18 de novembro de 2008

Eles estão de volta (se é que tinham partido...)

Se existe um tema do qual jamais pensei que fosse tratar neste espaço, esse é o da pirataria. Não aquela que ficou famosa nos últimos anos, a pirataria tecnológica, de conteúdo ou de equipamentos. Essa aí até me passou vez ou outra pela cabeça escrever algo.

Eu falo é da pirataria armada, aquela que aterrorizou os mares por milhares de anos. Milhares sim, pois desde os primórdios da antiga Grécia (1300 A.C.), ou nos mares da China e Japão, que o problema existia. Pirataria que teve seu auge no século XVIII, e o Caribe como seu principal teatro. E que desde então foi definhando até se transformar em atividade restrita a alguns portos mal policiados (Santos é constantemente citado...) e algumas regiões do Extremo Oriente.

Pois não é que, de uma hora para outra, descobrimos que a costa da Somália transformou-se em região de intensa atividade de piratas. Dezenas, talvez centenas de navios já foram atacados na região. Semanas atrás, um barco ucraniano carregado de armas para o Quênia foi tomado. Agora foi a vez de um super-petroleiro saudita. Tudo isso aproveitando-se de um governo que na prática não existe, e da passividade (pelo menos até agora) das chamadas grandes potências.

Fico pensando se esse ressurgimento, com tal força, não é mais um subproduto da desastrada administração Bush. Afinal, a administração que está (felizmente) em seus estertores cometeu, dentre seus incontáveis erros mundo afora, equívocos cruciais ao tratar com aquela região. Tendo recebido do governo Clinton uma situação já calamitosa, com o poder na Somália dividido entre senhores da guerra, o governo Bush, sempre obcecado pela luta contra os extremistas islâmicos, deixou passar várias oportunidades de unificar e pacificar a região, apenas porque o poder passaria para um governo com alguma orientação islâmica, mesmo que moderada.

Pois é, os piratas estão de volta às manchetes, e não é por causa de nenhum longa da Disney...

11 de novembro de 2008

Ecos de um conflito quase esquecido

Responda rápido: que dia é hoje?

A maioria vai lembrar rápido da data: 11 de novembro de 2008.

Mas, e daí? O que essa data significa? Não vale olhar a Wikipedia...

Admito que, como fanático por história, essa é uma data da qual sempre soube o significado. Mas esse ano quase passei batido. Ouvindo o rádio hoje pela manhã um locutor indiretamente me refrescou a memória: hoje é o Dia do Armistício.

Que bicho é esse? Bem, é em comemoração à assinatura do cessar-fogo que pôs fim a 1ª Guerra Mundial, em 11 de novembro de 1918. Ou seja, exatos 90 anos.

Se você não é também um tarado por história, e especialmente por temas militares, tenho certeza de que acha essa data apenas mais uma daquelas milhares que estão nos livros didáticos e que não representam basicamente nada. Aliás, representam sim: mais uma brecha para aqueles antigos professores de história que gostavam de obrigar os alunos a decorar fatos e datas sem explicar a verdadeira importância dos mesmos.

É quase um consenso de que a 2ª Guerra foi o último conflito de grande porte onde os lados estavam perfeitamente caracterizados. Sabíamos que estava certo e quem estava errado, quem representava o bem (vá lá...) e quem era a imagem do mal, quem era o agressor e quem era o agredido. E ao final da guerra estava lá o preço pago: aproximadamente 70 milhões de mortos, entre militares e civis.

A 1ª Guerra não teve esse caráter claramente estabelecido, nem durante e principalmente após seu encerramento. A luta entre as potências imperialistas parecia inevitável no final do século XIX e início do século XX, com cada uma procurando se preparar da melhor forma possível, incluindo uma política de alianças que tirava quase qualquer margem de manobra dos defensores da diplomacia. A "paz armada" era a tônica, e bastaria um estopim para abrir a caixa de Pandora...

Quando chegamos à novembro de 1918, depois de 4 anos de lutas e atrocidades (não esqueçam o genocídio contra os armênios...), em que grande parte dos armamentos hoje utilizados (e até alguns que foram posteriormente proibidos...) tiveram sua origem, que destruíram totalmente qualquer ideal romântico-nacionalista que grandes parcelas das populações tinham quando da eclosão das hostilidades, e depois de quase 20 milhões de mortos, o mundo havia mudado mais profundamente do que nos 50 anos anteriores, e as marcas do conflito e dos tratados de paz que o seguiram acabariam dando o mote para a matança subsequente.

Ou será que alguém imagina que aquele austríaco que serviu como cabo no exército alemão teria conseguido realizar toda aquela "obra" sem que existisse na Alemanha dos anos 20 um terreno fértil para as suas pregações extremistas? Ou que os totalitarismos italiano, japonês e, de certa forma, o stalinismo, são em boa medida filhos da chamada Grande Guerra ?

Em meados dos anos 90, alguns analistas diziam que o século XX começou e terminou no mesmo lugar: Sarajevo. Das balas que mataram o arquiduque austríaco em 1914 até o conflito entre sérvios, bósnios e croatas por nacos da então Iugoslávia, parece que realmente as mudanças não foram tantas assim.

Se bem que, sobre o real fim do século XX, a Al-Qaeda tem opinião diferente...


5 de novembro de 2008

Presidente Barack Hussein Obama



Parabéns ao presidente eleito, ao povo americano e a todos os habitantes do planeta.

Esperemos que, de fato, a esperança na mudança se materialize.



P.S. Belo presente de aniversário que eu e o PD ganhamos...

4 de novembro de 2008

E eles estão votando...

Chegou o dia ansiosamente esperado pelos americanos e, gostemos ou não, pelo resto do mundo. Hoje os eleitores dos Estados Unidos escolhem seus novos dirigentes, em especial seu novo presidente.

Barack Obama ou John McCain?

Se as últimas pesquisas estiverem certas, Obama leva essa sem dramas exagerados. O que parecia 90 dias atrás ser uma disputa acirrada transformou-se em provável vitória folgada dos democratas. A grave crise econômica tirou o chão sob os pés dos republicanos, e jogou o americano médio nos braços de Obama. Junte-se a isso o descalabro dos últimos oito anos de era Bush e o cenário está montado.

Não dá para esquecer o fato de que Barack pode ser o primeiro não-branco a chegar ao comando da Casa Branca, algo impensável até bem pouco tempo. Prova que o país mudou muito desde os conflituosos anos 60, onde a luta pelos Direitos Civis atingiu seu ápice. Óbvio que nem todos mudaram, como bem sinalizaram diversos episódios desta campanha. Mas que as coisas estão em mutação no Grande Irmão do Norte não dá para negar...

Este blog, bem lá atrás, deixou clara sua simpatia pelo candidato democrata. Um pouco por ideologia pessoal e muito por achar que o resto do mundo merece lidar com um líder americano minimamente decente e esclarecido.

As próximas horas mostrarão se teremos essa chance.

1 de novembro de 2008

Está tudo lá em "West Wing"...


Dando uma espiada nos jornais on-line esses dias, dei de cara com este artigo do NYT. Bastou ler os primeiros parágrafos para ficar impressionado no modo como aquele velho bordão de que "a vida imita a arte" pode ser estar sendo novamente reiterado.

"Quando Eli Attie, um redator da série "The West Wing", preparava-se para escrever alguns episódios na sexta temporada sobre a improvável candidatura presidencial de um jovem congressista democrata, ele pegou o telefone e ligou para David Axelrod.

Attie, um ex-redator de discursos para Al Gore, e Axelrod, um consultor político, haviam cruzado caminhos anteriormente em campanhas políticas. "Eu telefonei-lhe e disse: 'Fale-me sobre Barack Obama'", disse Attie.

Dias depois de Obama, então um senador estadual em Iliinois, fazer um elogiado discurso na Convenção Nacional Democrata de 2004, os dois homens tiveram várias e longas conversas sobre a recusa dele em ser definido por sua raça e suas aspirações em ultrapassar a barreira partidária. Axelrod estava então trabalhando na campanha de Obama para o Senado dos Estados Unidos. Agora ele é o estrategista-chefe da campanha presidencial de Obama.

