5 de março de 2009

Uma voz pelo Nordeste : 100 anos de Patativa do Assaré


Logo no primeiro post deste ano, lembrei que iríamos comemorar neste ano o centenário de nascimento do maior poeta popular do Brasil. Chegou a hora.

Antônio Gonçalves da Silva, mais conhecido como Patativa do Assaré, nasceu em 05 de Março de 1909 na Serra de Santana, no pequeno município de Assaré, na região Sul do Ceará. Desde cedo, em virtude da morte precoce de seu pai, teve que ajudar a mãe na roça, e isso apesar de ser cego de um olho desde os 4 anos em virtude de uma doença. Frequentou a escola por apenas alguns meses, apenas o suficiente para ser alfabetizado. Antes disso, porém, já compunha poemas, que guardava na extraordinária memória. Quando ganhou da mãe a primeira viola, adquirida em troca de uma ovelha, passou a fazer repentes e a se apresentar em festas. Daí em diante, sua longa vida foi de uma produção sem fim.

Para alguns de nós, talvez seja complicado entender o que realmente significa ser um poeta popular. Para ajudar a situar bem essa questão e onde Patativa do Assaré se insere, transcrevo um artigo do jornalista José Neumane Pinto, publicado no Estadão em 13 de Julho de 2002, cinco dias após a morte do poeta:

"A poesia sertaneja brota do chão - esturricado, quando submetido à inclemência dos longos períodos de estiagem, ou virado barro pegajoso depois de chuva. Feito milho, feijão e mandioca, da qual se extrai a farinha, que também nascem no solo do sertão, ela tem lá seus aspectos nutrientes: mata a fome de beleza no meio da paisagem cinzenta e esquálida. É épica, ao narrar proezas de valentes. Lírica, de um lirismo pungente, quando tece loas ao amor ou se debruça sobre a saga de uma raça que sobrevive heroicamente em sua luta contra as intempéries da natureza, luta que quase sempre termina em retirada, na repetição cíclica do êxodo bíblico. É feita para a dor do lamento e o gozo do riso. O poeta sertanejo é familiarizado com ritmos e cadências - há pouca diferença entre poesia e canto, embora seu cantar seja monocórdio, a palo seco, sem muita graça para ouvidos que a ele não estejam habituados. Que não se exija do poeta perícias de esgrimista da linguagem nem habilidades de pesquisador da semântica. Sua poesia serve a sua gente: descreve sua vida, ou seja seu convívio com a paisagem ou com outros viventes.
Só quem entender isso plenamente vai ser capaz de também compreender a importância de Patativa do Assaré na poesia brasileira contemporânea. O nome artístico adotado pelo cearense Antônio Gonçalves da Silva é o primeiro passo para tanto. Patativa é uma ave canora e Assaré, o lugar ermo onde nasceu, se criou e viveu a vida inteira. Cantos de Patativa, título de sua obra de estréia, da mesma forma, expressa com clareza o que pretende e a que se apresenta - trata-se de um manifesto curto, que não admite desvios nem tergiversações. O poeta, como o pássaro, canta e tem de cantar bonito, com ritmo e precisão, além de exibir ao ouvinte as ricas cores de sua plumagem.
Patativa de Assaré não pertenceu à estirpe dos repentistas, cantadores e violeiros que improvisam em diversos modos (gêneros poéticos) noites a fio para diversão de quem se reúna para ouvi-los. Mas, sim, a um tipo intermediário entre o improvisador de desafios e o poeta erudito, o tal poeta matuto: compõe seus versos escritos nos moldes dos poemas clássicos com padrões de rima e métrica bem definidos, mas usa uma linguagem simples, quase um dialeto, com o qual se comunica diretamente com o homem comum, o roceiro (que ou ficou no campo árido ou fugiu para a periferia dos centros urbanos próximos ou distantes de seu lugar de origem). Sua obra, a meio caminho entre o improviso e a elaboração erudita, é impressa, encadernada e costurada em livros, sendo o mais famoso deles o Cante lá Que Eu Canto cá, editado pela Vozes de Petrópolis em 1978 e já na 11.ª edição.
Ele também é um poeta de bancada, ou seja, escreveu folhetos de cordel, gênero ao mesmo tempo escrito e oral de poesia, contendo narrativas de grandes feitos, casos de amor ou simples palhaçadas em folhetos impressos pelos próprios autores que os narram eles mesmos, como muezins que cantam as orações nas mesquitas muçulmanas, em alto-falantes e megafones nas feiras livres do interior nordestino. É de sua autoria uma interessante adaptação do conto das Mil e Uma Noites História de Aladim e da Lâmpada Maravilhosa. E de sua lavra, a saga política do Padre Henrique e o Dragão da Maldade.

Poeta de livro e folheto, Patativa também se dedicou à composição, musicando poemas de sua própria lavra, alguns dos quais se tornaram grandes sucessos de público - como foi o caso de Triste Partida, na voz de Luiz Gonzaga, e Vaca Estrela e Boi Fubá, uma de suas toadas gravadas pelo amigo, conterrâneo e grande divulgador Raimundo Fagner. A composição musical, bem diferente do improviso poético dos violeiros, foi seu jeito de romper os limites do desprezo e do desconhecimento das grandes platéias urbanas em relação à incompreendida poesia matuta, gênero do qual foi tão príncipe (como se dizia antigamente dos melhores poetas) quanto Seu Lua foi Rei do Baião. "

E como homenagem final ao mestre, vale a pena também transcrever um dos poemas acima citados, e que toca especialmente fundo na alma nordestina:


Triste Partida

Meu Deus, meu Deus...

Setembro passou
Outubro e Novembro
Já tamo em Dezembro
Meu Deus, que é de nós,
Meu Deus, meu Deus
Assim fala o pobre
Do seco Nordeste
Com medo da peste
Da fome feroz
Ai, ai, ai, ai

A treze do mês
Ele fez experiência
Perdeu sua crença
Nas pedras de sal,
Meu Deus, meu Deus
Mas noutra esperança
Com gosto se agarra
Pensando na barra
Do alegre Natal
Ai, ai, ai, ai

Rompeu-se o Natal
Porém barra não veio
O sol bem vermeio
Nasceu muito além
Meu Deus, meu Deus
Na copa da mata
Buzina a cigarra
Ninguém vê a barra
Pois a barra não tem
Ai, ai, ai, ai

Sem chuva na terra
Descamba Janeiro,
Depois fevereiro
E o mesmo verão
Meu Deus, meu Deus
Entonce o nortista
Pensando consigo
Diz: "isso é castigo
não chove mais não"
Ai, ai, ai, ai

Apela pra Março
Que é o mês preferido
Do santo querido
Senhor São José
Meu Deus, meu Deus
Mas nada de chuva
Tá tudo sem jeito
Lhe foge do peito
O resto da fé
Ai, ai, ai, ai

Agora pensando
Ele segue outra tria
Chamando a famia
Começa a dizer
Meu Deus, meu Deus
Eu vendo meu burro
Meu jegue e o cavalo
Nós vamos a São Paulo
Viver ou morrer
Ai, ai, ai, ai

Nós vamos a São Paulo
Que a coisa tá feia
Por terras alheia
Nós vamos vagar
Meu Deus, meu Deus
Se o nosso destino
Não for tão mesquinho
Cá e pro mesmo cantinho
Nós torna a voltar
Ai, ai, ai, ai

E vende seu burro
Jumento e o cavalo
Inté mesmo o galo
Venderam também
Meu Deus, meu Deus
Pois logo aparece
Feliz fazendeiro
Por pouco dinheiro
Lhe compra o que tem
Ai, ai, ai, ai

Em um caminhão
Ele joga a famia
Chegou o triste dia
Já vai viajar
Meu Deus, meu Deus
A seca terrível
Que tudo devora
Lhe bota pra fora
Da terra natá
Ai, ai, ai, ai

O carro já corre
No topo da serra
Oiando pra terra
Seu berço, seu lar
Meu Deus, meu Deus
Aquele nortista
Partido de pena
De longe acena
Adeus meu lugar
Ai, ai, ai, ai

No dia seguinte
Já tudo enfadado
E o carro embalado
Veloz a correr
Meu Deus, meu Deus
Tão triste, coitado
Falando saudoso
Seu filho choroso
Exclama a dizer
Ai, ai, ai, ai

De pena e saudade
Papai sei que morro
Meu pobre cachorro
Quem dá de comer?
Meu Deus, meu Deus
Já outro pergunta
Mãezinha, e meu gato?
Com fome, sem trato
Mimi vai morrer
Ai, ai, ai, ai

E a linda pequena
Tremendo de medo
"Mamãe, meus brinquedo
Meu pé de fulô?"
Meu Deus, meu Deus
Meu pé de roseira
Coitado, ele seca
E minha boneca
Também lá ficou
Ai, ai, ai, ai

E assim vão deixando
Com choro e gemido
Do berço querido
Céu lindo azul
Meu Deus, meu Deus
O pai, pesaroso
Nos filho pensando
E o carro rodando
Na estrada do Sul
Ai, ai, ai, ai

Chegaram em São Paulo
Sem cobre quebrado
E o pobre acanhado
Procura um patrão
Meu Deus, meu Deus
Só vê cara estranha
De estranha gente
Tudo é diferente
Do caro torrão
Ai, ai, ai, ai

Trabaia dois ano,
Três ano e mais ano
E sempre nos prano
De um dia vortar
Meu Deus, meu Deus
Mas nunca ele pode
Só vive devendo
E assim vai sofrendo
É sofrer sem parar
Ai, ai, ai, ai

Se arguma notícia
Das banda do norte
Tem ele por sorte
O gosto de ouvir
Meu Deus, meu Deus
Lhe bate no peito
Saudade lhe molho
E as água nos óio
Começa a cair
Ai, ai, ai, ai

Do mundo afastado
Ali vive preso
Sofrendo desprezo
Devendo ao patrão
Meu Deus, meu Deus
O tempo rolando
Vai dia e vem dia
E aquela famia
Não vorta mais não
Ai, ai, ai, ai

Distante da terra
Tão seca mas boa
Exposto à garoa
À lama e o paú
Meu Deus, meu Deus
Faz pena o nortista
Tão forte, tão bravo
Viver como escravo
No Norte e no Sul
Ai, ai, ai, ai


3 de março de 2009

Colocando na geladeira os amigos do Comandante

Apesar de tocarmos no assunto só de vez em quando, continuamos de olho nas transformações que vem ocorrendo "naquela" ilha do Caribe.

