25 de fevereiro de 2008

Ranger de dentes

Pro lado que você se virar hoje na blogosfera brasileira, e também na mídia tradicional, vai deparar-se com alguém escrevendo algo sobre o jogo de ontem entre Flamengo e Botafogo pela final da Taça Guanabara.

Se por acaso você não se liga em futebol ou passou o final do domingo e o início da segunda-feira em uma excursão até Marte, informo: o Flamengo venceu por 2X1, de virada, com um gol nos descontos. Mas o que chamou realmente a atenção na partida foi a arbitragem e a reação pós-jogo do elenco, comissão técnica e diretoria do Botafogo.

A arbitragem, como é dolorosamente normal, foi infeliz, para dizer o mínimo. Confusa, sem critério, medrosa, e por aí vai. Dá para chamar de parcial e mal-intencionada? Não sei, talvez. Mas que deixou motivos para muitos pensem assim, isso deixou! E aí veio a reação botafoguense. Reunidos na sala de imprensa, e em rede nacional, o elenco, os dirigentes e a comissão técnica eram um choro só, literalmente. Todos acusaram o árbitro de ter influído decisivamente no resultado, e de ser parte de um a continuada tendência de prejudicar o alvinegro carioca.

Antes de qualquer coisa acho que a arbitragem, como um todo, prejudicou o Botafogo. Em um jogo que vinha equilibrado, e até com o Botafogo melhor no primeiro tempo, as expulsões podem ter influenciado o resultado. Nem tanto o pênalti, duvidoso mas que muitos (talvez a maioria) marcariam.

Porém, a reação posterior foi claramente exagerada, claramente reflexo de uma direção exageradamente passional, como bem atestam episódios anteriores. Por exemplo, lembram da semana seguinte á eliminação da Libertadores no ano passado? A diretoria rebaixou o elenco a substrato de coisa nenhuma... Falta na diretoria botafoguense alguém que saiba controlar as emoções mesmo nos piores momentos, que coloque tudo sob a devida perspectiva e toque o barco adiante.

Isso significa calar frente aos erros, intencionais ou não? De forma alguma. Em qualquer lugar, e especialmente no Brasil, quem cala consente. Nosso futebol vem perdendo parte do seu encanto e de sua atração junto às novas gerações exatamente pelas ações de cartolas safados e de árbitros incapazes, manipulados ou medrosos.

O que distingue o caso do Botafogo é que a equipe não pode se arvorar do monopólio da perseguição. Basta verificar o histórico das últimas décadas, senão vejamos:

- No jogo que deu o título ao Botafogo em 1989, após 21 anos na fila, Maurício, autor do gol decisivo, empurrou claramente o zagueiro do Flamengo antes de tocar na bola.
- Na decisão do Brasileiro de 1995, o tristemente famoso árbitro Márcio Rezende de Freitas anulou um gol normal do Santos. Resultado: Botafogo campeão.
- Na decisão da Taça Guanabara de 2006, o juiz prejudicou claramente o América, deixando de marcar um pênalti escandaloso. Resultado: Botafogo campeão.
- Nas quartas de final da Copa do Brasil 2007, o Atlético Mineiro foi garfado pelo Carlos Eugênio Simon, que não marcou um pênalti claro no final do do jogo. O Botafogo classificou-se para as semifinais, onde dançou para o Figueirense, e acusou a bandeirinha Ana Paula Oliveira de prejudicá-lo. Porém, a TV mostrou que a bandeira não errou.

Resumindo, o vento que venta lá também venta cá...

15 de fevereiro de 2008

Crepúsculo de dor

Esta semana presenciou mais um capítulo na via-crúcis de dois ídolos do esporte brasileiro.

Primeiro, foi a emocionante (mas infrutífera) tentativa de Gustavo Kuerten para iniciar aquela que será sua última temporada no tênis profissional de uma maneira digna. Vencido pelas insistentes e demolidoras dores nos quadris, ele foi pouco mais que um figurante no Brasil Open. Nada que não tenhamos acompanhado nos últimos tempos. Pura luta contra a dor. Um atleta diferenciado tentando sobrepujar os próprios limites físicos. Não deu. Mas Guga não precisa provar mais nada. Resta-nos aplaudir e agradecer, muito.

Vá descansar, campeão!!!

Depois, foi a vez de presenciarmos outra lesão séria de Ronaldo Nazário, o Fenômeno. Novamente uma ruptura do tendão patelar, mas agora no joelho esquerdo. A cena foi de cortar o coração, até por remeter à imagem da lesão anterior, visual mete mais chocante.

