1 de abril de 2008

Um ditator em xeque

As notícias ainda são desencontradas, mas podem estar chegando ao fim os dias de poder do presidente Robert Mugabe, que governa de uma forma progressivamente autocrática o Zimbabwe desde 1980, quando caiu o regime dominado pela minoria branca. Os resultados oficiais das eleições presidenciais do último sábado ainda não foram divulgados, mas levantamentos extra-oficiais mostram resultados que variam desde uma vitória no primeiro turno do principal candidato da oposição, Morgan Tsivangirai, do partido MDC, até um eventual 2º turno com Morgan em vantagem. Os resultados das eleições parlamentares ainda são parciais, mas mostram uma pequena vantagem da do partido do governo, o ZANU-PF, mas sem maioria absoluta.

A demora nos resultados está levantando temores de tentativas de fraude por parte do governo, o que não seria novidade, pois os resultados das eleições de 2002 foram amplamente contestados. Desde então, o pais vem enfrentando sanções internacionais combinadas com violência política interna. O resultado dessa combinação só fez agravar os problemas sociais e econômicos do país, que hoje enfrenta uma inflação de 100.000% ao ano e escassez de gêneros de primeira necessidade. Parte desses problemas também pode ser creditado às políticas do governo que tomou a maioria das terras que pertenciam à minoria branca e redistribuiu aos veteranos da guerra civil. Ao fazer isso, Mugabe procurou consolidar apoio popular e entre o exército, mas acabou levando à fuga de boa parte da população branca, o que desorganizou a economia.

Nesse momento, o país está em total expectativa pelos desdobramentos dos resultados eleitorais. Todos querem adivinhar qual será a reação de Mugabe e do exército, leal à ele. Desde uma fuga do presidente, pressionado interna e externamente, passando por um 2º turno eleitoral, e chegando até um golpe de estado, nada pode ser descartado. As próximas 24 ou 48 horas serão decisivas.

30 de março de 2008

Tocando a bola

Finalmente com o hardware de casa em boas (não perfeitas) condições, vamos lá com uns toques rápidos (ou não...):

- Nessa confusão toda de cartões corporativos, contas tipo B, despesas não-explicadas e correlatos, sem entrar no mérito de quem tem razão, uma coisa salta aos olhos: a mania de parte petistas e de seus aliados de darem tiros no próprio pé. Não é a primeira nem a segunda vez (remember "aloprados", Palocci, etc.) que essa turma mete o pé pelas mãos. Agora é esse tal de dossiê (ou banco de dados) sobre o FHC e família. Pode até ter sido montado sem intenções escusas (pelo menos inicialmente), mas que foi pessimamente administrado, isso foi!

- Ainda no mesmo assunto, fica evidente o desespero da oposição para achar algo que possa servir para colocar em xeque politicamente um governo que vai muito bem nas pesquisas (às vezes nem tanto no dia-a-dia). Para piorar ela (a oposição) usa alguns porta-vozes que são dose pra elefante... Por exemplo, será que sou apenas eu que não consegue mais sequer escutar o Artur Virgílio?

- Aqui na terrinha a dengue também está fazendo diversas vítimas (poucas fatais, ainda bem), mas nada parecido com o caso do Rio. O que não dá para aguentar no caso carioca é a cara de pau do prefeito "virtual" César Maia, tentando tirar toda a responsabilidade de cima dele e jogar para o Estado e principalmente para a União. Claro, numa situação dessas todas as esferas de poder tem uma parcela de culpa, mas a do município é a principal, pois é ele que gerencia os recursos da saúde.

- Cara de pau também é a atitude do governo chinês quanto aos protestos no Tibet, jogando a culpa em "arruaceiros" e partindo para a repressão forte. Aliás, essa repressão só não foi ainda pior por causa do fator Olimpíadas. Fico pensando no que pode ocorrer de setembro em diante. Tomara que não.

- Achei um interessante artigo na revista Prospect tratando da questão do lobby pró-Israel existente nos EUA. O autor, ele mesmo um judeu, analisa a questão sob a ótica de que o grupo ultra-conservador que dirige atualmente esse lobby não representa, nem de longe, o pensamento médio dos judeus americanos e prega uma mudança na situação através da organização dos setores mais liberais.

- Pra terminar, uma esportiva: quero saudar efusivamente a volta às quadras de basquete do pivô brasileiro Nenê, que joga no Denver Nuggets, da NBA. Ele enfrentou e venceu um câncer testicular, diagnosticado alguns meses atrás. O cara é gente boa e merece toda a sorte do mundo.

26 de março de 2008

Pit-stop forçado

O computador de casa resolveu me boicotar desde antes do feriadão, e só agora está dando sinais de que aceita "discutir a relação".

Espero estar de volta à normalidade (se é que isso existe...) hoje ou amanhã.


P.S. Valeu aí, Nonato.

17 de março de 2008

Deportem, por favor !!!

Me associo, como todos os santistas (Peeeeixeeeee....), ao pedido abaixo:


Via Blog da Redação do UOL Esporte.

14 de março de 2008

Distorcendo os resultados das primárias democratas

Na manhã do dia 04/03, quando ocorreram as primárias do Texas e de Ohio, eu ouvi a notícia de que o famoso (sob todos os aspectos) apresentador de rádio Rush Limbaugh havia pedido que os eleitores republicanos daqueles estados votassem em Hillary Clinton nas primárias democratas, com o intuito de bagunçar e alongar ainda mais a disputa, e se possível ajudar Hillary a conseguir a indicação, o que poderia favorecer McCain.

Ao final do dia, quando saíram as pesquisas de boca-de-urna, os dados mostravam que um pouco mais de 8% dos votantes nas primárias democratas admitiam ser republicanos. A primeira impressão foi de que o apelo de Limbaugh não havia funcionado bem. Ledo engano.
A explicação detalhada para o que realmente ocorreu naquele dia e, principalmente, na posterior primária do Mississipi está neste artigo do site The Jed Report, e é assustadora.

Resumindo de forma extrema:

- A participação de republicanos passou de 3,9% em janeiro para 12% em 11/03 (Mississipi)
- A preferência desses republicanos passou de Obama (69% a 31%) em janeiro para Hillary (75% a 25%) no Mississipi
- Esse voto republicano pode ter tirado 5 delegados de Obama no Mississipi e dado para Hillary. Ou seja, alterou em 10 a estatística de delegados.
- Ao mesmo tempo, pode ter sido o acréscimo de votos republicanos que deu a vitória para Hillary nas primárias do Texas (no caucus Obama venceu).

Isso sem contar outras conseqüencias. Quem puder, leia o artigo. É bastante esclarecedor, até pelo que pode ainda acontecer pela frente.

13 de março de 2008

E se houver um impasse ?

Eleanor Clift, da Newsweek escreveu uma coluna intitulada What if There is No Back Room?. Nela, Eleanor pede para supormos os superdelegados divididos da mesma forma que os delegados regulares e que nenhum dos candidatos estivesse mais do que alguns votos à frente na convenção em Denver.

Seria plausível, segundo ela, imaginar uma situação em que todos os superdelegados se abstivessem na votação na primeira votação, para ver a direção para onde o vento está soprando. Se a margem de diferença fosse muito estreita, poderia prevalecer a sensação de que escolhendo tanto Clinton quanto Obama, o escolhido iria ser tão rejeitado pela outra metade que McCain iria vencer de roldão.

Assim, na segunda votação, todos esses superdelegados iriam para um candidato de compromisso: Al Gore. Ninguém colocaria em xeque sua capacidade para o cargo. Além disso, ninguém duvidaria da sua aptidão para ganhar no voto popular: ele já fez isso uma vez.

Hillary Clinton provavelmente odiaria, uma vez que é duvidoso que ela possa ter outra chance para disputar a Casa Branca. Por outro lado, um Obama com 12 anos de experiência no Senado seria um forte candidato em 2016 (ou 2012, se McCain vencesse este ano).

Quebrando uma promessa

Tinha prometido a mim mesmo que não trataria mais do assunto Veja aqui no blog. Claro, salvo fatos novos muito relevantes.

Porém, diante desse post do professor (ou panadero...), resolvi dar uma força na difusão da história. Tem a ver com o Nassif, suas denúncias e a tentativa de calar sua voz.

Pronto. Espiem vocês mesmos e tirem suas conclusões.


P.S. O Hermenauta não tem jeito...

11 de março de 2008

Sinal de alerta

Hoje é dia de primárias democratas no Mississipi. Obama deve vencer com alguma folga, mas luta pela indicação ainda vai se arrastar, e de maneira cada vez mais auto-destrutiva para os democratas. Eu já escrevi sobre isso, e como McCain está adorando. Cada vez mais gente pensa e escreve parecido, como o carioca, lá no Weblog.

Mas nem tudo no horizonte é calmo para McCain e o Partido Republicano. Por exemplo, eu achei esta notícia no bom site Electoral-Vote de domingo passado.

Resumindo, ocorreu eleição suplementar para a Câmara dos Representantes no distrito 14 de Illinois. A cadeira estava vaga pela renúncia do deputado republicano Dennis Hastert. Vitória do candidato democrata, o desconhecido físico nuclear Bil Forster sobre o empresário Jim Oberweis. O detalhe é que o distrito é pesadamente republicano, tendo dado maioria à Bush em 2004 e eleito republicanos nas últimas 11 eleições para a Câmara. Mau sinal para outros candidatos republicanos país afora, especialmente em distritos mais equilibrados (swing districts).

De quebra, Obama (que fez campanha para Forster, enquanto McCain fez campanha para Oberweis) ganhou mais um superdelegado...


P.S. A garota que aparece dormindo no famoso anúncio do telefone às 3 da manhã, de Hillary, cresceu e agora apóia Obama .

5 de março de 2008

Guitarras geniais

Sou daquela geração que quase não alcançou os Beatles antes da separação da banda. Mas foi bom descobri-los quando já não eram "da moda", formar uma opinião menos influenciada pelo ambiente.

Dos quatro, sempre tive uma simpatia maior por George Harisson. O cara era gente boa e tocava muito. Pena que o safado do câncer o levou ainda cedo.

Nesse dia 02 de março, outro guitarrista muito talentoso também perdeu sua luta contra um tipo raro de câncer. Jeff Healey tinha apenas 41 anos e era cego desde muito novo, já por obra da doença.