Quatro anos mais tarde, os escritores de "The West Wing" estão assistindo espantados como a eleição está se desenvolvendo. O paralelismo entre as duas temporadas finais da série (que terminou sua exibição pela NBC em maio de 2006) e a atual campanha é inconfundível. A ficção, mais uma vez, prenunciou a realidade.


Resumindo (mais ou menos...), para quem não quiser ler o artigo original, ou não conhece bem a série (particularmente, adorava essa série, mas as duas últimas temporadas não pude acompanhar com deveria):

- O personagem Matthew Santos, interpretado por Jimmy Smits, é um congressista novato, de origem hispânica, carismático, bom de mídia, com duas filhas pequenas, e que, frustrado com a polarização que encontrou em Washington, resolve entrar na disputa pela indicação democrata à presidência e, contra todos os prognósticos, vence os candidatos mais conhecidos do partido.
- No anúncio da candidatura, Santos diz a seus apoiadores: "Estou aqui para dizer que a esperança é real... Numa vida de escolhas, em um mundo de desafios, a esperança existe". (Só faltou a plateia gritar "Yes, we can.")
- O candidato republicano é o senador Arnold Vinick, interpretado por Alan Alda, com seus cabelos brancos, firmemente contra impostos, com fama de falar o que pensa e capaz de atrair os moderados.
- Santos escolheu para vice um veterano democrata capaz de somar experiência em política externa, enquanto Vinick escolheu um governador ferozmente conservador.
- Da mesma forma que na campanha real, os democratas usaram contra Vinick o argumento da idade e da falta de familiaridade com as novas tecnologias. Ao mesmo tempo, o candidato republicano era acusado por setores de seu partido de não ser "conservador o suficiente".
- Apesar de procurar ser um candidato acima das barreiras raciais, Santos fez, em um momento crítico da campanha, um discurso sobre o tema, e reservadamente se preocupava se os eleitores iriam votar em um candidato vindo de uma minoria.
- Semanas antes da eleição, o presidente de então, Jed Bartlet, interpretado por Martin Sheen, convoca os dois candidatos até a Casa Branca para discutir uma grave e inesperada crise.

Bem, no final, Santos venceu apertado. Será esse um sinal para o que esperar da eleição real? Saberemos em breve.

Mas um blog do jornal inglês The Independent (a série continua no ar na Inglaterra e é muito popular) já estampou: "Barack Obama will win: It’s all in ‘The West Wing.’ "

28 de outubro de 2008

Concentração de craques



Didi, Bobby Charlton, Falcão, Garrincha, Lev Yashin, Pelé, Maradona, Van Basten e Fritz Walter.

O que estes craques tem em comum, além do talento indiscutível? Todos nasceram no mês de Outubro.

Achou pouco? E se acrescentarmos Figueroa, Maspoli, Perfumo, Deyna, Pagão, Kopa, Sívori e George Weah ?

Deve existir alguma razão para tantos jogadores extraordinários (incluindo os três maiores) nascerem na mesma época do ano. Deve ser algo nos astros, dirão alguns. Simples coincidência, dirão os céticos.

E claro, você pode argumentar: Dunga também é de Outubro... Exceção que confirma a regra, caro amigo.

Ocorre que, porém, existe outra corrente de pensamento. Ela não olha para o mês e sim para o signo do zodíaco. Os nascidos entre 23 de outubro e 22 de novembro são do signo de Escorpião, segundo os adeptos da Astrologia.

Pelé, Maradona, Van Basten, Fritz Walter, Figueroa e Deyna, dentre os citados acima, nasceram no final de Outubro.

E a relação dos nascidos no início de Novembro também não é fraca: Gerd Muller, Paolo Rossi, Vavá, Ademir, Domingos da Guia, Uwe Seeler e Heleno de Freitas. Uma mistura de cracaços com artilheiros consagrados.

E aí? Qual será a teoria correta (se é que alguma delas está correta)?


E se alguém lembrar de mais algum destacado jogador nascido nessa época, por favor...


Atualização: Bem no dia em que decido citá-lo, Maradona foi escolhido novo técnico da Argentina. Imaginem, ele e Dunga na beira do mesmo gramado...

25 de outubro de 2008

O Barco

Uns dias atrás, batendo papo na caixa de comentário do PD, falei que um dos filmes do qual mais gostava era o alemão Das Boot, que ganhou o título em português de O Barco - Inferno em Alto Mar.

Dirigido em 1981 por Wolfgang Petersen, é com certeza um dos 5 melhores filmes de guerra já realizados (muitos consideram que é o melhor) , e mostra a vida dentro de um submarino alemão durante a 2ª Guerra Mundial com imenso realismo. Posteriormente, todo o material gravado foi transformado em uma mini-série para TV, com 6 episódios de 50 minutos.

Procurei no YouTube vídeos que dessem uma amostra do que é o filme. Não encontrei nenhum totalmente adequado, porém escolhi três.

O primeiro é o trailer da mini-série:




O segundo é praticamente o início do filme, com o capitão chegando para conhecer seu submarino e sua tripulação, e o começo da viagem. A qualidade da imagem é bem superior ao primeiro, mas falta a ação.




E o terceiro é um clipe da música Das Boot, do genial grupo Kraftwerk, um dos pais da música tecno.



Aproveitem.


Atualização: Nos comentários, o Bruno corrigiu uma informação do post relacionada ao terceiro vídeo.

"O remix baseado na trilha sonora original do filme não foi de fato criada pelo Kraftwerk, mas sim pelo U96. Aliás, essa versão é de 1991, muuuuito depois de nossos amigos da Usina de Força terem se firmado como um dos pais da música eletrônica. A confusão é comum pois em algum VMA aí (que eu não lembro exatamente qual o ano, mas nada muito antigo), eles resolveram fazer uma homenagem aos seus conterrâneos fazendo um "remix do remix", já que a música fez relativo sucesso na sua determinada época. Junto com a confusão coletiva de programas nojentos como eMule e derivados, fica estabelecida a dúvida."

17 de outubro de 2008

90 anos de glórias - Salve o Fortaleza Esporte Clube


Hoje a metade tricolor e cearense do meu coração completa 90 anos.

Em 18 de outubro de 1918 um grupo de jovens fortalezenses entusiastas do futebol, liderados por Alcides Santos, fundou o glorioso FORTALEZA ESPORTE CLUBE, aquele que viria a se tornar o maior vencedor na história futebolística do estado e que hoje é dono da maior torcida do estado (segundo pesquisa do Datafolha).

Difícil e até desnecessário listar todas as conquistas do Leão do Pici, do Clube da Garotada, do dono do Parque dos Campeonatos, afinal, do Tricolor de Aço.. O site oficial faz isso de forma mais eficiente.

Por mim, fico com a lembrança do dia em que passei a torcer pelas cores do Leão. Foi no distante ano de 1969, na decisão do campeonato cearense daquele ano. E sei que fui apenas mais um dos garotos mal saídos das fraldas e que foram capturados pela onda de emoção que percorreu a cidade.

Atualmente, por uma série de erros administrativos, a equipe atravessa uma fase muito complicada, com real ameaça de rebaixamento na Série B do Brasileiro. O coração apertado de cada torcedor tricolor acredita piamente que isso não acontecerá, e que sairemos ainda maiores desta fase negra. Porém, se o destino nos mostrar sua face mais áspera, nenhum dos milhões de admiradores do Leão deixará de estar ao seu lado, aconteça o que acontecer, pois o amor incondicional e infinito que dedicamos ao FORTALEZA estará, sempre, acima de momentos de maior ou menor felicidade.

Salve o meu, o nosso Leão do Pici, o indestrutível FORTALEZA.




P.S. 1- Se você ficou curioso sobre a outra metade do meu coração, leia isto aqui. Verá que uma honra a outra.
2- O dia 18 de outubro deve ser realmente mágico. Afinal de contas, um Anjo nasceu nesse dia. O único a se aproximar do Rei.

Santíssima Trindade do tênis feminino

Eu sempre gostei de Tênis. Alguns dos atletas que mais admiro, do presente e do passado, são deste esporte. Roger Federer, Marat Safin, Boris Becker, Bjorn Borg, Martina Navratilova, para ficar nos estrangeiros. Guga e Fernando Meligeni, dos de casa.