A aparentemente interminável seqüência de lesões de Ronaldo sempre despertou debates entre os especialistas, tanto os médicos quanto os jornalistas esportivos, mas sempre de maneira discreta ou anônima. Desta vez, entretanto, alguém resolveu ir além. Aquilo que era comentado a boca pequena foi explicitado pelo Coordenador de Doping da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e médico do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), Bernardino Santi.

Em resumo, Ronaldo, então apenas um adolescente, teria sido submetido, quando jogador do PSV, a um programa de suplementação que incluiria o uso de alguns anabolizantes. Isso explicaria o extraordinário desenvolvimento atlético conseguido por ele na época, com visível aumento de massa muscular. O preço seria pago depois, pois as articulações, especialmente dos joelhos, submetidas a uma carga muito mais forte, não resistiram.

Nada disso tem confirmação, e talvez nunca tenha. Mas explicaria muita coisa.

Ronaldo nunca foi um dos meus maiores ídolos. Sou daqueles que viu a geração de 70 e a de 82, portanto posso me dar ao luxo de ser exigente. Mas sempre admirei a forma com que Ronaldo enfrentava os adversários e as adversidades. E nunca tive dúvidas de que ele é um cara "do bem". Fica aqui minha torcida pela sua volta aos gramados, apesar de achar que desta vez a possibilidade de que isso não ocorra é muito real.

Raposa no galinheiro

Essa história do roubo dos computadores da Petrobrás é, pra dizer o mínimo, escandalosa. Especialmente quando se vê quem era a empresa responsável pelo transporte: a Halliburton. Isso mesmo, aquela empresa que é unha-e-carne com o que há de mais safado e reacionário na política americana.

Espanta também uma certa falta de cuidado da Petrobrás com o tráfego de materiais e informações sensíveis. Quando valores envolvidos alcançam a ordem de grandeza de bilhões de dólares, o cuidado deveria ser redobrado.

E certo tipo de parceiros comerciais é melhor não ter. O risco de ser apunhalado pelas costas é brutal...

14 de fevereiro de 2008

Blogs e blogs

Para mim, esse negócio de acompanhar uma espécie de bicho chamado de Blog começou fazem uns quatro anos. Lembro que foi um pouco antes da campanha eleitoral daquele ano (2004), e a blogosfera brasileira era muito diferente do que é hoje, tanto em tamanho quanto em variedade e qualidade. Naqueles tempos, eu apenas comentava, e o ambiente nas caixas de comentários era bastante aprazível, com muitas discordâncias mas rarissimos exageros. Entretanto, com o final daquela campanha e a eclosão da sequência de crises que atingiu o governo Lula o clima mudou. O radicalismo prosperou, de lado a lado, e as agressões se multiplicaram.

Sem espírito para esse tipo de "diálogo", e por não me enquadrar herméticamente em nenhum dos lados em disputa, deixei de acessar a caixa de comentários de alguns sites, e deixei de ler alguns outros. Fiquei com aqueles onde a civilidade ainda reinava, e procurei alguns novos. Ao mesmo tempo, e para poder explicitar livremente meus pensamentos (Sim, eles existem!) comecei a tentar por esta página para diante. Nem sempre é simples, em algumas vezes falta tempo, e em outras falta ânimo. Mas vamos seguindo.

Por quê desta pequena resenha pessoal?

Infelizmente alguns dos melhores exemplos de como manter um blog de qualidade, com opinião mas sem sectarismo e agressões, estão sendo "atacados" por um tipo de de comentarista que não sabe conviver civilizadamente com o contraditório e a divergência. Os responsáveis por esses espaços tem resistido bem a essa turba, mas nem sempre é fácil.

Solidarizo-me com o professor , o carioca, e outros mais que lutam para manter a blogosfera brasileira minimamente habitável, mas sem perder o bom humor. Jamais.

9 de fevereiro de 2008

Hey you

Este blog tem uma pequena (bem pequena) porém fiel audiência. Obrigado a todos vocês que me aturam. Valeu mesmo.

Dentre esses poucos heróis, espalhados pelo mundo, existe alguém que despertou minha curiosidade.

Hey, você aí, de Wilmington, Delaware. Who are you? Where are you from?

3 de fevereiro de 2008

Yes We Can

30 de janeiro de 2008

O bicho vai pegar

As disputas pelas indicações democrata e republicana para a eleição presidencial americana de Novembro estão se afunilando.