Para lembrá-lo, escolhi esse vídeo, exatamente com uma música de Harisson, "While My Guitar Gently Weeps".

Dá até para imaginá-los juntos, em algum lugar, estraçalhando...



4 de março de 2008

Palpitando

Hora de colocar alguns assuntos em dia, mesmo que sucintamente:

- Muito bom que a séria discordância entre o professor e o carioca no tema Israel X Palestinos não vai deixar sequelas irreparáveis. Na discussão (como em quase toda discussão, diga-se de passagem) os dois foram um pouquinho além do esperado, mas tudo bem. Continuam amigos e duas de minhas leituras diárias obrigatórias.

- Na confusão envolvendo Colômbia, FARC, Equador e Venezuela, parece que todo mundo tá errado, ou agindo a partir de um cálculo político muito arriscado. É hora de o Lula cair em campo para tentar por panos quentes, porque tudo o que não precisamos aqui na América do Sul é um conflito armado. O melhor texto que vi sobre o tema, até agora, foi esse do Sérgio Léo.

- Hoje tem primárias democratas no Texas, Ohio, Vermont e Rhode Island. Palpite meu: a Hillary vai tirar um pouco da diferença para o Obama e pode levar a decisão para a Pensilvânia, na 2ª quinzena de abril. Ou seja, o McCain agradece.

- Pra terminar, amanhã o Supremo Tribunal Federal julga a ação contra a Lei de Biosegurança, que regulamentou as pesquisas com células-tronco embrionárias. Espero que os ministros mantenham a lei como ela está, dando liberdade aos cientistas para trabalhar nesse novo e fascinante campo. Qualquer outra decisão colocará em cheque a definição do Estado Brasileiro como laico e independente de visões religiosas, quaisquer que sejam as crenças.

1 de março de 2008

Chega !!! Perdi a paciência

Trancrevo abaixo um comentário que postei neste post do Pedro Doria :
Alguém aqui tem algum conhecimento básico de matemática?Nada muito profundo, apenas as 4 operações básicas.

Porque os números das vítimas são bastante reveladores. E não apenas os desta semana. Dos últimos meses ou anos também.

Revelam o quê? Uma total falta de proporção entre os dois lados e suas ações.

Algum dos dois lados pode bater no peito e gritar: “Eu estou com a razão!!” ? De jeito nenhum.

E a matança vai continuar.

Suspeito que enquanto algum israelense que viu o Holocausto e algum palestino que viu a criação do estado judeu ainda viverem, a paz será apenas um sonho.

Sabe duma coisa? Falaram tanto do Fidel recentemente e relebraram os “paredões” que tive uma idéia: um fuzilamento coletivo. Dez israelenses e dez palestinos.
Cada lado escolhe os fuzilados do outro.

Mais que mil palavras


A imagem acima foi captada em Hebron, na Cisjordânia (via Biscoito Fino).

Das muitas insanidades que qualquer guerra carrega em si, esse é do tipo que mais me perturba. Crianças não podem ser alvos, tanto faz se deliberadamente ou não.

A morte dos quatro garotos em Gaza atingidos por um bombardeio israelense enquanto jogavam futebol iguala-se à dos 18 garotos iraquianos atingidos por um carro-bomba quando também jogavam em um campinho na periferia de Ramadi, Iraque, em fevereiro do ano passado. Aliás, cruel coincidência: exatamente um ano entre um fato e o outro.

Dizer mais o que? Pura insanidade.

25 de fevereiro de 2008

Ranger de dentes

Pro lado que você se virar hoje na blogosfera brasileira, e também na mídia tradicional, vai deparar-se com alguém escrevendo algo sobre o jogo de ontem entre Flamengo e Botafogo pela final da Taça Guanabara.

Se por acaso você não se liga em futebol ou passou o final do domingo e o início da segunda-feira em uma excursão até Marte, informo: o Flamengo venceu por 2X1, de virada, com um gol nos descontos. Mas o que chamou realmente a atenção na partida foi a arbitragem e a reação pós-jogo do elenco, comissão técnica e diretoria do Botafogo.

A arbitragem, como é dolorosamente normal, foi infeliz, para dizer o mínimo. Confusa, sem critério, medrosa, e por aí vai. Dá para chamar de parcial e mal-intencionada? Não sei, talvez. Mas que deixou motivos para muitos pensem assim, isso deixou! E aí veio a reação botafoguense. Reunidos na sala de imprensa, e em rede nacional, o elenco, os dirigentes e a comissão técnica eram um choro só, literalmente. Todos acusaram o árbitro de ter influído decisivamente no resultado, e de ser parte de um a continuada tendência de prejudicar o alvinegro carioca.

Antes de qualquer coisa acho que a arbitragem, como um todo, prejudicou o Botafogo. Em um jogo que vinha equilibrado, e até com o Botafogo melhor no primeiro tempo, as expulsões podem ter influenciado o resultado. Nem tanto o pênalti, duvidoso mas que muitos (talvez a maioria) marcariam.

Porém, a reação posterior foi claramente exagerada, claramente reflexo de uma direção exageradamente passional, como bem atestam episódios anteriores. Por exemplo, lembram da semana seguinte á eliminação da Libertadores no ano passado? A diretoria rebaixou o elenco a substrato de coisa nenhuma... Falta na diretoria botafoguense alguém que saiba controlar as emoções mesmo nos piores momentos, que coloque tudo sob a devida perspectiva e toque o barco adiante.

Isso significa calar frente aos erros, intencionais ou não? De forma alguma. Em qualquer lugar, e especialmente no Brasil, quem cala consente. Nosso futebol vem perdendo parte do seu encanto e de sua atração junto às novas gerações exatamente pelas ações de cartolas safados e de árbitros incapazes, manipulados ou medrosos.

O que distingue o caso do Botafogo é que a equipe não pode se arvorar do monopólio da perseguição. Basta verificar o histórico das últimas décadas, senão vejamos:

- No jogo que deu o título ao Botafogo em 1989, após 21 anos na fila, Maurício, autor do gol decisivo, empurrou claramente o zagueiro do Flamengo antes de tocar na bola.
- Na decisão do Brasileiro de 1995, o tristemente famoso árbitro Márcio Rezende de Freitas anulou um gol normal do Santos. Resultado: Botafogo campeão.
- Na decisão da Taça Guanabara de 2006, o juiz prejudicou claramente o América, deixando de marcar um pênalti escandaloso. Resultado: Botafogo campeão.
- Nas quartas de final da Copa do Brasil 2007, o Atlético Mineiro foi garfado pelo Carlos Eugênio Simon, que não marcou um pênalti claro no final do do jogo. O Botafogo classificou-se para as semifinais, onde dançou para o Figueirense, e acusou a bandeirinha Ana Paula Oliveira de prejudicá-lo. Porém, a TV mostrou que a bandeira não errou.

Resumindo, o vento que venta lá também venta cá...

15 de fevereiro de 2008

Crepúsculo de dor

Esta semana presenciou mais um capítulo na via-crúcis de dois ídolos do esporte brasileiro.

Primeiro, foi a emocionante (mas infrutífera) tentativa de Gustavo Kuerten para iniciar aquela que será sua última temporada no tênis profissional de uma maneira digna. Vencido pelas insistentes e demolidoras dores nos quadris, ele foi pouco mais que um figurante no Brasil Open. Nada que não tenhamos acompanhado nos últimos tempos. Pura luta contra a dor. Um atleta diferenciado tentando sobrepujar os próprios limites físicos. Não deu. Mas Guga não precisa provar mais nada. Resta-nos aplaudir e agradecer, muito.

Vá descansar, campeão!!!

Depois, foi a vez de presenciarmos outra lesão séria de Ronaldo Nazário, o Fenômeno. Novamente uma ruptura do tendão patelar, mas agora no joelho esquerdo. A cena foi de cortar o coração, até por remeter à imagem da lesão anterior, visual mete mais chocante.

A aparentemente interminável seqüência de lesões de Ronaldo sempre despertou debates entre os especialistas, tanto os médicos quanto os jornalistas esportivos, mas sempre de maneira discreta ou anônima. Desta vez, entretanto, alguém resolveu ir além. Aquilo que era comentado a boca pequena foi explicitado pelo Coordenador de Doping da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e médico do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), Bernardino Santi.

Em resumo, Ronaldo, então apenas um adolescente, teria sido submetido, quando jogador do PSV, a um programa de suplementação que incluiria o uso de alguns anabolizantes. Isso explicaria o extraordinário desenvolvimento atlético conseguido por ele na época, com visível aumento de massa muscular. O preço seria pago depois, pois as articulações, especialmente dos joelhos, submetidas a uma carga muito mais forte, não resistiram.

Nada disso tem confirmação, e talvez nunca tenha. Mas explicaria muita coisa.

Ronaldo nunca foi um dos meus maiores ídolos. Sou daqueles que viu a geração de 70 e a de 82, portanto posso me dar ao luxo de ser exigente. Mas sempre admirei a forma com que Ronaldo enfrentava os adversários e as adversidades. E nunca tive dúvidas de que ele é um cara "do bem". Fica aqui minha torcida pela sua volta aos gramados, apesar de achar que desta vez a possibilidade de que isso não ocorra é muito real.

Raposa no galinheiro

Essa história do roubo dos computadores da Petrobrás é, pra dizer o mínimo, escandalosa. Especialmente quando se vê quem era a empresa responsável pelo transporte: a Halliburton. Isso mesmo, aquela empresa que é unha-e-carne com o que há de mais safado e reacionário na política americana.

Espanta também uma certa falta de cuidado da Petrobrás com o tráfego de materiais e informações sensíveis. Quando valores envolvidos alcançam a ordem de grandeza de bilhões de dólares, o cuidado deveria ser redobrado.

E certo tipo de parceiros comerciais é melhor não ter. O risco de ser apunhalado pelas costas é brutal...

14 de fevereiro de 2008

Blogs e blogs

Para mim, esse negócio de acompanhar uma espécie de bicho chamado de Blog começou fazem uns quatro anos. Lembro que foi um pouco antes da campanha eleitoral daquele ano (2004), e a blogosfera brasileira era muito diferente do que é hoje, tanto em tamanho quanto em variedade e qualidade. Naqueles tempos, eu apenas comentava, e o ambiente nas caixas de comentários era bastante aprazível, com muitas discordâncias mas rarissimos exageros. Entretanto, com o final daquela campanha e a eclosão da sequência de crises que atingiu o governo Lula o clima mudou. O radicalismo prosperou, de lado a lado, e as agressões se multiplicaram.