A mais recente é a mexida que o presidente Raúl Castro fez em postos-chave do governo cubano. Diversos dirigentes intimamente identificados com El Comandante perderam espaço, e foram substituídos por figuras mais próximas ao atual presidente.

Esse foi o movimento mais significativo de uma tendência que já vinha se solidificando desde meados do ano passado, em que dirigentes com carreiras mais identificadas com Raúl, e com posições "reformistas", vinham ganhando espaço frente aos defensores das posturas mais "ortodoxas" e ligados à velha-guarda do regime.

Mudanças políticas ou econômicas no horizonte mais próximo? Difícil dizer, mas o terreno está sendo preparado para o congresso do PC Cubano, que ocorrerá no segundo semestre deste ano. Ali é onde podem (e devem) ser anunciadas medidas de maior impacto. Aliás, como já havíamos previsto aqui.

Bem que o governo Obama podia dar uma mãozinha, desanuviando um pouco as relações com a ilha...

25 de fevereiro de 2009

Rescaldo pós-hibernação carnavalesca

Não se assustem, por favor, com o título deste post. É que, como alguns puderam notar, fiquei totalmente afastado da grande rede durante o feriadão, um pouco por opção e um bocado à força. Aliás, já faziam alguns dias que, por problemas no hardware domiciliar, estava levando as coisas meio que em banho-maria.

Bem, os problemas ainda não foram resolvidos totalmente (minto: falta coisa pra burro...), mas já dá pra dar alguns pitacos sobre o que andou ocorrendo nos últimos dias. Assim sendo, vamos lá, tocando de primeira.

- Eu não sei o que é mais deprimente: se a situação do PMDB, agora que dois senadores da legenda (Jarbas Vasconcelos e Pedro Simon) resolveram jogar tudo no ventilador, ou se a postura imoral da Folha de São Paulo, chamando o período de 64 a 85 no Brasil de ditabranda, e de quebra insultando dois conhecidos intelectuais que se insurgiram contra a posição do jornal. Ou quem sabe uma coisa tenha tudo a ver com a outra...

- Uma das coisas que fiz no feriadão foi assistir na TV o excelente documentário Trumbo, que conta a vida do escritor e roteirista americano Dalton Trumbo, que foi a mais conhecida das vítimas da famigerada lista negra, que tentou impedir que pessoas simpatizantes de ideias esquerdistas trabalhassem na indústria cinematográfica durante os anos negros do macartismo. Tendo que escrever sob pseudônimos durante 10 anos para poder sobreviver, Trumbo só quebrou a barreira da lista negra em 1960, quando recebeu os créditos por Exodus e Spartacus. Aliás, a cena no final de Spartacus, onde é oferecido perdão aos escravos revoltosos desde que entregassem seu líder (o que não aconteceu) é emblemática daquele período.

- Para os rubro-negros cariocas: rezem para que o meu conterrâneo (e ex-zagueiro do Fortaleza) Ronaldo Angelim volte logo à campo. O desastre de sábado passado frente ao Rezende não deixou dúvidas sobre a falta que ele faz na defesa do Flamengo...

17 de fevereiro de 2009

Parece, mas não é...


Ao contrário do que possa parecer, não é a zaga da Inter de Milão perseguindo o Alexandre Pato...


(Fonte: este site russo de fotografia. Aliás, o site-mãe é este.)

16 de fevereiro de 2009

Not a green-and-yellow submarine

Essa é daquelas notícias que passam quase despercebidas no meio de, por exemplo, um telejornal. Com tanta desgraça acontecendo ali na esquina e também mundo afora, a maioria nem se dá conta do tipo de desastre que poderia ter ocorrido:


SUBMARINOS NUCLEARES BRITÂNICO E FRANCÊS COLIDEM NO OCEANO

Dois submarinos nucleares - um britânico e outro francês - chocaram-se no Oceano atlântico, segundo informações divulgadas nesta segunda-feira.

O britânico HMS Vanguard e o francês Lê Triomphant sofreram danos graves no acidênte que ocorreu no início deste mês.

Os radares de ambos não conseguiram detectar a presença de outro submarino nas proximidades.


Atentem bem bem, não eram quaisquer submarinos: são barcos movidos á energia nuclear e armados com mísseis balísticos. Certamente dotados da mais moderna tecnologia disponível para seus países.

Agora, imaginem se um submarino brasileiro estivesse envolvido em um incidente deste tipo... O que não diria a imprensa nacional e internacional...


13 de fevereiro de 2009

Imagem sensacional


(ATENÇÃO: Esse post foi substituído. O original simplesmente "endoidou" quando fui colocar uma atualização. Vou direto pra resposta da pergunta que estava no post original.)


Na versão original deste post eu perguntava, a título de pegadinha, o quê a foto acima tem de inusitado.

A foto foi tirada na região fronteiriça entre Alemanha e Áustria (ou Tcheco-Eslováquia), no fim da 2ª Guerra, e mostra um destacamento blindado russo.

O inusitado está nos tanques.

O da direita é um T-34, o mais famoso dos blindados soviéticos usados na guerra. Já o da esquerda é um M-4 Sherman, de fabricação americana. Para quem não sabe, os ocidentais forneceram grandes quantidades de material bélico para que os soviéticos pudessem enfrentar as tropas nazistas, incluindo milhares de tanques.

Fotos mostrando tanques ocidentais sendo usados pelos russos são relativamente raras. As coloridas são mais raras ainda. A razão é que a máquina de propaganda soviética procurou vender, durante e após a guerra, a imagem de que eles haviam enfrentado e vencido os nazistas lutando praticamente sozinhos e sem ajuda. Logo, esse tipo de foto era evitada e de divulgação restrita.


12 de fevereiro de 2009

Darwin aos 200

(Hoje completam-se 200 anos do nascimento de Charles Darwin. O De Olho no Fato pediu que um dos seus melhores e mais assíduos comentaristas, que é da área, escrevesse algo sobre a data.. Com vocês, um artigo de nosso bom amigo Marcelo Darwinista.)




Classificar alguém como herói é associar esse alguém a feitos extraordinários. O dicionário Houaiss traz algumas definições de um herói:

Indivíduo notabilizado por seus feitos guerreiros, sua coragem, tenacidade, abnegação, magnanimidade etc. (...) indivíduo notabilizado por suas realizações; (...) indivíduo que desperta enorme admiração; ídolo.

Em geral, os ditos heróis são alçados a um grande patamar por seus feitos, que ultrapassam os limites habituais de homens e mulheres comuns, e dificilmente são contestados. Mas, é claro, há exceções. É exatamente o caso de Charles Darwin.

O naturalista inglês nascido há 200 anos faz parte de um grupo especial de homens e mulheres que desenvolveram teorias revolucionárias, fizeram descobertas marcantes, mudaram a história: Newton, Pasteur, Galileu, Mendel, a lista é enorme. Mas provavelmente nenhum deles foi tão questionado e atacado quanto Darwin.

Desde a publicação de A Origem das Espécies há 150 anos, e até hoje, a teoria da evolução pela seleção natural ainda provoca reações não só no meio acadêmico mas, sobretudo, fora dele. Reações, aliás, muito naturais por parte do público leigo. Afinal, a ideia da evolução demonstra ser desnecessária a participação de uma força criadora sobrenatural. Na Europa ainda muito religiosa do século XIX, uma ideia como essa foi um grande escândalo. Tivesse Darwin nascido alguns séculos antes, certamente teria ido para a fogueira nas mãos do Tribunal do Santo Ofício.

Ainda hoje grupos religiosos, especialmente cristãos, dedicam bastante tempo e recursos no combate às ideias darwinistas, buscando inclusive explicações cientificas para demonstrar a participação de Deus na dinâmica da natureza.

Uma das principais estratégias daqueles que combatem as teorias evolucionistas é relacionar os erros cometidos por Darwin. E ele realmente cometeu erros e deixou lacunas importantes.

Darwin, por exemplo, não tinha conhecimentos sobre genética, ciência que estava surgindo naquela mesma época com os experimentos de Gregor Mendel. Aliás, Darwin tinha ideias hoje em dia consideradas bizarras quanto à transmissão das características hereditárias. Ele nunca explicou de maneira convincente como as variações, sobre as quais a seleção natural atua, eram passadas de pais para filhos. Um erro que talvez tivesse sido corrigido, se ele tivesse lido os trabalhos de Mendel. E não foi por falta de oportunidades.

Mas, apesar da fragilidade que pretendem comprovar a respeito de sua teoria, Darwin demonstrou de maneira brilhante e inequívoca que as espécies se transformam ao longo do tempo. A evolução biológica é tão fartamente comprovada e documentada que o meio acadêmico há muito tempo não debate mais se ela ocorre ou não, e sim de que maneira ocorre.

Cento e cinquenta anos de questionamentos seriam mais que suficientes para derrubar a teoria da evolução, caso ela estivesse completamente equivocada. Mas, ao contrário, toda a Biologia, hoje em dia, é fundamentada nos pressupostos evolutivos. Como disse Dobzhansky, em uma das citações mais famosas das ciências biológicas, “nada em Biologia faz sentido exceto à luz da evolução”.