Como se não bastasse, tem um caminhão de jogadoras que são um ... colírio. Fiquemos com esse adjetivo, simples porém exato.

Querem um exemplo?


Maria Sharapova, Ana Ivanovic e Daniela Hantuchova.

Uma russa, a outra sérvia e a terceira eslovaca.

Perfeitas.


Alguma dúvida? Então lá vai...






13 de outubro de 2008

Cordiais saudações aos amigos d'além-mar

Desde o início das atividades deste blog, sempre tivemos um pequeno porém significativo número de visitas originadas em Portugal. Em média é a 3ª maior fonte de visitantes, atrás apenas do Brasil e dos Estados Unidos, ficando entretanto bem a frente de todos os demais países.

Nos últimos dias, entretanto, detectei um muito expressivo aumento das visitas vindas de Portugal. Procurei identificar a razão, porém não fui bem sucedido.

Seja lá qual o motivo desse incremento, mando desde este cantinho do Atlântico Sul que olha diretamente para o norte um mui fraternal abraço aos amigos da pátria-mãe, e os convido a deixar suas impressões sobre as irrelevâncias aqui tratadas.

10 de outubro de 2008

Um conservador com bom-senso e clareza

Se você acompanha este blog sabe que encontrará aqui posições que podem ser enquadradas como, no mínimo, progressistas. Raramente concordo com as correntes conservadoras do pensamento, político e econômico, apesar de respeitar alguns de seus expoentes pela honestidade e clareza.

Exatamente por isso, considero importante transcrever este artigo de David Brooks, colunista do The New York Times, onde ele analisa a situação atual do Partido Republicano à luz de suas ações nas últimas décadas. Óbvio que não se precisa concordar com tudo que ele escreveu, mas certamente é um retrato claro e honesto da situação dos conservadores americanos.

Aviso: se o seu inglês for pelo menos mediano, vá direto ao artigo original. Poupe-se de ter que digerir o trabalho de um tradutor de quinta categoria (este que vos escreve)...


O conservadorismo moderno começou como um movimento de intelectuais dissidentes. Richard Weaver escreveu um livro chamado, "As idéias têm conseqüências." Russell Kirk colocou Edmund Burke em um contexto americano. E William F. Buckley cunhou a célebre frase em que ele disse preferir ser regido pelos 2000 primeiros nomes na lista telefônica de Boston do que pela faculdade de Harvard. Mas ele não acreditava que aquelas eram as duas únicas opções. Sua vida toda foi uma celebração dos valores urbanos, da sofisticação e da aplicação rigorosa e constante do intelecto.

Impulsionada por uma necessidade de envolver os formadores de opinião, os conservadores tentaram construir uma alternativa intelectual ao sistema com grupos de reflexão e revistas. Eles desprezavam as idéias liberais dos acadêmicos, mas não desprezavam a idéia de uma mente cultivada.

Ronald Reagan não era nenhum intelectual, mas ele tinha uma fervorosa fé em idéias e passou décadas trabalhando através delas. Ele tinha raízes no Centro-Oeste, mas também amava Hollywood. E por um tempo, parecia que o Partido Republicano seria uma ampla coligação – valores das pequenas cidades do interior unidos à força das regiões costeiras.

Em 1976, em uma eleição apertada, Gerald Ford ganhou toda a Costa Oeste, juntamente com estados do nordeste, como Nova Jersey, Connecticut, Vermont e Maine. Em 1984, Reagan ganhou todos os estados, exceto Minnesota.

Mas, nas últimas décadas, o Partido Republicano afastou as pessoas que vivem nas grandes cidades, em regiões altamente educadas e nas regiões costeiras. Este afastamento teve muitas causas. Mas a principal é essa: estrategistas políticos republicanos decidiram mobilizar a sua coligação para uma forma de guerra de classes. Como os democratas continuaram nomeando candidatos ligados às áreas costeiras, como Michael Dukakis, logo os republicanos atacaram tudo que tivesse origem nessas áreas.

Ao longo dos últimos 15 anos, o mesmo argumento foi ouvido de milhares de políticos e de centenas de apresentadores de televisão e de rádio. A nação estaria dividida entre os Zé-Ninguém do interior e os ultra-sofisticados, super-educados e hiper-secularizados imigrantes das grandes cidades costeiras.

O que tinha sido um desprezo pelos intelectuais liberais escorregou para um desdém com a classe instruída como um todo. Os liberais tinham apoio das áreas desenvolvidas, de forma que os conservadores desenvolveram o seu próprio anti-elitismo, com suas próprias categorias e ressentimentos, mas com o mesmo efeito corrosivo.

Os Republicanos desenvolveram seu próprio estilo liderança. Se os líderes Democratas prezavam deliberação e auto-exame, os republicanos iriam governar a partir do intestino.

George W. Bush refreou alguns dos excessos populistas de seu partido - o fervor anti-imigração, o isolacionismo - mas estilisticamente ele encaixou-se perfeitamente. Como Fred Barnes, escreveu em seu livro, "Rebel-in-Chief," Bush "reflete a opiniões políticas e gostos culturais da grande maioria dos americanos que não vivem ao longo das Costas Leste ou Oeste. Ele não é alguém sofisticado e não gasta o seu tempo livre com pessoas sofisticadas. Como a Primeira Dama Laura Bush disse uma vez, o presidente e ela não vieram a Washington para fazer novos amigos. E eles não fizeram... "

Os efeitos políticos dessa tendência tem sido evidentes. Republicanos alienaram as regiões fortemente educadas - Silicon Valley, norte da Virgínia, os subúrbios de Nova York, Filadélfia, Chicago e Raleigh-Durham. A Costa Oeste e Nordeste, em grande parte, se foram.

Os republicanos também alienaram todas as profissões. Os advogados agora doam para o Partido Democrata a mais que ao Partido Republicano na proporção de 4 para 1. Com os médicos, é 2 para 1. Com os executivos da área de tecnologia, é 5 para 1. Com trabalhadores do setor financeiro é de 2 para 1. Foi preciso talento para os republicanos perderem a comunidade bancária...

Os conservadores são tão raros na elite universitária e nos principais meios de comunicação como eram há 30 anos. Os jovens americanos mais inteligentes são educados em um ambiente esmagadoramente liberal.

Este ano as coisas poderiam ter mudado. O G.O.P. tinha três candidatos presidenciais de origem urbana. Mas os clichês radicais assumiram o controle. Rudy Giuliani desdenhou dos cosmopolitas na convenção republicana. Mitt Romney fez um discurso atacando as "elites do leste." (Logo Mitt Romney!!!) E John McCain escolheu Sarah Palin.

Palin é inteligente, politicamente qualificada, corajosa e amável. Seu desempenho na convenção e no debate foi impressionante. Mas nenhum político americano usa a carta do radicalismo tão constantemente como Palin. Ninguém tão inexoravelmente divide o mundo entre os "João-Ninguém americanos normais" e as elites.

Ela é mais um passo na mudança de personalidade Republicana. Antigamente, os conservadores admiravam Churchill e Lincoln acima de tudo - homens de origens e formações completamente diferentes, que se prepararam para a liderança através de constante leitura, compreensão histórica e pensamento sofisticado. Agora, esses atributos caíram de joelhos frente ao senso comum.

E assim, politicamente, o G.O.P. é espremido em ambas as extremidades. O partido está perdendo a classe trabalhadora por omissão - porque não têm desenvolvido políticas para tratar ansiedade econômica. E ele perdeu a classe instruída por ação - por dizer aos seus membros para ir embora.

8 de outubro de 2008

Para não dizerem que ninguém lembrou

Soy loco por ti, América
(Capinam - Gilberto Gil)
(Gravação original: Caetano Veloso)

Soy loco por ti, América
Yo voy traer una mujer playera
Que su nombre sea Marti
Que su nombre sea Marti...

Soy loco por ti de amores
Tenga como colores
La espuma blanca
De Latinoamérica
Y el cielo como bandera
Y el cielo como bandera...

Soy loco por ti, América
Soy loco por ti de amores...(2x)

Sorriso de quase nuvem
Os rios, canções, o medo
O corpo cheio de estrelas
O corpo cheio de estrelas
Como se chama amante
Desse país sem nome
Esse tango, esse rancho
Esse povo, dizei-me, arde
O fogo de conhecê-la
O fogo de conhecê-la ...