Sem espírito para esse tipo de "diálogo", e por não me enquadrar herméticamente em nenhum dos lados em disputa, deixei de acessar a caixa de comentários de alguns sites, e deixei de ler alguns outros. Fiquei com aqueles onde a civilidade ainda reinava, e procurei alguns novos. Ao mesmo tempo, e para poder explicitar livremente meus pensamentos (Sim, eles existem!) comecei a tentar por esta página para diante. Nem sempre é simples, em algumas vezes falta tempo, e em outras falta ânimo. Mas vamos seguindo.

Por quê desta pequena resenha pessoal?

Infelizmente alguns dos melhores exemplos de como manter um blog de qualidade, com opinião mas sem sectarismo e agressões, estão sendo "atacados" por um tipo de de comentarista que não sabe conviver civilizadamente com o contraditório e a divergência. Os responsáveis por esses espaços tem resistido bem a essa turba, mas nem sempre é fácil.

Solidarizo-me com o professor , o carioca, e outros mais que lutam para manter a blogosfera brasileira minimamente habitável, mas sem perder o bom humor. Jamais.

9 de fevereiro de 2008

Hey you

Este blog tem uma pequena (bem pequena) porém fiel audiência. Obrigado a todos vocês que me aturam. Valeu mesmo.

Dentre esses poucos heróis, espalhados pelo mundo, existe alguém que despertou minha curiosidade.

Hey, você aí, de Wilmington, Delaware. Who are you? Where are you from?

3 de fevereiro de 2008

Yes We Can

30 de janeiro de 2008

O bicho vai pegar

As disputas pelas indicações democrata e republicana para a eleição presidencial americana de Novembro estão se afunilando.

No lado democrata restaram apenas Barack Obama e Hillary Clinton. No lado republicano ficaram apenas John McCain, Mitt Romney, Mick Huckabee e Ron Paul. Enquanto a disputa democrata está sem um favorito claro, a republicana tem o senador McCain com uma vantagem importante, mas ainda não decisiva.

Ontem ocorreu na Flórida a última disputa antes de 05 de Fevereiro, a chamada Super Terça-Feira, onde 22 estados realizarão suas primárias. McCain venceu entre os republicanos e Hillary entre os democratas, se bem que a vitória da senadora por Nova York represente pouco mais que um instrumento de propaganda pois a direção do partido retirou os delegados do estado por descumprimento de normas.

O quê esperar daqui para a frente?

Entre os republicanos, a menos que aconteça uma reviravolta fenomenal, a indicação ficará com McCain ou Romney, com as chances do primeiro sendo muito maiores. Ele lidera as pesquisas nos maiores estados e será o maior beneficiário da desistência de Rudolph Giuliani.

Já entre os democratas a briga promete ser muito acirrada. Literalmente. A campanha de Hillary vem utilizando, desde algum tempo, de todo tipo de expediente para tentar prejudicar Obama, desde a distorção de declarações até ataques furiosos e sem base por parte de Bill Clinton, isso sem contar outras ações ainda mais condenáveis.

A grande estratégia dos Clinton é pintar Obama como um candidato negro de eleitorado negro, o que assustaria o eleitorado branco e latino. Isso transpareceu mais claramente antes da primária da Carolina do Sul, mas teve uma resposta contundente dos eleitores desse estado, que deram à Obama sua maior vitória até aqui. Hillary está na frente nas pesquisas na maioria dos estados da Super Terça-Feira, porém Obama está crescendo e se beneficiará do recente apoio do Sen. Ted Kennedy, líder da famosa dinastia democrata, que possui inconteste influência entre largas porções do partido e do eleitorado.

Já a desistência de John Edwards não tem um beneficiário único. Nos estados do mais liberais seu eleitorado deverá, em grande parte, ir para Obama. Já nos estados do Sul, os votos tendem a ir para Hillary, especialmente pela questão racial.

As próximas pesquisas, especialmente nos grandes estados, como Califórnia, Nova York, Nova Jersey, Illinois e Geórgia poderão dar algumas pistas do que vem pela frente, mas sem dúvida a disputa vai ser das boas.

24 de janeiro de 2008

Inocência ou cegueira

Mês passado tratei aqui, de uma forma rápida, do projeto de Transposição do São Francisco.

Hoje, voltando do almoço, ouvi no rádio do carro uma entrevista que me deixou fulo da vida. Era um dirigente de uma ONG que se opõe ao projeto, argumentando fundamentalmente que ele só vai beneficiar "as elites da região e as multinacionais exportadoras de frutas e de camarão". Pregava a adoção de métodos alternativos de convivência com a seca e defendia o investimento em agricultura familiar.

Quanto aos métodos alternativos, eles são isso mesmo: alternativos. Podem ajudar, mas não resolvem. Cisternas de placas, mesmo com capacidade para 16.000 litros de água, não resistem a dois anos de seca intensa. Dependendo da família não resiste nem a um ano.

Investimento em agricultura familiar é essencial, mas pode ser implementado de forma muito melhor com uma fonte de água garantida.

Mas não são estes argumentos que me deixaram injuriado. Foi a lenga-lenga acusatória contra as elites e as multinacionais.

Quem me conhece (mesmo que apenas por este espaço) sabe bem que não tenho a menor simpatia pelas elites que comandam nosso país e, particularmente, o Nordeste desde sempre. Sempre lutei contra eles e pretendo continuar com posições críticas até o fim. Da mesma forma, sempre tive clara qual era a política das grandes empresas estrangeiras atuando no Brasil e seu pouco caso para com nosso povo.

Por isso mesmo, acho inaceitável que esse dirigente de ONG, um nordestino, e que deixa bem claro que reza por uma cartilha pretensamente de esquerda (toda cara de PSOL ou PSTU), se deixe levar, embalado por um desejo de atingir pela esquerda o governo Lula, pelo discurso anti-transposição, que na realidade é o discurso de parte da elite do Sul-Sudeste junto com a parte mais atrasada da elite nordestina. Lembrem-se: o grande arauto contra a transposição era ... ACM.

Por que parte (reconheço, minoritária) da elite Sul-Sudeste? A eles não interessa que os estados nordestinos rompam com as relações de submissão para com os estados mais desenvolvidos. Um avanço significativo na infra-estrutura do Nordeste teria conseqüencias a médio e longo prazo na correlação de forças políticas brasileiras.

Em resumo, é revoltante que um nordestino se deixe cegar por cegar por posições políticas pretensamente progressistas, mas que na realidade fazem o jogo do que há de pior neste país. Negam ao nosso povo a chance de garantir um bem básico e insubstituível, a água, a pretexto de possível má utilização e se arvorando em defensores das camadas mais pobres desse mesmo povo.

O projeto de transposição tem problemas? Sim, mas esses problemas ainda podem ser sanados sem comprometer a idéia em si. Pode, e deve ser, instrumento poderoso de transformação da realidade da população do Norte do Semi-Árido nordestino.

Alma lavada e cara pintada

Dois posts atrás externei minha profunda alegria.

Bem, o Bruno matriculou-se esta semana e o resultado foi esse. Ele é o da extrema direita na foto (atenção: só na foto...).

10 de janeiro de 2008

O nome diz tudo

Este blog não costuma apelar, mas a foto abaixo é irressistível:



Eu juro, é assim mesmo.

Em tempo: Itaiçaba fica no interior do Ceará. Prova que nem os cearenses são perfeitos...

8 de janeiro de 2008

Alma lavada

Amigos, me permitam extravasar.

Hoje estou feliz, realmente feliz !!!

Afinal, não é todo dia que 2 filhos entram em uma boa Universidade ao mesmo tempo.

Valeu, Vick !
Valeu , Bruno !

Agora, é só esperar 15 anos pela Juju...

5 de janeiro de 2008

Lá vem o Obama ...

Depois da surpreendentemente fácil (oito pontos são um bocado de coisa) vitória em Iowa, Barack Obama enfrenta o desafio de chegar novamente na frente em New Hampshire e consolidar a imagem de candidato viável, especialmente frente a máquina do partido Democrata que está apoiando Hillary Clinton.

Pra quem gosta de números, aqui vão as últimas quatro pesquisas divulgadas:


Obama Clinton Edwards Richardson
ARG 38 26 20 3
Rasmussen 37 27 19 8
Suffolk 29 36 13 4
Zogby 28 32 20 7

Vale ressaltar que as duas primeiras foram totalmente realizadas após o resultado de Iowa, e as duas últimas são "trackings" diários, e mostraram avanço de Obama em relação aos dias anteriores. Ou seja, pode estar vindo por aí outra vitória inesperada até algumas semanas atrás.

E quanto a John Edwards? Os analistas sempre argumentaram que se ele não terminasse em primeiro em Iowa, em seguida a sua campanha desabaria, mas ele ainda está na briga e mais do que nunca. Por que? A campanha de Barack Obama, com sua mensagem de mudança e esperança está mobilizando um grande bloco de eleitores Democratas e está trazendo para a disputa um grande número de eleitores novatos, de tal forma que é Hillary Clinton o candidato que Edwards sente que pode ultrapassar como segunda opção. Se Edwards desbancar Clinton em New Hampshire e, em seguida, na Carolina do Sul, esta poderia ser uma corrida entre dois cavalos: Edwards e Obama.

Do lado dos Republicanos, essa primária deve ser vista como tudo-ou-nada para John McCain. Ou ele vence, jogando Mitt Romney no "mato sem cachorro", ou então será ele quem ficará em péssimos lençóis. O problema de McCain nesta primária é que, apesar de liderar as pesquisas, sua base de votos (jovens e eleitores independentes) está sendo corroída pelo imprevisível Ron Paul, o que pode jogar a vitória no colo de Romney.

24 de dezembro de 2007

Tempo de festas

Tá chegando o final do ano, hoje já é véspera de Natal.

Boa hora para desejar a todos os (poucos) que nos dão o prazer, a honra e o privilégio (eita nóis...) de passarem por essa página um bom Natal e um 2008 cheio de realizações.

