17 de maio de 2008

Blade Runner vai às Olimpíadas


Posso estar enganado, mas a decisão de ontem da Corte Arbitral do Esporte liberando o atleta sul-africano Oscar Pistorius, amputado das duas pernas, para competir contra atletas sem deficiências físicas tem tudo para ser um daqueles momentos de mudança decisiva na história do esporte.

A Corte, com sua decisão, trás o assunto para a linha de frente, forçando todos os interessados a se posicionar. Afinal, as próteses super-modernas dão alguma vantagem ao atleta amputado? Ou os problemas que ele ainda enfrenta o deixam em desvantagem? Daqui até o início das Olimpíadas o assunto (profundamente técnico) vai pegar fogo.

Mas uma coisa é certa: os portadores de deficiências ganharam, ao mesmo tempo, um ídolo e um símbolo. O qual a imprensa internacional já batizou: Blade Runner.

4 comentários:

Fabio Storino disse...

Luiz, acho que outra importante mudança de paradigma nos esportes (e pouco comentada) aconteceu semanas antes, quando Danica Patrick venceu uma corrida de carros em meados de abril, a primeira vitória de uma mulher num esporte tradicionalmente masculino.

O tema aqui é o mesmo: estamos discutindo de vantagens de um atleta sobre os demais. No caso do Oscar Pistorius, a discussão é se a prótese artificial dá a ele uma vantagem injusta frente aos demais competidores, assim como se discute se a Speedo LZR Racer seria uma espécie de "doping tecnológico" na natação.

E o "doping biológico", existe? No caso de corrida, de arremesso de pesos e outros esportes que exigem músculo, podemos dizer que homens apresentam uma vantagem biológica nata, portanto não seria justo uma corrida sem diferenciação por sexo.

Faz sentido? Se faz, por que em esportes que exigem habilidade, como corrida de carros (Fórmula 1, por exemplo), ou inteligência, como xadrez, ainda se separa por sexo? Isso podia fazer algum sentido na mentalidade de talvez até meados do século passado, mas não faz mais o menor sentido hoje.

Se fôssemos separar com base nas habilidades naturais, há esportes em que talvez devêssemos separar os asiáticos dos demais, ou os negros dos demais, os altos dos baixos, ou por peso (já se faz isso no boxe). Mas comparando os recordes masculino e feminino de vários esportes, vemos que, ainda que haja diferença entre eles, estão se aproximando cada vez mais.

Talvez essas separações nos esportes façam cada vez menos sentido, e o aumento da competição entre os esportitas leve aqueles grupos antes considerados "café com leite" a buscar superar cada vez mais seus limites. E a chave para isso talvez seja mostrarmos, com o fim dessas separações, que acreditamos que eles sejam capazes disso.

anrafel disse...

A pendenga é boa, o apelido Blade Runner, ruim.

Luiz disse...

anrafel,

O apelido (de fato, não é legal) é culpa da CNN...

D'LehSilva disse...

Seguinte, aconteça o que acontecer vou torcer pro atleta robô, rsrs porque eu sou sempre a favor de mudnaças, terríveis ou pobres e de consequencias inevitáveis.

Muto legal ver alguém com uma deficiencia vencer.