Soy loco por ti, América
Soy loco por ti de amores...(2x)

El nombre del hombre muerto
Ya no se puede decirlo, quién sabe?
Antes que o dia arrebente
Antes que o dia arrebente...

El nombre del hombre muerto
Antes que a definitiva
Noite se espalhe em Latino américa
El nombre del hombre
Es pueblo, el nombre
Del hombre es pueblo...

Soy loco por ti, América
Soy loco por ti de amores...(2x)

Espero o manhã que cante
El nombre del hombre muerto
Não sejam palavras tristes
Soy loco por ti de amores
Um poema ainda existe
Com palmeiras, com trincheiras
Canções de guerra
Quem sabe canções do mar
Ai hasta te comover
Ai hasta te comover...

Soy loco por ti, América
Soy loco por ti de amores...(2x)

Estou aqui de passagem
Sei que adiante
Um dia vou morrer
De susto, de bala ou vício
De susto, de bala ou vício...

Num precipício de luzes
Entre saudades, soluços
Eu vou morrer de bruços
Nos braços, nos olhos
Nos braços de uma mulher
Nos braços de uma mulher...

Mais apaixonado ainda
Dentro dos braços da camponesa
Guerrilheira, manequim, ai de mim
Nos braços de quem me queira
Nos braços de quem me queira...

Soy loco por ti, América
Soy loco por ti de amores...(4x)


Sim, "el nombre del hombre muerto"...

Hoje é 08 de outubro.

Passados 41 anos, você realmente acha que ele morreu?


28 de setembro de 2008

Pequeno pedaço de um mundo perfeito



Será que sou apenas eu que acho essa foto muito representativa do que poderia ser o normal da humanidade?

Que ela deveria ser a regra e não a exceção?


(Via FiveThirtyEight )

25 de setembro de 2008

Sacanearam legal...

Uma das minhas poucas fixações (Ok, nem tão poucas assim...) diz respeito a Star Trek, popularmente conhecida em terras tupiniquins como Jornada nas Estrelas. Tudo ligado às séries de TV ou filmes da saga me atraem feito formiga por açúcar, ou coisa do tipo.

Por isso, quando soube que estava sendo preparado um novo longa-metragem, me animei todo. Acompanhei a escolha do elenco, primeiros detalhes do enredo, etc. Entretanto, quando saiu a data provável de lançamento do filme, para o Natal de 2008, resolvi fazer algo diferente. Deixei de buscar informações e resolvi que queria ser surpreendido pela obra. Nada de sites oficiais ou oficiosos, e mesmo alguma notícia em portais procurava não ler. Ia ser o meu presente particular de fim-de-ano.

Estava resistindo bem, mas hoje, enquanto navegava na Web e tentei acessar um site na minha lista de favoritos, acidentalmente cliquei no link do site oficial da saga. Já que estava lá, bati os olhos rapidamente para ver ser havia alguma novidade relacionada às series televisivas. Porém, lá no final da página, dei de cara com um pequeno banner e nele uma informação terrível:

Star Trek the Movie - 05.08.09

Traduzindo, vou ter que aguardar até maio do ano que vem para assistir o filme?

Olha, dessa vez fiquei realmente p... da vida. Sacanagem tem limite, mermão...

23 de setembro de 2008

O poeta vive

A exatos 35 anos nos deixava Pablo Neruda.

Um câncer o poupou de ter de assistir seu amado Chile ser pisoteado quase até o limite pela ditadura que se instalara 12 dias antes.

Poucos anos depois, talvez por volta de 1976, me caiu às mãos a sua autobiografia, Confesso que Vivi. Marcou-me de maneira indelével, apesar de eu ser jovem demais para compreender o personagem em sua totalidade.

Uma pequena homenagem:


Tuas mãos

Quando tuas mãos saem,
amada, para as minhas,
o que me trazem voando?
Por que se detiveram
em minha boca, súbitas,
e por que as reconheço
como se outrora então
as tivesse tocado,
como se antes de ser
houvessem percorrido
minha fronte e a cintura?

Sua maciez chegava
voando por sobre o tempo,
sobre o mar, sobre o fumo,
e sobre a primavera,
e quando colocaste
tuas mãos em meu peito,
reconheci essas asas
de paloma dourada,
reconheci essa argila
e a cor suave do trigo.

A minha vida toda
eu andei procurando-as.
Subi muitas escadas,
cruzei os recifes,
os trens me transportaram,
as águas me trouxeram,
e na pele das uvas
achei que te tocava.
De repente a madeira
me trouxe o teu contato,
a amêndoa me anunciava
suavidades secretas,
até que as tuas mãos
envolveram meu peito
e ali como duas asas
repousaram da viagem.



Fantasia feita realidade

Esta é uma daquelas notícias que são quase irresistíveis e precisam ser propagadas. Até que ponto ele é totalmente verdadeira, bem, isso é outra conversa...

Dêem uma olhada na foto abaixo:


Essas são as gêmeas argentinas Marisa e Liliana Kuegler, de 25 anos, iniciantes na carreira de modelo e que moram na cidade misioneira de San Vicente.

Até aí nada de mais. Porém, conforme declarações dadas pela dupla, a conhecida e estreita ligação que costuma ocorrer entre gêmeos chegou a um novo patamar.

Elas afirmaram dividir tudo, inclusive um único noivo. Sim, um felizardo mantêm um relacionamento com as duas ao mesmo tempo. E quando eu falo ao mesmo tempo, é em sentido bem abrangente...

E aparentemente essa não é a primeira vez que as irmãs repartem um mesmo homem. Um outro rapaz passou por essa insólita experiência, mas achou melhor pular fora...

Sendo verdade (e não golpe publicitário), e apesar das irmãs não serem nenhuma coisa do outro mundo, fica a constatação:

Tem uns caras com uma sorte realmente inacreditável...



(Dica do
Antena Paranóica)


18 de setembro de 2008

Imagem irretocável

De vez em quando este espaço traz imagens que dispensam maiores explicações. Falam por si.

A de hoje, roubada lá do Hermenauta, é da Governadora do Alasca, Sarah Palin, em seu gabinete.


16 de setembro de 2008

Ainda o inferno no Chile

(Dica do Diogo nos comentários do post anterior)

Este é um documentário sobre o inferno em que se tornou o Estádio Nacional de Santiago entre Setembro e Novembro de 1973.



As partes restantes: Parte 2, Parte 3, Parte 4, Parte 5, Parte 6, Parte 7, Parte 8, Parte 9 e Parte 10.

11 de setembro de 2008

Um aniversário infame. Não aquele, o outro.

Quando se fala em 11 de setembro, quase qualquer pessoa no mundo automaticamente pensa nos atentados de 2001 contra alvos americanos e que deixaram cerca de 4.000 mortos. Foi o ato brutal que, de fato, iniciou o novo século, e junto com ele uma nova fase de medo, ódio e desconfiança, tudo misturado, entre o Ocidente e parte do Oriente. Papo pra outra hora.

Para grande parte dos latino-americanos com mais de 40 anos, porém, a data, antes de 2001, era lembrada por outra tragédia, que provocou um número bem superior de mortos (cálculos variam de 15.000 a 30.000), e marcou de maneira indelével a história do Chile, em particular, e da América Latina como um todo.

Claro que estou falando do infame golpe militar que, com o apoio e colaboração dos Estados Unidos, derrubou em 1973 o governo legitimamente eleito do socialista Salvador Allende, que liderava uma coalizão de forças de esquerda, e que acabou vindo a falecer em circunstâncias ainda não totalmente esclarecidas. Pode ter sido suicídio (provável) ou assassinato. Talvez nunca tenhamos certeza.

Além dos democratas chilenos de todos os matizes, a repressão assassina executada pelos comandados daquele cujo nome me recuso a escrever buscou atingir o grande número de cidadãos de outros países que tinham buscado refúgio no Chile fugindo das ditaduras de seus respectivos países. Muitos pagaram com a vida. Milhares tiveram que fugir às pressas.

Domingo passado, assistindo o jogo da seleção brasileira em Santiago, a lembrança do campo de concentração em que se tornou o Estádio Nacional me turvou a vista.

