25 de outubro de 2007

Tempo técnico

Amigos, este blog está meio capenga nos últimos dias por problemas técnicos no micro deste enfadonho escriba. Mais precisamente, o monitor resolveu esticar as canelas. O coitado, veterano de muitas aventuras, já vinha dando sinais de que o fim estaria próximo mas, sabe como é, a gente se recusa a aceitar que um ente querido esteja em seus estertores...

Assim sendo, até que um substituto à altura esteja pronto para assumir o posto (ou seja, quando der para comprar um novo), vamos ficar um pouco bissextos. Será em breve, espero.

Só para não passar batido, vamos a um bate-pronto:

Tem uns juízes (aqui e aqui) classificando a Lei Maria da Penha (aquela que tenta proteger a mulher vítima de violência doméstica, e assim denominada em homenagem a uma conterrânea) de inconstitucional e de coisas piores... Os que argumentam a inconstitucionalidade pelo menos se agarram a filigranas puramente legais, apesar de totalmente infundadas, a meu ver. O que é dose são os argumentos de um Juiz de Sete Lagoas (MG), que chegou a chamar a lei de "diabólica" e de "monstrengo tinhoso". Ora, ora, tenha santa paciência, meretíssimo. Estou me segurando para não dizer umas poucas e boas !! Isto aqui não é nem o Afeganistão da época do governo talibã, nem a Salém da queima das mulheres por bruxaria. Reacionarismo tem limites !!!


19 de outubro de 2007

Coisa do Demo

Ontem, durante entrevista na África, Lula reclamou que os "demos" estavam se opondo à CPMF. Ele se referia, claro, aos membros do DEM (Democratas), antigo PFL.

O líder do partido, Sen. Agripino Maia ficou uma fera, e disse que Lula injusto, descortês, auto-suficiente e arrogante.

Senador, o senhor devia reclamar do gênio que bolou esse nome para seu partido. Em qualquer outro lugar, tudo bem. Mas no Brasil, o país da piada pronta (sua benção, Zé Simão), tenha santa paciência !!!

E logo vocês, democratas de longa data ...


10 de outubro de 2007

Tropa sem rumo

Um dos temas mais discutidos atualmente pela blogosfera brasileira (e pela mídia tradicional) é o filme Tropa de Elite. Como ainda não assistí, minha opinião fica pra depois. Por enquanto, ficam as opiniões do Alon, do Pedro Dória e do Idelber. E o debate está longe de acabar...

Mas este post não é sobre o filme, nem sobre o BOPE da PM do Rio. É sobre outra polícia e sua comédia (ou seria tragédia) de erros. Estou falando da polícia cearense, mais especificamente a PMCE, se bem que a Polícia Civil é quase igual em termos de problemas.

Alguns meses atrás, escrevi rapidamente sobre uma polêmica compra de veículos para a PM cearense, mais especificamente para um novo programa de segurança chamado Ronda do Quarteirão, o qual foi a principal bandeira eleitoral do atual governador. Bem, estamos em outubro e até agora nada desse programa sair do papel, exceto pela compra dos veículos. Ocorre que, de lá pra cá aconteceram uma série de eventos que demonstram cabalmente que a estrutura de segurança do Ceará está aos cacos (como em quase todo o país, nem precisaria ressaltar).

Pra começo de conversa, o governador convidou para a Secretaria de Segurança um delegado federal com o qual ele nunca havia sequer conversado. Aliás, os dois se conheceram pessoalmente no aeroporto na véspera da posse. Ou seja, assumiu o posto uma pessoa que não conhecia nada do estado, muito menos da sua estrutura de segurança pública. E que teve que trabalhar desde o início para materializar um programa que não era seu, o Ronda. Aliás, não era um programa, eram apenas intenções, pois até algumas semanas atrás não existia nada por escrito para fundamentar as ações. E nem sei se já existem.

