2 de fevereiro de 2009

Momentos que não tem preço

Todo mundo já viu aquela propaganda de cartão de crédito (na realidade uma campanha com diversos anúncios) que coloca preço em alguns objetos ou serviços e, no final, fala de momentos que não tem preço.

Sempre achei que, como sacada de publicitário, era muito boa. Nada além disso.

Um dos anúncios mais recentes (ou nem tanto...) mostrava o desenvolvimento da relação pai-filho. E um dos momentos mostrados era dos dois indo a um jogo de futebol (o filho já homem feito) e usando símbolos de um clube de preferência.

Já fui com meu filho assistir jogos no estádio, e muitas outras vezes nos plantamos defronte a televisão sofrendo com nossos times do coração. Mas, para mim, a ficha nunca havia caído no tocante a sensação de unidade e continuidade que esses momentos representam.

Nunca, até esta última madrugada.

Assistimos juntos, e torcemos loucamente, a partida final do torneio principal de um esporte que tem ainda poucos fãs no Brasil: o futebol americano. Exato, assistimos o Superbowl. E uma das equipes que participaram do espetáculo, o Pittsburgh Steelers, tem a minha simpatia desde a época de adolescente. Nem me perguntem a razão. Iria demorar para explicar.

Essa paixão contaminou o único filho homem, que acabou de entrar na maioridade. Ele acompanhou a temporada toda com atenção maior que a minha, assistiu quase todos os jogos (os que não passavam na TV, ele conseguia links na internet e assistia via streaming) e me informava de detalhes que a falta de tempo me impedia de procurar por meus próprios meios.

Pois bem. Neste começo de madrugada, logo após o final do jogo (aliás, de tirar o fôlego e ameaçar a vida de qualquer hipertenso), estávamos lá, sozinhos na sala, todo o resto da casa (e acho que do bairro) dormindo, e gritávamos, nos abraçávamos, comemorávamos enfim a vitória.

E a ficha então caiu.

Ele cresceu, está na faculdade e já procura meios de se manter sozinho. Mas ainda tem tempo para acompanhar o pai nas paixões herdadas.

Realmente, certos momentos não tem preço.

3 comentários:

bruN0 disse...

Ah, safado... se eu achei que o jogo de ontem já era um belo teste para cardíaco, para mim é algo ainda mais profundo quando terminei de ler esse texto. Já posso ter 18 anos, mas sozinho nesse quarto, em frente a esse PC... enchi meus olhos d'água e não aguentei. Não foi só pelo Steelers, Big Ben, Santonio Holmes, James Harrison e todos os outros. Não foi nem pelo futebol americano, que me fez ver o esporte como um todo de um jeito totalmente diferente no fim dessa temporada.

Foi pelo fato de que um simples evento me fez perceber que um dia no futuro talvez eu não tenha essas oportunidades novamente. Mais do que isso: que eu farei questão de presenciar momentos desse tipo com meus filhos. É, momentos como esse não tem preço e vão perdurar na memória por um tempo inimaginável.

Valeu por tudo, pai.

DarwinistO disse...

Grande texto, Luiz. Impossível não fazer associação com o último post do Pedro Doria.

Eu, que não tive a felicidade de ter um pai-companheiro, pai-amigo, me alegro nas histórias felizes dos que me são caros.

E vida longa e próspera pra essa parceria Luiz-Bruno.

Abração!

Pax disse...

Protesto!

Vocês dois, Bruno e Luiz, me deixaram fortemente emocionado.

Ainda bem. O protesto é para aplaudir, somente.