Este espaço procurará estar mais presente e atuante na luta por liberdade, paz, solidariedade e ... vergonha na cara (viu, Renan?)


Abração a todos.

22 de dezembro de 2007

Censura nunca mais

Esse humilde espaço junta-se a todos aqueles que consideram inaceitável a decisão judicial que proibiu o jornalista Juca Kfouri de "ofender" o promotor público e deputado estadual Fernando Capez. Isso tem nome: censura prévia.

Ora, Juca não o ofendeu. Apenas citou fatos e os criticou. Nada que qualquer um que tenha um espaço para se expressar não tenha feito "zilhões" de vezes com relação a incontáveis personagens.

Esse país está ficando perigosamente em uma rota que ameaça a liberdade de expressão, em todas as suas formas. Ou as coisas mudam já, ou temo pelo que virá adiante. Esse filme nós já assistimos, era uma tragédia das bravas, e prefiro não rever.


Sim, se você tem como, espalhe essa história. A liberdade de expressão agradece.

21 de dezembro de 2007

Tranposição do São Francisco

Outra intervenção desse escriba foi comentando este post do José Paulo Kupfer, que transcreveu este artigo do Cesar Benjamin sobre a greve de fome do bispo D. Luís Cappio contra a transposição do Rio São Francisco:

"Com o perdão da má palavra, esse bispo tem mesmo é uns parafusos a menos. A própria família dele admite que ele sempre foi exageradamente teimoso...

Quanto à obra em si, concordo que devam ser tomados todos os cuidados, mas a idéia em si é correta. Dizer que os ricos serão os beneficiados é sofisma. Beneficiados eles já são agora e sempre. Com a chegada da água, com certeza os mais pobres vão lucrar, mesmo que não seja de forma espetacular. Mas o simples fato de existir água fará uma enorme diferença.

Quanto ao rio, claro que precisa revitalizar e preservar, mas isso não se choca com o projeto de transposição, muito pelo contrário.

Pra terminar, só uma dúvida: por que será que o movimento contra a transposição é tão forte em Minas Gerais? Afinal de contas, todas as obras e a captação da água vão acontecer milhares de quilômetros rio abaixo, depois da barragem de Sobradinho, que regulariza a vazão do rio."


Sampa

Tenho postado pouca coisa nova aqui no blog, principalmente por falta de tempo.

Entretanto, e numa contradição louca, tenho escrito até bastante nos comentários de blog alheios. Às vezes o assunto exige, e eu não tenho me furtado.

Pensei bem e resolvi que talvez seja bom trazer para este espaço algumas dessas intervenções, passadas e futuras.

A primeira foi neste post do Pedro Dória sobre São Paulo:

"Minha relação com São Paulo foi de uma conquista lenta e gradual.

Os dois anos e meio em que morei aí no início da década de 90 ficaram marcados demais pela vontade de voltar pra terrinha, nem tanto por mim mas pela insistência da esposa e dos filhos pequenos. Naquela época, eu estava completando 5 anos morando fora (antes foi Brasília), tudo por motivos profissionais. Mas a Fortaleza que eu havia deixado temporariamente para trás havia sido pessoalmente muito lancinante por pelo menos uma década, e até gostei de ficar longe uns tempos.

Sim, o assunto é Sampa. E foi uma conquista lenta, mas profunda. Cada aspecto da cidade (pelo menos os que eu tive tempo de descobrir) revelou-se surpreendentemente humano e acolhedor, em contraste com a aspereza asséptica de Brasília. Tanto que, no final, mesmo a esposa, totalmente devotada a voltar para perto dos pais, acabou se rendendo.

As poucas vezes em que retornei desde então sempre foram muito corridas, mas o prazer estava lá, o charme estava lá, a humanidade estava lá.

Com certeza, minha segunda cidade, pertinho da primeira. E olha que disputar com Fortaleza é duro …"

14 de dezembro de 2007

Na boca do estômago

A Fal é diferenciada. Isso eu e meia blogosfera brasileira já sabíamos.

Mas esse texto é de nocautear lutador de vale-tudo.

Dizer o quê?

3 de dezembro de 2007

Cair e saber levantar

Não dá para fugir do tema: a queda do Corinthians para a Série B.

Primeiro, uma mensagem para a coletividade do Timão: vocês são muito bem-vindos ao fascinante mundo da Segundona. Acreditem, nós, torcedores dos times que já estão ou que já passaram pela Série B entendemos perfeitamente o que está se passando na cabeça e no coração de vocês. No primeiro momento parece que o mundo desabou, mas bastará algum tempo para os companheiros percebam que esse é apenas um estágio transitório, do qual poderá emergir um novo clube. Lembrem-se: o que não me mata, me fortalece.

Sem querer entrar em uma análise mais demorada das razões da queda do alvinegro (aarrgh!) paulista, fico com o seguinte pensamento: um time onde a referência de gol respondia pelo nome de Finazzi não podia mesmo ir muito longe. E atenção: como torcedor do Fortaleza sei muito bem o que isso significa ...



P.S. Esse post foi transmitido em cadeia com o Torcedor Obsessivo Compulsivo . Voltamos agora a nossa programação normal.

30 de novembro de 2007

Ajudantes de Papai Noel

Está chegando o final do ano, época de confraternizações e troca de presentes de Natal, não é ?

ERRADO !!!

Na realidade, está chegando a hora de mostrar o lado bom de cada um, ajudando a fazer que o Natal de quem é menos favorecido seja um pouco mais alegre.

Muitas são as formas: fazendo trabalho voluntário em instituições que atendem crianças, idosos ou moradores de rua, doando bens ou dinheiro para essas instituições, etc.

A minha sugestão é o programa "Papai Noel dos Correios".

É o seguinte: todos os anos os Correios recebem milhares de cartinhas que crianças enviam para Papai Noel. No início, muitos anos atrás, os funcionários dos Correios abriam as cartas e as respondiam. Aos poucos foram aparecendo casos em que as cartinhas eram tão tocantes que era impossível ficar só na resposta escrita, o que levava alguns desses funcionários a se cotizarem para adquirir presentes para entregar aos remetentes. Para isso, muitas vezes, um dos funcionários se vestia de Papai Noel, e o momento da entrega era de uma emoção sem paralelo.

A notícia dessas ações foi se espalhando, o número de cartas foi crescendo, e a partir de 1994 a direção dos Correios resolveu institucionalizar a prática e possibilitou que o público externo pudesse "adotar" cartinhas, entregando os presentes nas agências dos Correios, o qual se encarrega de realizar a entrega.

Nem preciso falar mais. Tire seu traseiro (e o resto do corpo também) da frente do computador e vá procurar as agências onde estão as cartinhas. Escolha uma, ou então pegue sem olhar. Qualquer dúvida, este é o link lá dos telefones de contato em cada estado.

Se por acaso você tem um blog ou página em um site de relacionamentos (Orkut, My Space, Facebook, etc.) ajude a divulgar essa ação.

Papai Noel está recrutando voluntários. Por que não você?

23 de novembro de 2007

Tio Sam e as eleições

Não dá para escapar. A cada quatro anos o mundo todo deixa um pouco de lado seus assuntos do dia-a-dia interno para acompanhar corrida pelo cargo mais importante do mundo, as eleições presidenciais americanas.

OK. Também acho que ninguém, e nenhum país, pode deixar de tocar a vida esperando pelo que possa sair das urnas americanas. Especialmente agora, quando a economia americana, mesmo ainda sendo a maior e mais influente do mundo, perdeu boa parte de sua antiga importância, com o crescimento dos BRIC (Brasil, Rússia, Índia e, principalmente, China) e da União Européia. Mesmo politicamente, os americanos vão levar algum tempo até recuperarem a parcela de seu prestígio que o desastre Bush desperdiçou. Entretanto, é impossível virar as costas e ignorar o que acontece no Grande Irmão do Norte, até para ver quem será o escolhido para mudar (ou não) o atual estado de coisas.

No meio da enorme diversidade de pré-candidatos democratas e republicanos, alguns favoritos despontam. Entre os democratas, a vantagem (pelo menos neste momento, e de forma irregular) é de Hillary Clinton, apoiada por boa parte da máquina do partido. Correndo por fora (mais ainda perto) vem Barack Obama e John Edwards. Isso sem contar algum azarão ou a sombra de Al Gore. Entre os republicanos, a vantagem, com ainda menos clareza do que entre os democratas, é de Rudolph Giuliani. Perto dele vem Mitt Romney, John McCain e um bolo de outros candidatos.

Este espaço, até por gostar de eleições (qualquer uma), vai voltar ao tema com bastante freqüencia, e sempre repercutindo o que gente mais capaz e informada falar sobre o tema. Por exemplo, o Pedro Doria deu uma boa geral no assunto (reparem no link que leva a uma descrição do sistema eleitoral americano).

Sim, este blog tem preferência: Barack Obama.

Atualização: Em sua coluna no New York Times, Maureen Dowd fez interessante questionamento das "qualificações" em política externa usadas por Hillary Clinton. Aqui, em tradução do IG Último Segundo.

14 de novembro de 2007

Desprezo mortal

Já disse em outras ocasiões: não leio a revista Veja já de longa data. Nos últimos tempos, depois da "virada" editorial, aí é que ficou mesmo complicado.

Agora, só mesmo devotando um desprezo total e absoluto por aquele que, um dia, foi um importante órgão da nossa imprensa, mas que hoje se pauta pelos interesses mais discutíveis do nosso país, e conta com alguns dos mais repulsivos articulistas que já tive o desprazer de conhecer.

Por quê o desabafo?

Por isso. Complementado por isso.

O Pedro Dória e o Hermenauta,respectivamente, mataram a questão.


ATUALIZAÇÃO: Deu pau no blog do Hermenauta, e ele perdeu quase todos os arquivos. Pena. O link fica sem efeito.

Que fase ...

Repetindo um locutor esportivo do qual gosto muito, o título acima diz tudo.

Tem épocas que a barra pesa legal, e em todas as áreas (ou quase). Saúde, finanças, trabalho, relacionamentos familiares, por aí vai. Até o carro e o time do coração resolveram me tirar do sério. Não que esse tipo de "conjunção planetária" seja novidade na vida de qualquer um, e essa nem é das mais brabas, mas a gente sente a porrada.

Por isso, peço um pouco de paciência com este escriba.