Esse Secretário de Segurança teve que conviver com um comandante da PM muito respeitado pela tropa pelo seu conhecimento técnico, mas também muito independente. Os pequenos atritos entre os dois foram se acumulando, principalmente sobre o Ronda, e o comandante foi exonerado no início de Setembro, junto com alguns dos principais comandos operacionais. Não bastasse o clima de insegurança geral, uma sequência de ocorrências (puxa, tô escrevendo igual a turma da reportagem policial) deixou lá embaixo o conceito que todos no estado têm do dispositivo de segurança pública. Resumindo:

- Uma operação de perseguição a bandidos que haviam realizado o furto de um caixa-eletrônico (isto mesmo, levaram o caixa inteiro), acabou com uma picape Hilux preta toda metralhada, deixando três de seus quatro ocupantes feridos. Detalhe: o carro dos bandidos era uma S-10 vermelha, e os feridos eram dois casais: um deles (um italiano e uma cearense) tinham ido buscar no aeroporto um casal de amigos espanhóis, em férias. O turista espanhol deve ficar paraplégico.
- Um grupo de PMs, na tentativa de recuperar uma arma supostamente roubada de um oficial dos Bombeiros, acabou agredindo duramente uma aposentada, tia do suposto ladrão. Resultado: a aposentada veio a falecer.
- Ladrões roubaram 12 fuzis que estavam guardados em um depósito no Quartel do Comando Geral da PM. Ninguém viu os bandidos, nem existem sinais de arrombamento. Suspeita: facilitação, como forma de boicotar o Secretário de Segurança.

Para não me alongar mais, cabem as perguntas: essa nau tem comando? E a população, que já é refém dos bandidos a longo tempo, tem como manter aquele restinho de confiança na polícia? Até quando?

Com a palavra, quem achar que tem algo a dizer.

4 de outubro de 2007

FREE BURMA !!!


Hoje (04/10), está ocorrendo um movimento global entre os blogueiros com o intuito de denunciar a repressão contra a revolta democrática e pacífica que está em curso em Myanmar (antiga Birmânia ou Burma).

A chamada Revolução do Açafrão vem sendo impiedosamete reprimida pela Junta Militar que governa o país, e o número de mortos é enorme (fala-se em algumas centenas), especialmente entre os monges budistas que iniciaram o movimento.

Por coincidência, hoje (04/10) é dia de São Francisco de Assis. Tudo a ver.

Participe. Mostre seu apoio. É um povo querendo paz e liberdade (parece familiar?)

O site do movimento é : http://www2.free-burma.org/index_pt.php

28 de setembro de 2007

Eles não tomam jeito

Tem uma turma no Senado (em em outros lugares) que não toma jeito. Não consegue conviver com a liberdade de expressão dos outros, vai logo processando ou ameaçando processar meio mundo sempre que sofre uma crítica ou quando é publicada uma informação que lhe desagrade.

A vítima agora é o blogueiro Leonardo Sakamoto, coordenador da ONG Repórter Brasil, e a algoz é a Senadora Kátia Abreu (DEM-TO).

O pano de fundo da questão é o caso da fiscalização do Ministério do Trabalho na Usina Pagrisa, que resultou na autuação da empresa por manter trabalhadores em situação análoga à escravidão, e a posterior visita de um grupo de senadores à usina, onde o trabalho dos fiscais foi atacado.

Todo apoio ao Leonardo e aos fiscais do Ministério do Trabalho, e que os distintos senadores procurem coisa melhor para ocupar o tempo.

Dica do Idelber.

22 de setembro de 2007

Pedaço de mim

Tem muita gente que não acredita em coincidências. Acha que tudo tem uma razão, um motivo superior, coisas assim. Não é muito a minha praia, mas de vez em quando acontecem fatos que me deixam bem balançado.
Quarta-feira passada bem cedo tive que levar minha caçula a um hospital. Parecia uma gripe mal curada, mas revelou-se um princípio de sinusite. O tal hospital fica no centro de Fortaleza, relativamente próximo à casa onde vivi até o meio da adolescência. Apenas a uma quadra de distância fica o Colégio Cearense, onde estudei todo o ensino básico e o médio. Quando passei defronte ao colégio, mostrei o prédio, dizendo:"O papai estudou aqui, filha!"
Mal sabia eu ...
Hoje, fui surpreendido com uma notícia nos jornais: o Cearense vai encerrar suas atividades ao final deste ano letivo. Motivo: falta de alunos em número suficiente para cobrir os custos.
Sem exagero, foi como se recebesse a notícia da morte iminente de alguém muito próximo. Aliás, é exatamente isso que aconteceu.
Porque aquela não era apenas uma escola, nem aquele apenas um prédio. Aquela era (e ainda é) a minha escola, primeira e única. E aquelas foram as salas, corredores, pátios e quadras que me viram crescer, virar gente, e por onde, por 12 anos, costumava ficar mais tempo do que em casa. Até porque ficar em casa muitas vezes era sofrido demais.
Agora, veio a notícia fatal. O velho Cearense, dos irmãos Maristas, de quase 100 anos de história, vai se tornar apenas isso: história.
Nessa hora, as únicas coisas que me resta a fazer são lamentar e relembrar. Lamentar não ter conseguido realizar um velho desejo, que um dos meus filhos fosse aluno do meu colégio. E relembrar todos os momentos maravilhosos (e também os nem tão maravilhosos assim) que alguém que passou dos 5 aos 17 anos dentre aqueles muros, naquelas velhas carteiras escolares de madeira escura e pesada, junto à colegas que viraram amigos em convivências que que duraram muitas vezes uma década. E onde, é claro, surgiu a primeira paixão, infantil ainda, mas inesquecível como poucas.