No lado democrata restaram apenas Barack Obama e Hillary Clinton. No lado republicano ficaram apenas John McCain, Mitt Romney, Mick Huckabee e Ron Paul. Enquanto a disputa democrata está sem um favorito claro, a republicana tem o senador McCain com uma vantagem importante, mas ainda não decisiva.

Ontem ocorreu na Flórida a última disputa antes de 05 de Fevereiro, a chamada Super Terça-Feira, onde 22 estados realizarão suas primárias. McCain venceu entre os republicanos e Hillary entre os democratas, se bem que a vitória da senadora por Nova York represente pouco mais que um instrumento de propaganda pois a direção do partido retirou os delegados do estado por descumprimento de normas.

O quê esperar daqui para a frente?

Entre os republicanos, a menos que aconteça uma reviravolta fenomenal, a indicação ficará com McCain ou Romney, com as chances do primeiro sendo muito maiores. Ele lidera as pesquisas nos maiores estados e será o maior beneficiário da desistência de Rudolph Giuliani.

Já entre os democratas a briga promete ser muito acirrada. Literalmente. A campanha de Hillary vem utilizando, desde algum tempo, de todo tipo de expediente para tentar prejudicar Obama, desde a distorção de declarações até ataques furiosos e sem base por parte de Bill Clinton, isso sem contar outras ações ainda mais condenáveis.

A grande estratégia dos Clinton é pintar Obama como um candidato negro de eleitorado negro, o que assustaria o eleitorado branco e latino. Isso transpareceu mais claramente antes da primária da Carolina do Sul, mas teve uma resposta contundente dos eleitores desse estado, que deram à Obama sua maior vitória até aqui. Hillary está na frente nas pesquisas na maioria dos estados da Super Terça-Feira, porém Obama está crescendo e se beneficiará do recente apoio do Sen. Ted Kennedy, líder da famosa dinastia democrata, que possui inconteste influência entre largas porções do partido e do eleitorado.

Já a desistência de John Edwards não tem um beneficiário único. Nos estados do mais liberais seu eleitorado deverá, em grande parte, ir para Obama. Já nos estados do Sul, os votos tendem a ir para Hillary, especialmente pela questão racial.

As próximas pesquisas, especialmente nos grandes estados, como Califórnia, Nova York, Nova Jersey, Illinois e Geórgia poderão dar algumas pistas do que vem pela frente, mas sem dúvida a disputa vai ser das boas.

24 de janeiro de 2008

Inocência ou cegueira

Mês passado tratei aqui, de uma forma rápida, do projeto de Transposição do São Francisco.

Hoje, voltando do almoço, ouvi no rádio do carro uma entrevista que me deixou fulo da vida. Era um dirigente de uma ONG que se opõe ao projeto, argumentando fundamentalmente que ele só vai beneficiar "as elites da região e as multinacionais exportadoras de frutas e de camarão". Pregava a adoção de métodos alternativos de convivência com a seca e defendia o investimento em agricultura familiar.

Quanto aos métodos alternativos, eles são isso mesmo: alternativos. Podem ajudar, mas não resolvem. Cisternas de placas, mesmo com capacidade para 16.000 litros de água, não resistem a dois anos de seca intensa. Dependendo da família não resiste nem a um ano.

Investimento em agricultura familiar é essencial, mas pode ser implementado de forma muito melhor com uma fonte de água garantida.

Mas não são estes argumentos que me deixaram injuriado. Foi a lenga-lenga acusatória contra as elites e as multinacionais.

Quem me conhece (mesmo que apenas por este espaço) sabe bem que não tenho a menor simpatia pelas elites que comandam nosso país e, particularmente, o Nordeste desde sempre. Sempre lutei contra eles e pretendo continuar com posições críticas até o fim. Da mesma forma, sempre tive clara qual era a política das grandes empresas estrangeiras atuando no Brasil e seu pouco caso para com nosso povo.

Por isso mesmo, acho inaceitável que esse dirigente de ONG, um nordestino, e que deixa bem claro que reza por uma cartilha pretensamente de esquerda (toda cara de PSOL ou PSTU), se deixe levar, embalado por um desejo de atingir pela esquerda o governo Lula, pelo discurso anti-transposição, que na realidade é o discurso de parte da elite do Sul-Sudeste junto com a parte mais atrasada da elite nordestina. Lembrem-se: o grande arauto contra a transposição era ... ACM.