Darwin é, sem dúvida, o maior herói da Biologia moderna. Seus 200 anos de nascimento devem ser celebrados, mas ainda mais os 150 anos da publicação de sua maior obra, que como nenhuma outra na história da Ciência iluminou a estrada do conhecimento humano.

11 de fevereiro de 2009

Quem votou em quem nas eleições em Israel

No universo da política, um dos temas que mais me atrai são as estatísticas, tanto no que diz respeito as pesquisas quanto aos resultados eleitorais propriamente ditos. É uma mania desde garoto, sei lá qual a razão.

Dito isso, acabei de ver um artigo que trata da distribuição dos votos em Israel, focando em algumas cidades selecionadas. É um interessante retrato das divisões políticas que o país apresenta.

Por exemplo, Jerusalém, com todo o peso simbólico que carrega, deu cerca de 24% dos votos ao Likud, de Binyamin Netanyahu, seguido por dois partidos religiosos, a UTJ com 19% e o Shas com 15%. O Kadima, de Tzipi Lvini, recebeu apenas 11%. O Partido Trabalhista, de Ehud Barak, e o direitista Israel Beiteinu, de Avigdor Lieberman, ficaram com 6%.

Já a mais cosmopolita e liberal Tel Aviv deu uma maioria folgada para o Kadima, com 34%, seguido pelo Likud com 19% e os Trabalhistas com 15%. O partido de esquerda Meretz recebeu 8%, enquanto o Shas e o Israel Beiteinu ficaram com 6%.

Sderot, cidade do sul do país e alvo frequente de foguetes vindos da Faixa de Gaza, deu 33% dos votos ao Likud, 23% para o
Israel Beiteinu, 13% para o Shas e apenas 12% para o Kadima.

Katzerin, cidade localizada nas colinas de Golan, deu 28% para o
Israel Beiteinu, 26% para o Kadima e 22% para o Likud.

Quanto às localidades com maioria árabe, as do norte tenderam para o Hadash (de esquerda), enquanto as do sul tenderam para a Lista Unida Árabe.

Resultado final, em número de cadeiras no Knesset (total de 120 cadeiras):

Kadima (centro) - 28 cadeiras
Likud (direita) - 27 cadeiras
Israel Beiteinu (direita) - 15 cadeiras
Trabalhista (esquerda) - 13 cadeiras
Shas (religioso) - 11 cadeiras
UTJ (religioso) - 5 cadeiras
Lista Unida Árabe - 4 cadeiras
União Nacional (direita) - 4 cadeiras
Hadash (esquerda) - 4 cadeiras
Meretz (esquerda) - 3 cadeiras
Bayit Hayehudi (religioso) - 3 cadeiras
Balad (árabe, de esquerda) - 3 cadeiras

Agora, experimentem tentar montar um governo minimamente estável...


10 de fevereiro de 2009

A pressão cobra seu preço

Semana passada o Exército americano divulgou que um número recorde de seus soldados cometeu suicídio em 2008. Foram 128 mortes confirmadas e mais 15 outros casos prováveis sendo investigados.

Além disso, os Marines informaram que 41 fuzileiros também se suicidaram em 2008, contra 33 em 2007 e 25 em 2006.

Por si só, esses números já deixaram os responsáveis pelo assunto no Pentágono assustados. O pior, porém, pode ainda estar por chegar. Os números de Janeiro de 2009 são ainda mais assustadores.

No exército, já são 7 casos confirmados e 17 sob investigação. Se todos se confirmarem o número total será um novo recorde histórico, e seis vezes maior que o número de Janeiro de 2008.

Detalhe: no mesmo mês, as forças americanas perderam 16 soldados em combate no Iraque e no Afeganistão.

Pergunta: será que o nível de cobrança existente nas forças armadas (qualquer uma delas) está chegando em seu limite, e essas mortes são apenas o reflexo? Ou algo diferente pode estar ocorrendo?

P.S. Lembrei agora que a PM de São Paulo estava atravessando algo similar tempos atrás, e não deve ter melhorado...


9 de fevereiro de 2009

Encarte acidental (ou não...)

Engraçado como conversas descontraídas às vezes fazem aflorar lembranças solidamente escondidas nos subterrâneos de nossas memórias. E olha que que nem estou falando dos temas do post anterior...

Falando com companheiros de caixa de comentário em um blog de frequencia quase obrigatória, apareceu o tema livros de Dostoiévski (aliás, hoje é o aniversário de morte do cara...), e eu citei que precisava reler Mãe, o qual havia lido na adolescência e de que quase nenhuma lembrança ficara...

Naquele instante, enquanto escrevia, emergiu uma lembrança no mínimo curiosa e que vale relatar.

O exemplar do livro ao qual tive acesso me foi emprestado por uma pessoa do meu círculo familiar, que tinha um histórico de militância nas organizações de esquerda que, naquela época, combatiam a ditadura, inclusive recorrendo à luta armada. Ele já havia sido preso, torturado e, naquele instante, seu partido participava das articulações que possibilitariam, anos depois, a transição para a democracia. A época mais violenta da repressão tinha terminado pouco tempo antes, e só grupos muito isolados ainda falavam em desafiar militarmente o regime.

Esse amigo me ofereceu o livro sem que eu houvesse pedido (era um exemplar em português impresso por uma editora russa), e comecei a lê-lo. E foi aí que a coisa apareceu...

Eu estava um pouco antes da metade quando, do nada, a trama foi interrompida. O texto que apareceu impresso era, nada mais nada menos, que parte de um manual de guerrilha, voltado para a luta armada no campo. Estava recheado de exemplos retirados da experiência de luta dos vietcongs e, em menor escala, dos revolucionários cubanos.

Eram cerca de 40 páginas impressas no mesmo formato gráfico do restante do livro, e recheadas de instruções e dicas de como levar adiante certos aspectos do combate, especialmente sabotagem. Tratava também de aspectos de segurança das operações, e como lidar com a população civil.

Lembro de ter notado que, aparentemente, o texto era parte de algo maior, e que por começar e terminar abruptamente deixava a impressão de que a inclusão dentro do romance poderia ter sido acidental. Nunca tirei essa dúvida, até porque, preocupado com o conteúdo, tratei de terminar a leitura do livro rapidamente e devolvi o exemplar ao meu amigo. Não tenho certeza, mas acho que não comentei nada com ele sobre a parte "intrusa".

Como ainda vivíamos na ditadura (era o governo Geisel), não comentei o assunto com mais ninguém na época, e acabei desterrando o tema para as profundezas do meu subconsciente. Devo ter comentado, de lá pra cá, com no máximo umas três pessoas e sem dar detalhes.

Ah! Antes que eu esqueça, o amigo que me emprestou o livro seguiu na política e depois da redemocratização foi eleito para cargos públicos. Nos vemos muito pouco, mas ele continua uma grande figura.

5 de fevereiro de 2009

O meme dos segredos (ou das roubadas...)

Eu já vinha vinha seguindo esse meme desde o Sergio Leo, passando pelo Hermenauta, até o Ricardo Cabral. E não é que esse último resolveu me chamar pra brincadeira?

Deveriam ser 6 coisas que as pessoas não sabem sobre você. Alguns dos participantes optaram pelas roubadas onde estiveram metidos.

Vou misturar um pouco das duas coisas, sem entrar em detalhes sórdidos.

- Carnaval de 78 (mais ou menos), um grupo de uns 12 amigos resolve ir para o desfile oficial de blocos e escolas vestido à caráter: todo mundo com roupa de mulher. Peguei um vestido da mãe, pus uns enchimentos e fui pra galera. Imaginem a reação do distinto público...

- Todo mundo (ou quase) tem um porre homérico na ficha. O meu memorável foi na festa de 15 anos de uma prima querida (e que precocemente nos deixou) . Misturei de tudo, fui até o sítio de um tio, e foi um vexame só (claro, inventei de deitar numa rede e balançar, já viu... ). Uns três dias meio fora do ar...

- Quer roubada maior para quem gosta de futebol do que assistir uma jogo do seu time no meio da torcida arqui-rival? Tive que passar por essa duas vezes, uma na terrinha e outra em Sampa. Sabe lá o que é ficar no meio da Gaviões e seu time não ser o Corinthians? Sinistro.

- Acho que foi em 1980, estudava em um cursinho de línguas (inglês, tá bom?), e estava atrasado pro início da aula. Pra chegar na sala, tinha que atravessar um pátio aberto com escadaria, quase um anfiteatro. Entrei no espaço quase correndo e dei de cara com TODOS os alunos do curso sentados na tal escadaria, aguardando o início de uma demonstração de combate à incêndios. Não deu outra. Foi a maior vaia da minha vida...

- Sem detalhes: sabe lá o que é um cartão de natal mandado para (o que parecia) uma paixão alucinada, a qual está em uma excursão repleta de conhecidos, e o tal cartão cai na mão da galera toda?

- Pra terminar: sou um sentimentalóide daqueles, capaz de marejar os olhos em qualquer filmezinho mais piegas...


Pronto. Falei.

Agora é a vez do Pax, do Chapola, da Fal, do Bruno, do Darw, da Nhé, do Anrafel, do James Bond, do El Torero e de quem mais quiser.

Quem não tiver blog, use a caixa de comentários, faz favor.

4 de fevereiro de 2009

Team Obama e o pagamento de impostos

Não deixa de ser curioso que o principal problema que os indicados por Barack Obama para fazer parte da nova equipe de governo americana tem enfrentado são dúvidas quanto a impostos. A velha e conhecida sonegação.