10 de setembro de 2007

Galos, noites e varandas

Uns dias atrás, saiu uma reportagem no Diário do Nordeste resenhando uma apresentação do cantor Belchior no Centro Cultural do Banco do Nordeste, aqui em Fortaleza.

Se fosse apenas pelo cantor, já teria valido a pena ler. Minha admiração pelo poeta vem de longe, e cada vez que escuto uma de suas obras parece que descubro uma nova faceta, um novo brilho. Junte isso às lembranças dos tempos de pré-adolescente macambúzio e tímido, que algumas vezes varava as madrugadas na varanda de casa, ouvindo música e pensando na vida (como diria Chico Buarque, "vida, minha vida, olha o que é que eu fiz..."), e as entranhas remexem, com força.

Pra completar o destroço, a matéria era assinada por uma pessoinha que é posseira de um latifúndio no coração desse escriba. Sobrinha, afilhada, companheira de lutas, e agora futura jornalista. Até parece que foi ontem (essa frase parece familiar...) que peguei aquela bebezinha no colo. E hoje ela escreve que é uma beleza. Mara, tudo de melhor no mundo pra você !!!

Falta de assunto não foi

Desde a última semana de agosto eu já deveria estar postando regularmente. Vontade não faltou, nem muito menos faltou assunto. Quase todo dia aparecia algo que merecia alguma consideração. Prova disso é que fiz vários comentários em blogs alheios. Desde o aniversário do Katrina, passando pelo processo do Renan e a campanha do Estadão, por exemplo, andei palpitando por aí.

Porém, até agora, nada havia me retirado da letargia o suficiente para sentar e escrever neste espaço.

Até agora.

22 de agosto de 2007

Espantando a preguiça

E aí, amigos? Tudo em ordem? Estirei enquanto pude o recesso do blog, mas tudo tem limite...

Pra recomeçar, e inspirado no amistoso de hoje da "seleção da CBF" contra a extraordinariamente forte seleção da Argélia, com Kaká e Ronaldinho Gaúcho começando no banco, vejam esse post do André Kenji :

"Segundo o jornal sensacionalista News of the World, a rede Al-Qaeda, através de vídeos pela internet, estaria ameaçando de morte assassinato dos jogadores de futebol Thierry Henry, David Beckham e Wayne Rooney, além dos cantores Justin Timberlake e Puffy Daddy. Os jogadores seriam uma influência “criminosa” para os jovens muçulmanos.

Mas vêm cá: isso é discriminação. E a seleção brasileira? Como é que deixam Dunga de fora?"

Apoiado.

E por falar em muçulmanos, vamos para o outro lado.

Li na BBC sobre um grupo de humoristas muçulmano-americanos denominado "Allah Made Me Funny" (Alá Me Fez Engraçado), que resolveu enfrentar a discriminação com a melhor das armas, o riso.

Aliás, o grupo não está sozinho na empreitada. Estão aparecendo dentro da comunidade muçulmana dos EUA outros grupos, ou humoristas isolados, com o mesmo objetivo. Um dos mais conhecidos é o "Axis of Evil" (Eixo do Mal), formado por americanos com origem no Oriente Médio: Irã, Egito e Palestina. Segundo seus membros, só está faltanto um norte-coreano...