Por que parte (reconheço, minoritária) da elite Sul-Sudeste? A eles não interessa que os estados nordestinos rompam com as relações de submissão para com os estados mais desenvolvidos. Um avanço significativo na infra-estrutura do Nordeste teria conseqüencias a médio e longo prazo na correlação de forças políticas brasileiras.

Em resumo, é revoltante que um nordestino se deixe cegar por cegar por posições políticas pretensamente progressistas, mas que na realidade fazem o jogo do que há de pior neste país. Negam ao nosso povo a chance de garantir um bem básico e insubstituível, a água, a pretexto de possível má utilização e se arvorando em defensores das camadas mais pobres desse mesmo povo.

O projeto de transposição tem problemas? Sim, mas esses problemas ainda podem ser sanados sem comprometer a idéia em si. Pode, e deve ser, instrumento poderoso de transformação da realidade da população do Norte do Semi-Árido nordestino.

Alma lavada e cara pintada

Dois posts atrás externei minha profunda alegria.

Bem, o Bruno matriculou-se esta semana e o resultado foi esse. Ele é o da extrema direita na foto (atenção: só na foto...).

10 de janeiro de 2008

O nome diz tudo

Este blog não costuma apelar, mas a foto abaixo é irressistível:



Eu juro, é assim mesmo.

Em tempo: Itaiçaba fica no interior do Ceará. Prova que nem os cearenses são perfeitos...

8 de janeiro de 2008

Alma lavada

Amigos, me permitam extravasar.

Hoje estou feliz, realmente feliz !!!

Afinal, não é todo dia que 2 filhos entram em uma boa Universidade ao mesmo tempo.

Valeu, Vick !
Valeu , Bruno !

Agora, é só esperar 15 anos pela Juju...

5 de janeiro de 2008

Lá vem o Obama ...

Depois da surpreendentemente fácil (oito pontos são um bocado de coisa) vitória em Iowa, Barack Obama enfrenta o desafio de chegar novamente na frente em New Hampshire e consolidar a imagem de candidato viável, especialmente frente a máquina do partido Democrata que está apoiando Hillary Clinton.

Pra quem gosta de números, aqui vão as últimas quatro pesquisas divulgadas:


Obama Clinton Edwards Richardson
ARG 38 26 20 3
Rasmussen 37 27 19 8
Suffolk 29 36 13 4
Zogby 28 32 20 7

Vale ressaltar que as duas primeiras foram totalmente realizadas após o resultado de Iowa, e as duas últimas são "trackings" diários, e mostraram avanço de Obama em relação aos dias anteriores. Ou seja, pode estar vindo por aí outra vitória inesperada até algumas semanas atrás.

E quanto a John Edwards? Os analistas sempre argumentaram que se ele não terminasse em primeiro em Iowa, em seguida a sua campanha desabaria, mas ele ainda está na briga e mais do que nunca. Por que? A campanha de Barack Obama, com sua mensagem de mudança e esperança está mobilizando um grande bloco de eleitores Democratas e está trazendo para a disputa um grande número de eleitores novatos, de tal forma que é Hillary Clinton o candidato que Edwards sente que pode ultrapassar como segunda opção. Se Edwards desbancar Clinton em New Hampshire e, em seguida, na Carolina do Sul, esta poderia ser uma corrida entre dois cavalos: Edwards e Obama.

Do lado dos Republicanos, essa primária deve ser vista como tudo-ou-nada para John McCain. Ou ele vence, jogando Mitt Romney no "mato sem cachorro", ou então será ele quem ficará em péssimos lençóis. O problema de McCain nesta primária é que, apesar de liderar as pesquisas, sua base de votos (jovens e eleitores independentes) está sendo corroída pelo imprevisível Ron Paul, o que pode jogar a vitória no colo de Romney.

24 de dezembro de 2007

Tempo de festas

Tá chegando o final do ano, hoje já é véspera de Natal.

Boa hora para desejar a todos os (poucos) que nos dão o prazer, a honra e o privilégio (eita nóis...) de passarem por essa página um bom Natal e um 2008 cheio de realizações.

Este espaço procurará estar mais presente e atuante na luta por liberdade, paz, solidariedade e ... vergonha na cara (viu, Renan?)


Abração a todos.

22 de dezembro de 2007

Censura nunca mais

Esse humilde espaço junta-se a todos aqueles que consideram inaceitável a decisão judicial que proibiu o jornalista Juca Kfouri de "ofender" o promotor público e deputado estadual Fernando Capez. Isso tem nome: censura prévia.