Primeiro foi o Secretário do Tesouro, Tim Geithner, cuja confirmação pelo Senado só aconteceu após uma sabatina pouco amistosa e bastante constrangedora, e na qual Tim foi obrigado a fazer um pedido de desculpas que beirou a humilhação. O foco era uma pretensa dívida de U$ 34 mil.

Ao mesmo tempo, o ex-senador Tim Daschle, indicado para a Secretaria da Saúde, e Nancy Killefer, indicada para ser a responsável pelo setor que supervisiona os gastos públicos, vinham enfrentando problemas. Ambos pediram ontem que suas indicações fossem retiradas.

Daschle, um dos políticos mais chegados à Obama, enfrentava acusações por ter usado, sem notificação e consequente recolhimento de impostos, motoristas e veículos de fornecidos por um amigo. Valor da dívida: US$ 128 mil. Daschle vinha alegando que foi um erro inadvertido, mas a pressão cresceu e ele resolveu não prosseguir.

Já Killefer enfrentava acusações de não recolhimento de impostos retidos de uma empregada doméstica. Para alguém que ia desempenhar uma função fundamentalmente de controle da adequada execução do dinheiro público, o constrangimento ficou evidente e ela desistiu.

Visivelmente constrangido, Obama pediu desculpas e reconheceu os erros. Mas os fatos só jogaram lenha na fogueira dos que desconfiam da pregação por mudança ética feita pela nova administração.

Pra terminar, eu imagino o Anselmo Góis falando do assunto: Deve ser horrível viver num país onde os homens públicos sonegam impostos...

3 de fevereiro de 2009

O dia em que a música não morreu

Tempos atrás eu escrevi, meio na brincadeira, que estava ficando especializado em efemérides, pela quantidade de datas relevantes que estava usando como tema para posts. Um dos (poucos) comentaristas até deu uma força para eu continuar...
Pois lá vamos nós de novo...




Hoje completam-se 50 anos do acidente de avião, ocorrido próximo à Mason City (Iowa), que matou os músicos Buddy Holly, Ritchie Valens e J.P.Richardson (conhecido como The Big Bopper). O fato serviu como inspiração para que Don McLean criasse em 1971 a música American Pie, grande sucesso na época e posteriormente regravada (de forma parcial) por Madonna em 2000.

A letra da música é muito extensa, e faz uma espécie de resenha da evolução do cenário musical no período entre o acidente e o momento em que foi escrita, entrecortada com momentos da vida de McLean. Tudo isso feito com uma montanha de citações, diretas e indiretas.

A estrofe que ficou mais famosa é aquela que se refere ao acidente como "the day the music died...".

Tenho que concordar que, naquele momento (início dos anos 70), a cena musical não era particularmente brilhante, muito pelo contrário. Em uma espécie de ressaca após os alucinantes anos 60, a grande maioria dos expoentes da cultura pop musical da época estavam atravessando uma fase de vacas magras em matéria de criatividade. Ao mesmo tempo, a reação conservadora estava começando a ampliar sua ação. E lembremos que entre setembro de 70 e julho de 71 ocorreram as mortes de Janis Joplin, Jimi Hendrix e Jim Morrison. Pancada, não? Tudo isso resultou em uma enorme quantidade de material que, na falta de palavra melhor, considero "chato".

Qualquer retrospectiva rápida do período entre 1970 e hoje vai encontrar, como não poderia deixar de ser, quantidades variáveis desse material de menor qualidade. Os anos 80, particularmente, foram difíceis... Aliás, foram difíceis sob todos os aspectos e em todas as áreas...

Mas, felizmente, qualquer um que procure também vai achar música de boa, excelente qualidade em todo esse período. Para todos os gostos, modos de vida e faixas etárias.

Por exemplo, e usando duas bandas de linhas diferentes e pelas quais não sinto nenhuma afeição exagerada (gosto, ponto.), não dá pra ninguém dizer que R.E.M. e Dire Straits não tem um material muito bom, excelente mesmo. Muitos não se identificam, paciência.

Felizmente, da para afirmar que as notícias sobra a "morte da música" foram um pouco exageradas...

Mas que foi uma pena a morte precoce de três talentos, isso foi...

2 de fevereiro de 2009

Momentos que não tem preço

Todo mundo já viu aquela propaganda de cartão de crédito (na realidade uma campanha com diversos anúncios) que coloca preço em alguns objetos ou serviços e, no final, fala de momentos que não tem preço.

Sempre achei que, como sacada de publicitário, era muito boa. Nada além disso.

Um dos anúncios mais recentes (ou nem tanto...) mostrava o desenvolvimento da relação pai-filho. E um dos momentos mostrados era dos dois indo a um jogo de futebol (o filho já homem feito) e usando símbolos de um clube de preferência.

Já fui com meu filho assistir jogos no estádio, e muitas outras vezes nos plantamos defronte a televisão sofrendo com nossos times do coração. Mas, para mim, a ficha nunca havia caído no tocante a sensação de unidade e continuidade que esses momentos representam.

Nunca, até esta última madrugada.

Assistimos juntos, e torcemos loucamente, a partida final do torneio principal de um esporte que tem ainda poucos fãs no Brasil: o futebol americano. Exato, assistimos o Superbowl. E uma das equipes que participaram do espetáculo, o Pittsburgh Steelers, tem a minha simpatia desde a época de adolescente. Nem me perguntem a razão. Iria demorar para explicar.

Essa paixão contaminou o único filho homem, que acabou de entrar na maioridade. Ele acompanhou a temporada toda com atenção maior que a minha, assistiu quase todos os jogos (os que não passavam na TV, ele conseguia links na internet e assistia via streaming) e me informava de detalhes que a falta de tempo me impedia de procurar por meus próprios meios.

Pois bem. Neste começo de madrugada, logo após o final do jogo (aliás, de tirar o fôlego e ameaçar a vida de qualquer hipertenso), estávamos lá, sozinhos na sala, todo o resto da casa (e acho que do bairro) dormindo, e gritávamos, nos abraçávamos, comemorávamos enfim a vitória.

E a ficha então caiu.

Ele cresceu, está na faculdade e já procura meios de se manter sozinho. Mas ainda tem tempo para acompanhar o pai nas paixões herdadas.

Realmente, certos momentos não tem preço.

28 de janeiro de 2009

Dick Cheney e Dr. Strangelove: apenas coincidência???



Vi essas fotos no blog do Sérgio Dávila, e não resisti.

"A vida imita a arte", ou então "separados no berço", ou qualquer outra frase nesse sentido...

Até porque as ideias dos dois encaixam perfeitamente...

E dizem à boca pequena que Cheney "inventou" o problema nas costas para poder usar a cadeira de rodas e assim tentar despertar sentimentos menos belicosos em quem assistiu a posse...


P.S. Estamos completando, nesta semana, exatos 45 anos do lançamento do filme Dr. Strangelove. Outra coincidência????

26 de janeiro de 2009

Irônico pra mais de metro...

Proibir livros, qualquer que seja seu conteúdo, é uma ofensa à democracia. Além de ser uma idiotice sem tamanho, se o objetivo for barrar a difusão de ideias. Nunca funciona. Muito pelo contrário...

OK. Sei que algumas democracias sólidas (França, Áustria, Alemanha e Canadá, por exemplo) criminalizaram formas de difusão de "doutrinas do ódio", especialmente quando o alvo desse ódio são minorias. E o Brasil também tem uma legislação nesse sentido. Mas mesmo esse tipo de legislação é discutível quanto a sua eficácia e quanto à necessidade de sua existência. Pessoalmente, tenho minhas dúvidas.

Mas o que move este post é o movimento desencadeado em alguns setores religiosos ultra-conservadores americanos para banir um certo livro.

Qual? Fahrenheit 451, de Ray Bradbury.

Quem leu o livro certamente já captou a suprema ironia. Mas para quem ainda não leu, uma pequena dica: um dos temas do livro é ... a proibição absoluta da posse de livros. Passado num futuro próximo em um mundo totalitário onde pensar é algo inútil e perigoso, e onde os bombeiros são os encarregados de caçar e queimar os livros, o livro é uma crítica feroz à sociedade americana da época de sua publicação (1953), onde o macartismo florescia.

Ou seja: Ironia pouca é bobagem...



P.S. Explicando um pouco melhor: os grupos religiosos pediram (e já conseguiram em alguns casos) a proibição do livro basicamente pela utilização de "linguagem inapropriada". Principalmente, "hell" e "damn", cujo uso poderia "afetar a mente das crianças".
Ou seja, tão de gozação... Só pode.

E com certeza, idiotice pouca também é bobagem...

Aliás, o vídeo abaixo é bastante elucidativo...



22 de janeiro de 2009

21 de janeiro de 2009

Guantánamo

Obama mandou suspender temporariamente os processos contra os detidos em Guantánamo. E já sinalizou que mandar fechar a prisão.

Ótimo, começou muito bem.

Entretanto, no meio de toda a falação sobre o tema, não me lembro de ter visto ninguém que falasse sobre a própria existência da base.

Um resquício do mais genuíno colonialismo, arrancada de Cuba por um tratado totalmente desigual, a base, mesmo depois da eventual saída dos prisioneiros, continuará depondo contra os Estados Unidos, especialmente frente ao povo da América Latina e Caribe.

Talvez esteja chegando a hora de o governo americano começar a pensar na devolução da área para o controle dos cubanos.

Claro que, antes de mudanças políticas em Cuba, esse tipo de medida enfrentaria pesada resistência dos setores mais conservadores, notadamente da comunidade cubano-americana concentrada na Flórida.

Mas, por outro lado, talvez seja uma boa moeda de troca para persuadir o governo cubano a realizar reformas políticas mais profundas.



20 de janeiro de 2009

Acaba hoje, finalmente


Foram oito e quase intermináveis anos de (des)governo de George Walker Bush.