Hoje completam-se 35 anos daquele dia trágico. As cicatrizes ainda não fecharam por completo, apesar dos novos tempos vividos pelo país andino e por quase todo o continente, e é dever de todos os amantes da liberdade não deixar que essa data seja esquecida, como um alerta contra o facismo obscurantista e sanguinário.


P.S. Ia esquecendo: de maneira indireta, o golpe apressou a morte do genial Pablo Neruda.


30 de agosto de 2008

Um mestre e seu pai



Momento raro: mestre Cartola e seu pai.

E ele toca "O mundo é um moinho".

Genial.

28 de agosto de 2008

Pra não deixar dúvidas


A foto acima elimina quaisquer dúvidas sobre o porquê deste blog torcer pela eleição de Barack Obama para a presidência do Grande Irmão do Norte.

25 de agosto de 2008

Cara de pau olímpica

Acabaram as Olimpíadas e, de novo, o Brasil teve desempenho bisonho, quaisquer que sejam os parâmetros de medição (população, PIB, gastos com a preparação, etc.). Mas isso não foi surpresa pra ninguém. Um país como o nosso que trata tão mal seus esportistas, em qualquer nível, não pode esperar coisa melhor. Quando mesmo um medalhista de ouro, como o César Cielo, tem queixas ( o cara tá ali porque foi "paitrocinado"), o que dizer da grande maioria dos abnegados que foram a Pequim e do exército de desvalidos que não teve essa chance? Um país onde a educação como um todo, e a educação física em especial, é jogada às traças não poderia mesmo ter números olímpicos diferentes.

Aí chega uma figura patética como a do presidente do Comitê Olímpico Brasileiro, Carlos Arthur Nuzman, e vem tentar dar uma de joão-sem-braço e dizer que estamos avançando. Tenta justificar os gastos enormes e sem transparência, mas se enrola todo.

O homem é um cara de pau a toda prova. Tortura os números, mas nem assim eles confessam o que ele gostaria. A verdade é que novamente fomos muito mal, e a quase totalidade das medalhas veio como fruto de esforços individuais de atletas diferenciados e/ou do trabalho sério de raras confederações desportivas. Se fossemos depender do COB ou da grande maioria das entidades envolvidas, inclusive do Ministério dos Esportes, a coisa seria pior ainda. Ou a coisa muda desde a base, nas escolas e centros esportivos públicos, ou vamos ficar marcando passo por muito tempo ainda.


Enquanto isso, a direção do COB (e muita gente mais) só pensa em Olimpíada no Rio em 2016, apesar das absolutas carências estruturais das quais a cidade e o país são acometidos.

Advinha o por que ?


19 de agosto de 2008

Uma imagem, dois assuntos


A imagem acima (fonte:AP) serve muito bem para tratar de dois temas.

O primeiro, e óbvio, é a discussão sobre o uso de algemas. Tem gente vendendo a idéia de que a restrição ao uso das mesmas é um grande avanço no campo dos direitos individuais, e que confronta a prepotência e o abuso policiais. Interessante como o tema só apareceu quando alguns endinheirados e políticos passaram a freqüentar, mesmo que rapidamente, o xilindró. Enquanto era o povão, muito bem sintetizado nos 3 P (preto, pobre e p...ta), o alvo quase único das forças policiais, o assunto dormia em berço explêndido. Ah! meu Brasil brasileiro... A foto prova que na "terra da liberdade" a coisa é sem exceções...

O outro tema é que a foto mostra uma das explicações da total perda de condições emocionais e de raciocínio, especialmente nos últimos dias, do treinador Dunga. 3 X 0 pra Argentina teria que ter uma explicação justa...


***

Dica da Nhé!

12 de agosto de 2008

Georgia on my mind (or sight...)

Nesse momento, o assunto mais tratado por aí, depois das Olimpíadas, é o arranca-rabo entre Geórgia e Rússia, com Ossétia e Abcássia (ou Abicássia ou Abkhazia) como panos de fundo (epa!!!)

Não estou com muito ânimo para tratar do assunto, especialmente em profundidade, mas estava matutando aqui com meus botões se aqueles territórios valem uma guerra. Ok, quase nada justifica uma guerra, principalmente terras.

Daí, resolvi dar uma olhada nos dados geográficos e históricos da Geórgia, Ossétia do Sul e Abcássia, e descobri alguns números dignos de nota, por várias razões.

Primeiro a Geórgia. O país todo (incluído as províncias rebeldes) mede 69.700 km quadrados. Para efeito de comparação, é pouca coisa maior que a Paraíba. A população é estimada em 4.660.000 habitantes. De novo, um pouco maior que a da Paraíba. Sentiram o drama ?

A Ossétia do Sul tem 3.900 km quadrados e cerca de 70.000 habitantes. Ou seja, é menor que o Distrito Federal e tem população de menor que a bairro onde eu moro.

Já a Abcássia mede 8.600 km quadrados e tem 250.000 habitantes. Alguns bairros de porte médio em São Paulo tem mais gente ...

Procurando as origens históricas das duas regiões conflagradas, achamos também fatos interessantes. Por exemplo, parte da Abcássia situa-se na área ocupada pela antiga Cólquida. O nome parece familiar? Você já leu ou assistiu "Jasão e os Argonautas"? Pois é, aquela terra no fim do mundo onde os heróis foram procurar o Velocino de Ouro chamava-se Cólquida...

E você por acaso imaginava que os ossétios podem ser considerados nossos primos distantes? Explico: a origem do povo ossétio vem do povo alano, que habitava as estepes russas até ser expulso pelos hunos. Parte desse povo deslocou-se para o Cáucaso e fixou-se no que hoje é a Ossétia. Outra parte uniu-se a outras tribos bárbaras na invasão do Império Romano e foi parar, junto com suevos e vândalos, numa região chamada ... Ibéria. A sede do reino alano ficava onde hoje é a cidade de Beja, Portugal.

Logo...


****

Agora falando sério, aqui e aqui duas boas análises do conflito.

8 de agosto de 2008

Tocando a bola

Depois de 3 semanas de férias e mais alguns dias colocando o trabalho em ordem, é hora de retomar as atividades nesta bodega. Aliás, é melhor eu recomeçar logo, porque ela e ele estão me cobrando, e eles não pedem, mandam.

Pitacos rápidos:

- Hoje é a abertura das Olimpíadas de Pequim (escrevo exatamente durante a festa, espetacular). Estou começando a concordar, mesmo que parcialmente, com alguns que levantam paralelos entre esses Jogos e os de Berlim, em 1936. Claro que, apesar de todos os defeitos do autoritário regime chinês, ele não se iguala à tirania nazista. Mas a obsessão em vender uma imagem que, sabemos, é essencialmente de fachada abre espaço para as comparações.

- O STF tomou esta semana duas decisões relevantes, ainda que polêmicas. Primeiro foi a garantia de registro das candidaturas de políticos que respondam a processos judiciais ainda sem decisão definitiva. Depois foi a restrição ao uso de algemas por autoridades policiais. Sem entrar no mérito da correção jurídica das decisões (que até aceito existir), ambas passam uma mensagem ruim para a população de que as leis no Brasil protegem especialmente os poderosos, se não na sua letra, pelo menos em sua aplicação.

- Também nesta semana tive uma agradável surpresa, daquelas que a Internet proporciona de vez em quando. Descobri que um dos blogueiros que mais admiro, e que é minha leitura diária obrigatória, o ainda não devidamente exaltado Hermenauta, foi aluno de uma instituição de ensino e formação profissional que eu também frequentei, com alguns anos de diferença. Eu sempre achei que naquele estilo de escrever tinha algo familiar...

- E vimos ressurgir das profundezas um monstro digno dos piores filmes trash. Nada menos do que o cabo Anselmo resolveu dar o ar de sua (des)graça, e anunciou que pretende se candidatar à Presidência da República com um discurso de extrema-direita. seria cômico se não fosse trágico...

- E pra terminar por agora, alguém por favor me indique um pai-de-santo com retrospecto invejável e que possa assumir o encargo de salvar dois (eu disse dois) times do rebaixamento. Um na Série A e outro na Série B. Peço agilidade na informação e depois no serviço, pois a coisa já está pra lá de desesperante...