Ora, Juca não o ofendeu. Apenas citou fatos e os criticou. Nada que qualquer um que tenha um espaço para se expressar não tenha feito "zilhões" de vezes com relação a incontáveis personagens.

Esse país está ficando perigosamente em uma rota que ameaça a liberdade de expressão, em todas as suas formas. Ou as coisas mudam já, ou temo pelo que virá adiante. Esse filme nós já assistimos, era uma tragédia das bravas, e prefiro não rever.


Sim, se você tem como, espalhe essa história. A liberdade de expressão agradece.

21 de dezembro de 2007

Tranposição do São Francisco

Outra intervenção desse escriba foi comentando este post do José Paulo Kupfer, que transcreveu este artigo do Cesar Benjamin sobre a greve de fome do bispo D. Luís Cappio contra a transposição do Rio São Francisco:

"Com o perdão da má palavra, esse bispo tem mesmo é uns parafusos a menos. A própria família dele admite que ele sempre foi exageradamente teimoso...

Quanto à obra em si, concordo que devam ser tomados todos os cuidados, mas a idéia em si é correta. Dizer que os ricos serão os beneficiados é sofisma. Beneficiados eles já são agora e sempre. Com a chegada da água, com certeza os mais pobres vão lucrar, mesmo que não seja de forma espetacular. Mas o simples fato de existir água fará uma enorme diferença.

Quanto ao rio, claro que precisa revitalizar e preservar, mas isso não se choca com o projeto de transposição, muito pelo contrário.

Pra terminar, só uma dúvida: por que será que o movimento contra a transposição é tão forte em Minas Gerais? Afinal de contas, todas as obras e a captação da água vão acontecer milhares de quilômetros rio abaixo, depois da barragem de Sobradinho, que regulariza a vazão do rio."


Sampa

Tenho postado pouca coisa nova aqui no blog, principalmente por falta de tempo.

Entretanto, e numa contradição louca, tenho escrito até bastante nos comentários de blog alheios. Às vezes o assunto exige, e eu não tenho me furtado.

Pensei bem e resolvi que talvez seja bom trazer para este espaço algumas dessas intervenções, passadas e futuras.

A primeira foi neste post do Pedro Dória sobre São Paulo:

"Minha relação com São Paulo foi de uma conquista lenta e gradual.

Os dois anos e meio em que morei aí no início da década de 90 ficaram marcados demais pela vontade de voltar pra terrinha, nem tanto por mim mas pela insistência da esposa e dos filhos pequenos. Naquela época, eu estava completando 5 anos morando fora (antes foi Brasília), tudo por motivos profissionais. Mas a Fortaleza que eu havia deixado temporariamente para trás havia sido pessoalmente muito lancinante por pelo menos uma década, e até gostei de ficar longe uns tempos.

Sim, o assunto é Sampa. E foi uma conquista lenta, mas profunda. Cada aspecto da cidade (pelo menos os que eu tive tempo de descobrir) revelou-se surpreendentemente humano e acolhedor, em contraste com a aspereza asséptica de Brasília. Tanto que, no final, mesmo a esposa, totalmente devotada a voltar para perto dos pais, acabou se rendendo.

As poucas vezes em que retornei desde então sempre foram muito corridas, mas o prazer estava lá, o charme estava lá, a humanidade estava lá.

Com certeza, minha segunda cidade, pertinho da primeira. E olha que disputar com Fortaleza é duro …"

14 de dezembro de 2007

Na boca do estômago

A Fal é diferenciada. Isso eu e meia blogosfera brasileira já sabíamos.

Mas esse texto é de nocautear lutador de vale-tudo.

Dizer o quê?

3 de dezembro de 2007

Cair e saber levantar

Não dá para fugir do tema: a queda do Corinthians para a Série B.

Primeiro, uma mensagem para a coletividade do Timão: vocês são muito bem-vindos ao fascinante mundo da Segundona. Acreditem, nós, torcedores dos times que já estão ou que já passaram pela Série B entendemos perfeitamente o que está se passando na cabeça e no coração de vocês. No primeiro momento parece que o mundo desabou, mas bastará algum tempo para os companheiros percebam que esse é apenas um estágio transitório, do qual poderá emergir um novo clube. Lembrem-se: o que não me mata, me fortalece.