Análises sobre o significado desta era estão pipocando em todo canto, e muitas mais ainda aparecerão. Até porque muitos dos descalabros só vão ser revelados nos próximos meses e anos.

Pessoalmente, já deixei claro inúmeras vezes o quanto essa figura nefasta e seus acólitos me dão ânsia de vômito, com todo o mal que praticaram dentro e fora dos EUA.

O que pretendo neste post é que cada um dos leitores expresse sua opinião sobre a figura que hoje deixa a Casa Branca.

E não se reprima nessa hora. Solte o verbo. Se quiser, baixe o nível, não tenha pena. Pode pegar pesado.

É a hora da vingança, de soltar tudo aquilo que ficou preso dentro de nós por tanto tempo.

Mãos à obra.


P.S. A foto aí em cima é genial...


16 de janeiro de 2009

Sasha Grey, sua danadinha... (e é conterrânea...)


Pra quem não conhece, esta aí em cima é Sasha Grey, atriz, modelo e, agora, cantora americana. E quando eu digo atriz é abrangendo todo o amplo espectro da representação...

Ou seja, ela é também atriz pornô. Que aliás foi por onde começou.

Mais recentemente, após se firmar no topo do mercado de filmes adultos, ela começou a transcender esse setor da indústria de entretenimento e passou a ser chamada para participar de video-clipes e filmes convencionais. Seu próximo filme, por exemplo, vai ser dirigido pelo conhecido Steven Soderbergh.

O site da edição brasileira da revista Rolling Stones traz uma rápida entrevista, enfatizando as múltiplas atividades agora exercidas por Sasha.

Peço atenção para a última e antólogica resposta.

Vocês entenderão porque não reproduzimos aqui neste espaço...


UPDATE 1: E não é que a garota é aqui da terrinha? Bem que eu achei que ela tinha alguma coisa meio familiar (ops...), especialmente a língua (!!!) afiada...

UPDATE 2: Nos comentários, apareceu um possível desmentido ao Update anterior...

14 de janeiro de 2009

9 de janeiro de 2009

Sir Paul fala, e também de política

A revista inglesa Prospect, em sua edição de Janeiro, traz uma entrevista feita pelo jornalista político Jonathan Power com um antigo colega de escola em Liverpool: Paul McCartney.

Como é incomum que Paul emita opiniões sobre temas políticos, ou que circundem o ambiente político, vale a pena para quem puder dar uma olhada. Digo quem puder porque o site da revista traz apenas o início da entrevista (uns 20%). Porém, no UOL temos outro pedaço da entrevista, do qual pinço um parágrafo no qual ele toca em um tema brutalmente atual:


"Você sabia que eu acabei de fazer um show em Israel? Me advertiram quanto a ir lá, e me aconselharam a não entrar nos territórios palestinos. Mas eu me liguei a uma organização chamada One Voice (Uma Voz), que é meio palestina, meio israelense. Eles trabalham pela paz, ainda esperando uma solução baseada em dois Estados. Eles acreditam que isso não está muito distante, que os políticos apenas sentem dificuldade em assinar um acordo. Conheci alguns deles em Tel Aviv. Não tinha percebido o quanto o Estado de Israel é intrusivo. Se alguém quiser fazer algo como importar um carro nos territórios palestinos, é necessário obter uma permissão de Israel. E um palestino que trabalha em Israel precisa entrar em uma fila às três horas da manhã para começar a trabalhar às oito. É hora de batermos de frente contra isso conforme conseguimos aparentemente fazer na Irlanda."


7 de janeiro de 2009

Pensem nas crianças...


Assistindo à toda a tragédia pela qual passa a Faixa de Gaza, me veio à mente uma obra-prima:


Pensem nas crianças mudas, telapáticas
Pensem nas meninas cegas, inexatas
Pensem nas mulheres rotas, alteradas
Pensem nas feridas como rosas cálidas
Mas só não se esqueça da rosa, da rosa
Da rosa de Hiroxima, rosa hereditária
A rosa radioativa estúpida e inválida
A rosa com cirrose a anti-rosa atômica
Sem cor sem perfume sem rosa, sem nada

Rosa de Hiroxima
Vinícius de Moraes


(Foto via E.I. )

5 de janeiro de 2009

Pra começar bem o ano

Este é o primeiro post de 2009, e na busca por um ano melhor que os anteriores, é adequado que o tema seja alguém acima das prosaicas discussões do dia-a-dia.

Este ano, mais precisamente no dia 5 de março, comemoramos o centenário de nascimento do poeta Antônio Gonçalves da Silva, mais conhecido como Patativa do Assaré, reconhecido como o maior poeta popular do Brasil.

Claro que quando a data chegar pretendemos nos estender mais, então este é só um ponto de partida. Aliás, decidi que o poeta seria o assunto deste post inicial a partir de um fato recente.

Quando da festa de final de ano no trabalho, foi organizado uma troca de presentes tipo amigo-secreto-secreto. Explico: cada um trazia um presente sem saber quem seria o agraciado. Houve um sorteio, e cada um ia até a mesa e escolhia um dos presentes. Porém, cada um dos seguintes, ao escolher seu presente e abrí-lo, tinha a opção de trocá-lo por qualquer um dos escolhidos anteriormente. Ou seja, os últimos sorteados tinham mais opções de escolha. Como não sabíamos quem ficaria com cada lembrança, tínhamos de trazer objetos "unisex". E até cerca de uma hora e meia antes de começar a confraternização eu não fazia a menor idéia do que comprar. Estava em um shopping, olhando vitrines, mas completamente perdido. Quase no desespero, entrei em uma livraria e dei de cara com o livro "Digo e Não Peço Segredo", em uma edição que mistura os textos de Patativa com imagens belíssimas. Peguei no ato. E fez o maior sucesso...

Pra dar um gostinho do que é a obra do poeta, vai aí uma estrofe do poema Cabra da Peste, que posteriormente foi musicada:

"Eu sou de uma terra que o povo padece
Mas não esmorece e procura vencer.
Da terra querida, que a linda cabocla

De riso na boca zomba no sofrê

Não nego meu sangue, não nego meu nome.
Olho para a fome , pergunto: que há?
Eu sou brasileiro, filho do Nordeste,
Sou cabra da Peste, sou do Ceará."



30 de dezembro de 2008

Tá acabando...

Está chegando o final de 2008.

Foi um ano tranquilo no aspecto pessoal e profissional, e muito instigante aqui no blog.

Afinal de contas, foi neste ano que a coisa realmente "pegou no breu". Apesar de algumas fases de inconstância nas postagens (pura preguiça, reconheço), foi este ano que a coisa resolveu fluir.

E mais importante do que isso, um pequenino mas dedicado grupo de leitores honrou-me com sua atenção e, às vezes, com as suas opiniões. (O Hermê fala de seus 4,5 leitores. Devo estar com 1,3 , mais ou menos...)

A cada um de vocês, obrigado por gastarem parte de seu precioso tempo neste espaço. A qualidade de vocês mereceria um escriba mais assíduo e mais inspirado, com certeza.

Feliz 2009 para cada um e para os seus.


E lá vou eu pro meio do mato...

29 de dezembro de 2008

Agora que o Natal passou...

Neste intervalo entre os dois feriados, vamos nós de novo:

- A CIA está usando o Viagra como arma na guerra no Afeganistão. Seus agentes tem buscado atrair os geralmente idosos chefes tribais para a luta contra o Taleban/Al Qaeda, especialmente como fonte de informações. As formas tradicionais de incentivo à cooperação são dar a esses chefes armas ou dinheiro. O problema é que as armas frequentemente caem nas mãos erradas, e o dinheiro é gasto rapidamente em brinquedos ostentatórios, um claro sinal para todos na região que o chefe tem um novo amigo rico (e que é rapidamente identificado como sendo a CIA), fazendo com que o chefe fique inútil como fonte de informações. A pequena pílula azul não deixa rastros visíveis, e muitas vezes os chefes (ansiosos para atender bem suas jovens esposas) querem mais, o que faz com que entrem no comércio de informações que a CIA deseja.

- Meses atrás, após anos e anos de discussões, foi anunciado pela Petrobrás que seriam construídas duas novas refinarias no Nordeste, sendo uma Ceará e outra no Maranhão. Pois bem, agora saiu um documento do Ministério das Minas e Energia colocando tudo em compasso de espera, mas sinalizando que provavelmente apenas uma das refinarias será construída. Sabendo-se que o Ministro de Minas e Energia é o senador maranhense Edson Lobão, e que existe uma figura chamada José Sarney, que dispensa comentários, adivinhem qual será o resultado? Vale ressaltar que até a chegada de Lobão ao ministério o Maranhão sequer aparecia entre os estados que concorriam para sediar a refinaria...

- Esta aqui é do The Best Article Every Day, via Antena Paranóica , e chama-se O Declínio da Civilização:


- E pra terminar: mudar direitos trabalhistas agora? No meio de uma crise?
Não é lindo...???



21 de dezembro de 2008

Overdose germânica

Por conta de meus hábitos televisivos, sempre assisti uma razoável quantidade de filmes europeus, especialmente documentários. Na maioria franceses ou alemães. O que para alguns (ou muitos) poderia ser uma chatice sem fim (e algumas vezes é...), para mim sempre foi algo que despertou bastante interesse. Óbvio que bom naco desses filmes remete aos acontecimentos da primeira metade do século XX. A 1ª Guerra, o surgimento do nazismo, a perseguição aos judeus, a destruição resultante da 2ª Guerra e a ascensão de governos comunistas no leste europeu são assuntos constantemente reiterados.

Nesses últimos dias, dois filmes alemães e um filme francês com temática alemã chamaram minha atenção.