P.S. Não dá pra segurar: timezinhos safados esses aqui da terrinha. Juntando os dois não dá meio ... Agora é aguentar a Série B mais um ano, pelo menos.

5 de novembro de 2007

Quará-quaquá

É hoje.

Daqui pra frente é descida ...

25 de outubro de 2007

Tempo técnico

Amigos, este blog está meio capenga nos últimos dias por problemas técnicos no micro deste enfadonho escriba. Mais precisamente, o monitor resolveu esticar as canelas. O coitado, veterano de muitas aventuras, já vinha dando sinais de que o fim estaria próximo mas, sabe como é, a gente se recusa a aceitar que um ente querido esteja em seus estertores...

Assim sendo, até que um substituto à altura esteja pronto para assumir o posto (ou seja, quando der para comprar um novo), vamos ficar um pouco bissextos. Será em breve, espero.

Só para não passar batido, vamos a um bate-pronto:

Tem uns juízes (aqui e aqui) classificando a Lei Maria da Penha (aquela que tenta proteger a mulher vítima de violência doméstica, e assim denominada em homenagem a uma conterrânea) de inconstitucional e de coisas piores... Os que argumentam a inconstitucionalidade pelo menos se agarram a filigranas puramente legais, apesar de totalmente infundadas, a meu ver. O que é dose são os argumentos de um Juiz de Sete Lagoas (MG), que chegou a chamar a lei de "diabólica" e de "monstrengo tinhoso". Ora, ora, tenha santa paciência, meretíssimo. Estou me segurando para não dizer umas poucas e boas !! Isto aqui não é nem o Afeganistão da época do governo talibã, nem a Salém da queima das mulheres por bruxaria. Reacionarismo tem limites !!!


19 de outubro de 2007

Coisa do Demo

Ontem, durante entrevista na África, Lula reclamou que os "demos" estavam se opondo à CPMF. Ele se referia, claro, aos membros do DEM (Democratas), antigo PFL.

O líder do partido, Sen. Agripino Maia ficou uma fera, e disse que Lula injusto, descortês, auto-suficiente e arrogante.

Senador, o senhor devia reclamar do gênio que bolou esse nome para seu partido. Em qualquer outro lugar, tudo bem. Mas no Brasil, o país da piada pronta (sua benção, Zé Simão), tenha santa paciência !!!

E logo vocês, democratas de longa data ...


10 de outubro de 2007

Tropa sem rumo

Um dos temas mais discutidos atualmente pela blogosfera brasileira (e pela mídia tradicional) é o filme Tropa de Elite. Como ainda não assistí, minha opinião fica pra depois. Por enquanto, ficam as opiniões do Alon, do Pedro Dória e do Idelber. E o debate está longe de acabar...

Mas este post não é sobre o filme, nem sobre o BOPE da PM do Rio. É sobre outra polícia e sua comédia (ou seria tragédia) de erros. Estou falando da polícia cearense, mais especificamente a PMCE, se bem que a Polícia Civil é quase igual em termos de problemas.

Alguns meses atrás, escrevi rapidamente sobre uma polêmica compra de veículos para a PM cearense, mais especificamente para um novo programa de segurança chamado Ronda do Quarteirão, o qual foi a principal bandeira eleitoral do atual governador. Bem, estamos em outubro e até agora nada desse programa sair do papel, exceto pela compra dos veículos. Ocorre que, de lá pra cá aconteceram uma série de eventos que demonstram cabalmente que a estrutura de segurança do Ceará está aos cacos (como em quase todo o país, nem precisaria ressaltar).

Pra começo de conversa, o governador convidou para a Secretaria de Segurança um delegado federal com o qual ele nunca havia sequer conversado. Aliás, os dois se conheceram pessoalmente no aeroporto na véspera da posse. Ou seja, assumiu o posto uma pessoa que não conhecia nada do estado, muito menos da sua estrutura de segurança pública. E que teve que trabalhar desde o início para materializar um programa que não era seu, o Ronda. Aliás, não era um programa, eram apenas intenções, pois até algumas semanas atrás não existia nada por escrito para fundamentar as ações. E nem sei se já existem.

Esse Secretário de Segurança teve que conviver com um comandante da PM muito respeitado pela tropa pelo seu conhecimento técnico, mas também muito independente. Os pequenos atritos entre os dois foram se acumulando, principalmente sobre o Ronda, e o comandante foi exonerado no início de Setembro, junto com alguns dos principais comandos operacionais. Não bastasse o clima de insegurança geral, uma sequência de ocorrências (puxa, tô escrevendo igual a turma da reportagem policial) deixou lá embaixo o conceito que todos no estado têm do dispositivo de segurança pública. Resumindo:

- Uma operação de perseguição a bandidos que haviam realizado o furto de um caixa-eletrônico (isto mesmo, levaram o caixa inteiro), acabou com uma picape Hilux preta toda metralhada, deixando três de seus quatro ocupantes feridos. Detalhe: o carro dos bandidos era uma S-10 vermelha, e os feridos eram dois casais: um deles (um italiano e uma cearense) tinham ido buscar no aeroporto um casal de amigos espanhóis, em férias. O turista espanhol deve ficar paraplégico.
- Um grupo de PMs, na tentativa de recuperar uma arma supostamente roubada de um oficial dos Bombeiros, acabou agredindo duramente uma aposentada, tia do suposto ladrão. Resultado: a aposentada veio a falecer.
- Ladrões roubaram 12 fuzis que estavam guardados em um depósito no Quartel do Comando Geral da PM. Ninguém viu os bandidos, nem existem sinais de arrombamento. Suspeita: facilitação, como forma de boicotar o Secretário de Segurança.

Para não me alongar mais, cabem as perguntas: essa nau tem comando? E a população, que já é refém dos bandidos a longo tempo, tem como manter aquele restinho de confiança na polícia? Até quando?

Com a palavra, quem achar que tem algo a dizer.

4 de outubro de 2007

FREE BURMA !!!


Hoje (04/10), está ocorrendo um movimento global entre os blogueiros com o intuito de denunciar a repressão contra a revolta democrática e pacífica que está em curso em Myanmar (antiga Birmânia ou Burma).

A chamada Revolução do Açafrão vem sendo impiedosamete reprimida pela Junta Militar que governa o país, e o número de mortos é enorme (fala-se em algumas centenas), especialmente entre os monges budistas que iniciaram o movimento.

Por coincidência, hoje (04/10) é dia de São Francisco de Assis. Tudo a ver.

Participe. Mostre seu apoio. É um povo querendo paz e liberdade (parece familiar?)

O site do movimento é : http://www2.free-burma.org/index_pt.php

28 de setembro de 2007

Eles não tomam jeito

Tem uma turma no Senado (em em outros lugares) que não toma jeito. Não consegue conviver com a liberdade de expressão dos outros, vai logo processando ou ameaçando processar meio mundo sempre que sofre uma crítica ou quando é publicada uma informação que lhe desagrade.

A vítima agora é o blogueiro Leonardo Sakamoto, coordenador da ONG Repórter Brasil, e a algoz é a Senadora Kátia Abreu (DEM-TO).

O pano de fundo da questão é o caso da fiscalização do Ministério do Trabalho na Usina Pagrisa, que resultou na autuação da empresa por manter trabalhadores em situação análoga à escravidão, e a posterior visita de um grupo de senadores à usina, onde o trabalho dos fiscais foi atacado.

Todo apoio ao Leonardo e aos fiscais do Ministério do Trabalho, e que os distintos senadores procurem coisa melhor para ocupar o tempo.

Dica do Idelber.

22 de setembro de 2007

Pedaço de mim

Tem muita gente que não acredita em coincidências. Acha que tudo tem uma razão, um motivo superior, coisas assim. Não é muito a minha praia, mas de vez em quando acontecem fatos que me deixam bem balançado.
Quarta-feira passada bem cedo tive que levar minha caçula a um hospital. Parecia uma gripe mal curada, mas revelou-se um princípio de sinusite. O tal hospital fica no centro de Fortaleza, relativamente próximo à casa onde vivi até o meio da adolescência. Apenas a uma quadra de distância fica o Colégio Cearense, onde estudei todo o ensino básico e o médio. Quando passei defronte ao colégio, mostrei o prédio, dizendo:"O papai estudou aqui, filha!"
Mal sabia eu ...
Hoje, fui surpreendido com uma notícia nos jornais: o Cearense vai encerrar suas atividades ao final deste ano letivo. Motivo: falta de alunos em número suficiente para cobrir os custos.
Sem exagero, foi como se recebesse a notícia da morte iminente de alguém muito próximo. Aliás, é exatamente isso que aconteceu.
Porque aquela não era apenas uma escola, nem aquele apenas um prédio. Aquela era (e ainda é) a minha escola, primeira e única. E aquelas foram as salas, corredores, pátios e quadras que me viram crescer, virar gente, e por onde, por 12 anos, costumava ficar mais tempo do que em casa. Até porque ficar em casa muitas vezes era sofrido demais.
Agora, veio a notícia fatal. O velho Cearense, dos irmãos Maristas, de quase 100 anos de história, vai se tornar apenas isso: história.
Nessa hora, as únicas coisas que me resta a fazer são lamentar e relembrar. Lamentar não ter conseguido realizar um velho desejo, que um dos meus filhos fosse aluno do meu colégio. E relembrar todos os momentos maravilhosos (e também os nem tão maravilhosos assim) que alguém que passou dos 5 aos 17 anos dentre aqueles muros, naquelas velhas carteiras escolares de madeira escura e pesada, junto à colegas que viraram amigos em convivências que que duraram muitas vezes uma década. E onde, é claro, surgiu a primeira paixão, infantil ainda, mas inesquecível como poucas.

10 de setembro de 2007

Galos, noites e varandas

Uns dias atrás, saiu uma reportagem no Diário do Nordeste resenhando uma apresentação do cantor Belchior no Centro Cultural do Banco do Nordeste, aqui em Fortaleza.

Se fosse apenas pelo cantor, já teria valido a pena ler. Minha admiração pelo poeta vem de longe, e cada vez que escuto uma de suas obras parece que descubro uma nova faceta, um novo brilho. Junte isso às lembranças dos tempos de pré-adolescente macambúzio e tímido, que algumas vezes varava as madrugadas na varanda de casa, ouvindo música e pensando na vida (como diria Chico Buarque, "vida, minha vida, olha o que é que eu fiz..."), e as entranhas remexem, com força.