Alem dos preconceitos, esse grupos exploram as particularidades da comunidade islâmica. Por exemplo:

"Um dos estereótipos clássicos que as pessoas gostam de dizer é 'os homens islâmicos são terroristas, e as mulheres são oprimidas.' Eu pergunto: Alguma dessas pessoas já foi ao lar de um muçulmano? Se tivessem ido, saberiam que é exatamente o contrário".



20 de julho de 2007

Para não perder a mania

Estou, desde a última segunda-feira, tentando aproveitar da melhor maneira possível os 20 dias de férias aos quais, incrivelmente, tenho direito. Aproveitar significa, dentre outras coisas, dar uma maneirada no computador e, por tabela, neste blog. A família e a rede (de dormir) têm prioridade.

Entretanto, o mundo não para, e me vejo compelido a comentar brevemente alguns assuntos:

- Acidente em Guarulhos: Investigar, investigar e investigar. Até o fim, doa a quem doer. Esse mantra precisa ser repetido até a exaustão pelas autoridades. Mas, de longe, dá para suspeitar que a responsabilidade vai ser majoritariamente do governo. Por qualquer ângulo que se olhe (reforma atrasada da pista, utilização excessiva e desordenada de Congonhas, inação frente aos "desejos" das empresas aéreas, corte nos investimento aeroportuários, falta de capacidade de reação, etc. etc. etc.), esse governo falhou. É hora de tomar outro rumo e dar uma resposta adequada à nação. E chega de vacilações.

- Morte de ACM: Ele representava quase tudo contra o que eu sempre me opus. Conservadorismo regado à truculência, clientelismo e corrupção. Como nordestino, esse coquetel me parecia especialmente amargo por sintetizar vários outros "coronéis" que infelicitavam (alguns ainda infelicitam) o nosso povo. Mas, e sempre existe um mas, o mundo não é só preto ou branco. Os anos nos ajudam a ver que maniqueísmos de qualquer espécie não se sustentam. Até ACM têm em sua história atos bastante respeitáveis. O Alon citou um deles, passado na recriação da UNE em 1979. Pra terminar, nunca pensei que diria isso: Descanse em paz.

- Time do Dunga: Agora que a poeira já baixou um pouco, resta torcer para que o título da Copa América não acabe sendo um mal terrível para o futebol brasileiro, mascarando seus problemas e suas fraquezas, e que o Dunga não se aferre a concepções totalmente equivocadas e que podem levar a um novo período de trevas. Uma nova "Era Dunga", com o pior das eras Lazaroni e Parreira. Nessas horas, quem diria, até o Felipão seria um avanço.

14 de julho de 2007

Vaias e vaias

Esse é o tipo de assunto que vai render textos a rodo através da blogosfera tupiniquim (e alhures, talvez). Todo mundo vai querer opinar sobre a enorme vaia que o Lula recebeu na festa de abertura do Pan.

Bem, eu também quero hablar una cosita sobre o tema.

Primeiro, acho bom verificar bem qual o tipo de público que estava ontem no Maracanã. Povão típico de lá em dia de jogo certamente não era. Parte (não muitos) era de convidados, especialmente do COB, do governo do estado e da prefeitura. Os pagantes tiveram que desembolsar de R$ 20 até R$ 250. Ou seja, não era para qualquer um. Coisa para classe média ou mais. Alguém, com alguma dose de exagero, chegou a chamar de "plateia de brancos". Acho que não chega a tanto.

Depois, correu a boca pequena que haveria (vejam bem, estou falando no condicional) uma "claque" do César Maia, pronta para vaiar o Lula e o Sérgio Cabral e aplaudir o prefeito. Esse tipo de coisa é quase impossível de provar, mas que o prefeito escapou bem das vaias, isso escapou !

Outra explicação que está correndo é sobre uma reação de parte da população carioca, que resolveu abraçar esse Pan como ponto de virada no nível de auto-estima. Ao contrário do que a Globo estava martelando, esse é o PAN DO RIO, não o PAN DO BRASIL. Logo, qualquer elemento estranho mereceria levar um "chega pra lá". Sobrou pro Lula ...

Dito isso, é necessário ressaltar o lado pedagógico do fato. O Presidente da República foi alvo de estrondosa vaia em um ato público, e vai acontecer ... nada. Isso tem nome: democracia. Se faltava algum teste para nossas ainda adolescentes instituições democráticas, não falta mais.