Sem querer entrar em uma análise mais demorada das razões da queda do alvinegro (aarrgh!) paulista, fico com o seguinte pensamento: um time onde a referência de gol respondia pelo nome de Finazzi não podia mesmo ir muito longe. E atenção: como torcedor do Fortaleza sei muito bem o que isso significa ...



P.S. Esse post foi transmitido em cadeia com o Torcedor Obsessivo Compulsivo . Voltamos agora a nossa programação normal.

30 de novembro de 2007

Ajudantes de Papai Noel

Está chegando o final do ano, época de confraternizações e troca de presentes de Natal, não é ?

ERRADO !!!

Na realidade, está chegando a hora de mostrar o lado bom de cada um, ajudando a fazer que o Natal de quem é menos favorecido seja um pouco mais alegre.

Muitas são as formas: fazendo trabalho voluntário em instituições que atendem crianças, idosos ou moradores de rua, doando bens ou dinheiro para essas instituições, etc.

A minha sugestão é o programa "Papai Noel dos Correios".

É o seguinte: todos os anos os Correios recebem milhares de cartinhas que crianças enviam para Papai Noel. No início, muitos anos atrás, os funcionários dos Correios abriam as cartas e as respondiam. Aos poucos foram aparecendo casos em que as cartinhas eram tão tocantes que era impossível ficar só na resposta escrita, o que levava alguns desses funcionários a se cotizarem para adquirir presentes para entregar aos remetentes. Para isso, muitas vezes, um dos funcionários se vestia de Papai Noel, e o momento da entrega era de uma emoção sem paralelo.

A notícia dessas ações foi se espalhando, o número de cartas foi crescendo, e a partir de 1994 a direção dos Correios resolveu institucionalizar a prática e possibilitou que o público externo pudesse "adotar" cartinhas, entregando os presentes nas agências dos Correios, o qual se encarrega de realizar a entrega.

Nem preciso falar mais. Tire seu traseiro (e o resto do corpo também) da frente do computador e vá procurar as agências onde estão as cartinhas. Escolha uma, ou então pegue sem olhar. Qualquer dúvida, este é o link lá dos telefones de contato em cada estado.

Se por acaso você tem um blog ou página em um site de relacionamentos (Orkut, My Space, Facebook, etc.) ajude a divulgar essa ação.

Papai Noel está recrutando voluntários. Por que não você?

23 de novembro de 2007

Tio Sam e as eleições

Não dá para escapar. A cada quatro anos o mundo todo deixa um pouco de lado seus assuntos do dia-a-dia interno para acompanhar corrida pelo cargo mais importante do mundo, as eleições presidenciais americanas.

OK. Também acho que ninguém, e nenhum país, pode deixar de tocar a vida esperando pelo que possa sair das urnas americanas. Especialmente agora, quando a economia americana, mesmo ainda sendo a maior e mais influente do mundo, perdeu boa parte de sua antiga importância, com o crescimento dos BRIC (Brasil, Rússia, Índia e, principalmente, China) e da União Européia. Mesmo politicamente, os americanos vão levar algum tempo até recuperarem a parcela de seu prestígio que o desastre Bush desperdiçou. Entretanto, é impossível virar as costas e ignorar o que acontece no Grande Irmão do Norte, até para ver quem será o escolhido para mudar (ou não) o atual estado de coisas.

No meio da enorme diversidade de pré-candidatos democratas e republicanos, alguns favoritos despontam. Entre os democratas, a vantagem (pelo menos neste momento, e de forma irregular) é de Hillary Clinton, apoiada por boa parte da máquina do partido. Correndo por fora (mais ainda perto) vem Barack Obama e John Edwards. Isso sem contar algum azarão ou a sombra de Al Gore. Entre os republicanos, a vantagem, com ainda menos clareza do que entre os democratas, é de Rudolph Giuliani. Perto dele vem Mitt Romney, John McCain e um bolo de outros candidatos.

Este espaço, até por gostar de eleições (qualquer uma), vai voltar ao tema com bastante freqüencia, e sempre repercutindo o que gente mais capaz e informada falar sobre o tema. Por exemplo, o Pedro Doria deu uma boa geral no assunto (reparem no link que leva a uma descrição do sistema eleitoral americano).

Sim, este blog tem preferência: Barack Obama.

Atualização: Em sua coluna no New York Times, Maureen Dowd fez interessante questionamento das "qualificações" em política externa usadas por Hillary Clinton. Aqui, em tradução do IG Último Segundo.