Pra completar o destroço, a matéria era assinada por uma pessoinha que é posseira de um latifúndio no coração desse escriba. Sobrinha, afilhada, companheira de lutas, e agora futura jornalista. Até parece que foi ontem (essa frase parece familiar...) que peguei aquela bebezinha no colo. E hoje ela escreve que é uma beleza. Mara, tudo de melhor no mundo pra você !!!

Falta de assunto não foi

Desde a última semana de agosto eu já deveria estar postando regularmente. Vontade não faltou, nem muito menos faltou assunto. Quase todo dia aparecia algo que merecia alguma consideração. Prova disso é que fiz vários comentários em blogs alheios. Desde o aniversário do Katrina, passando pelo processo do Renan e a campanha do Estadão, por exemplo, andei palpitando por aí.

Porém, até agora, nada havia me retirado da letargia o suficiente para sentar e escrever neste espaço.

Até agora.

22 de agosto de 2007

Espantando a preguiça

E aí, amigos? Tudo em ordem? Estirei enquanto pude o recesso do blog, mas tudo tem limite...

Pra recomeçar, e inspirado no amistoso de hoje da "seleção da CBF" contra a extraordinariamente forte seleção da Argélia, com Kaká e Ronaldinho Gaúcho começando no banco, vejam esse post do André Kenji :

"Segundo o jornal sensacionalista News of the World, a rede Al-Qaeda, através de vídeos pela internet, estaria ameaçando de morte assassinato dos jogadores de futebol Thierry Henry, David Beckham e Wayne Rooney, além dos cantores Justin Timberlake e Puffy Daddy. Os jogadores seriam uma influência “criminosa” para os jovens muçulmanos.

Mas vêm cá: isso é discriminação. E a seleção brasileira? Como é que deixam Dunga de fora?"

Apoiado.

E por falar em muçulmanos, vamos para o outro lado.

Li na BBC sobre um grupo de humoristas muçulmano-americanos denominado "Allah Made Me Funny" (Alá Me Fez Engraçado), que resolveu enfrentar a discriminação com a melhor das armas, o riso.

Aliás, o grupo não está sozinho na empreitada. Estão aparecendo dentro da comunidade muçulmana dos EUA outros grupos, ou humoristas isolados, com o mesmo objetivo. Um dos mais conhecidos é o "Axis of Evil" (Eixo do Mal), formado por americanos com origem no Oriente Médio: Irã, Egito e Palestina. Segundo seus membros, só está faltanto um norte-coreano...

Alem dos preconceitos, esse grupos exploram as particularidades da comunidade islâmica. Por exemplo:

"Um dos estereótipos clássicos que as pessoas gostam de dizer é 'os homens islâmicos são terroristas, e as mulheres são oprimidas.' Eu pergunto: Alguma dessas pessoas já foi ao lar de um muçulmano? Se tivessem ido, saberiam que é exatamente o contrário".



20 de julho de 2007

Para não perder a mania

Estou, desde a última segunda-feira, tentando aproveitar da melhor maneira possível os 20 dias de férias aos quais, incrivelmente, tenho direito. Aproveitar significa, dentre outras coisas, dar uma maneirada no computador e, por tabela, neste blog. A família e a rede (de dormir) têm prioridade.

Entretanto, o mundo não para, e me vejo compelido a comentar brevemente alguns assuntos:

- Acidente em Guarulhos: Investigar, investigar e investigar. Até o fim, doa a quem doer. Esse mantra precisa ser repetido até a exaustão pelas autoridades. Mas, de longe, dá para suspeitar que a responsabilidade vai ser majoritariamente do governo. Por qualquer ângulo que se olhe (reforma atrasada da pista, utilização excessiva e desordenada de Congonhas, inação frente aos "desejos" das empresas aéreas, corte nos investimento aeroportuários, falta de capacidade de reação, etc. etc. etc.), esse governo falhou. É hora de tomar outro rumo e dar uma resposta adequada à nação. E chega de vacilações.

- Morte de ACM: Ele representava quase tudo contra o que eu sempre me opus. Conservadorismo regado à truculência, clientelismo e corrupção. Como nordestino, esse coquetel me parecia especialmente amargo por sintetizar vários outros "coronéis" que infelicitavam (alguns ainda infelicitam) o nosso povo. Mas, e sempre existe um mas, o mundo não é só preto ou branco. Os anos nos ajudam a ver que maniqueísmos de qualquer espécie não se sustentam. Até ACM têm em sua história atos bastante respeitáveis. O Alon citou um deles, passado na recriação da UNE em 1979. Pra terminar, nunca pensei que diria isso: Descanse em paz.

- Time do Dunga: Agora que a poeira já baixou um pouco, resta torcer para que o título da Copa América não acabe sendo um mal terrível para o futebol brasileiro, mascarando seus problemas e suas fraquezas, e que o Dunga não se aferre a concepções totalmente equivocadas e que podem levar a um novo período de trevas. Uma nova "Era Dunga", com o pior das eras Lazaroni e Parreira. Nessas horas, quem diria, até o Felipão seria um avanço.

14 de julho de 2007

Vaias e vaias

Esse é o tipo de assunto que vai render textos a rodo através da blogosfera tupiniquim (e alhures, talvez). Todo mundo vai querer opinar sobre a enorme vaia que o Lula recebeu na festa de abertura do Pan.

Bem, eu também quero hablar una cosita sobre o tema.

Primeiro, acho bom verificar bem qual o tipo de público que estava ontem no Maracanã. Povão típico de lá em dia de jogo certamente não era. Parte (não muitos) era de convidados, especialmente do COB, do governo do estado e da prefeitura. Os pagantes tiveram que desembolsar de R$ 20 até R$ 250. Ou seja, não era para qualquer um. Coisa para classe média ou mais. Alguém, com alguma dose de exagero, chegou a chamar de "plateia de brancos". Acho que não chega a tanto.

Depois, correu a boca pequena que haveria (vejam bem, estou falando no condicional) uma "claque" do César Maia, pronta para vaiar o Lula e o Sérgio Cabral e aplaudir o prefeito. Esse tipo de coisa é quase impossível de provar, mas que o prefeito escapou bem das vaias, isso escapou !

Outra explicação que está correndo é sobre uma reação de parte da população carioca, que resolveu abraçar esse Pan como ponto de virada no nível de auto-estima. Ao contrário do que a Globo estava martelando, esse é o PAN DO RIO, não o PAN DO BRASIL. Logo, qualquer elemento estranho mereceria levar um "chega pra lá". Sobrou pro Lula ...

Dito isso, é necessário ressaltar o lado pedagógico do fato. O Presidente da República foi alvo de estrondosa vaia em um ato público, e vai acontecer ... nada. Isso tem nome: democracia. Se faltava algum teste para nossas ainda adolescentes instituições democráticas, não falta mais.

Além disso, é bom que Lula compreenda que nosso povo, pelo menos boa parte dele, não tem ficado nada satisfeito com as atitudes que o presidente vem tomando frente a série de escândalos que vem pontuando seu governo, e também deplora posicionamentos de Lula claramente conflitantes com o ideário dos tempos de oposição.

Existe também, e não pode ser minimizada, a questão da falta de respeito pelo cidadão investido no cargo de Presidente da República, seja ele quem for, especialmente em uma ocasião com tal visibilidade no exterior. Não pegou bem, e ponto.

Para concluir: o país, sem dúvida, está melhor hoje do que em outros tempos, mas não é o paraíso na terra, e esse governo não é isento de erros, apesar do que alguns de seus membros pensam. Um pouco de humildade e autocrítica não fazem mal a ninguém.

7 de julho de 2007

Esclareçam-me, por favor

A propósito do Pan do Rio (aliás, é do Rio e não do Brasil, dona Globo), alguém pode tirar uma dúvida que vem me incomodando?

O estádio inaugurado sábado passado no bairro do Engenho de Dentro e que será utilizado para as provas de atletismo e jogos de futebol, e que está sendo popularmente chamado de Engenhão, tem como nome oficial Estádio João Havellange.

Como o estádio é da Prefeitura do Rio, e creio existir uma lei proibindo dar nome de pessoas vivas para obras públicas, o que diabos é que está acontecendo?

Aguardo ansiosamente respostas dos amáveis leitores.


P.S. Só não vale dizer que o homenageado morreu e não sabe ...

6 de julho de 2007

Meninos, eu vi

Já faz alguns dias estava me coçando para tocar no assunto Joaquim Roriz. E exatamente por que?

Porque, como o título deste post insinua, eu vi o início dessa tragicomédia dos absurdos.

Por um desses acasos, eu passava, por obrigação profissional, uma temporada de dois anos e meio em Brasília que abrangeu a nomeação do Roriz como governador do Distrito Federal pelo Sarney e sua eleição em 1990 para o mesmo cargo.

Eu presenciei a gestação e a implementação da política ultra-fisiológica e demagógica que propiciou a vitória esmagadora naquelas eleições e nas seguintes em que ele se candidatou. Vi nascer Samambaia, uma cidade-satélite formada quase totalmente por uma multidão de migrantes atraídos pela oferta de lotes, e que se transformaria, junto com outras do mesmo naipe, no curralzão eleitoral de Roriz, subjugando a tradição oposicionista do eleitorado do Plano Piloto e das cidades-satélites mais antigas.

Durante todos esses quase 20 anos, todo tipo de negociata foi realizada para beneficiar o grupo que circundava o "coronel" Roriz. O planejamento da capital federal foi subvertido inúmeras vezes para que o grupelho enchesse os bolsos. A imprensa foi silenciada, por cooptação ou por ameaças econômicas. Tudo acontecendo nas barbas dos poderes da República, que nada fizeram ou não conseguiram fazer.

O homem parecia ter sete vidas. Várias vezes pareceu ter chegado seu fim político, por obra de processos que enfrentou, os quais tinham provas robustas contra ele. Nunca deu em nada.

Agora, mais uma vez, Roriz é pego em situação muito comprometedora. Foi obrigado a renunciar ao cargo de Senador para evitar um processo de cassação com perda de direitos políticos. Será que, finalmente, estamos assistindo à derrocada de um dos mais flagrantes e despudorados corruptos que já conhecemos ?