Além disso, é bom que Lula compreenda que nosso povo, pelo menos boa parte dele, não tem ficado nada satisfeito com as atitudes que o presidente vem tomando frente a série de escândalos que vem pontuando seu governo, e também deplora posicionamentos de Lula claramente conflitantes com o ideário dos tempos de oposição.

Existe também, e não pode ser minimizada, a questão da falta de respeito pelo cidadão investido no cargo de Presidente da República, seja ele quem for, especialmente em uma ocasião com tal visibilidade no exterior. Não pegou bem, e ponto.

Para concluir: o país, sem dúvida, está melhor hoje do que em outros tempos, mas não é o paraíso na terra, e esse governo não é isento de erros, apesar do que alguns de seus membros pensam. Um pouco de humildade e autocrítica não fazem mal a ninguém.

7 de julho de 2007

Esclareçam-me, por favor

A propósito do Pan do Rio (aliás, é do Rio e não do Brasil, dona Globo), alguém pode tirar uma dúvida que vem me incomodando?

O estádio inaugurado sábado passado no bairro do Engenho de Dentro e que será utilizado para as provas de atletismo e jogos de futebol, e que está sendo popularmente chamado de Engenhão, tem como nome oficial Estádio João Havellange.

Como o estádio é da Prefeitura do Rio, e creio existir uma lei proibindo dar nome de pessoas vivas para obras públicas, o que diabos é que está acontecendo?

Aguardo ansiosamente respostas dos amáveis leitores.


P.S. Só não vale dizer que o homenageado morreu e não sabe ...

6 de julho de 2007

Meninos, eu vi

Já faz alguns dias estava me coçando para tocar no assunto Joaquim Roriz. E exatamente por que?

Porque, como o título deste post insinua, eu vi o início dessa tragicomédia dos absurdos.

Por um desses acasos, eu passava, por obrigação profissional, uma temporada de dois anos e meio em Brasília que abrangeu a nomeação do Roriz como governador do Distrito Federal pelo Sarney e sua eleição em 1990 para o mesmo cargo.

Eu presenciei a gestação e a implementação da política ultra-fisiológica e demagógica que propiciou a vitória esmagadora naquelas eleições e nas seguintes em que ele se candidatou. Vi nascer Samambaia, uma cidade-satélite formada quase totalmente por uma multidão de migrantes atraídos pela oferta de lotes, e que se transformaria, junto com outras do mesmo naipe, no curralzão eleitoral de Roriz, subjugando a tradição oposicionista do eleitorado do Plano Piloto e das cidades-satélites mais antigas.

Durante todos esses quase 20 anos, todo tipo de negociata foi realizada para beneficiar o grupo que circundava o "coronel" Roriz. O planejamento da capital federal foi subvertido inúmeras vezes para que o grupelho enchesse os bolsos. A imprensa foi silenciada, por cooptação ou por ameaças econômicas. Tudo acontecendo nas barbas dos poderes da República, que nada fizeram ou não conseguiram fazer.

O homem parecia ter sete vidas. Várias vezes pareceu ter chegado seu fim político, por obra de processos que enfrentou, os quais tinham provas robustas contra ele. Nunca deu em nada.

Agora, mais uma vez, Roriz é pego em situação muito comprometedora. Foi obrigado a renunciar ao cargo de Senador para evitar um processo de cassação com perda de direitos políticos. Será que, finalmente, estamos assistindo à derrocada de um dos mais flagrantes e despudorados corruptos que já conhecemos ?

Meninos, tomara que sim. Mas só acredito vendo.


P.S. O título desse post foi inspirado pelo início de um recente do Idelber sobre o apagão aéreo. Mas aqui a safadeza é de outra ordem.

30 de junho de 2007

Réquiem para um site: No Mínimo

Não teve jeito.

O No Mínimo deixou de ser atualizado ontem, 29/06.

Com isso, se encerra uma das mais democráticas vozes da mídia brasileira, qualquer que seja o formato. Uma experiência quase ímpar em termos de possibilidade de discussão de qualquer tema de forma livre, com textos de qualidade e forte interação com o público.

Cinco anos passaram rápido, mas deu para arrebanhar uma legião fiel de leitores e comentaristas, os quais marcaram (para o bem e para o mal) a face do site.

Não sei (e nem sei se quero saber) o que realmente levou ao fechamento do site. Quaisquer que sejam as razões, elas depõem contra o Brasil. Dá até uma certa deprê, uma falta de esperança no nosso futuro enquanto nação livre, democrática e justa.