24 de julho de 2008

Dama de Negro

Interrompemos o curto período de férias deste blogueiro para postar outra preciosidade, em nossa humilde opinião:



Lady in Black
(Uriah Heep)

She came to me one morning
One lonely sunday morning
Her long hair flowing
In the midwinter wind
I know not how she found me
For in darkness I was walking
And destruction lay around me
From a fight I could not win
Ah ah ah ...

She asked me name my foe then
I said the need within some men
To fight and kill their brothers
Without thought of love or god
And I begged her give me horses
To trample down my enemies
So eager was my passion
To devour this waste of life
Ah ah ah ...

But she wouldnt think of battle that
Reduces men to animals
So easy to begin
And yet impossible to end
For shes the mother of our men
Who counselled me so wisely then
I feared to walk alone again
And asked if she would stay
Ah ah ah ...

Oh lady lend your hand outright
And let me rest here at your side
Have faith and trust
In peace she said
And filled my heart with life
There is no strength in numbers
Have no such misconception
But when you need me
Be assured I wont be far away
Ah ah ah ...

Thus having spoke she turned away
And though I found no words to say
I stood and watched until I saw
Her black coat disappear
My labour is no easier
But now I know Im not alone
I find new heart each time
I think upon that windy day
And if one day she comes to you
Drink deeply from her words so wise
Take courage from her
As your prize
And say hello from me
Ah ah ah ...

16 de julho de 2008

Nunca dantas na história deste país ...

Antes que o nojo me impeça de raciocinar direito e acabe falando besteiras, é melhor reproduzir esse texto do Hermenauta:

_ Ô, Protógenes!

Protógenes levantou a cabeça por cima da parede do seu cubículo e avistou o seu chefe fumegando em sua direção. “Malditas segundas feiras”, pensou.

_ Porra, Protógenes!

Junto com o expletivo, aterrisou na mesa de Protógenes um enorme calhamaço, jogado pelo seu chefe de uma distância que em outro lugar valeria uma cesta de 3 pontos.

_ Qual o problema, chefe? _ murmurou um acuado Protógenes.

_ Tu ainda me pergunta qual é o problema?? Qual é a tua? Depois de quatro anos de investigação, milhares de horas homem de trabalho, cinquenta grampos autorizados pela Justiça…tu me aparece com isso?

O chefe pegou o calhamaço e o agitou na frente de seu rosto, de modo que Protógenes só conseguia ver o título do documento _ “Investigação acerca da eventual culpabilidade de Daniel Dantas: o Poder de Polícia, seus Limites e Possibilidades” _ encimado por um par de olhos vermelhos e coléricos.

_ Que porra é essa, Protógenes???

_ Bom, chefe, é o relatório final da operação Satiagraha e…

_ Porra, Protógenes! Isso não é um relatório de um inquérito, é uma tese de doutorado!

_ É, chefe, eu aproveitei e…

_ Aproveitou uma ova! Teu relatório tem dedicatória, Protógenes! DE-DI-CA-TÓ-RI-A! Quer que eu leia pra você?

Antes que Protógenes pudesse dizer que não, que ele conhecia a dedicatória muito bem, afinal havia sido ele quem a escreveu, o chefe começou a berrá-la a plenos pulmóes:

_ “Gostaria de dedicar este relatório a meus filhos, minha mulher, meu professor de lógica modal e a Daniel Dantas, sem cuja colaboração este relatório jamais poderia ter sido escrito”…

_ Mas, chefe, é verdade, veja bem que…

_ PORRA, Protógenes, eu sei que você é cuidadoso, todo mundo neste maldito prédio sabe, mas agradecer o suspeito já é demais, você não acha não?

_ Tecnicamente, chefe, o Daniel Dantas não é bem um suspeito, porque tecnicamente, dependendo do valor de verdade…

_ CALABOCA, Protógenes!

_ Mas chefe, o fato é que o Dantas é fruto do seu meio, uma típica personalidade criada por um mundo materialista que…

_ Protógenes, enfia essa sua filosofia no cu! Eu quero é saber se o juiz vai prender o Daniel Dantas ou não vai, cacete!

_ Chefe, o sistema jurídico, tal como plasmado em nossa sociedade…

_ PORRA, Protógenes! Eu quero saber o seguinte: você fez o Dantas tocar o piano ou não?

_ Chefe, o Sr. sabe muito bem que não dispomos destas amenidades aqui na delegacia e…

_ Não fode, Protógenes!

O chefe saiu zunindo, sabendo que daí a meia hora teria que se haver com um furioso Ministro da Justiça. Protógenes sentou no seu cúbiculo, coçou a cabeça um pouco, e retomou a leitura do seu exemplar de “After the Fact”, do Clifford Geertz.



P.S. Título do post inspirado por Juca Kfouri .

12 de julho de 2008

Por falar em Dantas...

Depois de tudo que aconteceu (e ainda acontecerá), eu acho melhor rir um pouco dessa loucura que está acontecendo nos subterrâneos do país.

Com a palavra, Nelson Moraes, no seu impagável Ao Mirante, Nelson! :

" O preso e dublê de banqueiro Daniel Dantas, após inúmeras idas e vindas na vara criminal, foi, às 16h30min de hoje, acometido de um orgasmo súbito. Depois, ao acender um cigarrinho, virou-se para a Polícia Federal e perguntou se tinha sido bom para ela também. Outros dois indiciados pela operação Satiagraha (que em sânscrito significa “Posição da libélula de quatro fazendo polichinelo ou então é o contrário”), Naji Nahas e Celso Pitta, ao ver aquilo, também solicitaram ávidos ao STF sua participação no entra-e-sai – porém, estranhamente, só saíram e não conseguiram entrar de novo. “Isso nunca nos aconteceu antes”, desabafaram cabisbaixos para a imprensa. Já Dantas, perguntado sobre se preferia penetrar na cela com ou sem algemas, foi categórico: “Com algemas e roupa de couro preto, óbvio”. Agora, enquanto aguarda os resultados das investigações sobre lavagem de dinheiro, Dantas faz piada com os outros dois acusados: “Eu, que sou esperto, só lavo. O negócio é que o Nahas e o Pitta, além de ensaboarem, ainda põem pra secar!” Advertido sobre a afronta que isso constituiria à inteligência de ambos, Dantas foi taxativo: “Eu perco os amigos mas não perco a opportunity!


Ou então, essa charge, do charges.com.br :




Quem quiser coisa (muito) séria sobre o tema, recomendo o Terra Magazine e o Biscoito Fino e a Massa.

10 de julho de 2008

Senado aprova lei que ameaça a liberdade da Internet

Mais uma vez o analfabetismo digital, a burrice pura e simples e sabe-se lá quais outras coisas, andaram de mãos dadas na aprovação pelo Senado do horrendo projeto do Sen. Eduardo Azeredo (diga lá, mensalão mineiro e Daniel Dantas...) que pretende regulamentar o uso da Internet no Brasil, especialmente tipificando possíveis crimes cometidos com a utilização da Web.

Não sou especialista na área, então me socorro do que outros mais bem equipados escreveram sobre o assunto, como o Pedro Doria (aqui e aqui) , o Sergio Amadeu e o Marcelo Träsel.

Mas, resumindo, muita coisa que qualquer internauta faz corriqueiramente (mesmo sem intenção de obter vantagem econômica) passará a ser considerado crime. E os provedores passarão a ser dedo-duros obrigatórios.

Está correndo essa Petição On-line contra o projeto. O alvo agora tem que ser a sensibilização de nossa bancada de Deputados Federais para que algumas das loucuras do projeto sejam retiradas. Não será fácil, especialmente com os deputados que temos e tão bem conhecemos... Mas não dá pra cruzar os braços.



7 de julho de 2008

Os políticos e suas histórias malucas

Em qualquer lugar do mundo os políticos tem uma tendência incrível de se meter em confusões e histórias mal-contadas, especialmente se tratando de questões sentimentais/conjugais. Aqui mesmo no Brasil os exemplos são fartos, indo de ex-Presidentes da República, passando por ministros, senadores, deputados e demais congêneres. Mas a história que eu quero narrar aconteceu nos Estados Unidos. Vocês dirão: "Ora, lá é que esse tipo de coisa acontece com frequência...". Sei disso, mas os detalhes desta valem a pena.

