1 de novembro de 2008

Está tudo lá em "West Wing"...


Dando uma espiada nos jornais on-line esses dias, dei de cara com este artigo do NYT. Bastou ler os primeiros parágrafos para ficar impressionado no modo como aquele velho bordão de que "a vida imita a arte" pode ser estar sendo novamente reiterado.

"Quando Eli Attie, um redator da série "The West Wing", preparava-se para escrever alguns episódios na sexta temporada sobre a improvável candidatura presidencial de um jovem congressista democrata, ele pegou o telefone e ligou para David Axelrod.

Attie, um ex-redator de discursos para Al Gore, e Axelrod, um consultor político, haviam cruzado caminhos anteriormente em campanhas políticas. "Eu telefonei-lhe e disse: 'Fale-me sobre Barack Obama'", disse Attie.

Dias depois de Obama, então um senador estadual em Iliinois, fazer um elogiado discurso na Convenção Nacional Democrata de 2004, os dois homens tiveram várias e longas conversas sobre a recusa dele em ser definido por sua raça e suas aspirações em ultrapassar a barreira partidária. Axelrod estava então trabalhando na campanha de Obama para o Senado dos Estados Unidos. Agora ele é o estrategista-chefe da campanha presidencial de Obama.

Quatro anos mais tarde, os escritores de "The West Wing" estão assistindo espantados como a eleição está se desenvolvendo. O paralelismo entre as duas temporadas finais da série (que terminou sua exibição pela NBC em maio de 2006) e a atual campanha é inconfundível. A ficção, mais uma vez, prenunciou a realidade.


Resumindo (mais ou menos...), para quem não quiser ler o artigo original, ou não conhece bem a série (particularmente, adorava essa série, mas as duas últimas temporadas não pude acompanhar com deveria):

- O personagem Matthew Santos, interpretado por Jimmy Smits, é um congressista novato, de origem hispânica, carismático, bom de mídia, com duas filhas pequenas, e que, frustrado com a polarização que encontrou em Washington, resolve entrar na disputa pela indicação democrata à presidência e, contra todos os prognósticos, vence os candidatos mais conhecidos do partido.
- No anúncio da candidatura, Santos diz a seus apoiadores: "Estou aqui para dizer que a esperança é real... Numa vida de escolhas, em um mundo de desafios, a esperança existe". (Só faltou a plateia gritar "Yes, we can.")
- O candidato republicano é o senador Arnold Vinick, interpretado por Alan Alda, com seus cabelos brancos, firmemente contra impostos, com fama de falar o que pensa e capaz de atrair os moderados.
- Santos escolheu para vice um veterano democrata capaz de somar experiência em política externa, enquanto Vinick escolheu um governador ferozmente conservador.
- Da mesma forma que na campanha real, os democratas usaram contra Vinick o argumento da idade e da falta de familiaridade com as novas tecnologias. Ao mesmo tempo, o candidato republicano era acusado por setores de seu partido de não ser "conservador o suficiente".
- Apesar de procurar ser um candidato acima das barreiras raciais, Santos fez, em um momento crítico da campanha, um discurso sobre o tema, e reservadamente se preocupava se os eleitores iriam votar em um candidato vindo de uma minoria.
- Semanas antes da eleição, o presidente de então, Jed Bartlet, interpretado por Martin Sheen, convoca os dois candidatos até a Casa Branca para discutir uma grave e inesperada crise.

Bem, no final, Santos venceu apertado. Será esse um sinal para o que esperar da eleição real? Saberemos em breve.

Mas um blog do jornal inglês The Independent (a série continua no ar na Inglaterra e é muito popular) já estampou: "Barack Obama will win: It’s all in ‘The West Wing.’ "

Um comentário:

Pax disse...

Interessante.

Previsível?