Meninos, tomara que sim. Mas só acredito vendo.


P.S. O título desse post foi inspirado pelo início de um recente do Idelber sobre o apagão aéreo. Mas aqui a safadeza é de outra ordem.

30 de junho de 2007

Réquiem para um site: No Mínimo

Não teve jeito.

O No Mínimo deixou de ser atualizado ontem, 29/06.

Com isso, se encerra uma das mais democráticas vozes da mídia brasileira, qualquer que seja o formato. Uma experiência quase ímpar em termos de possibilidade de discussão de qualquer tema de forma livre, com textos de qualidade e forte interação com o público.

Cinco anos passaram rápido, mas deu para arrebanhar uma legião fiel de leitores e comentaristas, os quais marcaram (para o bem e para o mal) a face do site.

Não sei (e nem sei se quero saber) o que realmente levou ao fechamento do site. Quaisquer que sejam as razões, elas depõem contra o Brasil. Dá até uma certa deprê, uma falta de esperança no nosso futuro enquanto nação livre, democrática e justa.

Pra não ficar só chorando o leite derramado, é bom saber que alguns dos articulistas do site estão iniciando blogs pessoais com algum nível de interligação e seguindo o espírito do site descontinuado. Pedro Doria, Luiz Antonio Ryff, Carla Rodrigues, José Paulo Kupfer, Sérgio Rodrigues e Ricardo Calil já colocaram os seus no ar.

Para todos eles, obrigado, e como diria aquele filósofo de Vulcano: Vida Longa e Prosperidade.

Leão ferido

Tantos dias sem postar nada (falta de tempo e de saúde), e resolvo voltar falando de um tema muito, muito doloroso.

Que é isso, Fortaleza ? Quatro derrotas seguidas na Série B ?

Como um dos elencos mais caros da competição pode estar fazendo uma campanha tão sem ânimo, sem graça e sem despertar a esperança da torcida ? E olha que até começou bem, com três vitórias seguidas. Mas depois foram cinco derrotas em seis jogos. Tá difícil de entender.

A diretoria paga em dia, dá toda a assistência, contrata um técnico que não é nenhum novato (Marco Aurélio), e o time não decola! Só sabe jogar se defendendo, e mal contra-ataca. E quando a torcida chama de "time medroso" eles ainda reclamam ...

Eu sei que ainda estamos chegando à 25% do campeonato, mas algo tem que mudar JÁ. Novos jogadores, talvez novo técnico, um solavanco daqueles no elenco, sei lá. Mas, do jeito que vai, boa coisa é que não vem pela frente.

ACORDA, LEÃO !!!


ATUALIZAÇÃO (03/07) : Caiu o treinador. Contrataram o Amauri Knevitz, campeão paranaense com o modesto Paranavaí. Tomara que desta vez as coisas andem.

22 de junho de 2007

Vem de longe

Certas coisas nunca mudam. Algumas outras só pioram com o tempo.

Digo isso a partir da nota abaixo, pinçada da coluna De Olho no Dinheiro, assinada pelo jornalista Nazareno Albuquerque no jornal O Povo de Fortaleza do último final de semana.

GONTIJO: LOBISTA COM ESTÁGIO NO BEC
O presidente Lula tem razão: lobby é coisa para profissionais, embora cometam trapalhadas públicas. Cláudio Gontijo iniciou o seu "estágio" nesse negócio ainda jovem, em Fortaleza, como oficial de gabinete do então presidente do Banco do Estado do Ceará, Fernando Terra, no governo Gonzaga Mota, idos de 1983. Gontijo, boa pinta e envolvente, intermediou negócios já naqueles anos da complicada administração Terra. Deixou a cidade de repente, quando os negócios por aqui começaram a se complicar para os lados do BEC, onde estariam ocorrendo operações assombrosas. Agora seu nome ressurge, como lobista da empreiteira Mendes Júnior e amigo do senador Renan Calheiros, intermediando auxílio-maternidade ao presidente do Senado.

Para quem não sabe, foi a gestão do citado Fernando Terra que praticamente QUEBROU o Banco do Estado do Ceará, que teve que ser, sucessivamente, colocado sob intervenção do Banco Central, federalizado e privatizado. O erário público nunca foi ressarcido em nenhum tostão.

Pois é, Senador Renan, uma amizade dessas diz muito...


20 de junho de 2007

Reforma Constitucional

O Alon Feuerwerker publicou ontem mais um interessante post sobre a reforma política. Como já deu pra notar, o assunto chama bastante minha atenção, e resolvi fazer um comentário, o qual foi contestado por outro comentarista, e qual por sua vez foi treplicado por mim. Confuso, né?

Para facilitar, vou reproduzir os comentários:

Luiz disse...

Alguém falou que algumas mudanças (parlamento unicameral) exigiriam uma nova constituição.

Volto a perguntar: por que não uma constituinte exclusiva e restrita à reforma da organização política do país ?

Poderiam ser uns 100 ou 120 constituintes, que ficariam impedidos de assumir cargos públicos (eletivos ou não) por uns 6 anos após o encerramento dos trabalhos.


ppaliteiro disse...

Luis, não se brinca com constituinte mesmo localizadas. Nossa constituição atual nasceu da forma que vc colocou: a partir de uma emenda que a grosso modo ia reformar a organização política da constituição 67/69.

A diferença é que havia respaldo popular, estávamos saindo de uma ditadura. Uma constituinte agora, mesmo parcial é colocar o carro na frente dos bois. A ponto de precisarmos de uma constituinte pra resolver qualquer crise e banalizarmos o sentido de se ter constituição.

Seria necessária outra constituição por que só há uma forma de emendar a constituição e ela é cláusula pétrea. A democracia e o processo político são assim: cheios de altos e baixos.


Luiz disse ...

Caro ppaliteiro,

Vamos por partes:

1 - Não acho que haja perigo de uma constituinte exclusiva descambar para uma reforma ampla e geral. Basta que o texto que a convoque seja bem claro e restritivo.

2 - Apesar de serem momentos históricos díspares, penso que uma proposta que ensejasse uma mudança profunda na organização político-partidária-eleitoral teria amplo apoio popular. Até porque essa não é uma crise qualquer. Nossa estrutura de Estado está sendo corroída de maneira lenta porém constante, e o povão começa a se questionar sobre as vantagens da democracia, até atiçado por setores nada democráticos. Esse filme nós já vimos, e sabemos no que deu.

3 - Aferrar-se a certos dogmas, tipo cláusula pétrea, direito adquirido e etc., e por melhores que sejam as intenções, pode significar fazer o jogo dos setores mais conservadores, para dizer pouco.

4- E pra terminar: concordo com você quando fala dos altos e baixos da democracia e do processo político. Mas para a grande maioria do nosso povo sobram apenas os baixos, por obra e graça daqueles que nem é preciso nominar. E quando sobra ...


Quem quiser, não se acanhe. Pode meter a colher nesse angu.

Funcionalidade

Aderi ao Snap Shot. De agora em diante, basta colocar o cursor sobre qualquer dos links e vai aparecer um preview da página. A partir daí o amável leitor decidirá se vale ou não a pena acessar.

Quem não gostar dessa nova funcionalidade pode desabilitá-la em um botão no canto superior direito da janela que aparece.

19 de junho de 2007

É o Brasil ...

Hora de falar rápido (igualzinho a mim mesmo ao vivo):

- Caso Renan: vergonhosa a postura da tropa de choque que defende o senador na Comissão de Ética do Senado. Assistir a sessão de ontem foi deprimente, para dizer pouco. Partiram para cima do advogado da jornalista como cães esfomeados indo direto à jugular. Não tiveram dúvidas de trazer a questão pessoal para a cena aberta. Já na hora de ouvir o lobista, a coisa mudou totalmente de feição. Até elogio emocionado um dos senadores fez. Mas, apesar de tudo que tentaram, essa confusão está longe de acabar. e acho que acaba mal para o senador Renan...

- Pensão para o Lamarca: não é preciso concordar com todas as ideias e ações daqueles que pegaram em armas contra o regime militar para ter que reconhecer o patriotismo dos mesmos. Apesar dos equívocos, eram brasileiros muito dignos. Tentar impingir a eles a pecha de terrorista (especialmente com os contornos que o termo adquiriu nos anos mais recentes) é uma miopia histórica. Eles eram guerrilheiros lutando contra uma ditadura cruel. No caso do Lamarca ainda tentam chamá-lo de desertor. Mas foi o exército que saiu de seu papel constitucional para intervir descabidamente na vida política do país. E para terminar, Lamarca foi morto sem que houvesse confronto, ou seja, foi assassinado. Quanto à indenização em si, talvez valores mais modestos sejam a solução mais adequada.

Em tempo: a nossa "grande" imprensa continua arqui-reacionária. Até quando?

15 de junho de 2007

Rei do gado

Ontem o Brasil conheceu um verdadeiro fenômeno da sua pecuária, tanto na produtividade, verdadeiramente excepcional, quanto na extrema habilidade comercial. Trata-se do Presidente do Senado, Sen. Renan Calheiros.

Não sei o que o Pres. Lula está esperando para nomear o Sen. Renan para o Ministério da Agricultura. O homem é digno de toda a nossa admiração e merece todas as ovações possíveis e imagináveis!!!

Aliás, acho que nesse caso Ministério da Agricultura é pouco. O homem deveria ser nomeado para o cargo de Primeiro-Ministro. O fato de não sermos uma república parlamentarista não importa. Ele é o gerente que o Brasil tanto espera .


O nosso povo merece ...

13 de junho de 2007

Cidadão de segunda classe

Esta é para aqueles que sonham em viajar para o exterior e acham que tudo sempre será "um sonho".

Vejam o relato da jornalista Eliane Catanhêde, colunista da Folha, das agruras que passou em suas férias nos EUA e Israel.

Resumindo, ela foi tratada como cidadã de segunda classe, pelo fato de ser mulher e sul-americana e, no final escreveu isso:

"O namorado da minha filha, Carlos Frederico, acompanhou tudo isso como a minha família: perplexo, incrédulo. Quando voltei, ele matou a charada: eu passei nos EUA e em Israel o que milhares ou milhões de pobres passam no Brasil. Lá, eu era tão cidadão de segunda classe como eles são aqui."

Bem vinda ao clube.

Olha o golpe aí ...