Tudo começou em maio deste ano quando o Representante (deputado federal) Vito Fossella, que ocupava uma cadeira pelo distrito de Staten-Island, Nova York, foi detido em uma blitz de trânsito. Fossella, o único republicano da bancada do estado (alías, de toda a Nova Inglaterra), avançou um sinal vermelho no estado da Virgínia, claramente bêbado. Para os guardas, ele alegou que estava indo ver "meu filho doente". Ocorre que a casa de Fossella fica em Staten-Island, totalmente fora do trajeto. Minutos depois, como o carro e a carteira de motorista ficaram retidos, Fossella foi resgatado por uma misteriosa mulher. Ela foi posteriormente identificada como uma ex-coronel da Força Aérea americana, mãe solteira de uma menina de três anos.

A partir daí o mundo de Fossella começou a desabar, e o até então defensor dos valores tradicionais e conservadores foi obrigado a desistir de concorrer a reeleição em Novembro próximo.

Se a história parasse por aqui ela seria apenas mais uma entre muitas do mesmo tipo. Mas os desdobramentos foram, no mínimo, estranhos.

A direção local do Partido Republicano convenceu um empresário milionário, Frank Powers, a candidatar-se à vaga de Fossella. Powers poderia bancar sozinho quase toda a campanha e era razoavelmente conhecido no distrito. Entretanto, a coisa ficou engraçada quando o filho de Powers, Frank Jr. , resolveu concorrer contra o pai pelo Partido Libertário (sim, isso existe!). Os republicanos ficaram alarmados com o espectro de uma luta pai X filho, e só acalmaram-se quando Frank Jr. perdeu a eleição primária dos libertários.

Tudo então parecia caminhar tranquilamente quando, em 21 de junho, Frank Powers sofreu um ataque cardíaco fulminante e veio a falecer.

Resumindo, o prazo final para a indicação dos candidatos é no próximo dia 10 de julho, e até agora os republicanos não conseguiram achar ninguém para se candidatar ao que parece ser uma cadeira maldita.

E os democratas estão deliciados vendo a eleição cair no seu colo...


5 de julho de 2008

As melhores introduções do Rock (atualizado)

Dias atrás, uma das poucas e bondosas pessoas que acompanham esse espaço com habitualidade me questionou num comentário do post Tangerine sobre qual seria a melhor introdução da história do rock. Introdução musical, claro... E citava The Song Remains the Same, do Led Zeppelin.

Juro que nunca havia parado para pensar no assunto com mais vagar, e mesmo agora que parei não consegui chegar a uma conclusão definitiva. Nem quando pedi, literalmente, ajuda aos universitários, no caso meu filho de 17 anos. Primeiro, porque o campo é vastíssimo, indo do bom e velho rock'n roll de raiz até suas vertentes mais transloucadas, nos extremos do death-metal.

Por isso, achei melhor abrir a discussão e pedir que vocês, leitores, ajudem a montar uma lista com as melhores, mais marcantes e mais conhecidas introduções da história do gênero musical mais revolucionário do último século. Vale tudo, inclusive baladões perpetrados por grupos de rock. E desde rápidas introduções de menos de 10 segundos até verdadeiras odisséias de mais de 1 minuto e meio.

Como contribuição pra iniciar a discussão, lá vai uma listinha rápida, sem nenhum tipo de ordenação. É o básico do básico, mais ou menos o que está na cabeça de quem gosta do assunto:

- Have a Cigar (Pink Floyd)
- The Song Remains the Same (Led Zeppelin)
- Shine on You Crazy Diamond (Pink Floyd)
- Nothing Else Matters (Metallica)
- Wish You Were Here (Pink Floyd)
- Close to the Edge (Yes)
- Baby I'm Gonna Leave You (Led Zeppelin)
- Stairway to Heaven (Led Zeppelin)
- Layla (Eric Clapton)
- Smoke on the Water (Deep Purple)
- Fade to Black (Metallica)
- While My Guitar Gently Weeps (The Beatles)


E, por favor, ninguém me venha com Ilariê, da Xuxa. Nos poupem desse crime...


Atualização:

Aí vão as ótimas sugestões dos frequentadores desta birosca:

- Johnny be Goode (Chuck Berry)
- Rock You Like a Hurricane (Scorpions)
- Baba O'Rilley (The Who)
- America (Yes)
- YYZ (Rush)
- Aces High (Iron Maiden)
- Time (Pink Floyd)
- N.I.B (Black Sabbath)
- Immigrant Song (Led Zeppelin)
- Thunderstruck (AC/DC)
- Midnight From the Inside Out (Black Crowes)
- Killing Moon (Echo & the Bunnymen)
- Enter Sandman (Metallica)

P.S. A escolha dos vídeos que ilustram nossa listinha foi feita um pouco apressadamente. Qualquer um que tenha sugestões melhores, favor informar a Gerência, a qual agradece por antecipação.

29 de junho de 2008

50 anos de um momento sublime



Hoje completam-se 50 anos de um daqueles momentos definidores do que hoje é o Brasil. Em 29 de junho de 1958 a seleção brasileira de futebol conquistava pela primeira vez a Copa do Mundo.

Independente de você gostar ou não de futebol (especialmente do tipo de futebol que se joga hoje em dia), não dá para negar o efeito que aquela seleção abençoada gerou no povo brasileiro como um todo, especificamente na maneira como víamos a nós mesmos. O famoso complexo de vira-latas (outra das geniais expressões cunhadas por Nelson Rodrigues) começou a morrer ali.

Glória eterna está assegurada para aqueles 22 heróis, dentre os quais pelo menos uns cinco estão entre os 100 maiores da história do futebol mundial.

Quais?

E precisa dizer?



23 de junho de 2008

Violeta Arraes

Quase sempre estou no carro às 8 da manhã me dirigindo ao trabalho, e costumo aproveitar para ouvir o noticiário. E normalmente acabo me deparando com um comentário do Arnaldo Jabor na CBN. Também de forma corriqueira costuma discordar das posições que ele expressa, mas essa não é uma regra imutável.

Hoje ele tratou de uma personagem cujo passamento não foi devidamente noticiado e cuja história de vida ainda não foi exaltada da maneira mais correta.

Trata-se da socióloga cearense Violeta Arraes de Alencar Gervaiseau, falecida no último dia 17 aos 82 anos, no Rio de Janeiro.

Não pretendo esmiuçar a vida dessa filha de Araripe, cidadezinha no Cariri cearense, e irmã de Miguel Arraes. Outros com mais talento e conhecimento fizeram e farão trabalho melhor.

Porém, se nada mais de importante ela houvesse feito na vida, o seu trabalho de acolhimento e ajuda à legião de brasileiros que teve de deixar o país nos anos mais negros da ditadura e que tiveram Paris como seu primeiro destino já serviria para colocá-la como alguém especial, uma pessoa maior.

Descanse em paz, "Rosa de Paris".

21 de junho de 2008

Tangerine



Adoro essa música.



P.S. Essa apresentação é no festival de Earls Court em 1975.

Led Zeppelin arrasando.

18 de junho de 2008

As mais belas pernas do cinema


Este espaço cumpre o doloroso dever de noticiar o falecimento de uma deusa. Sim, adjetivo menor que esse seria injusto com Cyd Charisse, que nos deixou ontem aos 87 anos.

Raramente uma expressão cunhada pela imprensa que cobre Holywood foi tão fiel à realidade: "As mais belas pernas do cinema". Junte isso a um rosto belíssimo e um enorme talento como dançarina e teremos Cyd, a lenda.

Descanse em paz, deusa.



14 de junho de 2008

Violência mancha futebol

Na última quarta-feira foi noticiado que um torcedor do Corinthians, que havia viajado até Recife para assistir a decisão da Copa do Brasil, fora baleado pelas costas após discutir com torcedores pernambucanos em um restaurante. O rapaz foi socorrido e seu ferimento revelou-se menos grave do que o esperado. Posteriormente, foi esclarecido que a discussão ocorrera em uma boate de péssima reputação, e que a discussão não tivera o futebol como estopim. Ficou o lamento pela violência sem sentido, mas pelo menos o futebol não estava realmente envolvido.

Entretanto, o que ocorreu na madrugada de ontem para hoje nas cercanias de Fortaleza indubitavelmente está ligado ao futebol, de uma forma ou de outra.

