9 de maio de 2009

Sua bênção

Eu sei...

Você nunca foi muito chegada a esse tipo de comemoração.

Aliás, muitas datas "festivas" tinham pra você um efeito depressor. E de alguma forma eu absorvi um pouco disso, em maior ou menor grau.

Acostumei-me a lembrar de Dia das Mães como aquela reunião na casa da vovó, onde durante a manhã passavam todos os tios e primos para festejar a matriarca. E eu, sortudo, nem precisava me deslocar: morávamos lá.

Mas um dia a D. Júlia nos deixou, e a data nunca mais foi a mesma... Por mais que eu me empenhasse em alegrá-la, sempre ficava estampado em seu rosto o desconforto, mesmo que você tentasse disfarçar.

E, um dia, exatos 23 anos atrás, chegou a hora de você nos deixar.

Eu sabia muito bem que o mal que a acometia iria cobrar seu duro preço a qualquer hora.

Mas foi uma crueldade extra ele escolher logo a ante-véspera do Dia das Mães...

Hoje em dia, quando vejo seus netos (você mal teve chance de conhecer a mais velha...) festejando a mãe, a garganta aperta e eu tento esconder aquela dor que nunca vai passar.



Sua bênção, minha mãe.


5 comentários:

Ricardo Cabral disse...

Passa o tempo, mas algo dessas perdas nunca se perde...

Abração, meu caro Luiz, e feliz dia para a tua companheira!

Nat disse...

Luiz, um beijo pra vc!

Luiz disse...

Obrigado, Ricardo e Nat.

Darwinista disse...

Eu queria muito ter alguma coisa pra lhe escrever, meu amigo. Mas simplesmente não sei o que dizer. Considere-se fortemente abraçado.

El Torero disse...

Um abraço, Luiz.