O primeiro é A Vida dos Outros (Das Leben der Anderen), ganhador do Oscar de Melhor Filme em Língua Estrangeira de 2007. O filme se passa na Alemanha Oriental do início dos anos 80 e tem como personagens principais um conhecido escritor, uma atriz (sua namorada), e um agente da Stasi, a temida polícia secreta, encarregado de vigiá-los. O modo como suas vidas vão se entrelaçando e os dilemas enfrentados pelo policial fazem do filme um dos mais instigantes dos últimos tempos. Recomendo.

Os outros dois são documentários. Um deles chama-se Berlim: Uma Praça, Um Assassinato e Um Comunista Famoso (Berlin Ecke Volksbühne), e é focado na história no século XX de uma pequena praça de Berlim que foi palco de inúmeros acontecimentos marcantes para a Alemanha. Por exemplo, lá se localizava a sede do Partido comunista alemão na época da República de Weimar, o que acabou tornando a praça local de constantes confrontos com as milícias nazistas. O filme retrata o auge e a decadência da região, sem esquecer do destino das famílias judias que lá habitavam. Interessante também é ver como um assassinato ocorrido no início dos anos 20 só vai ser solucionado mais de 60 anos depois.

O último é o documentário francês Idiomas não Mentem (La Langue Ne Ment Pas), que conta vida do filólogo alemão de origem judia Victor Klemperer, o qual apesar de convertido ao protestantismo e casado com uma alemã foi tragado pela perseguição nazista. Klemperer escreveu um longo diário (publicado no Brasil pela Companhia das Letras) em que relatou cada pequena agressão, privação e humilhação imposta pelos nazistas, e dava especial atenção ao modo como a língua alemã era maltratada e subvertida pelos nacional-socialistas. Uma das razões da importância desse relato é que o autor foi um dos raríssimos membros da comunidade judaica de Dresden que sobreviveu à guerra inteira e que nunca deixou à Alemanha, o que lhe dá uma posição ímpar como observador integral do processo.

Aliás, Klemperer é também uma das poucas pessoas que pode dizer que utilizou uma tragédia para escapar de outra ainda maior. Em 13 de fevereiro de 1945 os nazistas ordenaram que os últimos sobreviventes judeus em Dresden se preparassem para a deportação imediata. Naquela noite, entretanto, ocorreu o famoso bombardeio de Dresden pelos aviões aliados. Na confusão, Victor arrancou a estrela amarela das roupas e misturou-se aos demais refugiados em fuga.

13 de dezembro de 2008

12 de dezembro de 2008

Passando os olhos nas notícias

Uma passagem rápida por algumas notícias que despertaram a minha atenção nos últimos dias:

- A absolvição de um dos policiais envolvidos na morte do menino João Roberto, ocorrida no Rio em Julho deste ano, é daquelas notícias capazes de revirar qualquer estômago. Caramba, quer dizer que voltamos ao velho oeste, na base do atire primeiro e pergunte depois? Uma sentença como esta legitima todo tipo de exagero cometido por forças de segurança, ou seja, todos estamos correndo risco. Já não bastava o medo da ações dos marginais, agora temos que temer a polícia e seu despreparo?
E o que seria cômico (se não fosse trágico...) é que o júri absolveu o PM pela morte de João Roberto, mas condenou por lesão corporal contra a mão do menino e seu irmãozinho de 9 meses. Deu pra entender?

- Ronaldo Gord.., ops, Fenômeno, vai jogar no Corinthians. Como jogada de marketing, brilhante. Uniu um clube enorme, com torcida pra lá de apaixonada (às vezes meio delirante...), e um jogador ultra-conhecido e capaz de alavancar receitas as mais diversas. No campo puramente esportivo, é uma aposta de alto risco. Apesar de clinicamente recuperado, persiste a dúvida se Ronaldo voltará a ter condições de jogar futebol em nível competitivo. É esperar pra ver...
Ah! Não podemos esquecer que essa foi mais uma das diversas mancadas que a diretoria do Flamengo deu nos últimos tempos...

- Essa é uma daquelas notícias que quase passa batido pela mídia brasileira, ou quando muito tem divulgação restrita e atrasada. O comitê organizador das festividades de posse de Barack Obama na presidência dos EUA convidou para assistir às solenidades os remanescentes dos Tuskegee Airmen. Quem são eles? Apenas a primeira unidade 100% negra do Corpo Aéreo do Exército americano e que lutou nos céus da Europa e África do Norte na 2ªGuerrra Mundial. Sua destacada atuação em combate abriu as portas para que o Presidente Truman, em 1948, terminasse com a segregação nas forças armadas, o que se tornou (mesmo que naquela época não ficasse claro) a primeira conquista na luta pelos direitos civis dos negros.
De certa forma, é um ciclo se fechando. Os pouco mais de 300 sobreviventes poderão assistir até onde sua luta chegou: um negro na Casa Branca, sentado no Salão Oval.

- E pra terminar, faleceu aos 85 anos Bettie Paige, uma das mais famosas modelos dos anos 50, na época conhecidas como "pin-ups", e cujas imagens habitaram o imaginário de toda uma geração de marmanjos do mundo inteiro. Conhecida por sua ousadia, ela ficou especialmente famosa por participar de sessões de fotos e de filmagens em que um toque sado-masoquista era a tônica.
Se você não está ligando o nome à pessoa, segue uma amostra:







4 de dezembro de 2008

Ajudantes de Papai Noel - II

Está chegando o final do ano, aquela época de confraternizações e troca de presentes, freqüentemente por obrigação, não é ?

ERRADO !!!

Na realidade, está chegando a hora de mostrar o seu lado genuinamente bom (acreditem, todos temos um...), ajudando a fazer que o Natal de quem é menos favorecido seja um pouco mais alegre. Neste ano, principalmente, com a crise dando as caras e as tragédias naturais fazendo um estrago pra lá de considerável, o apelo fica redobrado.

Muitas são as formas: fazendo trabalho voluntário em instituições que atendem crianças, idosos ou moradores de rua, doando bens ou dinheiro para essas instituições, etc.

Novamente, a minha sugestão é o programa "Papai Noel dos Correios".

É o seguinte: todos os anos os Correios recebem milhares de cartinhas que crianças enviam para Papai Noel. No início, muitos anos atrás, os funcionários dos Correios abriam as cartas e as respondiam. Aos poucos foram aparecendo casos em que as cartinhas eram tão tocantes que era impossível ficar só na resposta escrita, o que levava alguns desses funcionários a se cotizarem para adquirir presentes para entregar aos remetentes. Para isso, muitas vezes, um dos funcionários se vestia de Papai Noel, e o momento da entrega era de uma emoção sem paralelo. A notícia dessas ações foi se espalhando, o número de cartas foi crescendo, e a partir de 1994 a direção dos Correios resolveu institucionalizar a prática e possibilitou que o público externo pudesse "adotar" cartinhas, entregando os presentes nas agências dos Correios, o qual se encarrega de realizar a entrega.

Nem preciso falar mais. Tire seu traseiro (e o resto do corpo também) da frente do computador e vá procurar as agências onde estão as cartinhas. Escolha uma, ou então pegue sem olhar. Qualquer dúvida, este é o link lá dos telefones de contato em cada estado.

Se por acaso você tem um blog ou página em um site de relacionamentos (Orkut, My Space, Facebook, etc.) , está intimado a ajudar a divulgar essa ação.

Papai Noel está recrutando voluntários. Por que não você?



P.S. Se você é um leitor atento e frequente deste espaço, deve ter notado que eu peguei o post do ano passado, dei uns ajustes e republiquei. Não era preciso reinventar a roda, né?

2 de dezembro de 2008

A febre da mudança se espalha

Responda sem pesquisar: qual o primeiro governo assumidamente socialista do continente americano?

Se você pensou naquele bando de barbudos entrando em Havana em 1959, errou. Até porque Castro só se assumiu socialista tempos depois...

Bem, a resposta correta é que foi o governo da província canadense de Saskatchevan, a partir da eleição em 1944, em que o Co-operative Commonwealth Federation (CCF) alcançou a maioria no parlamento provincial e seu líder, Tommy Douglas, tornou-se Primeiro-ministro.

Dentre as inúmeras medidas adotadas pelo governo do CCF, e que para a época foram consideradas revolucionárias, estavam a criação de diversas companhias estatais, sendo a principal a de energia elétrica, a criação de um seguro agrícola, a permissão para que os funcionários públicos se sindicalizassem e, principalmente, a extensão a todos os cidadãos da província do direito ao atendimento médico gratuito sem limites.

Aos olhos de hoje, medidas interessantes mas nada radicais. Mas para o final dos anos 40 e decorrer dos anos 50, com o mundo vivendo o auge do conflito leste-oeste, e com o macartismo ali do lado, convenhamos que não foi pouca coisa.

Agora os amigos podem perguntar: e porque você desencavou essa história?

Bem, o que me chamou atenção foram os fatos relatados neste artigo, que informa que os três principais partidos de oposição do Canadá (Partido Trabalhista, Novo Partido Democrático e o Bloco Quebecois) resolveram se unir e tirar do poder o Partido Conservador, que apesar de haver saído da última eleição como a maior bancada do parlamento, não conseguiu a maioria das cadeiras (ficou com 143 do total de 308).

O que é inusitado nessa ação, corriqueira em outros países, e certamente impulsionada pela deterioração da situação econômica e acompanhando um desejo de mudança externado pelos eleitores ao sul da fronteira americana, é que nunca houve um governo de coalizão a nível nacional no Canadá. Sempre foi permitido ao partido com maior bancada no Parlamento formar o governo, mesmo com minoria de parlamentares.

Dessa vez a oposição, juntando partidos de centro-esquerda, esquerda e os nacionalista de Quebéc, resolveu partir para o confronto, pediu à Governadora-Geral que permitisse a eles formar o governo. Ela ainda não se pronunciou, e pode negar o pedido, permitindo aos conservadores permanecer no governo.