Ontem (sexta-feira, 13 de junho) à noite jogaram no estádio Castelão, pela Série B do Campeonato Brasileiro, Ceará e América do Rio Grande do Norte, com a vitória do time cearense por 2X0. O público total foi de uns 15.000 torcedores, dos quais aproximadamente 100 eram do time de Natal, os quais vieram em dois ônibus.

Durante a partida, os ânimos entre as duas torcidas ficaram muito exaltados, com provocações e ameaças de parte à parte. Sentindo o perigo de ocorrência de incidentes graves, a polícia reteve a torcida visitante ao final do jogo por quase uma hora, escoltou os mesmos até os ônibus, e os acompanhou por cerca de 15 quilômetros na BR-116, uma das saídas de Fortaleza em direção à Natal. Segundo os policiais, eles suspenderam a escolta porque não houve novos incidentes e não estavam sendo seguidos.

Entretanto, após a saída dos policiais, os dois ônibus resolveram fazer um retorno por alguns quilômetros e tomar a CE-040, que também vai em direção ao Rio Grande do Norte, porém segue mais próximo ao litoral e é cerca de 50 quilômetros mais curta.

Na altura aproximada do Km 36 os ônibus foram alcançados por um carro de cor escura, de dentro do qual os ocupantes começaram a realizar disparos com armas de fogo.

Uma das balas atingiu em cheio a cabeça do estudante Jéferson Gabriel da Silva, que completaria amanhã 17 anos. Ele foi levado o Instituto José Frota, principal hospital de emergências de Fortaleza, mas não resistiu e veio a falecer.


A pergunta óbvia é: até quando o futebol brasileiro vai resistir à seqüencia de atos violentos que insiste em ceifar vidas? O que mais as autoridades terão que aguardar para tomar providências radicais contra os bandos de delinquentes que tomaram de assalto a maioria esmagadora das chamadas "torcidas organizadas" em todo o país? Bandos esses que tem o futebol apenas como pretexto para se reunirem e a partir daí desencadearem suas ações criminosas, as quais não se restringem à violência pura e simples, mas se espalham por diversos capítulos do Código Penal.

Escrevo aqui como um fã do futebol que optou por não ir mais à estádios, nem mesmo em jogos considerados sem perigo, de uma torcida só. Que apesar de ter um filho adolescente que adora futebol, não o leva nem incentiva (muito pelo contrário) que o mesmo vá aos estádios. Que é do tempo em que se podia ir aos estádios, mesmo nos grandes clássicos, e se tinha certeza quase absoluta de que nada de mais ocorreria, mesmo voltando a pé para casa altas horas da noite e envergando a camisa de seu time. Que é do tempo em que não haviam torcidas organizadas ao nível do existente hoje em dia, e mesmo assim o incentivo ao time durante as partidas era avassalador.

Escrevo como torcedor que já viu membros das torcidas organizadas de seu time do coração morrerem e, muito provavelmente, matarem, aqui e em outros estados. Sempre de forma estúpida.

Torno a perguntar: até quando?

12 de junho de 2008

Novo passo na abertura econômica em Cuba

Ontem foi anunciada uma nova medida no ainda incipiente porém constante processo de abertura da economia cubana, em curso desde que Raúl Castro assumiu o governo de forma permanente em fevereiro deste ano.

Depois da liberação da venda de diversos aparelhos eletro-eletrônicos, como computadores e DVD's, da liberação do uso de aparelhos celulares, e de medidas para permitir algum tipo de propriedade privada no campo, o governo cubano resolveu abolir um dos dogmas da ortodoxia comunista na ilha. Anunciou que até agosto termina a política de igualitarismo salarial, onde todos os trabalhadores com uma mesma função recebiam o mesmo salário. Essa política será substituída por um sistema baseado em metas e produtividade, sem teto salarial.

Do jeito que as coisas vão andando, de modo cada vez mais rápido, fica claro que Raúl Castro pretende mesmo reformar profundamente a economia da ilha, sem pudores para afastar os princípios mais ortodoxos do marxismo.

A questão é ver até que ponto essa abertura econômica vai ser seguida de uma liberalização política, ou se o país adotará um modelo similar ao chinês, de economia de mercado convivendo com férreo controle político. Os próximos meses dirão, mas o divisor de águas poderá ser o próximo Congresso do Partido Comunista Cubano, o primeiro em mais de 10 anos, a ser realizado no segundo semestre de 2009.

11 de junho de 2008

Opção clara


Advinha para quem eu vou torcer na eleição americana?


Via Political Irony

10 de junho de 2008

Em resumo...

Depois de vários dias dias longe deste espaço, por acúmulo de outras (e chatíssimas) ocupações, é hora de dar meus toques no que de relevante aconteceu nesse período:

- Como era esperado, Barack Obama é o candidato democrata às eleições para Presidência dos EUA. A esperada saída oficial de Hillary Clinton da disputa aconteceu em um emocionado discurso sábado passado. Agora é hora de reunificar o partido e partir pra cima do republicano John McCain. Não serão tarefas simples, nem uma nem outra. A primeira porque o tipo de campanha feita por Hillary deixou muitas feridas de complicada cicatrização. E a segunda porque a máquina republicana vai se utilizar bastante de todo o material que as primárias democratas geraram.

- Este nosso país parece se alimentar de escândalos, sejam eles verdadeiros ou simples factóides. Não passa uma semana sem que estoure um novo, qualquer que seja a área. O último é esse do Rio Grande do Sul, com utilização de órgãos públicos para financiar campanhas (onde foi que eu já ví isso?...). Logo antes havia aparecido essa história da compra e venda da Varig, com a Dilma no meio. Antes foi a confusão envolvendo policiais e políticos cariocas com o crime organizado (caça-níqueis e milícias). Tudo isso em menos de 15 dias. Sem querer entrar no mérito de cada caso, o que eu posso dizer é que estou ficando sem estômago pra esse tipo de notícia, principalmente considerando o tipo de cobertura que parte da nossa imprensa faz.

- No esporte, três destaques: o Fluminense, merecidamente na final da Libertadores (ganhar dos "hermanos" tem sempre outro sabor); o vexame da seleção brasileira contra o "poderoso esquadrão" venezuelano (o que é que fizemos de tão ruim pra merecer o Dunga?); e o massacre do Nadal em cima do Federer na final de Rolland Garros (não tem pra mais ninguém no saibro). Nos próximos dias, a final da Copa do Brasil. Hora de secar o "Curíntia".

1 de junho de 2008

Justiça Eleitoral censura blogs

Depois de uns três dias de cão (os motivos ainda não terminaram...), achei um tempo para tocar em um assunto que não pode passar em branco.

O TRE do Rio de Janeiro intimou o Dep. Fernando Gabeira por conta de apoios que ele recebeu de alguns blogs, especificamente na forma de banners. O principal atingido foi o blog do Pedro Doria, exatamente o que primeiro declarou seu apoio à candidatura do deputado, antes mesmo que ele se decidisse a ser candidato.

O próprio Pedro Doria já deixou bem claro sua posição sobre o assunto, aqui e aqui. E a repercussão blogosfera afora está sendo muito ampla e com posicionamentos variados.

O assunto é complexo, mas uma coisa me parece bem clara: nossa legislação sobre o assunto está totalmente fora da realidade. Os meios de comunicação não-tradicionais avançaram demais nos últimos 10 ou 15 anos, alterando radicalmente a realidade sobre a qual as leis estavam assentadas. Além disso, a questão da constitucionalidade de parte dessa legislação, especialmente quando ela tolhe a liberdade de expressão, é suficiente para alimentar discussões entre juristas e na sociedade em geral.

Minha opinião é que devemos aproveitar o momento e discutir abertamente essas questões, se necessário realizando ações de desobediência civil que obriguem a justiça e os legisladores a repensarem o assunto. Afinal de contas, temos ou não liberdade de expressão plena no Brasil? Ou a série de episódios mais ou menos recentes (Sarney, Roberto Carlos, Requião, entre outros) em que a liberdade de expressão foi atingida são prova cabal do contrário?

Por fim, quero deixar expressa minha solidariedade ao PD, e conclamo todos os que tomarem conhecimento desse assunto a se posicionarem, de uma forma ou de outra.