Pra não ficar só chorando o leite derramado, é bom saber que alguns dos articulistas do site estão iniciando blogs pessoais com algum nível de interligação e seguindo o espírito do site descontinuado. Pedro Doria, Luiz Antonio Ryff, Carla Rodrigues, José Paulo Kupfer, Sérgio Rodrigues e Ricardo Calil já colocaram os seus no ar.

Para todos eles, obrigado, e como diria aquele filósofo de Vulcano: Vida Longa e Prosperidade.

Leão ferido

Tantos dias sem postar nada (falta de tempo e de saúde), e resolvo voltar falando de um tema muito, muito doloroso.

Que é isso, Fortaleza ? Quatro derrotas seguidas na Série B ?

Como um dos elencos mais caros da competição pode estar fazendo uma campanha tão sem ânimo, sem graça e sem despertar a esperança da torcida ? E olha que até começou bem, com três vitórias seguidas. Mas depois foram cinco derrotas em seis jogos. Tá difícil de entender.

A diretoria paga em dia, dá toda a assistência, contrata um técnico que não é nenhum novato (Marco Aurélio), e o time não decola! Só sabe jogar se defendendo, e mal contra-ataca. E quando a torcida chama de "time medroso" eles ainda reclamam ...

Eu sei que ainda estamos chegando à 25% do campeonato, mas algo tem que mudar JÁ. Novos jogadores, talvez novo técnico, um solavanco daqueles no elenco, sei lá. Mas, do jeito que vai, boa coisa é que não vem pela frente.

ACORDA, LEÃO !!!


ATUALIZAÇÃO (03/07) : Caiu o treinador. Contrataram o Amauri Knevitz, campeão paranaense com o modesto Paranavaí. Tomara que desta vez as coisas andem.

22 de junho de 2007

Vem de longe

Certas coisas nunca mudam. Algumas outras só pioram com o tempo.

Digo isso a partir da nota abaixo, pinçada da coluna De Olho no Dinheiro, assinada pelo jornalista Nazareno Albuquerque no jornal O Povo de Fortaleza do último final de semana.

GONTIJO: LOBISTA COM ESTÁGIO NO BEC
O presidente Lula tem razão: lobby é coisa para profissionais, embora cometam trapalhadas públicas. Cláudio Gontijo iniciou o seu "estágio" nesse negócio ainda jovem, em Fortaleza, como oficial de gabinete do então presidente do Banco do Estado do Ceará, Fernando Terra, no governo Gonzaga Mota, idos de 1983. Gontijo, boa pinta e envolvente, intermediou negócios já naqueles anos da complicada administração Terra. Deixou a cidade de repente, quando os negócios por aqui começaram a se complicar para os lados do BEC, onde estariam ocorrendo operações assombrosas. Agora seu nome ressurge, como lobista da empreiteira Mendes Júnior e amigo do senador Renan Calheiros, intermediando auxílio-maternidade ao presidente do Senado.

Para quem não sabe, foi a gestão do citado Fernando Terra que praticamente QUEBROU o Banco do Estado do Ceará, que teve que ser, sucessivamente, colocado sob intervenção do Banco Central, federalizado e privatizado. O erário público nunca foi ressarcido em nenhum tostão.

Pois é, Senador Renan, uma amizade dessas diz muito...


20 de junho de 2007

Reforma Constitucional

O Alon Feuerwerker publicou ontem mais um interessante post sobre a reforma política. Como já deu pra notar, o assunto chama bastante minha atenção, e resolvi fazer um comentário, o qual foi contestado por outro comentarista, e qual por sua vez foi treplicado por mim. Confuso, né?

Para facilitar, vou reproduzir os comentários:

Luiz disse...

Alguém falou que algumas mudanças (parlamento unicameral) exigiriam uma nova constituição.

Volto a perguntar: por que não uma constituinte exclusiva e restrita à reforma da organização política do país ?

Poderiam ser uns 100 ou 120 constituintes, que ficariam impedidos de assumir cargos públicos (eletivos ou não) por uns 6 anos após o encerramento dos trabalhos.


ppaliteiro disse...

Luis, não se brinca com constituinte mesmo localizadas. Nossa constituição atual nasceu da forma que vc colocou: a partir de uma emenda que a grosso modo ia reformar a organização política da constituição 67/69.

