses".

Tia Sandra disse...

Luiz, não dá pra falar em propaganda da Ditadura sem nos lembrar do Dom e Ravel ( eu venho de campos, subúrbios e vilas... você também é responsável... )
E tem também EU TE AMO MEU BRASIL ( aas praias do Brasil ensolaradas, lá lá, lá lá ... )

Luiz disse...

Tia Sandra,

Essas duas tristes figuras são da mesma cidade do meu pai, Itaiçaba.

Se bem que foram embora pro Sul ainda muito jovens...

anrafel disse...

Às vezes, fico pensando na situação de Ivan Lins, que, com seu 'peace and love' meio tardio de "O amor é meu país", chegou a ser colocado no mesmo baú ufanista dessa dupla aí.

Luiz disse...

anrafel,

O Ivan Lins tinha (e tem) considerável crédito. Quem confundiu as bolas é só isso mesmo: confuso.


E o Leão está quase se salvando, colega tricolor...
Milagres existem...

anrafel disse...

Que bom que o Fortaleza parece que vai se livrar da degola. Caso isso se confirme, que se estruture e monte um bom time para 2009.

Quanto o Fluminense, está praticamente livre do rebaixamento. Acredito, inclusive, que adiará a festa do São Paulo para a última rodada.

E sobre o adesismo musical durante a ditadura, o Paulo César Araújo, em seu livro "Eu não sou cachorro, não", se estende bastante sobre o assunto.

Pode-se até não concordar com ele, mas o seu livro é muito importante, principalmente por enfocar um tipo de música visto de maneira enviezada pela academia e pelos cadernos bês.

Tia Sandra disse...

Eu como representante paulistana, tenho que falar do meu TIMÃO.

saibam que "o coringão voltou"

Luiz disse...

Tia Sandra,

Você já deve ter notado que este blog fala frequentemente de futebol. E que todas as paixões são bem vindas aqui.

Um abraço deste coração meio santista, meio tricolor cearense.