Como era de se esperar, os conservadores estão furiosos, acusando os rivais de "golpe" (não parece familiar?). Ou seja, os próximos dias serão agitados no enorme irmão do longínquo norte...

Mas, vocês podem tornar a perguntar, afinal de contas onde está a ligação entre a primeira e a segunda parte deste post?

Bem, o CCF, que formou o governo socialista de Saskatchevan, uniu-se em 1961 aos principais grupos sindicais canadenses e deu origem ao New Democratic Party (Novo Partido Democrático), que é membro da coalizão que está tentando desalojar os conservadores. Pela primeira vez, o partido que foi pioneiro em diversos avanços sociais pode chegar ao poder à nível nacional, mesmo que como parte de uma coalizão.

Tommy Douglas, cuja vida foi objeto de uma mini-série intitulada "Gigante da Pradaria"(passou no Brasil pelo Hallmark Channel), esteja onde estiver, deve estar rindo à toa...

29 de novembro de 2008

O milagre aconteceu

Revertendo algo que mesmo a imensa maioria de sua torcida já considerava fato consumado, o Fortaleza escapou do rebaixamento para a série C.

Motivo para estarmos aliviados, mas sem direito a comemorar efusivamente.

A diretoria errou demais, desde o início do ano, e de quase todas as formas possíveis. Quase jogou pelo ralo o lento e, ao que parecia, seguro trabalho de reestruturação do clube, que já durava uns 8 anos.

Demos sorte, muita sorte. Os resultados dos adversários, nas últimas rodadas, foram exatamente o que precisávamos. E mesmo assim, quase colocamos tudo à perder.

Agora é levantar a cabeça e não repetir em 2009 os erros deste ano.

Porque a torcida tricolor não merece passar por esse sofrimento outras vezes.




(Post simultâneo com o Torcedor Obsessivo Compulsivo )

28 de novembro de 2008

Um prazer e uma honra

Ontem tive a oportunidade de transformar um conhecimento virtual em real.

Tomei uma geladas, acompanhadas de churrasco de carneiro, com um dos grandes da blogosfera brasileira.

Um grande abraço, Hermenauta.

Foi um prazer e uma honra.

27 de novembro de 2008

Eu estava quieto...

... aí o amigo Monsores começou a me catucar.Bem, lá vai:




Essa aí é a do Dylan que mais toca no meu carro...

26 de novembro de 2008

Casa de avó, chiqueiro de neto

Um dia desses, indo para o trabalho, ouvi no rádio o locutor afirmar que aquele era o Dia do Avô. Fiquei em dúvida se era isso mesmo, até porque não vi nenhuma outra menção ao assunto na mídia durante o dia.

De todo modo, desde lá fiquei com um pensamento recorrente: o que exatamente é ser avô.

Particularmente, quanto a esse tema, vivo em um certo limbo. Ainda não sou avô, se bem que já poderia ser (minha filha mais velha vai completar 24 anos e o do meio vai fazer 18 semana que vem...). E quanto aos meus avós, tive menos contato do que gostaria, pelo menos em 3/4 dos casos.

Explicando: os dois avós homens faleceram bem antes de meus pais se conhecerem. O avô paterno, de quem herdei o nome, foi levado pelo que provavelmente foi um dos últimos surtos de Gripe Espanhola, bem no início dos anos 40. E o avô materno, seu Júlio, que passou grande parte da vida administrando a construção de barragens sertão a dentro, viveu até o início dos anos 50, quando o que suspeito ter sido um câncer de pulmão o levou.

Quanto às avós, conheci as duas, mas em circunstâncias bastante diferentes. A avó paterna, Dona Cristina, morava no interior, em uma pequena cidade às margens do Rio Jaguaribe chamada Itaiçaba (esse nome já apareceu neste blog, procurem).

Aliás, esta semana, vendo as notícias da tragédia provocada pelas chuvas em Santa Catarina, lembrei de como Itaiçaba era vulnerável às enchentes. Várias vezes durante minha infância e adolescência ocorreram grandes inundações, com a água atingindo 5 ou 6 metros no centro da cidade (isso quer dizer mais de 10 metros acima do nível normal do rio).

Mas voltando à minha avó, tenho fotos de visitas que fizemos a ela quando eu tinha cerca de 1 anos de idade, e pude travar contato com a vida no interior, correndo atrás de bichos, andando de carroça, e por aí vai... Infelizmente, ela faleceu quando eu tinha apenas 3 anos, e por isso o contato foi muito limitado.

Quanto à avó materna, bem, a história é completamente diferente. Por um daqueles desencontros que a vida apresenta para todos nós, meus pais se separaram antes de eu completar 2 anos. e minha mãe voltou a morar na casa de minha avó. Resultado: desde então, e até o falecimento dela no meio da minha adolescência, Dona Júlia (esse nome...) foi presença marcante.

E olha que ela não foi aquele tipo de avó totalmente complacente com as atitudes do neto. Uma vida incrivelmente cheia de acontecimentos marcantes e dolorosos (acreditem, até hoje me arrependo de não ter gravado um depoimento dela) fez com que ela se tornasse uma mulher muito austera e ciosa de sua autoridade. Mas eu era o neto que morava com ela, logo tinha minhas regalias em relação às dezenas (isso mesmo, dezenas) de primos e primas que nos visitavam constantemente.

Só à guisa de exemplo: lembro perfeitamente quando, aos 5 ou 6 anos, pedi que ela me explicasse o que era o Jogo do Bicho (apesar de católica fervorosa, ela não abria mão de uma aposta de vez em quando). Ela fez melhor: explicou o jogo em linhas gerais, chamou o bicheiro que passava todo dia em nossa rua, e mandou que eu fizesse uma "fezinha". Não sei de quanto foi a aposta, nem lembro os números (acho que foi o da casa, mas não tenho certeza), mas não é que eu acertei na centena? Sei que o prêmio acabou ajudando minha mãe a pagar umas contas, minha avó comprar uns remédios, e para mim rendeu umas roupas novas e uns brinquedos.

Em outras palavras, aquela casa era mais ou menos o que o dito popular que usei como título deste post expressa: "casa de avó, chiqueiro de neto".

E volto à pergunta do início, porém sobre um ângulo mais pessoal: como serei eu como avô?

Bem, uma pista para a resposta está dentro de casa. Afinal de contas, quando se tem uma filha caçula bem mais nova do que os demais, e você está em uma idade em que netos já são uma possibilidade palpável, corre-se o risco de virar um pai-avô (o inverso é um avohai, como imortalizou Zé Ramalho...). Tem que se ter cuidado para a autoridade de pai não se esvair e a coisa degringolar...

Outra pista vem dos meus sobrinhos, diretos e indiretos. Sabem aquele tipo de tio meio palhaço, que quem todos gostam e com quem todos tem uma história interessante para contar? Pois esse sou eu.

Resumindo, tenho quase certeza que serei aquele avô totalmente contraproducente em termos de autoridade. Meus filhos é que dêem seu jeito...

19 de novembro de 2008

Mexendo com o meu patriotismo

Em algum lugar, sobre a carapaça de cidadão do mundo, ainda sobrevive em mim um naco considerável de patriotismo. E que costuma vir à tona quando escuta estes versos, especialmente num dia como hoje:

Salve, lindo pendão da esperança,
Salve, símbolo augusto da paz!
Tua nobre presença à lembrança
A grandeza da Pátria nos traz.

Recebe o afeto que se encerra
Em nosso peito juvenil,
Querido símbolo da terra,
Da amada terra do Brasil!

Em teu seio formoso retratas
Este céu de puríssimo azul,
A verdura sem par destas matas,
E o esplendor do Cruzeiro do Sul.

Recebe o afeto que se encerra
Em nosso peito juvenil,
Querido símbolo da terra,
Da amada terra do Brasil!

Contemplando o teu vulto sagrado,
Compreendemos o nosso dever;
E o Brasil, por seus filhos amados,
Poderoso e feliz há de ser.

Recebe o afeto que se encerra
Em nosso peito juvenil,
Querido símbolo da terra,
Da amada terra do Brasil!

Sobre a imensa Nação Brasileira,
Nos momentos de festa ou de dor,
Paira sempre, sagrada bandeira,
Pavilhão da Justiça e do Amor!

Recebe o afeto que se encerra
Em nosso peito juvenil,
Querido símbolo da terra,
Da amada terra do Brasil!


Hino à Bandeira Nacional
Letra: Olavo Bilac
Música: Francisco Braga


Disparado, esse hino tem a letra mais linda de todos. Mais do que o combativo porém antiquado Hino à Independência, e do que o Hino Nacional, de boa música e confusa letra.

Hoje é 19 de Novembro, Dia da Bandeira. E, disparado, esse hino tem a letra mais linda de todas. Mais do que o combativo porém antiquado Hino à Independência, e do que o Hino Nacional, de boa música e confusa letra.



P.S. Notaram como de uns tempos pra cá estou ficando especialista em desencavar efemérides? Será que isso tem cura?

18 de novembro de 2008

Eles estão de volta (se é que tinham partido...)

Se existe um tema do qual jamais pensei que fosse tratar neste espaço, esse é o da pirataria. Não aquela que ficou famosa nos últimos anos, a pirataria tecnológica, de conteúdo ou de equipamentos. Essa aí até me passou vez ou outra pela cabeça escrever algo.

Eu falo é da pirataria armada, aquela que aterrorizou os mares por milhares de anos. Milhares sim, pois desde os primórdios da antiga Grécia (1300 A.C.), ou nos mares da China e Japão, que o problema existia. Pirataria que teve seu auge no século XVIII, e o Caribe como seu principal teatro. E que desde então foi definhando até se transformar em atividade restrita a alguns portos mal policiados (Santos é constantemente citado...) e algumas regiões do Extremo Oriente.