E a ameaça de golpe parlamentar está começando a se materializar.

Os nossos dignos reprentantes na Câmara dos Deputados tentarão votar hoje a monstruosa reforma política, sobre a qual escrevi no post anterior. Aliás, chamar aquilo de "reforma política" só com exagerada dose de miopia. Trata-se, na realidade, de tentativa de eternização de grande parte daquilo que se convencionou chamar "elite dominante" (a expressão saiu um pouco de moda, mas é a que melhor se encaixa).

Tentam empurrar goela abaixo da nação um sistema em que, ao mesmo tempo que a população passaria a financiar os partidos políticos, perderia o direito de escolher nominalmente seus parlamentares, ficando atrelada a uma lista elaborada pelas cúpulas partidárias.

E para piorar, o projeto protege os atuais detentores de mandato, fazendo com que eles tenham preferência na composição da malfadada lista. Até aqueles que trocaram de partido ficaram protegidos, vejam só.

Dá pra chamar de outra coisa além de golpe ?


P.S. Já estava quase terminando de escrever quando resolvi dar uma espiada no que pensavam os principais colunistas políticos e blogueiros que tratam do assunto. NENHUM daqueles que realmente tenham alguma importância apoia essa "reforma". O Alon, o Elio Gaspari e o Idelber Avelar , por exemplo, não deixam dúvidas sobre o real sentido dessa safadeza. O Fernando Rodrigues e até o Josias (vejam só ...) também batem duro na maracutaia.

8 de junho de 2007

Reforma disforme

Estava ouvindo o noticiário no rádio do carro quando me deparei com um interessante comentário sobre a reforma política que tramita no Congresso. Interessante, mas poderia dizer polêmico, no mínimo.

O analista dizia mais ou menos isso: " A reforma política está parada no Congresso porque não se chega a um consenso sobre o voto em lista fechada, que é pré-requisito para o financiamento público exclusivo das campanhas, o qual ajudará a evitar algumas brechas para a corrupção atualmente existentes."

Como diria o açougueiro, vamos por partes.

Primeiro: voto em lista fechada só vai servir para eternizar nos legislativos aqueles políticos ligados às cúpulas partidárias. Apenas eles farão parte das listas, sabe-se lá usando quais meios. Além disso, o voto em lista é contra toda uma tradição do nosso povo de votar em pessoas e não em partidos. Iria virar eleição indireta.

Segundo: o financiamento público exclusivo não garante que os partidos e candidatos deixarão de utilizar-se do caixa 2. Aliás, aí é que essa prática iria se generalizar. Sem contar que os grandes partidos é que receberiam a esmagadora maioria do dinheiro vindo dos cofres públicos, já que a distribuição seria proporcional aos votos na eleição anterior. Ou seja, partidos de oposição em qualquer nível ficariam asfixiados economicamente.

Terceiro: juntando o que foi dito nos itens anteriores, só quem lucraria seria essa elite política que, sob quaisquer discursos, protagoniza a crise moral e de legitimidade que assola os parlamentos brasileiros e, conjuntamente, o governo em todas as suas esferas. E ainda chamam de reforma...

Qualquer coisa que não traga o ajuste da proporcionalidade das bancadas entre os estados e algum tipo de voto distrital, não merece ser chamado de reforma política.

Parece muito mais um acordo "deles com eles mesmos".

Coisa fina

Você pode chamar de praga, vudu, macumba, maldição, sei lá o nome...

Mas que essa indisposição estomacal do Bush lá no encontro do G-8 tem toda cara de "vingança maligna", isso tem .

Pensando bem, esses anos todos de (des)governo Bush já vem sendo um desarranjo só ...

6 de junho de 2007

O outro lado

Nesse momento em que tanto se discute a situação da liberdade de imprensa na Venezuela, por conta da não renovação da concessão do canal de televisão RCTV, é bom que olhemos o outro lado da história. Examinemos as razões de Hugo Chávez.

Bom início é uma lida no artigo de Bob Fernandes, no Terra Magazine. Ele está preparando um livro sobre Chávez e tem extenso material sobre o assunto, e no artigo se fixa na participação das grandes empresas de comunicação da Venezuela no golpe contra Chávez em abril de 2002.

Por coincidência, tal qual o artigo citado no post anterior, peço atenção para os parágrafos finais. Falam de Venezuela, mas também do Brasil.

Visão

Um dos meus interesses sempre foi o Oriente Médio, com sua história rica e seus conflitos aparentemente intermináveis. Palestinos, israelense, libaneses, sírios, iranianos, curdos e demais povos sempre me despertaram curiosidade e ocupam uma parte do meu tempo na web.

Uma das fontes de informação que costumo frequentar é a coluna que o jornalista brasileiro residente em Israel Nahum Sirotski mantém no IG Opinião. Não gosto muito da forma às vezes confusa e repetitiva com que ele escreve, mas dá para pinçar alguns fatos da política interna israelense que outras fontes não apresentam. E de vez em quando ele também cita fontes árabes as quais temos pouco acesso.

Tudo isso para chegar aqui: dêem uma lida na coluna do final de semana passado. Quem quiser pode ir direto ao último parágrafo. Resumindo, ele citou um comentarista da Al Jazeera que tratava do grupo Fatah al-Islam, atualmente em conflito aberto com o governo libanês em um campo de refugiados palestinos. O relevante é que o comentarista não encaixa o grupo em nenhuma categoria existente na região, mas considera que ele seja similar aos "atuantes na Colômbia e favelas do Brasil, nos segmentos onde não predominam a lei e a ordem".

Vejam só onde a (má) fama do Brasil em termos de segurança chegou.

Aplausos para todos os (ir)responsáveis ...


4 de junho de 2007

Não pode acabar

Acabei de saber da ameaça de fechamento do site NoMínimo , por problemas com a infra-estrutura econômica.

Sou leitor antigo do site, praticamente desde o seu renascimento das cinzas do antigo No . Era até um frequentador assíduo das caixas de comentário, mas deixei de fazê-lo nos últimos meses por duas razões: falta de tempo e queda acentuada na qualidade dos frequentadores.

Entretanto, problemas à parte, é necessário que os espaços mais qualificados da internet brasileira sejam preservados em seu direito de existir, até para servir de contraponto à miopia (para não dizer outra coisa...) da grande mídia brasileira.

Dessa forma, deixo aqui meus votos de que as questões práticas sejam resolvidas e o site continue no ar a partir de 01 de Julho, como seus editores anunciaram nesta nota.

2 de junho de 2007

Pra relaxar

Essa eu vi em um comentário no Sergio Leo , e não resisti a transcrever:

"Conta-se que viajavam à noite num mesmo carro por uma estrada perdida e solitária de lugar algum, três indivíduos: um argentino, um israelense judeu e um indiano hindu.
O carro quebrou, parou. E eles vislumbram ao longe uma casinha. Foram até lá a pé. Não havia ninguém. Na casa minúscula só existiam e cabiam duas camas. Ao lado da casa, porém, um estábulo com alguns animais. Tirou-se a sorte para saber qual dos três - o perdedor - dormiria no estábulo.
Perdeu o israelense. Cinco minutos, depois, batem à porta: era o israelense, dizendo que lamenta mas não pode dormir no estábulo porque nele há um porco e ele não pode ficar ao lado do animal "imundo" segundo sua religião.
O indiano se prontifica a substituí-lo e vai para o estábulo. Cinco minutos depois, batem à porta: era o indiano dizendo que também não pode lá dormir para não pertubar a vaca que lá se encontra, animal sagrado segundo sua religião.
O argentino vai então, com relutância, mas vai. Cinco minutos depois batem à porta: são o porco e a vaca....."

1 de junho de 2007

Chá de simancol

Essa eu li no Noblat : os ministros do Supremo desistiram, na última hora, de autorizar uma compra de veículos com blindagem para utilização por eles mesmos em Brasília. Um dos ministros teve o bom senso de perguntar qual seria a reação da opinião pública.

Economia de R$ 1.700.00,00 para os cofres "públicos".

Enquanto isso, na licitação para aquisição de 200 veículos para a PM do Ceará, o contribuinte pode morrer com uns R$ 6.000.000,00 a mais do que o necessário. Por que? Simples, o edital exigiu que os veículos tivessem câmbio automático e tração 4X4 tempo integral.

Caro leitor, pense rápido e responda: é necessário que veículos policiais destinados a rondas e perseguições tenham uma configuração tipo Toyota Hilux ? Quanto tempo vocês acham que tais veículos resistiriam aos maus tratos e péssima manutenção que nossas polícias , regra geral, oferecem à suas viaturas ?

Para não acharem que é implicância, leiam essa coluna, especializada em veículos, do jornal O
Povo.

Parece que foi ontem

Hoje completam-se 40 anos do lançamento do álbum "Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band" pelos Beatles.
Tanto já se falou sobre a importância do álbum na história da cultura pop, que pouco ficou a ser dito.
O que me ocorreu foi a questão do tempo em si.
Ao contrário da maior parte do que hoje é produzido, que mal sobrevive 40 dias (algumas coisas mereceriam sobreviver 40 segundos...), estamos falando de algo lançado 40 ANOS atrás.
Poucos de nós ainda estarão nessa vida daqui a mais 40 anos para conferir. Mas pouco do que produzimos, qualquer que seja a área, será digno de nota em 2047. Olho para os lados mundo afora e encontro pouquíssimos personagens que me façam desconfiar que terão suas obras lembradas. Quase tudo é descartável ao extremo, visando apenas os "15 minutos" de que falou Andy Wahrol. Mas isso é outra conversa ...
Sou assumidamente fã dos Beatles, e olha que não tinha idade para acompanhar seu trabalho na época. Sou daqueles que descobriram a obra a posteriori, mas até por isso deixou-se encantar sem perder um olhar crítico que o distanciamento temporal, mesmo pequeno, proporcionou. Também foi super legal apresentar os Beatles ao meu filho, que hoje tem 16 anos. E rever tudo junto com ele acrescentou-me a visão da geração internet, tão vivaz quanto ácida (calma ...).
E parece que foi ontem que tudo aconteceu ...


P.S. O disco "Love", com a trilha do show do Cirque de Soleil é um achado! O trabalho de remixar e rearranjar as músicas dos Beatles ficou excelente. Até porque criou sem desfigurar.