A diferença é que havia respaldo popular, estávamos saindo de uma ditadura. Uma constituinte agora, mesmo parcial é colocar o carro na frente dos bois. A ponto de precisarmos de uma constituinte pra resolver qualquer crise e banalizarmos o sentido de se ter constituição.

Seria necessária outra constituição por que só há uma forma de emendar a constituição e ela é cláusula pétrea. A democracia e o processo político são assim: cheios de altos e baixos.


Luiz disse ...

Caro ppaliteiro,

Vamos por partes:

1 - Não acho que haja perigo de uma constituinte exclusiva descambar para uma reforma ampla e geral. Basta que o texto que a convoque seja bem claro e restritivo.

2 - Apesar de serem momentos históricos díspares, penso que uma proposta que ensejasse uma mudança profunda na organização político-partidária-eleitoral teria amplo apoio popular. Até porque essa não é uma crise qualquer. Nossa estrutura de Estado está sendo corroída de maneira lenta porém constante, e o povão começa a se questionar sobre as vantagens da democracia, até atiçado por setores nada democráticos. Esse filme nós já vimos, e sabemos no que deu.

3 - Aferrar-se a certos dogmas, tipo cláusula pétrea, direito adquirido e etc., e por melhores que sejam as intenções, pode significar fazer o jogo dos setores mais conservadores, para dizer pouco.

4- E pra terminar: concordo com você quando fala dos altos e baixos da democracia e do processo político. Mas para a grande maioria do nosso povo sobram apenas os baixos, por obra e graça daqueles que nem é preciso nominar. E quando sobra ...


Quem quiser, não se acanhe. Pode meter a colher nesse angu.

Funcionalidade

Aderi ao Snap Shot. De agora em diante, basta colocar o cursor sobre qualquer dos links e vai aparecer um preview da página. A partir daí o amável leitor decidirá se vale ou não a pena acessar.

Quem não gostar dessa nova funcionalidade pode desabilitá-la em um botão no canto superior direito da janela que aparece.

19 de junho de 2007

É o Brasil ...

Hora de falar rápido (igualzinho a mim mesmo ao vivo):

- Caso Renan: vergonhosa a postura da tropa de choque que defende o senador na Comissão de Ética do Senado. Assistir a sessão de ontem foi deprimente, para dizer pouco. Partiram para cima do advogado da jornalista como cães esfomeados indo direto à jugular. Não tiveram dúvidas de trazer a questão pessoal para a cena aberta. Já na hora de ouvir o lobista, a coisa mudou totalmente de feição. Até elogio emocionado um dos senadores fez. Mas, apesar de tudo que tentaram, essa confusão está longe de acabar. e acho que acaba mal para o senador Renan...

- Pensão para o Lamarca: não é preciso concordar com todas as ideias e ações daqueles que pegaram em armas contra o regime militar para ter que reconhecer o patriotismo dos mesmos. Apesar dos equívocos, eram brasileiros muito dignos. Tentar impingir a eles a pecha de terrorista (especialmente com os contornos que o termo adquiriu nos anos mais recentes) é uma miopia histórica. Eles eram guerrilheiros lutando contra uma ditadura cruel. No caso do Lamarca ainda tentam chamá-lo de desertor. Mas foi o exército que saiu de seu papel constitucional para intervir descabidamente na vida política do país. E para terminar, Lamarca foi morto sem que houvesse confronto, ou seja, foi assassinado. Quanto à indenização em si, talvez valores mais modestos sejam a solução mais adequada.

Em tempo: a nossa "grande" imprensa continua arqui-reacionária. Até quando?

15 de junho de 2007

Rei do gado

Ontem o Brasil conheceu um verdadeiro fenômeno da sua pecuária, tanto na produtividade, verdadeiramente excepcional, quanto na extrema habilidade comercial. Trata-se do Presidente do Senado, Sen. Renan Calheiros.

Não sei o que o Pres. Lula está esperando para nomear o Sen. Renan para o Ministério da Agricultura. O homem é digno de toda a nossa admiração e merece todas as ovações possíveis e imagináveis!!!

Aliás, acho que nesse caso Ministério da Agricultura é pouco. O homem deveria ser nomeado para o cargo de Primeiro-Ministro. O fato de não sermos uma república parlamentarista não importa. Ele é o gerente que o Brasil tanto espera .


O nosso povo merece ...