Pois não é que, de uma hora para outra, descobrimos que a costa da Somália transformou-se em região de intensa atividade de piratas. Dezenas, talvez centenas de navios já foram atacados na região. Semanas atrás, um barco ucraniano carregado de armas para o Quênia foi tomado. Agora foi a vez de um super-petroleiro saudita. Tudo isso aproveitando-se de um governo que na prática não existe, e da passividade (pelo menos até agora) das chamadas grandes potências.

Fico pensando se esse ressurgimento, com tal força, não é mais um subproduto da desastrada administração Bush. Afinal, a administração que está (felizmente) em seus estertores cometeu, dentre seus incontáveis erros mundo afora, equívocos cruciais ao tratar com aquela região. Tendo recebido do governo Clinton uma situação já calamitosa, com o poder na Somália dividido entre senhores da guerra, o governo Bush, sempre obcecado pela luta contra os extremistas islâmicos, deixou passar várias oportunidades de unificar e pacificar a região, apenas porque o poder passaria para um governo com alguma orientação islâmica, mesmo que moderada.

Pois é, os piratas estão de volta às manchetes, e não é por causa de nenhum longa da Disney...

11 de novembro de 2008

Ecos de um conflito quase esquecido

Responda rápido: que dia é hoje?

A maioria vai lembrar rápido da data: 11 de novembro de 2008.

Mas, e daí? O que essa data significa? Não vale olhar a Wikipedia...

Admito que, como fanático por história, essa é uma data da qual sempre soube o significado. Mas esse ano quase passei batido. Ouvindo o rádio hoje pela manhã um locutor indiretamente me refrescou a memória: hoje é o Dia do Armistício.

Que bicho é esse? Bem, é em comemoração à assinatura do cessar-fogo que pôs fim a 1ª Guerra Mundial, em 11 de novembro de 1918. Ou seja, exatos 90 anos.

Se você não é também um tarado por história, e especialmente por temas militares, tenho certeza de que acha essa data apenas mais uma daquelas milhares que estão nos livros didáticos e que não representam basicamente nada. Aliás, representam sim: mais uma brecha para aqueles antigos professores de história que gostavam de obrigar os alunos a decorar fatos e datas sem explicar a verdadeira importância dos mesmos.

É quase um consenso de que a 2ª Guerra foi o último conflito de grande porte onde os lados estavam perfeitamente caracterizados. Sabíamos que estava certo e quem estava errado, quem representava o bem (vá lá...) e quem era a imagem do mal, quem era o agressor e quem era o agredido. E ao final da guerra estava lá o preço pago: aproximadamente 70 milhões de mortos, entre militares e civis.

A 1ª Guerra não teve esse caráter claramente estabelecido, nem durante e principalmente após seu encerramento. A luta entre as potências imperialistas parecia inevitável no final do século XIX e início do século XX, com cada uma procurando se preparar da melhor forma possível, incluindo uma política de alianças que tirava quase qualquer margem de manobra dos defensores da diplomacia. A "paz armada" era a tônica, e bastaria um estopim para abrir a caixa de Pandora...

Quando chegamos à novembro de 1918, depois de 4 anos de lutas e atrocidades (não esqueçam o genocídio contra os armênios...), em que grande parte dos armamentos hoje utilizados (e até alguns que foram posteriormente proibidos...) tiveram sua origem, que destruíram totalmente qualquer ideal romântico-nacionalista que grandes parcelas das populações tinham quando da eclosão das hostilidades, e depois de quase 20 milhões de mortos, o mundo havia mudado mais profundamente do que nos 50 anos anteriores, e as marcas do conflito e dos tratados de paz que o seguiram acabariam dando o mote para a matança subsequente.

Ou será que alguém imagina que aquele austríaco que serviu como cabo no exército alemão teria conseguido realizar toda aquela "obra" sem que existisse na Alemanha dos anos 20 um terreno fértil para as suas pregações extremistas? Ou que os totalitarismos italiano, japonês e, de certa forma, o stalinismo, são em boa medida filhos da chamada Grande Guerra ?

Em meados dos anos 90, alguns analistas diziam que o século XX começou e terminou no mesmo lugar: Sarajevo. Das balas que mataram o arquiduque austríaco em 1914 até o conflito entre sérvios, bósnios e croatas por nacos da então Iugoslávia, parece que realmente as mudanças não foram tantas assim.

Se bem que, sobre o real fim do século XX, a Al-Qaeda tem opinião diferente...


5 de novembro de 2008

Presidente Barack Hussein Obama



Parabéns ao presidente eleito, ao povo americano e a todos os habitantes do planeta.

Esperemos que, de fato, a esperança na mudança se materialize.



P.S. Belo presente de aniversário que eu e o PD ganhamos...

4 de novembro de 2008

E eles estão votando...

Chegou o dia ansiosamente esperado pelos americanos e, gostemos ou não, pelo resto do mundo. Hoje os eleitores dos Estados Unidos escolhem seus novos dirigentes, em especial seu novo presidente.

Barack Obama ou John McCain?

Se as últimas pesquisas estiverem certas, Obama leva essa sem dramas exagerados. O que parecia 90 dias atrás ser uma disputa acirrada transformou-se em provável vitória folgada dos democratas. A grave crise econômica tirou o chão sob os pés dos republicanos, e jogou o americano médio nos braços de Obama. Junte-se a isso o descalabro dos últimos oito anos de era Bush e o cenário está montado.

Não dá para esquecer o fato de que Barack pode ser o primeiro não-branco a chegar ao comando da Casa Branca, algo impensável até bem pouco tempo. Prova que o país mudou muito desde os conflituosos anos 60, onde a luta pelos Direitos Civis atingiu seu ápice. Óbvio que nem todos mudaram, como bem sinalizaram diversos episódios desta campanha. Mas que as coisas estão em mutação no Grande Irmão do Norte não dá para negar...

Este blog, bem lá atrás, deixou clara sua simpatia pelo candidato democrata. Um pouco por ideologia pessoal e muito por achar que o resto do mundo merece lidar com um líder americano minimamente decente e esclarecido.

As próximas horas mostrarão se teremos essa chance.

1 de novembro de 2008

Está tudo lá em "West Wing"...


Dando uma espiada nos jornais on-line esses dias, dei de cara com este artigo do NYT. Bastou ler os primeiros parágrafos para ficar impressionado no modo como aquele velho bordão de que "a vida imita a arte" pode ser estar sendo novamente reiterado.

"Quando Eli Attie, um redator da série "The West Wing", preparava-se para escrever alguns episódios na sexta temporada sobre a improvável candidatura presidencial de um jovem congressista democrata, ele pegou o telefone e ligou para David Axelrod.

Attie, um ex-redator de discursos para Al Gore, e Axelrod, um consultor político, haviam cruzado caminhos anteriormente em campanhas políticas. "Eu telefonei-lhe e disse: 'Fale-me sobre Barack Obama'", disse Attie.

Dias depois de Obama, então um senador estadual em Iliinois, fazer um elogiado discurso na Convenção Nacional Democrata de 2004, os dois homens tiveram várias e longas conversas sobre a recusa dele em ser definido por sua raça e suas aspirações em ultrapassar a barreira partidária. Axelrod estava então trabalhando na campanha de Obama para o Senado dos Estados Unidos. Agora ele é o estrategista-chefe da campanha presidencial de Obama.

Quatro anos mais tarde, os escritores de "The West Wing" estão assistindo espantados como a eleição está se desenvolvendo. O paralelismo entre as duas temporadas finais da série (que terminou sua exibição pela NBC em maio de 2006) e a atual campanha é inconfundível. A ficção, mais uma vez, prenunciou a realidade.


Resumindo (mais ou menos...), para quem não quiser ler o artigo original, ou não conhece bem a série (particularmente, adorava essa série, mas as duas últimas temporadas não pude acompanhar com deveria):

- O personagem Matthew Santos, interpretado por Jimmy Smits, é um congressista novato, de origem hispânica, carismático, bom de mídia, com duas filhas pequenas, e que, frustrado com a polarização que encontrou em Washington, resolve entrar na disputa pela indicação democrata à presidência e, contra todos os prognósticos, vence os candidatos mais conhecidos do partido.
- No anúncio da candidatura, Santos diz a seus apoiadores: "Estou aqui para dizer que a esperança é real... Numa vida de escolhas, em um mundo de desafios, a esperança existe". (Só faltou a plateia gritar "Yes, we can.")
- O candidato republicano é o senador Arnold Vinick, interpretado por Alan Alda, com seus cabelos brancos, firmemente contra impostos, com fama de falar o que pensa e capaz de atrair os moderados.
- Santos escolheu para vice um veterano democrata capaz de somar experiência em política externa, enquanto Vinick escolheu um governador ferozmente conservador.
- Da mesma forma que na campanha real, os democratas usaram contra Vinick o argumento da idade e da falta de familiaridade com as novas tecnologias. Ao mesmo tempo, o candidato republicano era acusado por setores de seu partido de não ser "conservador o suficiente".
- Apesar de procurar ser um candidato acima das barreiras raciais, Santos fez, em um momento crítico da campanha, um discurso sobre o tema, e reservadamente se preocupava se os eleitores iriam votar em um candidato vindo de uma minoria.
- Semanas antes da eleição, o presidente de então, Jed Bartlet, interpretado por Martin Sheen, convoca os dois candidatos até a Casa Branca para discutir uma grave e inesperada crise.

Bem, no final, Santos venceu apertado. Será esse um sinal para o que esperar da eleição real? Saberemos em breve.

Mas um blog do jornal inglês The Independent (a série continua no ar na Inglaterra e é muito popular) já estampou: "Barack Obama will win: It’s all in ‘The West Wing.’ "